Neste processo, procurou-se definir um conjunto de ações para orientar o trabalho da equipa técnica, de forma a que o mesmo seja mais objetivo. Com os processos bem orientados espera-se uma superior adaptação do plantel ao pedido, sendo o sucesso alcançado mais cedo. Definiram-se assim os conteúdos a abordar ao longo da época durante os treinos, os meios, a forma como o treino e a competição eram avaliados e efetuou-se um quadro de necessidades de forma a saber o que melhorar quando possível.
4.2- Organização estrutural do treino
Esta estrutura deve ter uma contribuição ativa para a potenciação dos efeitos inerentes aos conteúdos aplicados. Segundo Castelo e Matos (2013) as unidades de treino devem ser divididas em quatro blocos:
Parte Introdutória: esta é a parte em que o treinador deve começar por criar condições favoráveis para a prática do treino, aumentando os níveis de concentração e motivação dos jogadores, podendo haver também uma explicação do que será a unidade de treino.
Parte preparatória: aumentar a atividade dos diferentes sistemas funcionais no âmbito cognitivo, orgânico, neuromuscular e psicológico, ocorrendo uma aquisição de gestos técnicos e/ou capacidades coordenativas através de jogos recreativos.
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Parte principal: os jogadores devem aceder ou manter os níveis de rendimento previamente programados. Exige capacidade motora dos jogadores em resposta a problemas colocados em situações de treino, que devem derivar do modelo de jogo adotado e da análise das competições passadas e futuras. No Braga divide-se este momento em duas fases.
Competências Individuais: Desenvolvimento das capacidades técnicas, físicas e mentais do atleta em situação de jogo e de comportamentos táticos individuais do modelo de jogo. Formato: 1x1, 2x1, 2x2, 3x1, 3x2,3x3.
Competências Coletivas: Desenvolvimento de comportamentos coletivos setoriais e intersectoriais em ambiente de jogo. Formato: 4x2, 4x3, 4x4, 5x2, 5x3, 5x4, 6x3, 6x4,6x5, 6x6, 7x5, 7x6, 7x7, 8x6,8x7, 8x8, 9x7, 9x8, 9x9.
Parte final: objetivo de recuperação, assegurando uma redução do trabalho do ponto de vista fisiológico e mental.
4.3- Definição dos conteúdos e temas do treino
No SCB, temos como possibilidades de treino para o dia a dia: Força Específica – Tático;
Força Específica – Tensão Contração; Readaptação;
Readaptação em regime de força; Recuperação – Acerto Resistência; Recuperação – Acerto Velocidade;
Recuperação Regime Tático-Estratégico; Resistência Específica;
Resistência Específica – Duração Contração; Tático Estratégico;
Velocidade Específica – Esquemas Táticos; Velocidade Específica – Velocidade Contração.
Nas preocupações para a construção do microciclo, estão sempre presentes os 5 momentos de jogo. O nível de competências coletivas é mesmo considerado o mais importante, tendo de estar sempre os 5 a ser trabalhado durante a semana.
Nas competências individuais, difere muito do momento da época em que estamos, pois a preocupação com o reforço muscular passa mais pelo período
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preparatório não tendo depois grande destaque durante o resto da época devido ao treino complementar de ginásio que os jogadores realizam. No entanto durante a semana existe um conjunto de competências individuais que têm de estar sempre presentes: a tomada de decisão, os princípios de jogo sejam eles ofensivos ou defensivos, técnica individual defensiva e ofensiva, coordenação, velocidade e flexibilidade, força e resistência específica.
4.4- Métodos de treino e Exercícios padrão
É necessário saber transportar os conteúdos e temas para o treino de forma a que os jogadores os entendam e vão de encontro aos objetivos do modelo de jogo, de forma a permitir a aquisição do desejado. De forma a haver consolidação por parte dos jogadores, repetição dos exercícios é necessária, havendo assim exercícios consistentes ao longo da época em determinados dias do microciclo.
Relativamente à aprendizagem motora, Tani (2001), refere que a prática implica repetição sem repetição. Isto é, dar uma panóplia de opções ao jogador no mesmo exercício de forma a ele não estar a efetuar o mesmo exercício semanalmente sempre da mesma forma, isto é, não deixar o exercício tornar-se uma simples repetição mecânica dos movimentos.
