Chapitre 2 : l’exercice du pouvoir
II- Evolution du comportement du dirigeant et de l’organisation du pouvoir dans l’entreprise
As primeiras limitações e dificuldades foram de natureza pessoal. Desde o início que o facto de ser estagiária e como tal poder ser considerada menos profissional e menos competente, constituiu-se como preocupação permanente.
Na verdade, mesmo que se considere como irrelevante, há sempre um receio acrescido quando estamos entregues às orientações de um estagiário. A conquista da confiança e o estabelecer de uma relação de relativa proximidade entre o aluno e o professor são sempre mais demoradas e difíceis quando o professor ainda está destituído de uma certa “autoridade”.
Para contrariar tal facto, fiz um maior esforço de aproximação e de envolvimento, aluno a aluno, disponibilizei-me sempre em ajudá-los na prática de cada exercício, correção técnica dos movimentos, dando-lhe apoio em cada dificuldade. Procurei fomentar/explorar ao máximo a motivação e a integração de todos os alunos, preocupando-me sempre com a dinâmica nas atividades físicas que estimulasse um maior entusiasmo. Procurei logo na primeira aula, proporcionar um ambiente descontraído e agradável a todos. Com esse objetivo programei uma aula diferente, optei por realizar alguns jogos e iniciei com um, onde cada aluno tinha de mencionar uma característica pessoal com a inicial do seu próprio nome. Este exercício resultou muito bem, foi conseguida uma interação bastante dinâmica, descontraída, proactiva e divertida, o que causou de imediato um bom ambiente entre todos e facilitou a integração da turma.
No início de cada sessão e no sentido de promover e reforçar as relações sociais, de criar e desenvolver as amizades, de estimular a comunicação interpessoal do grupo, favorecendo a interação social e suscitar interesse, proporcionei um pequeno momento de convívio, estimulando o diálogo e a partilha de acontecimentos do dia-a-dia da vida quotidiana.
Durante os dois primeiros meses, período muito desafiante para mim, procurei conhecer profundamente cada um dos alunos, avaliar as características de cada um de forma individual e percecionar os aspetos mais importantes que me ajudassem a definir, preparar e realizar o trabalho em cada uma das aulas. Todos os comportamentos foram sinais de alerta e cuidado na sua análise e
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interpretação, dos quais destaco: os olhares, os gestos, as expressões faciais, reação corporal perante diversas situações, a comunicação corporal, relações interpessoais, capacidade de integração no grupo, concentração e forma de comunicação.
Com este processo de avaliação consegui identificar as barreiras e limitações à atribuição de cada exercício, de modo a que o trabalho fosse executado de forma adequada e ajustada aos objetivos/benefícios pretendidos, dando especial atenção às necessidades de cada um, motivações, capacidades físicas, psíquicas e cognitivas.
Ao longo do tempo foram surgindo algumas questões, relativas às dificuldades e limitações com que se deparavam nas rotinas do dia-a-dia, às quais dediquei a melhor atenção e que sempre considerei relevantes e pertinentes, para conseguir planear o meu trabalho da forma mais precisa, eficiente e eficaz. Algumas das quais manifestadas em simples atividades quotidianas onde se sentiam limitados ou até impedidos de determinados movimentos que consideravam essenciais e indispensáveis para as suas rotinas diárias. Deste modo, o programar das aulas e dos exercícios físicos trabalhados foram definidos de forma a conseguir maior massa e força muscular, mobilidade, autonomia com atenção à correção postural e à redução de desconforto nos músculos eretores da coluna.
Adicionalmente surgiram outras questões não diretamente relacionadas com as sessões de exercício físico, mas consideradas fundamentais para a motivação, para as atitudes e comportamentos mais ativos e saudáveis. Para todas as questões realizei um trabalho de pesquisa e recolha de informação.
Procurei sempre dar respostas tão completas quanto possível, recorrendo a dados científicos na revisão da literatura.
