Côte d’Ivoire:
3.1 Etude méthodologique de certains facteurs d’influence du test toxinique
A primeira associação de analistas que surgiu em Portugal foi a Associação Portuguesa de Analistas Financeiros, a APAF, fundada em 1984 num contexto marcado pela reanimação dos mercados de capitais, e em particular o da reabertura da Bolsa de Valores do Porto, em 1981, à volta da qual uma comunidade de profissionais se organizou no sentido de criar a associação e, quatro anos depois, a primeira pós-graduação em análise financeira, também na cidade do Porto. Segundo a representante entrevistada, a fundação da APAF está também ligada à Ordem dos Economistas, tendo sido a partir de uma autonomização da Ordem que se formou e mantendo com esta uma relação próxima98.
Apesar desta forte ligação ao mercado de capitais que a APAF manteve desde início, segundo a sua representante entrevistada (EA1) e um antigo dirigente (EC4), a associação não se dirigia apenas aos analistas ligados aos mercados financeiros mas a um conjunto de profissionais da área da economia e gestão que alguns entrevistados consideram mais próximo
do que hoje se designa por gestor financeiro, ou seja, economistas e gestores especializados em analisar as contas das empresas na ótica do aconselhamento à gestão interna das empresas, e não tanto na perspetiva da avaliação ligada aos mercados financeiros e ao aconselhamento de investidores. Coerente com esta ideia é o próprio destaque que a APAF confere, entre as suas atividades iniciais, à promoção de um prémio atribuído ao melhor relatório de atividades de empresa, organizado em parceria com a Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Economia do Porto.
Nos seus estatutos, a APAF declara representar “os interesses profissionais da atividade de análise financeira e de consultoria para investimento” (APAF, 2015). Os objetivos expressos nos estatutos podem ser resumidos em três áreas principais: a) a formação e certificação, através da sua ligação a duas pós-graduações e a dois programas internacionais de certificação; b) a regulação, enquanto interlocutor das entidades reguladoras a nível nacional e europeu, da atividade financeira e das ocupações de analista e consultor financeiro c) a promoção de encontros entre analistas e divulgação de informação relevante para estes profissionais.
A APAF não divulga o seu número de associados, atual nem a sua evolução99, mas de
acordo com a representante da associação entrevistada terá sido fundada por cerca de 100 membros. A filiação na associação é primordialmente individual, embora seja admitida a filiação de organizações. Os estatutos admitem como associados pessoas individuais ou coletivas, existindo três níveis de filiação, os sócios efetivos, sócios honorários e sócios correspondentes, sendo que apenas os analistas financeiros podem ser sócios efetivos com direito de voto nas Assembleias Gerais.
Algumas pistas da recolha empírica apontam para que a representatividade da associação mesmo entre os profissionais ligados à análise financeira nos mercados de capitais seja baixa. Dos 10 entrevistados que exercem ou exerceram atividades ligadas à análise financeira, quatro são filiados na associação e dois deles a título individual, sendo nos outros casos através do empregador. Além disto, um estudo da CMVM (2003) refere que apenas 11 em 49 analistas inquiridos declaravam pertencer a uma associação profissional. A análise das
99 Foi solicitado diretamente à representante contactada o número de membros da associação, mas até
à data o pedido não foi satisfeito por, segundo a mesma, estarem a ser efetuadas mudanças na organização que impossibilitam a organização dessa informação.
entrevistas aponta para quatro tipos de motivos que justificam esta baixa participação100. A
nível mais genérico, um primeiro motivo é um fraco interesse na atividade associativa ligada ao sector financeiro em geral (EP1, EP8, EP2), que pode estar em alguns casos ligado à convicção de que a APAF ou as associações em geral têm uma reduzida capacidade de intervenção junto dos reguladores (EP1, EP2): “No quadro atual da indústria bancária em que a regulação é muito determinada pelos reguladores (...) e pouco aberta ao exterior, as associações têm pouco valor.” (EP1). Relacionado com o anterior, um outro tipo de justificações e que inclui as opiniões dos filiados sublinha a fraca interação com a associação, considerando que as atividades desta se limitam ou a cursos de formação ou à oportunidade ocasional de interagir como outros profissionais no quadro de eventos organizados (EP6, EP7, EP9, EP10). Um outro tipo de razões relaciona-se com o desfasamento entre atividade e ocupação, uma vez que vários profissionais realizam atividades de análise financeira e são mesmo enquadráveis na definição de analista da APAF, mas não se identificam como analistas financeiros do ponto de vista da sua ocupação e encaram a APAF como uma organização de base ocupacional. É o caso de um entrevistado que é gestor de ativos, (EP3) outro que é sales trader (EP4) e outro que realizou várias ocupações sucessivamente, sendo atualmente broker (EP5).
As atividades de formação e certificação estão ligadas entre si e dependem de parcerias e afiliações da APAF, quer a nível internacional, quer com universidades portuguesas.
A nível internacional a APAF relaciona-se primordialmente com a European Federation of Financial Analyst Societies (EFFAS), entidade fundada em 1962 e na qual a APAF é filiada desde a década de 1980. A EFFAS define-se como uma entidade chapéu para associações de profissionais de investimento, promovendo relações entre estas e com instituições políticas europeias. Além disso a EFFAS pretende promover standards internacionais de qualidade profissional e padrões deontológicos e é nesse âmbito que uma dimensão importante da atividade da EFFAS é a atribuição de duas certificações de analista financeiro: Uma delas, a Certified European Financial Analyst CEFA, atribuída desde 1991, procura ser o padrão de certificação dos analistas Europeus, designadamente incluindo conteúdos especificamente orientados para a moldura regulatória europeia, contrastando com a outra certificação internacional mais popular, o CFA, que é mais dirigida a para o mercado americano. A
100 Apesar de nos centrarmos aqui nas entrevistas realizadas aos profissionais, note-se que entre os
coordenadores de curso a opinião acerca do papel da APAF é mais positiva embora um deles também refirao fraco poder da APAF face ao Estado.
certificação é acreditada em 27 países europeus101, Argentina e Brasil e tem no total 14000
atribuições. Como forma de procurar expandir o alcance da CEFA, a federação criou em 2000 uma outra certificação que procura ter um alcance global, a Certified International Investment Analyst (CIIA), tendo para esse efeito sido criado um outro organismo chapéu, a Association of Certified International Investment Analysts (ACIIA) que agrega algumas associações locais europeias, entre as quais a APAF, e ainda outras de outros continentes. Como única associação portuguesa filiada na EFFAS, a APAF é em Portugal a entidade responsável por promover estas duas certificações e organizar o acesso dos candidatos.
Em Portugal, a certificação CEFA obtém-se através da frequência de formações pós- graduadas na área da análise financeira. Desde a década de 1980 que a APAF tem procurado estar ligada à formação de analistas financeiros estando envolvida, não só na criação da primeira pós-graduação em análise financeira na Universidade do Porto, como também mais tarde na criação de outra no IDEFE-ISEG. Como se referiu no capítulo sobre a caracterização da formação, o plano de estudos destas formações foi criado ou adaptado para ser compatível com as exigências da certificação CEFA. Assim, após a conclusão destas formações, os alunos finalistas podem solicitar à APAF a atribuição da certificação.