7 Résultats d’évaluation
7.1 Evaluation des modèles sans contrainte de relations
7.1.2 Evaluation comparative des modèles hors ligne vs. en ligne Modèles Robust OHSUMED TREC Med
Num sentido geral, a contemplação é a visão clara da verdade, acompanhada de grandes alegrias que causam à alma a percepção das belezas desta verdade. O conhecimento exacto da verdade e a admiração beatificante que ela causa são os elementos necessários da contemplação. Distingue-se assim da simples reflexão (cogitatio) e da meditação (meditatio) que tem por objectivo a pesquisa pura da verdade. A meditação sofre para descobrir a verdade, a contemplação goza com a sua posse. Na meditação o espírito reflecte sobre um ponto em particular, na contemplação abraça-se com
Benjamin Minor, p. 308. No Benjamin Maior, 88C, encontramos as mesmas reprovações à filosofia pagã mas também uma apreciação das suas descobertas: Quis autem nesciat quomodo tota pene mundana philosophia in hoc maxime laborat, ut latentes rerum visibilium causas sagacitatis suae investigatione inveniat et in palam producat? Vide quam magnas, quam multas doctrinae opes, scientiaeque gazas praeclara illa philosophorum ingénia conquisierunt, reposuerunt, tibique in ejusmodi usus reliquerunt.
456 CF DUMEIGE, Idem, p.55: La diversité des facultés humaines, la multiplicité des affections,
cette perpétuelle mobilité de l'âme, ses fluctuations incessants son autant d'éléments qui doivent être connus si l'on veut tenter de les maîtriser. La concupiscence ayant, par ailleurs, voilé l'œil de l'intelligence comment reconnaître le bien du mal, comment apprécier les mouvements qui agitent l'homme, comment discerner leur provenance ? Une connaissance, une reconnaissance du terrain où s'exercera l'effort de l'homme intérieur, est indispensable. (...) La discretio et la deliberatio assumeront ce travaille. P.56.
um só olhar um grande número de verdades, contemplando amorosamente o Criador de si mesmo.458
No Benjamin Maior encontramos uma definição de contemplação:
Contemplatio est libera mentis perspicácia in sapientiae spectacula cum admiratione suspensa.459 Esta definição, dada em paralelo com as definições de cogitatio e meditatio, tem sido criticada, diz Longère, pelo seu carácter geral e excessivamente intelectualista, e sobretudo por abster-se de mencionar o papel da graça e do amor que devem animar o cristão na sua empresa (e que são presenças claras em Ricardo).460
No capítulo setenta e um do Benjamin Minor, Benjamim vem ao mundo anunciado como a graça da contemplação. Se é graças a José que o espírito se cultiva, tornando-se plenamente consciente de si, é por Benjamim que o espírito se eleva à contemplação de Deus.
Raquel, a mãe, representa como vimos a razão. José e Benjamim nascem da mesma mãe (ambos possuem uma origem racional), pois é mediante a razão que chegamos ao conhecimento de nós e de Deus. Ora, Benjamim nasce muito depois de José, pois - comenta Ricardo - aquele que não se exercita longamente num conhecimento de si não se pode elevar ao conhecimento de Deus. É em vão - diz ainda - que o espírito eleva os olhos do coração para Deus se não for capaz de se ver a si próprio. {Frusta cordis
oculum erigit ad uidendum Deum, qui nondum idoneus est ad uldempsum seipsum461)
Ricardo insiste nesta ideia de modo ainda mais claro ao afirmar que o homem deve aprender a conhecer o que é invisível em si mesmo até ser capaz de reconhecer os mistérios invisíveis de Deus (prius discat homo cognoscere
inuisibilia sua, quam praesumat posse apprenhendere unuisibilia divina462). Este trajecto requer uma longa aprendizagem em que a meditatio assume um papel fundamental. Tal como observamos a nossa imagem num espelho devemos olhar para o que existe de divino em nós, cujos traços mais
458 Cf: HUGO DE SÃO VÍTOR, De modo dicendi et medit.., 8-9: in Ecclesiasten, homilia I;
RICHARDUS S. VICTORIS, Beniamin Maior, Mb I, cap. IV.
459 Benjamin Minor. 1,4, 67d 460 LONGÈRE, op. Cit., p.51
expressivos (uestigia expressus) encontramos naquilo que é feito à Sua imagem: a alma do homem, o espírito racional (spiritum rationale m). Este espelho, atenta e longamente observado, começa a brilhar intermitentemente fruto de uma clareza luminosa e divina (...) e uma visão insólita aparece ao seu olhar. Eis então o espírito inflamado por uma empresa superior.
Ex hujus igitur luminis visione quam admiratur in se, mirum in modum accenditur animus, et animatur ad videndum lumen, quod est supra se. Ex hac, inquam, visione videndi Deum flammam desiderii conspicit et fiduciam sumit. Mens itaque, quae jam visionis hujus desiderio flagrat, si jam sperat, quod desiderat, jam se Benjamim concepisse cognoscat.463
Tal facto reveste-se de uma singular importância se considerarmos que esta apurada meditação, que apreende o invisível no visível (representado por uma claridade luminosa e divina), inflama a indagação num desejo impaciente.464 Este desejo é uma graça de Deus, mas, - diz Ricardo, ninguém
recebe tal graça se não revestir o seu esforço de um desejo ardente. O espírito inflamado pelo desejo desta visão (...) já conheceu Benjamim: esperando o concebe, desejando dá-o à luz, e quanto mais cresce o seu desejo, mais se aproxima o momento do seu nascimento.465
Raquel sabe isso e multiplica os seus esforços, mesmo consciente que eles ultrapassam as suas funções (Scit tamen Raquel hoc negotium supra uires suas esse, nec tamen ualet studium uel desiderium temperare466). É agitada
por um dom de Deus, e ninguém recebe tal graça se não desejar ardentemente tal tarefa.
Raquel (informa-nos Ricardo) morre a dar à luz Benjamim porque a razão humana sucumbe quando raptada para além de si mesma, ultrapassando todos os limites do raciocinar humano em presença da luz divina. Este é um esforço que transgride a sua potência, mas que, insiste Ricardo, não deixa de ser esforço por isso.
463 RICHARD DE SAINT-VICTOR, Benjamin Minor, Cap. LXXII. P. 299.
464 Por isso - diz Ricardo - é tão urgente o desejo de Raquel em dar à luz um tal filho, mesmo
sabendo à partida que tal empresa está além das suas forças. Resulta assim a extrema ansiedade e o grande sofrimento da parturiente.
465 Sperando enim concipit, desiderando parturit, et quanto amplius crescit desiderium, tanto
appropinquat ad partum.
Assim morre Raquel e com ela todo o exercício da razão no seu carácter discursivo, como quando o apóstolo S. Paulo afirma não saber se foi raptado com o corpo ou para além dele. Diz Ricardo - Elevada para além de si mesma, e raptada em êxtase. Que significa então a morte de Raquel senão o esgotar das capacidades da razão humana?
Raquel moritur, quia cum mens hominis supra seipsam rapitur, omnes humana ratiocinationes angustias supergreditur, ad illud enim quod, supra se eleuata, et in extasi rapta, de diuinatatis lumine conspicit, omnis humana ratio succumbit. Quid enim Raquel interitus, nisi ration is defectus?