VI. 2.2.1.2 Protocole
VII.3 Adsorption des biocides sur les matières en suspension
VII.3.6 Evaluation des quantités de biocides adsorbées sur les MES dans les rejets du CHU
Este capítulo foi construído com a intenção de apontar perspectivas. Sposati (2009) menciona que, na construção do sistema de proteção social não contributivo brasileiro, é interessante utilizar a metáfora da bússola. Nessa imagem, a bússola representa os marcos regulatórios, ou seja, o que foi construído e consolidado até aqui. Fazendo uso dessa bússola, o caminho a ser percorrido é construído pelo profissional no solo do seu cotidiano.
As falas aqui apresentadas revelaram que os profissionais carecem de estratégias que favoreçam seu aprimoramento. Ao mesmo tempo, as falas revelam que os assistentes sociais têm construído um legado de conhecimento no que tange ao trabalho com famílias.
No cotidiano, apesar da insegurança e das dificuldades mencionadas, é possível afirmar que há conhecimento sendo produzido, mas que precisa de sistematicidade e mecanismos de socialização. As pesquisas feitas por profissionais em seus locais de trabalho também são necessárias.
Nesse sentido, a perspectiva da educação permanente – no entendimento da pesquisadora – pode auxiliar o assistente social a refletir seu cotidiano, a estabelecer mediações e a construir conhecimento no sentido de fortalecimento do Suas.
Nesse processo posto pela prática, na medida em que o concreto é resultado das várias práticas humanas e apreendido teoricamente pelo pensamento, teoria e prática se encontram. (SANTOS, 2013, p. 21).
Dessa forma, na perspectiva do materialismo histórico dialético, na prática a
teoria só pode ser a mesma, uma vez que ela é o lugar onde o pensamento
legalidades, as racionalidades, as conexões internas postas nos produtos da ação práticas dos homens, assim, não há como na prática a teoria ser
outra. (SANTOS, 2013, p. 27).
Diante do exposto, o horizonte da educação permanente, se compreendido numa perspectiva crítica, pode auxiliar, também, a dissipar confusões a respeito da relação teoria e prática, contribuindo para a socialização do que tem sido desenvolvido nos Creas–Paefi da capital paulista, partilhando o saber na direção da construção coletiva do conhecimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo desta dissertação foram apresentados elementos que buscaram favorecer a reflexão acerca da política social de assistência social no âmbito da proteção social especial, notadamente, no Creas-Paefi.
A partir da tentativa de responder às perguntas – Como é o cotidiano do trabalho dos assistentes sociais dos Creas-Paefi? Quais são as suas estratégias e seus desafios para o desenvolvimento do trabalho com famílias e indivíduos em situação violação de direitos? –, refletiu-se sobre diversas temáticas, como: a realidade da implementação da PNAS e do Suas na cidade de São Paulo; a estrutura dos Creas; as características da gestão e das equipes; e, por fim, como é o cotidiano de trabalho no Paefi.
Percebeu-se que, na realidade de São Paulo, a implantação do Suas se dá de modo muito peculiar, se comparada ao restante do País, em decorrência do porte e das diversidades territoriais existentes na cidade. Isso resulta em estratégias específicas, como, por exemplo, a divisão em Supervisões de Assistência Social localizadas na região correspondente a cada subprefeitura.
Cabe destacar as manobras de gestão que São Paulo apresenta no desenvolvimento da assistência social: sejam as adequações tardias às orientações do MDS – exemplo disso foi o início da implantação dos Creas apenas em 2008 – seja a exacerbante política de convênios com organizações sociais para execução dos serviços da rede socioassistencial. Esta última tem, sobretudo, significado o descumprimento da NOB-RH – como é o exemplo da criação do NPJ para substituir a equipe técnica do Paefi. Em suma, São Paulo é uma cidade única na realidade nacional e a implantação do Suas, nesse contexto, ainda é um desafio. Por esse motivo, o trabalho e os serviços da proteção social especial em São Paulo carecem ainda de muitos estudos e pesquisas.