Desenhei um programa de treino com os exercícios que entendi mais adequados à turma e a cada um dos alunos, considerando toda a informação que me transmitiam e o conhecimento que tinha relativamente a cada aluno, nomeadamente o histórico de saúde e de prática desportiva.
As minhas aulas foram programadas em função das necessidades, dificuldades e carências dos alunos com a finalidade de alcançar objetivos concretos, de forma a contribuir para a sua realização e satisfação pessoal.
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Propus, sempre que possível, exercícios comuns de cariz mais funcional, de forma a simular os desafios que o idoso enfrenta no seu dia-a-dia. Estas situações da vida real facilitam a explicação e o entendimento da importância de determinados exercícios, transportando-os para as tarefas diárias.
A preocupação inicial de criar um clima de confiança e de o consolidar ao longo de todo o projeto foi uma constante. Consegui merecer de todos eles a confiança em mim e no meu trabalho e cheguei ao fim a concluir que os meus receios iniciais foram cruciais, mas não faziam qualquer sentido.
O segundo conjunto de limitações e dificuldades foram de natureza geral e de planeamento. Os idosos com que trabalhei apresentavam características muito díspares, que foram desde uma amplitude de idades muito significativa, passando por níveis de condição física e psicológica muito heterogéneos, para além de habilitações literárias, competências e experiências de vida muito diversificados.
O grupo foi por isso segmentado em quatro grupos de trabalho, três dos quais de multicomponente e um de musculação. Cada uma das quatro turmas apresentou limitações e dificuldades comuns que trarei de seguida e outras especificas a que darei nota de acordo com a referida segmentação.
Procedi à avaliação, realizada de forma subjetiva pela escala de Borg modificada e pelo Talk Test (Borg, 1998). Apesar de ter sido a opção assumida, atendendo a que é um método simples e rápido, válido na monitorização da intensidade do treino e que se pode aplicar facilmente e sem disponibilidade de material, este nem sempre se revelou como fiável. Com o tempo fui-me apercebendo que a classificação da intensidade que os alunos atribuíam ao seu esforço não correspondia aos sinais do corpo, ou seja, não apresentavam grandes alterações na respiração, nem à face ruborizada. Assim, conclui que esta forma de análise não traduz clareza na sua validade e fiabilidade, posição partilhada por (Ritchie, 2012). Hoje teria optado por um outro método de avaliação da intensidade da aula, por exemplo, através do cardiofrequencímetros, para interpretar os resultados e elaborar outras conclusões mais objetivas.
Basicamente em todas as turmas as cargas atribuídas aos exercícios foram um obstáculo nas aulas. Senti imensa dificuldade em implementar exercícios
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com cargas, por exemplo na atribuição de uma carga especifica quando pela observação dos sinais do corpo eu percecionava o contrário do que me referiam.
Sempre que tentava incluir materiais como o Kettlebel, a bola medicinal e até mesmo halteres, sentia logo grandes dificuldades e resistência à sua utilização. De forma a contrariar estas dificuldades, expliquei a importância de cada exercício e o aumento das respetivas cargas, referindo comportamentos do dia- a-dia e assim estas dificuldades acabaram por ser ultrapassadas.
Foi muito gratificante ver a alegria demonstrada pelos alunos, quando se viram capazes de superarem as suas limitações, que, na minha opinião, eram maioritariamente psicológicas e não físicas. Ficou evidente a grande dificuldade que é fazer com que os alunos ultrapassem as suas barreias físicas e psicológicas que eles próprios criam. É de extrema relevância realizar aulas para os sensibilizar para a importância da atividade física nestas idades, motivá-los á prática de exercício físico e aumentar a capacidade de superação das barreiras e limitações que criam diariamente.