Exercícios essenciais no dia a dia no microciclo semanal, respeitando o microciclo do SCB e os objetivos para cada sessão:
4.4.1 - 2º Feira – Recuperação Regime Tático-Estratégico
Treino Holandês
(Exercício de estruturação do jogo ofensivo/defensivo coletivo)
Objetivo: Organização Ofensiva/Defensiva + Transição
Ofensiva/Defensiva.
Jogo GR+7x7 (x7+GR) - Ataques alternados. Jogado no campo todo, uma linha divide o campo em 3. Jogadores da equipa que defendem têm de controlar a bola dentro da linha do meio onde não se encontra ninguém. Variantes do exercício, colocam jogadores da equipa que defendem fixos na linha do meio campo de forma a terem ponto de referência para a transição defensiva e a criar outra preocupação na organização defensiva da equipa que está em processo ofensivo. Geralmente dura 20’.
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Fig.4.1: Treino Holandês.
4.4.2- 3º Feira – Força Específica – Tensão Contração
Posse de bola 5x2+3
(Exercício de Posse de Bola)
Objetivo: Posse de bola + Organização defensiva Espaço de 40x20m
2 equipas de 5 jogadores (2 toques)
Treino a realizar antes dos jogos reduzidos.
Equipa de branco em posse de bola joga realiza manutenção da posse de bola e o jogo só transita para outro quadrado quando a equipa azul recupera a posse de bola e a coloca imediatamente no outro quadrado onde estão os restantes jogadores da sua equipa (apoio na profundidade pode receber no espaço interior e sai). Mudança de zona dos jogadores com a mudança da bola. Os jogadores mudam de zona com a mudança da bola, ficando sempre alternadamente 3 jogadores em "descanso" da equipa que perdeu a bola.
Fig.4.2: Posse de Bola 5x2+3.
4.4.3- 4º Feira – Resistência Específica – Duração Contração
Treino de Sistema – Largura x Profundidade
(Exercício de estruturação do jogo ofensivo/defensivo coletivo) Jogo 10x10 no "bloco":
1 - Posse de bola com oposição passiva;
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3 - Idem - Procura de colocar a bola nos 2 corredores para ponto;
4 - Saída de bola pela defesa e tentativa de colocar jogar nos AV atrás da linha do bloco;
5 - Idem mas com procura de penetração ou passe para rutura nas costas da defesa;
Jogo GR+10x10+GR no "bloco":
6 - Idem mas com finalização 5x3+GR;
7 - Após entrada da bola na profundidade o jogo segue normal até que a jogada seja finalizada ou que a bola entre novamente no bloco.
Fig.4.3: Treino de Sistema – Largura x Profundidade.
4.4.4- 5º Feira – Velocidade Específica – Velocidade Contração
Meinho 3x1 + Transição para o Quadrado Livre (Exercício de posse de bola)
Objetivo: Transição Defensiva
4 quadrados (3 Meinhos 3x1 e um quadrado 3x0)
Quando um jogador de um dos meinhos perde bola num meinho faz transição defensiva para o quadrado onde se encontra uma situação 3x0.
Jogadores que estão no quadrado em situação de 3x0, trocam bola, mas sempre a ver tudo para antecipar a chegada do defesa.
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4.4.5- 6º Feira- Tático Estratégico
Torneio 3 equipas de 7 (Jogos Reduzidos)
Torneio 3 equipas em campo reduzido (equipas em estruturas táticas intersectoriais).
Possibilidade de jogo a 2 toques e livre. Equipa de fora faz w compensatório.
Fig.4.5: Torneio 3 equipas de 7.
4.5- Meios de Controlo e Avaliação do Processo de Treino e
Competição
No SCB, a nível de observação eu filmava os treinos todos pois serviam como ferramenta para o treinador justificar certas mudanças e verificar certos desenvolvimentos de jogadores.
A nível de controlo, tanto no início como no fim do treino, eu deslocava- me ao balneário de forma a que os jogadores preenchessem corretamente as fichas de controlo de esforço dos jogadores, o Questionário de Perceção de Fadiga à realidade do futebol onde o jogador se autoavaliava em cinco dimensões no início do treino. Fadiga, qualidade de sono, dores musculares, níveis de stress e disposição humor, eram as dimensões medidas. E os jogadores escolhiam de 1 (nível mais negativo) a 5 (nível mais positivo) como se encontravam nesse momento. Em baixo das tabelas os jogadores encontravam um corpo humano onde deviam anotar as suas dores. A outra ficha era uma folha modelo da Escala de Borg, sendo também adaptada para esta realidade. No fim de cada treino, cada jogador avaliava o seu estado físico/cansaço, de uma escala de 0 a 10. Sendo 0 nenhum cansaço e 10 cansaço máximo.
