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Eval in Other Languages

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4. Subroutine References and Closures

5.7 Eval in Other Languages

Assim como as organizações são sistemas complexos que necessitam de um paradigma diferente do reducionista para o seu estudo, os projetos, com suas equipes multifuncionais compostas de elementos de diferentes setores, a sua interdependência com o meio onde está alocado e as suas relações e processos internos, são melhor analisados com o auxílio da teoria dos sistemas.

De acordo com Marle (2002, p. 14), “o projeto é descrito como um sistema complexo que se encontra em um ambiente complexo, sendo constituído de objetos com interações entre eles (no interior do projeto) ou com o ambiente (no exterior do projeto)” (traduzido pelo autor).

Introduz-se assim o questionamento: o que é administração sistêmica? De uma forma bastante sintética, pode-se dividir os estudos da administração em quatro diferentes enfoques ou abordagens, segundo os quais as organizações evoluíram: administração científica, administração clássica ou estruturalista, administração comportamentalista e administração sistêmica.

Enfatiza-se que por não ser o foco principal deste trabalho, a presente divisão também utilizada por Valeriano (2005, p. 61) serve

apenas como referência básica ao leitor, o qual pode buscar estudos de maior rigor sobre o tema na literatura da Teoria Geral da Administração. A administração científica, cujos principais autores são Frederick Winslow Taylor e Henri Fayol, tem seu foco principal na divisão e organização racional do trabalho, na especialização das tarefas realizadas pelos operários e nos estudos de tempos e métodos, partindo dos executantes e chegando aos administradores, os quais possuíam autoridade e supervisão formalizadas. Goldacker (2012) sintetiza que segundo esta teoria, a administração deveria assegurar prosperidade ao patrão, baseando-se na ideia de que a iniciativa dos empregados deveria ser estimulada, sendo esta iniciativa incentivada por meio de prêmios pela execução adequada do trabalho.

Já administração clássica ou estruturalista, cujo principal autor é Amitai Etzioni, segue uma abordagem descendente, ou seja, parte dos administradores e chega até os executantes, e sua ênfase reside na estrutura e no funcionamento, ou seja, órgãos executam funções e tarefas especializadas. Goldacker (2012, p. 39) afirma que a Teoria Estruturalista foi a primeira a instigar a necessidade de se obter uma visão do ambiente externo e interno das organizações, bem como de reconhecer as influências destes fatores à organização, servindo como pano de fundo para demais teorias posteriores.

A administração comportamentalista, segundo Valeriano (2005, p. 61) dá ênfase aos fatores humanos: como um indivíduo isoladamente e/ou como um conjunto de indivíduos (equipes). Para Goldacker (2012, p. 35),

A Teoria Comportamentalista salienta a ênfase que deve ser dada à competência comportamental de seus indivíduos, o que pode ser conseguido por meio do estímulo das pessoas a participarem dos processos organizacionais não somente sob o ponto de vista técnico, bem como por meio do estímulo ao aprendizado.

Finalmente, a administração sistêmica estuda o inter- relacionamento dos componentes da organização e seus efeitos ou resultados sobre o ambiente da organização e vice-versa, ressaltando a interação das partes constitutivas da organização e desta com seu ambiente (VALERIANO, 2005, p. 61).

Segundo Rodriguez e Arnold (1991, p. 13), a enorme complexidade que existe hoje em qualquer segmento da realidade

cultural ou social só pode ser reduzida e manipulada graças a um instrumental proporcionado por um renovado corpo conceitual, elaborado cientificamente em substituição a uma base teórica aparentemente sólida a que denominam de cultura ou sociedade por outra que tenha a capacidade de absorver a complexidade do indeterminável e que, por sua vez, se perceba como limitada, ou seja, um novo modelo teórico que proporciona maiores vantagens para análise e esclarecimento dos problemas fundamentais das sociedades modernas. Trata-se da teoria dos sistemas aplicadas aos fenômenos culturais, ou ainda, da teoria dos sistemas sociais autopoiéticos e autoreferenciais, cujo principal autor é o alemão Niklas Luhmann.

“Teoria dos sistemas” não é um conceito unívoco na discussão atual. Ele resume uma variedade de experimentos teóricos procedentes de disciplinas muito diferentes e que utilizam estímulos bastante distintos, podendo tratar-se de teoria das organizações, de biologia, de robótica, de inteligência artificial, de neurofisiologia ou de psicologia. Para obter um panorama é preciso um

significativo esforço de abstração, sendo

necessário, sobretudo, desistir de transpor

conhecimentos de uma disciplina a outros domínios da realidade simplesmente de forma metafórica ou por analogia (LUHMANN, 1997, p.38).