A divulgação positiva dos meios de comunicação e científicos sobre a importância da prática de exercícios físicos para a saúde, pode ser uma ferramenta para o fator motivacional (Mota, 2004). De acordo com Mazo (2009) os três fatores mais relevantes para a inserção e permanência no programa de exercícios físicos são saúde, prazer, sociabilidade.
A saúde é apontada como o principal fator de adesão motivada pela manutenção da saúde e de bom nível de aptidão física para a saúde (Freitas et al., 2007; Stiggelbout et al., 2008). O prazer é o segundo principal facto, vindo de uma motivação intrínseca que evidencia o desejo pessoal associado à realização e satisfação em estar em um grupo social, com manifestações de respeito, cumplicidade e reconhecimento social, desejos que se tornam importantes, principalmente, nesta fase da vida (Mazo et al., 2009). A sociabilidade é também um fator de grande importância para a inserção e que contribui positivamente tempo de permanência no programa (Cerri & Simões, 2007; Markland & Ingledew, 1997). Sendo que esta corresponde a uma necessidade psicológica do indivíduo, a de ser aceita num grupo, e a satisfação dessa necessidade está associada à motivação intrínseca do indivíduo, representando um aspeto favorável para a manutenção dos idosos no programa
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de exercício físico. Desta forma penso que seria interessante considerar este fator nos programas de atividade física dos idosos Mais Ativos Mais Vividos ao qual deve de ser dado uma maior importância no próprio planeamento.
De uma forma geral e de acordo o ACSM (2018), o programa de exercícios devem ser prescritas na observância das características, necessidades, objetivos, estado de saúde e nível inicial de aptidão física dos idosos, de maneira a que este sinta superação pessoal, sendo determinante para a continuidade da prática a motivação (Spirduso et al., 2004).
Turmas Multicomponente
No caso das turmas Multicomponente (GMT) e “trajetórias” (GT), no período de diagnóstico/observação, com a realização das aulas em grupo e em circuito, pude verificar que as aulas em circuito seriam mais ajustadas, pois conseguia observar cada aluno na execução de cada exercício, podendo corrigir, modificar ou adaptar o exercício da forma mais adequada às necessidades/patologias do aluno em relação aos movimentos que precisava de exercer na concretização da atividade física.
Assim, em cada aula foi possível apurar pormenores importantes para melhorar/ajustar as aulas seguintes, consegui promover atividades mais dinâmicas, sem distrações e perda de interesse por parte dos alunos. Consegui melhorar o controlo da intensidade dos exercícios em cada aluno, respeitando sempre as necessidades/limitações de cada um.
Turma de Aldoar – Boby & Brain – BB
No caso específico da turma de Aldoar (BB) estamos perante um grupo de idosos com grandes dificuldades e limitações, físicas e psicológicas e por isso com necessidades especiais. Obrigou a uma atenção redobrada e a maiores cuidados e por isso foi uma turma mais exigente, obrigando a um planeamento de aulas mais pormenorizado, com exercícios adaptados às suas necessidades e características.
Nesta turma o planeamento das aulas, apesar de, desde início, ter sido ajustado à população alvo, nem sempre foi possível aplicá-lo tal como previsto, nomeadamente nos exercícios de resistência aeróbia e de equilíbrio. Assim, os
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alunos não toleravam os 20 minutos previstos para a resistência aeróbia, estes foram divididos em dois períodos de 10 minutos.
Por outro lado, dada a dificuldade de realização dos exercidos de equilíbrio, estes passaram a ser realizados antes dos de reforço muscular para evitar a fadiga muscular. As aulas tiveram de ser dadas, na maioritariamente, em posição sentada, alternando com a posição de pé.
Para além disso, vários idosos tinham problemas de artrose, instabilidades articulares e dores, o que limitou a execução de vários exercícios. A incapacidade relacionada à dor afeta aspetos emocionais, psicossociais e a capacidade funcional. No caso dos idosos muito debilitados, o simples caminhar chegou a ser sinonimo de dor e representou uma atividade de risco, devido à falta de força e equilíbrio, que poderia levar a quedas.