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A nível de análise, no relatório do microciclo apontava as faltas dos jogadores, os lesionados que treinavam condicionados, os tempos de treino onde incluiu-se o tempo de instrução/organização, tempo de água, tempo de recuperação, tempo de exercitação e o tempo total. Acabava abordando todos os exercícios do treino de forma a se poder comparar com o proposto no início da semana para saber se ia de encontro ao programado.
A nível de avaliação, quando era pedido pela direção, o treinador ia fazendo uma avaliação dos jogadores de forma a saber-se as necessidades a colmatar dos mesmos, de forma ao treino em campo e fora dele também se encaixar nesse fator.
No SCB a importância da progressão do jogador é importante, de forma a consolidar-se o processo de formação proposto pelo modelo, sendo os atletas de todos os escalões, avaliados pelos seus treinadores no decorrer das semanas durante a época. O Coordenador Técnico fornece fichas transversais aos escalões de formação, a todos os treinadores principais. Esta é uma ficha com 26 componentes que abrangem vertentes, táticas, técnicas, físicas, psicológicas e sociais.
4.6- Periodização
Para Matveiev (1991), em cada ciclo de treino, seja o mesmo anual ou semestral, dividem-se em três períodos principais: o preparatório, o competitivo e o de transição.
Para Frade (citado por Silva, 2008), no futebol a preparação vai ao encontro da procura de preparar os seus jogadores e equipas para um modelo de jogo previamente adotado, em que a condição física e outras vertentes da forma desportiva, são exclusivas desse modelo.
Relacionando com a especificidade anteriormente abordada, Castelo (2010), afirma que a periodização atual procura desde o primeiro treino ir de encontro à especificidade e estar em concordância com as caraterísticas da organização de jogo pretendidas pelo treinador.
Devido ao modelo de liga dos juniores que se encontra dividido em dois momentos, no SCB a periodização faz-se segundo a periodização dupla.
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Quadro 4.1: Periodização.
Periodização Dupla
Meses 07 08 09 10 11 12 01 02 03 04 05 06 Competições 15/08 a 30/01 21/02 a 4/06
Períodos Preparatório Competitivo Transição/ Preparatório
Competição
De realçar que a paragem mais acentuada ao longo da época a nível de exercício físico é na passagem de ano novo em que se obtém 6 dias de folga para o plantel, no entanto a exigência não baixa logo de seguida pois depois do jogo de dia 30 com o Vitória, ocorre jogo dia 9 de Janeiro o que não deixa mudar o período competitivo nessa fase.
Para Matveiev (1997) no período preparatório deve-se criar e desenvolver bases necessárias de forma a surgir a forma desportiva, para assim se assegurar a consolidação da forma. O período preparatório consegue-se dividir por uma preparação geral, período mais longo, e por outra mais específica.
Já o período de transição tem como objetivo fundamental, fornecer aos jogadores um certo tempo de descanso entre os macrociclos.
No período competitivo, espera-se já se ter adquirido a forma física ao chegar a esta fase e assim neste período é preciso preservá-la. Como este é um período prolongado é necessário um aumento volume geral das cargas após as mesmas estarem estabilizadas, o que provoca a diminuição da intensidade. De seguida reduz-se o volume o que provoca outra vez o aumento da intensidade. É necessária também uma preparação moral muito forte.
Período preparatório a ir de 8 de Julho a 15 de Agosto, seguindo o competitivo de 16 de Agosto a 30 de Janeiro, o de transição/Preparatório de 31 de Janeiro a 20 de Fevereiro e um período competitivo 2 de 21 de Fevereiro a 4 de Junho. Após o fim do que estava calendarizado a direção decidiu estender por uma semana os treinos, havendo assim uma última semana de 5 de Junho a 9 de Junho.
4.7- Definição de Programas
No escalão de juniores para além do treino que os jogadores têm, seja ele em campo ou fora dele, existem mais atividades para os mesmos pois eles não
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vão para o clube simplesmente jogar e manter a forma. Existe uma evolução em diferentes aspetos de forma a formar profissionais de topo.