A Teoria Geral dos Sistemas surgiu no início do século XX como uma reação ao racionalismo positivista do século XIX, cujos enfoques analíticos e reducionistas explicavam as sociedades através de seus componentes, onde o conhecimento especializado era mais valorizado e a verdade era proveniente da soma dos conhecimentos parciais. Essa nova teoria tinha pretensões de universalidade e interdisciplinaridade através do intercâmbio de informações, buscando um novo enfoque das ciências sociais de investigação, compreensão e análise dos fenômenos sociais.

O ponto de partida da Teoria dos Sistemas de Luhmann é o reconhecimento da diferença entre sistema e ambiente, marcando a primeira fase de sua obra, entre os anos de 1960 e meados da década de 1980. Já a segunda fase, introduziu uma nova concepção de sistema social como sistema autopoiético, fechado e auto-referenciado. (LUHMANN, 1997, p. 10)

Para meus objetivos é suficiente partir de uma diferença, ou seja, a diferença entre sistema e ambiente. Este é um ponto de partida muito importante e fortemente restritivo, de acordo com o qual, a teoria dos sistemas não se ocupa simplesmente com objetos especiais, isto é, sistemas, em contraste com quaisquer outros objetos. Ela ocupa-se com o mundo, visto com o auxílio de uma diferença específica, ou seja, aquela entre sistema e ambiente. Ela abrange, portanto, tudo o que existe, mas somente com a condição de que seja indicado, a cada vez, se se trata de sistema ou de ambiente. (LUHMANN, 1997, p.49)

A teoria dos sistemas tradicional partia do conceito dos sistemas abertos, no qual as relações de troca com o seu ambiente permitem um estado de ordem complexa. Para Luhman (1997), os sistemas sociais devem captar e reduzir a complexidade do mundo: selecionam-se algumas possibilidades (esta seleção não é arbitrária) e excluem-se outras (que permanecem como oportunidades). Surge o ambiente interno, constituído pela ordenação das possibilidades selecionadas. A complexidade deste ambiente será proporcional ao número de possibilidades admitidas nele.

Para a nova teoria dos sistemas, o sistema inclui em sua constituição a diferença com relação ao ambiente. Autopoiesis: do grego auto (mesmo) poien (produzir), é a capacidade que o sistema tem de produzir a partir dele mesmo a sua estrutura e os elementos que o compõem, ou seja, consiste no fato de que um sistema é constituído por elementos autoproduzidos e por nada mais.

O ambiente não pode contribuir para nenhuma operação de reprodução do sistema. E o sistema não pode operar no seu ambiente (fechamento operacional). Porém, a característica mais importante dos sistemas sociais, autopoiéticos, auto-referentes e operacionalmente fechados é a comunicação. Os sistemas sociais são compostos por comunicações e não por pessoas. Nos sistemas sociais as pessoas são os meios e não os componentes do sistema social. Isso acaba elevando a importância do ser humano no sistema social, tornando-o mais do que um simples componente, pois ele é quem tem a capacidade de comunicação. A proposta de Luhmann é de que a teoria dos sistemas sociais auto-referenciais e operacionalmente fechados seja um

fundamento teórico capaz de tornar inúteis as premissas clássicas e de dar um salto na teoria dos sistemas (RODRIGUEZ; ARNOLD,1991).

O Quadro 7 apresenta as principais diferenças entre a Teoria Social Luhmanniana e a Teoria Social Clássica.

Quadro 7: Diferenças entre as Teorias Sociais Clássica e Luhmanniana. T E O R I A S O C I A L C L Á S S I C A T E O R I A S O C I A L L U H M A N N I A N A S o c i e d a d e c e n t r a d a e m p e s s o a s S o c i e d a d e c e n t r a d a e m c o m u n i c a ç ã o F r o n t e i r a s t e r r i t o r i a i s f í s i c a s F r o n t e i r a s d e c a r á t e r n ã o t e r r i t o r i a l S o c i e d a d e c o m o u m s i s t e m a f i x a d o n a d i f e r e n c i a ç ã o e n t r e s u j e i t o e o b j e t o S o c i e d a d e c o m o u m s i s t e m a f i x a d o n a d i f e r e n c i a ç ã o e n t r e s i s t e m a e a m b i e n t e e n a b i l a t e r a l i d a d e ( s i s t e m a é o l a d o i n t e r n o e o a m b i e n t e é o l a d o e x t e r n o )

Fonte: Adaptado de Rodriguez e Arnold (1991)

Sobre a teoria de sistemas, Morin (2007a, p. 23) afirma ainda que:

A teoria dos sistemas reúne sincreticamente os elementos mais diversos: num sentido, excelente caldo cultural, num outro sentido, confusão. Mas, este caldo cultural suscitou contribuições em geral muito fecundas em sua própria diversidade.

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