Por um lado, as características de foro psicológico/emocional, em que era evidente que o desempenho de cada um dependia do estado emocional que se encontrava, e a perda de função cognitiva que resultaram no não entendimento ou não reconhecimento da utilidade/beneficio do exercício limitaram a execução e dinâmica das sessões de exercício físico.
O desânimo e a desmotivação daqui resultantes foram ainda agravados pela fuga á rotina, causada pela necessidade de vir ao treino, forçando-os a sair das instituições, situação que em dias de chuva era ainda mais critica. Relativamente às limitações do foro psicológico/emocional foram evitados alguns tipos de música em virtude de aqueles poderem provocar no idoso, sentimentos e despertar recordações que colocariam em causa o humor e por isso a concentração dos alunos, reduzindo o interesse e o empenho e até o prazer na realização dos exercícios (Miranda & Godeli, 2008).
Compreendi que os alunos nem sempre davam respostas aos meus estímulos no decorrer da aula e que precisavam de incentivos constantes em cada exercício. Passei a controlar e a adequar o posicionamento dos alunos em relação a mim, com vista a que ficassem voltados de frente, com boa visibilidade no acompanhamento dos meus movimentos/exercícios. Desta forma também conseguia ter uma boa visão sobre eles o que me permitia acompanhar devidamente os exercícios e corrigir as posturas e movimentos incorretos.
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A principal prioridade que assumi foi captar o interesse dos alunos e dar-lhes a atenção e apoio sempre que necessário para que eles não desmotivassem e mantivessem o empenho em cada atividade. Tentei proporcionar-lhes sempre boas emoções e a possibilidade de obter do exercício físico um estado de prazer e satisfação, e um momento de convívio que contribuísse para o bem-estar físico e psicológico. Apesar das dificuldades sentidas, a turma mostrou-se recetiva á prática do exercício físico. Inicialmente senti que tinham muitas dificuldades na marcha, arrastavam pés, a capacidade aeróbia era muito debilitada e o equilíbrio reduzido. Aos poucos foram melhorando, permitindo introduzir novos exercícios, dos quais, alguns mais complexos.
No entanto, estes alunos, apresentaram muitas variações na capacidade física e no humor, o que por vezes dificultou o nosso trabalho. Este foi um processo difícil para mim, não consegui verificar uma evolução constante, as metas alcançadas numa semana, nem sempre se mantinham, muito menos evoluíam, porque logo na semana seguinte, constatava a regressão total do trabalho que tinha sido feito.
Turma de Musculação – GM
Com a turma de musculação, as principais limitações e dificuldades estiveram essencialmente relacionadas com as condições físicas e técnicas da sala e dos equipamentos disponíveis. Quanto à disposição da sala de musculação, penso que existem alguns aspetos a melhorar, as máquinas poderiam ter uma disposição diferente uma vez que senti dificuldades no contacto visual efetivo a todos os alunos. Para contrariar a situação, passei eu a movimentar-me mais pela sala fazendo um acompanhamento próximo e evitando que os alunos se distraíssem e negligenciarem a execução dos exercícios. Outra dificuldade, esta relacionada com momentos da aula de musculação que pode se tornar cansativa e pouco estimulante, e de forma a contornar esta situação seria importante por exemplo colocar o estímulo da música que ao ser agradável provoca alterações psicológicas e fisiológicas no ser humano. Durante a prática do exercício este estímulo pode aumentar a motivação ajudando na distração das dores musculares e provocar alterações nas respostas fisiológicas como a frequência cardíaca. Desta forma a relação musica exercício físico melhora a motivação e
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também o rendimento (Santos, 2008). Finalmente, importa ainda mencionar o esforço permanente de apuramento da melhor forma de trabalhar com uma turma tão heterogénea, desde logo com idades e motivações muito diferentes.
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