Nas reflexões sobre o Paefi, sobressaíram-se os desafios presentes nas relações intersetoriais com os diversos órgãos do sistema de garantia de direitos, notadamente, o Judiciário. Há sérios riscos de equívocos nos encaminhamentos, de desvios nas atribuições do Creas e na linha das relações interinstitucionais, quando
o Judiciário se arroga o direito de determinar as ações a serem realizadas pelos profissionais do Executivo. Acrescenta-se a essa realidade a tendência ao enquadramento e julgamento das famílias, o que mostra a magnitude da necessidade e articulação das discussão e dos estudos a serem desenvolvidos em torno dessa temática.
A partir do entendimento de que a família manifesta em si as mais variadas características da vida cotidiana, as reflexões avançaram pautadas nas categorias
cotidiano e mediação, esta última que se mostrou crucial para a compreensão das
demandas postas ao Paefi.
Compreender, num primeiro momento, como o sofrimento, a exclusão, a violência, o risco e a vulnerabilidade se manifestam na realidade de cada família e de cada indivíduo atendido no Paefi, coloca-se como um exercício necessário para o atendimento digno.
Cabe destacar que, para a realidade da proteção social especial, está colocado o desafio de refletir sobre as categorias sofrimento, exclusão, violência, risco e vulnerabilidade em suas mais variadas formas, não apenas quando ocasionadas pela pobreza – pois a violência atinge todas as classes sociais ainda que a maior demanda da assistência social seja de pessoas também com privação de necessidades básicas.
Num segundo momento, é necessário entender essas formas de violação de direitos na perspectiva da totalidade, exercício fundamental para que o assistente social desenvolva sua prática profissional com vistas à garantia e defesa de direitos. Cabe ainda ao profissional interpretar as normativas vigentes no âmbito do Suas – que são pensadas para a realidade nacional – e aproximá-las de sua realidade local, especificamente em relação às situações postas à sua intervenção no Paefi. Assim, esse trânsito da realidade universal para a singular só pode dar-se mediante a particularidade.
Ao refletir sobre as falas das entrevistadas, notou-se que o cotidiano de trabalho do Paefi é tenso, repleto de demandas, tarefas e dilemas intra e extra Suas. As equipes são pequenas e a insegurança e o desgaste do profissional para lidar com demandas complexas e volumosas são consideráveis.
Contudo, observou-se que as profissionais entrevistadas desenvolvem estratégias para o trabalho com famílias em seu cotidiano, cabe destacar: as discussões de casos, as reuniões de rede, as leituras de materiais e, sobretudo, as reflexões sobre o que está colocado à sua demanda profissional.
Chamou a atenção da pesquisadora o exercício de reflexão que as entrevistadas atuantes no Paefi mencionaram a respeito de não julgar e não sobrecarregar as famílias acompanhadas. Isso revela que – mesmo diante da tendência ao familismo – os profissionais lidam com essas demandas criticamente e que o trabalho com famílias não é, por natureza, conservador. Muito se tem avançado na perspectiva da matricialidade sociofamiliar, pois é nessa perspectiva que o trabalho com famílias – coletivo ou individualizado – toma proporções de defesa de direitos, sobretudo à autonomia e ao convívio.
Por diversas vezes as profissionais do Paefi mencionaram a necessidade de capacitação e aprimoramento profissional para lidar com as demandas de trabalho, bem como de momentos de reflexão em equipe e, sobretudo, de supervisão de um profissional externo. Esses comentários fomentaram ainda mais o que a pesquisadora já levantara como necessidade e o que fora sugerido pelas professoras Maria Carmelita Yazbek e Maria Lúcia Martinelli na ocasião da qualificação deste trabalho: é preciso pensar a formação desses profissionais.
Como este estudo não se propôs a discutir a formação como tema central e foi desenvolvido tendo como pano de fundo o cotidiano do assistente social no Creas-Paefi, elegeu-se refletir sobre a formação continuada ou a formação em trabalho. Para isso, fez-se uma breve aproximação da perspectiva da educação permanente.
