• Aucun résultat trouvé

7. D ISCUSSION

7.3. Evaluation des objectifs et des hypothèses

6.2.2.1. diferenças das variáveis da adaptação académica em função do género.

Relativamente ao género dos jovens adultos, verifica-se que o género feminino apresenta médias superiores na área estudo em relação ao género masculino, sugerindo que as raparigas desenvolvem mais as competências de adaptabilidade face à dimensão área estudo que os rapazes. Os jovens adultos do género feminino, em média, podem ser mais predispostas na organização e adopção de métodos de estudo do que os jovens do género masculino (Priess & Hyde, 2010). Este facto é referido por Almeida (2007), Berzonsky e Kuk (2000) e também por Seco et al. (2005), baseando-se em estudos com jovens universitários,

onde constataram que o género feminino suplanta o género masculino na dimensão estudo que é caracterizada pela adopção de métodos de estudo, motivação, e gestão do tempo. Para reforçar esta ideia recorreu-se a uma investigação mais recente de Fernandes (2011), onde no seu estudo com 264 estudantes do 1º ciclo de estudos, com uma média de idades de 22.22, corrobora este facto verificando que os jovens do género feminino extrapolam os jovens do género masculino ao nível de realização académica, demonstrando um maior acompanhamento de aulas, organização de apontamentos, sendo também melhores a gerir o tempo.

6.2.2.2. diferenças das variáveis da adaptação académica em função da idade do jovem.

Relativamente à idade do jovem, percebe-se que os jovens adultos de idades entre os 23 e 25 anos têm projectos vocacionais (e.g., profissão a exercer) mais concretos e encontram-se mais satisfeitos com o curso que frequentam, revelando ainda competências de estudo e adopção de recursos de aprendizagem mais adequados comparativamente com os jovens adultos dos 18 aos 22 anos de idade, facto que tem vindo a ser reportado na literatura (e.g., Rice et al., 1995).

Em conformidade com este dado estão Almeida e Cruz (2010) que referem que existe um número considerável de alunos que mal acabam o ensino secundário, entram para um curso universitário, não por vocação mas porque as suas médias não permitiram a entrada para o curso que lhes causaria maior satisfação. Os autores apontam ainda para uma maior dificuldade de adaptação, nos alunos referidos, ao contexto universitário. Também Fernandes (2011), no seu estudo com 264 estudantes universitários, consolida esta ideia verificando que jovens mais velhos possuem maiores competências de estudo em comparação com os mais novos.

À semelhança dos anteriores estudos, Teixeira, Bardagi, e Hutz (2007) solidificam esta ideia, num estudo com uma amostra de 384 jovens universitários com uma média de idade de 21.7 anos, onde visavam avaliar o nível de exploração dos jovens alunos. No entanto, importa destacar que no estudo referido, os autores indicam que a idade está associada ao percurso académico, ou seja, alunos do primeiro ano têm menos exploração e determinação vocacional quando comparados com alunos de anos posteriores. Os autores acrescentam que a idade acompanha a determinação e exploração vocacional por exigência contextual do percurso académico.

6.2.2.1. diferenças das variáveis da adaptação académica em função das variáveis do contexto familiar.

Na adaptação académica, as diferenças significativas são ao nível da situação

profissional do pai e da mãe e da profissão da mãe.

Na situação profissional do pai, verifica-se que os jovens cujo pai se encontra desempregado têm médias superiores na área da adaptação académica institucional, que incide no conhecimento e apreciação pelos serviços e infra-estruturas da universidade (Almeida et al., 2002) em relação aos jovens cujo pai se encontra empregado.