Um dos programas que mais interesse me suscitou nesta equipa, era dado pelo psicólogo. Para além do acompanhamento individual que ele faz de todos os jogadores, com variadas conversas individuais para saber o momento mental atual dos jogadores, ele fazia uma espécie de formação em comunicação, de forma a que os jogadores soubessem estar com a imprensa. Juntava um grupo de jogadores num dia da semana, em diferentes grupos, e em cada sessão um jogador tinha de se sentar na sala de conferências de frente para o restante grupo. Ele estaria numa situação como um jogador profissional se encontra no fim do jogo ou quando se dão entrevistas durante a semana. Inicialmente seria o psicólogo, o jogador e o restante grupo, mas aos poucos ele ia inserindo mais elementos acessórios. Microfones, camara, treinado para outra pressão sobre o jogador… No grupo, cada um tinha uma pergunta para fazer, tal e qual um jornalista, à qual o jogador tinha de responder. Depois de acabarem as perguntas, o psicólogo, que tinha filmado toda a intervenção com a camara sempre apontada para o jogador, demonstra as ações corretas e erradas. Feedback constante para os jogadores saberem defender sempre o grupo e não se tentarem individualizar, não se fragilizarem.
Outra atividade que o psicólogo realizava com os jogadores, eram o que posso chamar de aulas de psicologia pois dava exatamente a mesma matéria teórica que nós aprendemos na universidade, o que é importante nestas idades pois recebem uma aprendizagem não muito comum e que levanta importantes questões na formação dos mesmos. Questões relativamente a liderança, definição de objetivos…
O SCB também dispõe de um nutricionista que mensalmente marcava uma conversa de grupo de 30’ com os jogadores de forma a os ajudar nesta vertente. E é uma vertente muito necessária pois os jogadores cometem demasiados pecados alimentares. Nem é tanto pelo fato de não quererem saber da matéria, antes por desconhecimento da importância da mesma, pois não pensam que o seu rendimento pode ser afetado de uma maneira abrupta. Nesta questão o clube podia aproveitar muito melhor pois os jogadores alimentam-se num restaurante junto ao estádio, o clube fornece as senhas, por isso podiam controlar a alimentação deles. E mesmo os que vivem na residência devido a
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receberem o pequeno almoço, praticamente tudo podia ser controlado nesta questão.
O clube é conhecido pelas suas campanhas sociais e por isso, ainda recentemente fez a recolha de alimentos para os refugiados. Todos os jogadores são convidados para participar nestas atividades, daí ser tão importante a personalidade também na altura da escolha do atleta, pois é muito importante o saber ser Braga dentro e fora do clube.
No gabinete de otimização desportiva, as pessoas que trabalham no ginásio, fornecem treinos individuais para os jogadores poderem trabalhar antes e depois do treino. Com os treinadores discutem o que cada jogador mais precisa de melhorar, seja resistência, velocidade, velocidade explosiva, força muscular… e assim é preparado um plano individual, complementando o geral que fazem. Por semana, a nível geral, os jogadores realizam 1 treino de peito e costas, 1 treino de braços e 1 treino de pernas.
4.8- Quadro de necessidades
Ao longo da época foram sendo verificadas limitações pelos diversos departamentos, tendo a equipa técnica junto da direção apresentado diversas ideias de forma a poder melhorar as condições de clube, a melhorar o rendimento dos jogadores e a cobrir necessidades do plantel atual.
Quadro 4.2: Quadro de necessidades
Necessidades Objetivos
Aquisição de um DC Aumentar a competitiva e qualidade na posição, pois só haviam dois de raiz
Aquisição de um DE Nível de competição exigia outra qualidade PL com mobilidade Presença de dois PL de área, sendo preciso
um com outras caraterísticas
Contratar um Personal Trainer Formação precisava de um PT fixo, de forma a poder ajudar os jogadores individualmente
Necessidade material tecnológico no treino
Aumentar a qualidade de controlo do treino, de forma a aumentar o rendimento dos jogadores
Adquirir mini balizas Não ter de pedir sempre material emprestado às escolinhas sempre que necessário
“Contratar” mais um estagiário
Necessidade de ter um estagiário só para análise, de forma a poder efetuar outras avaliações de jogo no decorrer da semana
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