• Aucun résultat trouvé

Phase Diagram of Helium

II- 5) Etude et modélisation de la viscosité dynamique

As teorias econômicas estão estruturadas em função da concepção que se tem de Economia, isto é, do que vem a ser e como se comporta um sistema econômico. A principal matriz teórica, ora predominante, é a teoria neoclássica, centrada na aplicação dos conceitos de equilíbrio dinâmico oriundos da mecânica newtoniana na análise dos fenômenos econômicos. Este instrumental analítico admite que o sistema econômico move-se e acomoda- se em pontos de equilíbrio em função dos ajustes gravitacionais nos sistema de preços de mercado. O crescimento econômico decorre do avanço técnico que produz aumentos incrementais da produtividade dos inputs e, também, elevando o estoque de capital em relação aos inputs de trabalho. Assim, explica-se o crescimento econômico através das variações na produtividade do trabalho e na renda per capita.

Outros dois conceitos são importantes nesta matriz teórica. O primeiro diz respeito à racionalidade plena e à conduta hedonista dos agentes econômicos que, com tais atributos, tornam-se maximizadores nas suas escolhas e decisões econômicas. O segundo reside no fato de conceber a economia como um sistema regido por leis naturais, o que implica em reduzir a capacidade de agência dos sujeitos e, ao mesmo tempo, atribuir à teoria a capacidade de descobrir como tais leis operam sobre o sistema econômico. Este arcabouço, no dizer dos seus críticos, produz uma visão da economia como um sistema estático sempre tendendo para o equilíbrio mecânico e, portanto, uma teoria despreocupada com a criação de instrumentos analíticos para compreender as relações causais das mudanças qualitativas dos sistemas econômicos.

A perspectiva evolucionária emerge desde as críticas à teoria econômica clássica, apontando, especificamente, o predomínio da doutrina utilitarista inerente à teoria econômica inglesa clássica como a fonte dos problemas de método e escopo (VEBLEN, 1989a; ANDERSON, 1933). Os principais aspectos limitantes, na visão de Veblen (1898; 1989a; 1989b; 1900) apresentada em suas Preconceptions of economic science, eram a filosofia das leis naturais e a psicologia hedonista, que atribuíam um caráter taxonômico à teoria econômica clássica. A ciência econômica restringia-se à descrição das condições de equilíbrio e normalidade do sistema econômico, sem indagar sobre os processos de mudança em curso,

52

suas causas, efeitos e especificidades históricas e contextuais. Em tal situação a teoria econômica, no dizer de Veblen (1898), deveria ser reconstruída em bases evolucionárias, a partir de uma concepção pós-darwiniana de ciência.

Antes da polêmica no campo da teoria econômica, as perspectivas de uma ciência evolucionária no Ocidente concentravam-se em torno das preocupações sobre explicações para o desenvolvimento das diversidades nas diversas esferas da vida: o mundo natural, o espírito humano, a cultura e a diversidade social. O trabalho seminal de Jean-Baptiste Lamarck, Philosophie Zoologique, de 1809, apresentou uma teoria da diversidade biológica na qual as mudanças decorriam das injunções do meio ambiente sobre o comportamento de organismos, cujas propriedades fisiológicas permitiam mutações adaptativas, progressivamente, mais complexas. Posteriormente, os estudos de Alfred Russel Wallace, On

the Law which has Regulated the Introduction of New Species, em 1958, e de Charles Darwin, On the Origin of the Species, em 1859, apresentaram resultados de pesquisas empíricas e

conjecturas sobre as causas da diversidade das espécies através de uma teoria da evolução pelo “mecanismo” de seleção natural9. Naquele contexto, as consequências dessas percepções impactaram as diversas áreas do conhecimento, difundindo-se através de inúmeras abordagens que transcendiam da dimensão biológica para a social os princípios do processo evolutivo, como instrumento explicativo e compreensivo da mudança e da diversidade social.