A situação profissional do pai parece influenciar a satisfação pela instituição de ensino que os jovens frequentam. Fingerman et al. (2012) mencionam nos seus estudos, que existe uma relação muito acentuada entre o bem-estar do jovem adulto e o suporte dado pelos pais, acrescentam mesmo que a estabilidade e sustentabilidade proporcionada pelos pais ajudam o jovem adulto a adaptar-se de modo mais positivo e a continuar os estudos académicos. Assim sendo, os filhos de pais desempregados parecem demonstrar maior conhecimento e reconhecimento, apreciação e satisfação pelas infra-estruturas e serviços que a universidade lhes oferece. Almeida e Cruz (2010) citam o factor económico como um dos factores com maior peso no abandono universitário, na medida em que os jovens estudantes se vêem privados de recursos para participarem nas actividades, intra e extra-académico, que caracterizam as vivências universitárias. Posto isto, pode-se referir que jovens, cujo pai se encontra desempregado, têm outra visão face às infra-estruturas que a faculdade lhes concede, fazendo uso das mesmas.

Relativamente à dimensão área de estudo, as diferenças encontram-se no grupo dos jovens cujo pai se encontra reformado, manifestando médias superiores de adaptação académica comparativamente com o grupo de jovens cujo pai se encontra empregado e desempregado. Esta diferenciação pode ser explicada pela disponibilidade que um pai reformado tem para com o seu filho universitário, isto é, pode apoiar e aconselhar o filho no estudo, incutindo-lhe método de estudo e supervisão. Importa ainda salientar que os jovens adultos demonstram maiores competências de estudo, independentemente de ser o pai ou a mãe que esteja reformado, uma vez que esta diferença significativa nos grupos também se observou na variável sócio-demográfica situação profissional da mãe.

De acordo com os resultados obtidos, também se aferiram diferenças significativas na variável profissão da mãe, nomeadamente com a área estudo. Embora se tenham obtido diferenças significativas ao nível da área vocacional, não se verificam diferenças específicas entre os grupos.

Pelos resultados, pode referir-se que os jovens cuja mãe tem um profissão considerada nível alto podem apresentar maior competência na área dos estudos comparativamente com os jovens cujas mães têm profissões de nível médio. Estes resultados podem ser explicados pelo facto das mães com um emprego considerado nível alto (e.g., médica) terem uma outra perspectiva face à importância que estudos têm no futuro profissional dos filhos. Mães que se insiram na categoria de nível alto, dão primazia às competências e método de estudo como veículo condutor a uma boa situação profissional no futuro, por outro lado os filhos vêem na mãe um modelo a seguir.

No estudo efectuado por Almeida e Cruz (2010) aos alunos do 1º ano da Universidade do Minho, as conclusões são congruentes com os resultados do presente estudo, mencionando que alunos provenientes de estratos socioculturais baixos podem frequentar os cursos com uma menor motivação para os estudos. Também Saavedra, Almeida, Gonçalves, e Soares (2004) referenciam o estrato sociocultural alto como factor preditor de maiores competências de estudo ao invés de estratos baixos que por sua vez implicam maior desistência académica.

No mesmo seguimento, Wintre e Yaffe (2000) no seu estudo com 408 jovens universitários a frequentar o primeiro ano da universidade verificaram que o nível de escolaridade dos pais estava relacionado com o empenho e realização académica dos filhos, explicando o facto à luz da teoria da aprendizagem de Bandura (1989; cit. por Wintre & Yaffe, 2000), nomeadamente por um processo de modelagem ou de imitação dos pais.

Relativamente às restantes variáveis sócio-demográficas, idade do pai, da idade da

mãe, da escolaridade do pai, da escolaridade da mãe, da configuração familiar, da profissão do pai, constatou-se a ausência de diferenças significativas. Como se constata pelos

resultados a adaptação ao contexto académico não se diferenciou em função da escolaridade dos pais, ao que parece a escolaridade dos pais, quer esta seja alta quer seja baixa, não diferencia a adaptação académica dos filhos. No mesmo seguimento a idade dos pais e a configuração familiar também não diferencia a adaptação académica pressupondo que a diferenciação ocorra, tal como se verificou na investigação, a outros níveis nomeadamente na situação profissional de ambos pais (Fingerman et al., 2012).

