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Etude de l’orniérage des graves non traitées

Chapitre II Etude du compactage

II.2.3 Etude de l’orniérage

II.2.3.2 Etude de l’orniérage des graves non traitées

A proposta do projeto piloto Transiarte tem sua base de sustentação epistemológica, político e pedagógica na democratização e socialização do conhecimento, enquanto elemento essencial no exercício da cidadania. Portanto, buscou o diálogo em todos os segmentos, enquanto estratégia de mobilizá-los na construção da pesquisa vivida e pensada por todos que a ela aderiram. Entendemos que a vontade política no âmbito da escola se dá, sobretudo, pelo poder de voz e de escuta que tem seus segmentos e esta foi uma busca incansável.

O diálogo com o Conselho Escolar foi uma meta perseguida, ao longo de todos os encontros e reuniões, uma vez que o grupo de pesquisa entende que as decisões por eles tomadas são legitimadas, na medida em que representam seus segmentos. Sua participação é considerada essencial para a construção de uma proposta curricular integrada.

Os resultados da pesquisa entre os professores, no que diz respeito às suas representações sobre o Transiarte – cada qual com suas respectivas áreas do conhecimento (história, geografia, biologia, matemática), e com suas trajetórias e percursos pelo magistério – podem ser considerados exitosos e promissores. Podemos afirmar que o projeto Transiarte foi visto como desafiador, com reais práticas que permitem romper como atual modelo de educação, o qual, segundo Freitas (2007), é responsável pela exclusão no interior de sua ação educativa.

É, portanto, mais do premente, é imperioso que se busque o rompimento com o modelo tradicional. Tal rompimento, que vai desde mudar de atitude no ato educativo, para se “aventurar” em um projeto novo, até de fato problematizar a urgência de o sistema educacional ofertar um ensino que busque em suas ações

administrativas e pedagógicas o sucesso escolar e a inclusão pelo direito a participar do processo formativo. Ou seja, o próprio sentido de se fazer educação.

Apesar da EJA não gozar das condições objetivas e subjetivas para o sucesso escolar, no âmbito de suas conquistas efetivas e legais – entre elas o financiamento educacional e um projeto em que tempo e organização pedagógica esteja à altura das expectativas dos seus alunos jovens e adultos – ainda assim os professores se auto-intitularam como professores de EJA. E, ao aderirem ao projeto, demonstram, no ato educativo, o compromisso com a necessidade de ruptura com este modelo e avançam em direção a uma proposta que entende a relação da escola-universidade como espaço de diálogo, de interação e construção coletiva.

Segundo os alunos, sua participação no projeto piloto Transiarte se constituiu em uma oportunidade de aprender mais, de dialogar com novas pessoas e de viver uma experiência nova de aprendizagem colaborativa e coletiva. A consciência sobre as ações no ato educativo e suas implicações para a sua formação ainda está em processo de ancoragem

A mediação da construção coletiva na oficina Transiarte, tomando as NTICE como recurso pedagógico, permite avançar em direção a uma didática de ensino e aprendizagem inovadora, colaborativa e interativa. Os recursos pedagógicos para a produção do conhecimento são outros: câmara filmadora, o computador, imagens, textos, sons baixados da Internet, a criação em oficinas de arte de roteiros, de narrativas, de pesquisa de campo e a sistematização coletiva.

As reuniões, os debates, os fóruns, a produção acadêmica e os esforços para que o laboratório estivesse funcionando e sendo ocupado pelos alunos são práticas rumo à construção de um novo itinerário formativo. Nesse novo itinerário, há que se integrar a educação básica com a profissional, o que requer uma construção coletiva, com abordagem metodológica que integre educação e tecnologias no currículo, na avaliação e na mediação didática.

A socialização dos vídeos e animações criados pelos alunos da EJA por meio do site http://www.proejatransiartetube.cefetgo.br constituiu-se numa prática pedagógica de desconstrução de representações sociais negativas sobre este público. Trata-se de um espaço no qual eles podem se comunicar e expressar suas

ideias, mostrar que são capazes de aprender, de pensar e de criar de modo singular, demonstrando iniciativa, conhecimento, envolvimento e, sobretudo, criatividade.

Assim, sair da sala de aula para protagonizar no espaço da cibercultura representa para eles uma prática de fortalecimento de identidade, de pertencimento dos sujeitos à sua realidade e ao processo formativo em que é protagonista na sua condição existencial, social, econômica e afetiva.

Por outro lado, é importante ressaltar a necessidade de implantação de processo de acompanhamento e avaliação, em que tanto o desempenho individual quanto o coletivo caminhem juntos, contribuindo para impulsionar os alunos na busca de estratégias que os ajudem a vencer suas dificuldades e partilhar seus saberes, integrando as gerações que estão em experiências e tempos diferentes. A valorização dos saberes de cada sujeito é essencial. E dar visibilidade à condição de cada geração constitui um ganho na promoção do diálogo interativo.

O planejamento na construção coletiva na criação artística para a produção de uma mensagem é essencial. Planejar todas as etapas, lidar com o imprevisível, ter que pesquisar dentro e fora da escola, organizar informações e dar tratamento a elas, aprender a operacionalizar ferramentas do ciberespaço. Tudo isso faz parte da rotina do projeto Transiarte. E, nesse processo, cada aluno vai se vendo e desenvolvendo habilidades e competências significativas para o sentido da escolarizar-se no atual contexto.

As limitações que o projeto encontrou são próprias do processo e ocorreram principalmente: pela ausência da inclusão digital do aluno e do professor; pelas representações sociais de inferioridade que recaem sobre a EJA; pela centralização de poder na gestão escolar; pela inexistência de políticas públicas que consolidem a EJA em uma educação pública de qualidade.

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