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Evaluation of antibacterial interactions between lysozyme & lactic acid

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III 3. Antibacterial activity of nisin & lysozyme & lactic acid used alone or in combination against Staphylococcus aureus CIP 4.83

2. Effect of nisin & lysozyme & lactic acid on growth of Staphylococcus aureus CIP 4.83

3.3 Evaluation of antibacterial interactions between lysozyme & lactic acid

Fotógrafa: Marcela Costa, 2015

Desde 2009, nota-se a presença desse senhor no canteiro lateral da referida avenida. Foram seis anos observando a trajetória de C., com isso, verificou-se que antes das obras do metrô, ele usava a lagoa ao lado do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para tomar banho, depois disso não se viu mais ele fazendo esta prática. Ele ocupa o mesmo território, canteiro lateral, às vezes pela manhã, geralmente, mas sempre à tarde, a partir das 14h, é possível encontrá-lo separando lixo, objetos de ebó e observando a fumaça do fogo que acende todos os dias. Ele cata todo tipo de lixo que encontra pela avenida, inclusive as madeiras das propagandas eleitorais. Por exemplo, terminadas as eleições de 2014, ele produziu a sua fogueira com esse material. Assim, desenvolvendo esta catação de lixo, caminha, estrategicamente, entre o supermercado Extra e Itapuã, na Avenida Dorival Caymmi.

Em 2010, pela manhã, uma motorista que trafegava pela avenida, ligou para rádio Metrópole e muito assustada (com a cena que para ela era um perigo) relatou que tinha um mendigo no canteiro central da Paralela, tocando fogo em madeiras. De imediato, o radialista solicitou ao órgão que trata de questões relacionadas a mendigos que tomasse providências. Acredita-se que a providência que o radialista se referia era retirá-lo da rua, porém, isso não aconteceu, pois nos dias seguintes verificou-se que ele permaneceu em seu território.

Por duas vezes tentou-se contato com ele, no entanto, não se obteve êxito. Na terceira tentativa, ele se comunicou; foi quando seconseguiu saber seu nome,

idade e perceber que tinha um vocabulário com muitas palavras que não são comuns para quem afirmou não saber ler. Apesar de serem ditas de maneira que parecia aleatória, ele mencionou matéria, sala de aula, avenida, horário. Na quarta conversa, ele leu as palavras que estavam em uma camisa que foi entregue para ele.

O fato é que, no contexto no qual ele pronunciava as palavras observou-se que poderia ter “duas falas”: a oral e a corporal. Isso porque quando falava sobre coisas diversas usava a oralidade, mas quando tratava de assuntos envolvendo a sua história de vida e da família, calava-se e só gesticulava, ou então acelerava a voz, de maneira que não era possível compreender absolutamente nada do que dizia.

Em 2015, notou-se que ele tentou mudar seu território para as proximidades do Shopping Paralela, mas neste local ficou apenas um dia e se mudou para frente da Faculdade Ruy Barbosa, onde ficou por quatro meses, sempre embaixo de uma árvore. Quando as obras do metrô foram iniciadas, ele retornou para o canteiro lateral nas proximidades do viaduto Engenheiro Leonel Brizola, próximo à entrada do CAB. Ele fica sempre próximo de um arbusto, troca de roupa constantemente e não caminha de cabeça baixa como se tivesse se escondendo, olha nos olhos quando se conversa com ele. Como fica sempre muito junto à árvore, e com roupas muito acinzentadas, facilmente pode-se confundi-lo com ela, é como se fosse uma espécie de camuflagem, completamente invisível à e na cidade.

Resolveu-se verificar se esta invisibilidade era de fato real, para isso falou-se com amigos e familiares que passam diariamente pela referida avenida e perguntou- se quem já tinha visto aquele homem alguma vez. E apenas aqueles que usavam a pista existente no canteiro central da avenida para atividade física já o tinham visto; os demais nunca o viram, tamanha a invisibilidade desse sujeito.

C., quase invisível, tem um território, que é seu ponto de referência na cidade e a partir deste circula pela Avenida Luís Viana Filho há, pelo menos, seis anos. É nesse território da cidade, na solidão, que este homem se reduz ao homo laborans81, subdividindo o entorno da árvore no território onde pode realizar suas necessidades biológicas e as práticas que sintetizam sua vida.