6.2.2.2. diferenças das variáveis da adaptação académica em função das variáveis do contexto romântico.

Na adaptação académica, as diferenças significativas são ao nível da existência de

relação amorosa e da duração da relação amorosa.

relacionamento amoroso apresentam valores médios superiores na área vocacional e na área

estudo em relação aos que não mantêm. Estes dados parecem indicar que o par romântico

funciona como impulsionador para uma motivação ao nível académico talvez porque o jovem adulto recebe do seu parceiro apoio e incentivo no seu percurso académico levando-o a investir mais nos seus objectivos futuros, de forma a promover uma carreira estável. Além deste facto pode-se referir que os alunos que mantêm uma relação amorosa, investem menos tempo nas relações interpessoais (Zimmer-Gembeck, 2002), o que por sua vez e segundo Fernandes e Almeida (2005), ao diminuirem o nível de relacionamento com o grupo de pares implicará menos saídas e menos festas, o que levará tendencialmente, a um aumento nas prestações académicas.

No que concerne à variável duração da relação amorosa, constatou-se que os jovens adultos cuja duração de relacionamento se encontra entre 1 a 12 meses registam médias superiores na área interpessoal em relação aos jovens adultos que mantêm um relacionamento entre 13 a 36 meses. Assim, parece que os jovens que mantêm uma relação com uma duração inferior a um ano, estão mais disponíveis e abertos para estabelecer e manter relações interpessoais com os pares desenvolvendo as suas competências interpessoais, ao invés das relações românticas mais duradouras e mais estáveis. Este facto vai ao encontro da ideia postulada por Zimmer-Gembeck (2002), que refere que os jovens ao iniciarem a vida romântica, começam a reduzir a quantidade de tempo prazeroso e de lazer que passam com o grupo de pares para se acomodarem na relação com o par romântico. Este facto leva a que não desenvolvam tantas competências interpessoais com o grupo de pares, por se encontrarem a investir na relação romântica.

As diferenças encontradas na área de estudo indicam que os jovens que mantêm um relacionamento há mais de 74 meses têm médias superiores aos que se relacionam entre 1 e 12 meses e entre 13 a 36 meses. Os resultados sugerem que os jovens adultos que mantêm um relacionamento mais duradouro, têm uma relação amorosa mais estável, havendo uma maior estabilidade, organização e responsabilidade que os leva a investir mais nos seus objectivos futuros que pode ser ou não formar uma vida conjugal e uma carreira estável. Associado à estabilidade da relação romântica encontra-se o desinvestimento no tempo prazeroso passado com o grupo de pares (Zimmer-Gembeck, 2002), o que por sua vez implica menos distractibilidade académica impulsionando o jovem para as competências de estudo (Fernandes & Almeida, 2005).

contexto académico.

No que respeita à adaptação académica, as diferenças significativas verificam-se ao nível das unidades curriculares em atraso, do ciclo de estudo dos jovens, da mudança de

curso e da existência de unidades curriculares em atraso.

Relativamente ao ciclo de estudo dos jovens, os resultados, tal como era expectável, revelaram que os jovens adultos que frequentam o 2º ciclo de estudos têm mais satisfação e possuem mais projectos na área vocacional, como também mais competências na área

estudo, comparativamente com os jovens adultos que ainda frequentam o 1º ciclo de estudos.

O percurso académico é evolutivo e os jovens universitários vão ganhando maturidade, integrando-se ao longo do percurso académico em rotinas de estudo, utilizando cada vez mais recursos na sua aprendizagem, de forma a alcançarem um objectivo final, a conclusão do curso para iniciarem uma vida laboral. Este dado é consolidado por Lencastre, Guerra, Lemos, e Pereira (2005) no seu estudo longitudinal com 178 jovens universitários, quando inquiridos no primeiro ano de ingresso e passados cinco anos, remetendo que são os alunos finalistas (2º ciclo) que apresentam diferenças estatísticas no que se refere a competências de estudo. Este estudo que visava avaliar o sucesso académico em detrimento da motivação, revelou que os alunos dos primeiros anos não estão tão motivados quanto os alunos finalistas. Fernandes (2011) sustenta este dado, referindo na sua investigação que os alunos de anos mais avançados apresentam maiores perspectivas de carreira, quando comparados com os jovens estudantes dos primeiros anos académicos.