A fala das profissionais entrevistadas e suas referências à área de educação permanente mostraram que, de fato, na realidade dos Creas-Paefi urge – por parte da gestão – pensar em estratégias de formação emancipadora e participativa dos profissionais. E por parte dos profissionais urgem a identificação e reflexão sobre o potencial que possuem em seu cotidiano de trabalho para a construção de um conhecimento que ancore uma prática efetiva e eficaz no sentido da garantia de direitos.
Embora as profissionais do Paefi entrevistadas tenham construído e desenvolvido um conhecimento específico no que tange ao trabalho com famílias em situação de risco e vulnerabilidade social, essas estratégias têm sido pouco registradas ou socializadas.
Em síntese, defender a perspectiva da educação permanente no Suas, notadamente nos espaços dos Creas-Paefi, é decisivo para que o que se tem construído nas demandas miúdas do cotidiano seja refletido e socializado. O caminho para esse tipo de educação deve ter por base um entendimento de que os trabalhadores atuais da PNAS podem sim ser os vetores de uma posição de ruptura com a permanência/continuidade de práticas conservadoras na assistência social.
Assim, cabe aos assistentes sociais prosseguirem com a reflexão e elaboração de mediações entre a teoria assumida e a prática realizada, a fim de desvelar a miséria e a riqueza escondidas no seu cotidiano profissional e encontrar os caminhos mais efetivos para – a partir daí – ampliarem a construção de seu saber sobre a prática, tendo por base um conhecimento teórico consistente.
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APÊNDICES
APÊNDICE A – Perguntas Norteadoras
ENTREVISTA COM ASSISTENTES SOCIAIS – CREAS-PAEFI 1. O CREAS
2. O ASSISTENTE SOCIAL NO CREAS 3. O TRABALHO COM FAMÍLIAS NO PAEFI
3.1 A MATRICIALIDADE SOCIOFAMILIAR
ENTREVISTA COM ASSISTENTES SOCIAIS – GESTÃO SMADS 1. O CREAS
2. O ASSISTENTE SOCIAL NO CREAS 3. O TRABALHO COM FAMÍLIAS NO PAEFI
3.1 A MATRICIALIDADE SOCIOFAMILIAR
ENTREVISTA COM PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO PERMANENTE 1. O CREAS
2. O TRABALHO COM FAMÍLIAS NO PAEFI
3. A INTERSETORIALIDADE E INTERDISCIPLINARIDADE
4. A PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO PERMANENTE COMO POTENCIAL PARA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NO COTIDIANO DO PAEFI
APÊNDICE B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Aceito participar da pesquisa sobre “O assistente social no Creas: um estudo sobre o trabalho com famílias e indivíduos em situação de violência” em desenvolvimento pela mestranda Flávia Rodrigues Lima da Hora, sob orientação da Profa. Dra. Myriam Veras Baptista.
Declaro que fui informado(a) que a pesquisa possui como objetivo geral a análise (a partir das categorias práxis, cotidiano e subjetividade) do cotidiano de trabalho do assistente social e das metodologias que utilizam com famílias em situação de risco e violência no Creas-Paefi na cidade de São Paulo.
Como participante da pesquisa, declaro que concordo em ser entrevistado(a) pela pesquisadora, ( ) permitindo / ( ) não permitindo a gravação das entrevistas. Fui informado(a) pela pesquisadora que tenho a liberdade de deixar de responder a qualquer questão ou pergunta, assim como recusar, a qualquer tempo, participar da pesquisa, interrompendo minha participação, temporária ou definitivamente.
( ) Autorizo / ( ) Não autorizo que meu nome seja divulgado nos resultados da pesquisa, comprometendo-se a pesquisadora a utilizar informações que prestarei somente para os propósitos da pesquisa.
São Paulo, ___ de ________ de 201__.
______________________________ Assinatura entrevistado(a)
______________________________ Assinatura pesquisadora