Inclusive, Arendt (2002, p. 15) quando faz a afirmação sobre as “três

81

Para Arendt (2002, p. 31) a atividade do labor não requer a presença de outros, mas um ser que “laborasse” sozinho, em completa solidão, não seria humano no sentido mais literal da expressão.

atividades humanas fundamentais: labor, trabalho e ação”, explica que pelo labor, o homem “assegura a sobrevivência do indivíduo”, e acrescenta que, para o desenvolvimento desta atividade “não se requer a presença de outros”. Assim, Arendt (2002, p. 31 – grifos da autora) afirma que “ao laborar em completa solidão não seria ser humano e sim animal laborans”. Em outros termos, Arendt (2002, p.15) destaca “a ação como a única que tem natureza política porque é exercida na pluralidade, entre os homens”.

Dessa forma, quando se nega o convívio, o encontro entre os homens para que estes exerçam a atividade da ação, resulta num processo de isolamento e quando este isolamento é de um indivíduo, este homem se reduz a um animal laborans. Ou seja, esse homem que diz gostar muito de bolo, de pão, de assistir televisão e é refratário a sair da rua, oscila entre um mundo próprio e o mundo real e o isolamento o afasta, cada vez mais, do mundo real.

Diferente de E., na Garibaldi (T1-01) e J. na Adhemar de Barros (TI-02), C. vive solitário, conversa consigo mesmo e nem sempre consegue interagir com outras pessoas. Percebeu-se que C. criou seu próprio mundo e ora ele transita nessa criação, ora transita na realidade. Segundo profissionais da área de psicologia, entrevistadas nesta pesquisa, esse tipo de comportamento é comum na população de rua que se isola, o que ratifica a colocação de outros entrevistados sobre o mal que o isolamento faz à saúde mental. Nesse sentido, considerou-se a hipótese de que C. apresentava algum tipo de problema de saúde mental.

Nessa perspectiva, se fez necessário incluir a discussão da saúde mental da população de rua, no contexto de direito à cidade. Assim, tem-se Pagot (2012) que em “Loucura, Rua, Comunidade e Cidadania” apresenta significativa contribuição para esse momento. A autora destaca que “[...] o espaço público e geográfico do bairro e da cidade é onde se situa o sujeito ‘louco’ em situação de rua. Nele ele faz sua moradia, local escolhido por razões pessoais para tal” (PAGOT, 2012, p.125).

Portanto na concepção de Pagot, a rua, do ponto de vista psíquico, para essa população, é “mãe-rua, um útero, entretanto, ela também resulta em morte e em alienação” (PAGOT, 2012, p.127). Com isso, ela discute a ambiguidade da rua e a importância da comunidade junto ao trabalho de profissionais da área de saúde mental, pois a comunidade normalmente é o único vínculo de vida do sujeito, ou seja, “a comunidade pode contribuir como agente de humanização, cidadania,

dignidade e reabilitação psicossocial dos ‘loucos’ em situação de rua” (PAGOT, 2012, p. 209).

Dessa forma, tem-se que os sujeitos dos três territórios expressaram não querer sair da rua. Por isso, pergunta-se: Como pensar o direito à cidade para essas pessoas? Ainda que vivam nas ruas, eles têm o direito à cidade, direito aos seus territórios para reproduzir a vida, seja no nível físico seja no biológico. Nem por isso, porém, precisam ser aprisionados (as) no isolamento, os direitos legais podem chegar até eles (as).

4.4 TERRITÓRIOS E TERRITORIALIDADES DE GRUPOS

Os territórios de grupos são entendidos como recortes espaciais da cidade apropriados por mais de um indivíduo. Assim como os territórios individuais, são recortes territoriais usados para a reprodução da vida e para o direito de estar na cidade. O que diferencia esses espaços é o nível de tensão socioespacial, sempre maior nesses territórios que nos individuais, afinal tratam-se de espaços públicos com maior circulação de transeuntes e de interesse econômico na cidade e os conflitos para apropriação destes espaços são mais presentes.

Então, as estratégias materiais e simbólicas usadas pelos sujeitos dessas territorialidades são, simultaneamente, de interação e confronto. No processo de interação, a realização de trabalhos informais serve de base constituinte, outrossim, o confronto se dá pela disputa do espaço público.

A Praça das Duas Mãos, oficialmente Praça Marechal Deodoro, fica localizada na Avenida Jequitaia, no bairro do Comércio (Figura 29). Nessa área existe uma grande variedade de atividades comerciais e de serviços, bem como um intenso fluxo de atividades turísticas. Essa última em especial, por fazer parte do Cento Antigo e situar o porto e outros equipamentos turísticos como o Mercado Modelo e o Elevador Lacerda. Certamente, essas características do entorno da praça corroboram para torna-la estratégica às práticas socioespaciais da população de rua.

FIGURA 29 - PRAÇA MARECHAL DEODORO, (PRAÇA DAS DUAS MÃOS)

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