Ao nível da variável mudança de curso as diferenças manifestam-se na área

interpessoal indicando que os jovens adultos que mudaram de curso demonstram maiores

competências relacionais comparativamente aos jovens que não mudaram de curso. O facto do jovem ter tomado a decisão de mudar de curso é descrito por Arnett (2004) como um critério de individuação, uma vez que remete para a responsabilização de decisões. Beyers e Goossens (2003) referem que uma individuação bem sucedida leva a que os jovens se adaptem e se integrem positivamente no contexto académico. A mudança de curso implica conhecer novos colegas e por conseguinte estabelecer novas interacções sociais satisfatórias, reforçando as suas competências relacionais com os pares. Este facto está reportado num estudo de Buote et al. (2007) em que numa amostra de 1845 jovens universitários recolhida em seis estabelecimentos universitários, aferiram que a qualidade de novas relações interpessoais com os pares é um factor determinante, entre outros, na adaptação ao contexto académico nos primeiros anos de ingresso. Almeida e Cruz (2010) acrescentam que o "aluno tradicional" ao terminar o ensino secundário, ingressa para um curso universitário, não por

vocação mas porque as suas médias não permitiram a entrada para o curso que lhes causaria maior satisfação. Os jovens universitários, ao sentirem-se insatisfeitos com o curso, vão ter uma maior inadaptação ao contexto universitário o que por sua vez recai nas relações interpessoais, que são vistas como suporte. Posto isto, os jovens adultos ao mudarem para o curso que anseiam, irão promover o bem-estar, sentirem-se mais seguros e consequentemente fomentar as relações interpessoais, numa vertente da adaptação académica (Almeida & Cruz, 2010). Buote et al (2007) remetem para a importância das relações com o grupo de pares como componente importante na adaptação do jovem universitário nos primeiros anos de universidade.

Relativamente à variável que ponteia a existência de unidades curriculares em

atraso, verifica-se que os jovens adultos que não têm unidades curriculares em atraso têm

mais determinação vocacional e competências de estudo em relação aos que têm unidades curriculares em atraso. Foi ainda possível observar, nas análises que se realizaram, que os jovens adultos com menos unidades curriculares em atraso, nomeadamente menos de 4 unidades curriculares em atraso, têm mais capacidades na área dos estudos em relação aos que têm entre 9 e 12 unidades curriculares em atraso. Estes resultados vão ao encontro do que seria de esperar para esta análise diferencial, pode-se presumir que um aluno que tenha muitas unidades em atraso não está motivado para os estudos ou não possui competências de estudo eficazes à exigência académica.

Relativamente às outras análises efectuadas, constatou-se a ausência de significância ao nível das variáveis frequência que vai a casa, da opção de curso e da saída de casa

(deslocado). Ao contrário do que se verifica na literatura (e.g., Almeida & Cruz, 2010), a

adaptação académica não apresentou diferenças significativas ao nível da opção de curso, ao que parece, alguns dos jovens que não conseguiram ingressar no curso pretendido, conseguem adaptar-se ao contexto académico num outro curso de segundas opções.

Assim, fica patente que ocorreram algumas diferenças significativas na variável dependente adaptação académica ao nível das variáveis sócio-demográficas, do contexto familiar, do contexto romântico e do contexto académico, pelo que a hipótese 5 traçada inicialmente na presente investigação foi parcialmente confirmada.

6.2.3. diferenças das variáveis da individuação dos jovens adultos aos pais em