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Os hologramas têm de ser iluminados com um feixe de luz, a propagar-se na direcção oposta ao feixe de referência usado no registo, para que se forme devidamente a imagem holográfica. Conforme o tipo de holograma, ou é iluminado com luz branca ou com luz coerente. Em qualquer dos casos tem de ser iluminado no ângulo certo, para poder ser completamente visualizado. Também é necessário ter em conta, que para a imagem holográfica poder ser

observada integralmente, o holograma deve ser colocado de maneira a que a altura seja a altura média das pessoas.

A distância ideal, do observador ao holograma, tem que ser encontrada por tentativas, a não ser que esteja assinalada por uma marca. Mesmo estando assinalada, varia um pouco, conforme a altura das pessoas.

Nos hologramas estereoscópicos, torna-se ainda difícil para algumas pessoas fundir duas imagens numa só, não se sabendo ainda ao certo, se as visualizam imediatamente, ou se têm que ser “ensinadas” a ver estereoscopicamente.

No caso dos hologramas estereoscópicos, as imagens formadas sofrem também o Efeito de Emmert, o que confunde muitas vezes as pessoas, por mostrarem exactamente o contrário, da visão a que estamos habituados. Quanto mais longe estiver a imagem, maior aparece e quanto mais próxima, mais pequena parece ser.

Graham Saxby116 propõe algumas soluções para expor hologramas de vários tipos. Saxby refere as indicações de Rosemary Posy-Jackson, antiga Directora do Museu de Holografia de Nova Iorque, como importantes a ter em conta, na preparação de exposições de holografia, como embalar e pendurar hologramas, etc. Entre elas salientam-se as que dizem respeito às condições de iluminação e visualização dos vários tipos de hologramas, mas apesar de sugerir algumas dimensões para a colocação do holograma, assim como dos ângulos de incidência da luz, ele recomenda que se façam as correcções que se julguem necessárias, pontualmente, para optimizar a sua visualização.

A sua colocação no espaço visual depende também do seu tipo. Se for um holograma de reflexão pode estar encostado num suporte e ser iluminado pela frente.

Por outro lado, se for um holograma de transmissão, a iluminação tem que ser feita por trás do holograma, o que exige espaço suficiente, que permita a sua iluminação nas condições exigidas. Além disso, deve ter-se em conta que a luz que ilumina o holograma, incide por vezes nos olhos dos observadores, perturbando-os.

116

O holograma poderá ser apresentado por si só, ou integrado numa instalação, juntamente com outros materiais e meios visuais.

A instalação holográfica é uma produção artística que consta principalmente da integração luminosa de imagens holográficas num determinado espaço, de maneira que elas não sejam os únicos veículos formais do sentido da obra, e que o observador possa deambular entre elas.

A holografia de transmissão de luz branca convém particularmente a esta prática “instalaccionista”, porque os pontos de iluminação da transmissão luminosa da imagem, obrigam a “instalar” os hologramas no centro do espaço da esposição, ou bastante longe da parede.

A instalação holográfica acrescenta o factor tempo a este tipo de imagens luminosas e cinéticas, uma vez que a globalidade da sua presença sensível, só pode ser apercebida, numa relação interactiva entre o observador e a obra. Esta interactividade holográfica de base, pode ser diversificada e amplificada pelas formas de apresentação que utilizam um sistema de controlo de iluminação pré- estabelecido, ou reagindo à presença e aos movimentos do observador117.

No caso dos hologramas estereográficos a iluminação é feita a partir do centro e de baixo. Estes hologramas são colocados em superfícies cilíndricas de entre 120° a 360°, tendo normalmente já incorporadas no seu suporte, as lâmpadas com que irão ser iluminados.

A iluminação deve ser feita por fontes de luz pontuais, por exemplo de halogénio, com a potência adequada e colocadas em projectores que possibilitem o direccionamento no ângulo correcto.

Benton e a sua equipa têm vindo a desenvolver alguns estudos, com vista à iluminação do holograma através da espessura da placa holográfica, num ângulo lateral, que não dificulte a visão do holograma118.

117

Poissant, et al., Dictionnaire des Arts Médiatoques, Collection Esthétique, Ptresses de l’Université du Québec, 1995, p.177.

118

Nesbitt, Ryder, Edgelit Holography: Extending Size and Colour, S. M. Thesis, Program in Media Arts and Sciences, Massachusetts Institute of Technology, September 1999.

Neste capítulo fez-se uma abordagem resumida da holografia e das características específicas de alguns tipos de hologramas.

Muitas escolhas se oferecem em diferentes estados da elaboração de um holograma. Estas escolhas permitem à obra de um hológrafo ser única em si, segundo a visão do mundo do artista e por referência ao médium.

A luz é fundamental. Sendo o lado mais atraente da holografia, a sua capacidade de transformar a luz em substância aparente, ou seja, uma “iluminação metafórica das visões”.

Consoante o tipo de técnica em que foi registado o holograma pode-se ter um tipo específico de espaço holográfico.

Na holografia, é possível colocar o espaço da frente atrás, ou seja, formas mais próximas parecerem mais pequenas do que outras situadas mais longe; é possível que uma imagem volumétrica convexa passe a ser côncava; e, de maneiras paradoxais e impossíveis para outros média, é possível tornar aquilo que é opaco transparente.

No holograma, a imagem holográfica pode flutuar, quer à frente, quer atrás, do plano do holograma.

A multiplicidade do espaço e do tempo, assim como a sensação de presença e ausência da imagem no holograma, as relações de luz e cor de elevada pureza e brilho que se estabelecem na imagem holográfica, permitem uma nova maneira de entender a maleabilidade do espaço, através da plasticidade da luz.

Esta nova abordagem da holografia, contribuiu para o desenvolvimento das peças/objectos, “Espreitar duas vezes” e “Observador cinestésico”.

Capítulo V