Nas ciências econômicas, este impacto foi percebido, inicialmente, através da crítica à teoria econômica ortodoxa de Thorstein Veblen (1898, 1899a, 1899b, 1900, 1919) em prol de uma teoria econômica preocupada com as relações causais dos fenômenos, isto é, a sequência causal cumulativa que explica a ocorrência das mudanças. Modernamente, Nelson (1995) ressaltou a tendência à permeabilidade dos conceitos da Biologia e da Física nas abordagens evolucionárias das ciências sociais contemporâneas10, através de analogias e metáforas. Em tais perspectivas, o princípio fundamental é a identificação das causas inerentes à dinâmica onde uma variável ou um grupo de variáveis sofre mudanças significativas no prolongamento do tempo. Este processo ocasiona o surgimento de variações

9 Por seleção natural, entende-se o processo pelo qual traços hereditários, cujos atributos aumentam a

probabilidade de um organismo ou indivíduo sobreviver e reproduzir, tornam-se mais frequentes numa população através de gerações sucessivas. Em suma, considera-se o sucesso reprodutivo, em um meio ambiente dado, de uma variação genética no prolongamento do tempo. Não obstante a seleção natural atuar sobre os fenótipos, os genótipos dos organismos com maior eficiência reprodutiva torna-se mais comuns na população. Ao longo do tempo, este processo produz adaptações de organismos a nichos ecológicos e, eventualmente, podem culminar no aparecimento de novas espécies. Em se tratando de sistemas socioeconômicos, os princípios da seleção natural se aplicam às instituições, entre as quais as rotinas de trabalho, e aos hábitos individuais.

53

aleatórias sobre as quais age um mecanismo de seleção, cuja compreensão é o objetivo geral da abordagem evolucionária dos fenômenos sociais, culturais e econômicos.

Esta polêmica no campo da teoria econômica originou uma abordagem institucional e evolucionária com características bastante heterogêneas dos fenômenos socioeconômicos. Trata-se de um campo de caráter heterodoxo no qual se acomodam diversas matrizes teóricas tais como a Nova Economia Institucional, de Ronald Coase, Douglas North e Oliver Williamson, os neo-shumpeterianos entre os quais se inclui a Teoria Econômica da Mudança Evolucionária, de Richard Nelson e Sidney Winter, e os economistas evolucionários do Max Planck Institute, com sua perspectiva da economia como estrutura dissipativa e auto- organizadora, bem como os neo-veblenianos, a exemplo de Geoffrey Hodgson e ThorbjØrn Knudsen. Essa diversidade de teorias e métodos tem em comum a perspectiva de compreensão da mudança econômica através do estudo instituições que estruturam os sistemas econômicos. Essas instituições mudam e suas mudanças descrevem trajetórias compreensíveis mediante o estudo das conexões causais entre a dinâmica tecnológica e a mudança institucional.

Outro aspecto crucial na heterodoxia evolucionária e institucional é a interdisciplinaridade inerente à concepção do sistema econômico como um fenômeno histórico, sociocultural, psicológico e biofísico. Os estudos, nessa perspectiva, permitem o diálogo entre disciplinas como a Antropologia, a Psicologia, a História, a Biologia e as ciências naturais, possibilitando o emprego de analogias e metáforas nos modelos compreensivos criados pelos economistas. Deste modo, as mudanças na economia camponesa no Subpolo Três, tratadas em perspectiva evolucionária, são, simultaneamente, históricos, socioculturais, econômicos e, certamente, possuem implicações biofísicas. Contudo, por questões de praticidade a estrutura analítica empregada neste trabalho concentra-se mais sobre os aspectos socioeconômicos e socioculturais e menos sobre os aspectos históricos, psicológicos e biofísicos. Portanto, a teoria evolucionária aplicada, ao enfocar os hábitos e habilidades dos produtores camponeses, seus sistemas produtivos e rotinas de trabalho, considera também os aspectos etnológicos pertinentes às interações destes sujeitos com o ecossistema em que residem e com o ambiente institucional que os envolve.

54

Documents relatifs