A maioria dos habitantes do bairro encontram-se dependentes de subsídios, quer de pensões sociais, quer do Rendimento Social de Inserção e apenas 12% da população está empregada. O que torna a maioria dos rendimentos dos residentes no Casal do Silva provenientes do Estado. Sendo esta situação diferente para a maioria das pessoas residentes na Amadora e na freguesia da Falagueira, porque em 2001 observava-se que a maior parte da população estava empregada.
A partir da observação da realidade, do geral para o particular, com os dados que se encontram disponíveis, os censos de 2001 referem que dos 175 872 habitantes do concelho da Amadora, mais de 91 481 pessoas estavam em idade activa, perfazendo uma taxa de actividade de 53,4%. Com valores muito semelhantes encontra-se a freguesia da Falagueira, que em 2001 contava com 53,8% da população empregada. Já a realidade actual do Casal do Silva compreende valores muito diferentes, porque apenas 166 pessoas estão empregados, somente 15% dos residentes no bairro contribuem para a taxa de actividade da freguesia e do concelho. Destes, a maioria, num total de 116 pessoas, cerca de 69% encontra-se inserido no sector terciário, só 30%, expressa por 49 pessoas, pertencem ao sector secundário e há um indivíduo ligado ao sector primário (conforme Anexo 8 Gráficos Caracterização Dimensões Pobreza e Exclusão Social – Gráficos dos Sectores de Actividade).
O Casal do Silva, sendo um bairro social, é habitado por famílias que demonstram viver com baixas condições sócio económicas, ao nível da proveniência que declaram dos seus rendimentos, em relação à maioria dos residentes do concelho da Amadora e da freguesia da Falagueira. Em 2006, existiam 9 217 famílias no concelho que beneficiavam de RSI, com incidência em indivíduos na faixa etária, igual ou superior, a 24 anos. Alguns moradores do bairro também contribuem para integrar esta estatística.
Se observarmos ainda os dados relativos à freguesia da Falagueira, verificamos que em 2001, cerca de 30% viviam das receitas, das pensões 26,0% e de apoios socais 4,9%. O total dos rendimentos das famílias residentes no bairro provém do estado. Numa distribuição em que 395 pessoas estão dependentes do RSI (Rendimento Social de Inserção), 100 indivíduos recebem pensões socais (aqui incluem-se as pensões de invalidez); 47 pessoas encontram-se a receber o subsídio de desemprego. Perfaz um total de 542 indivíduos que vivem de receitas estatais (conforme Anexo 8 Gráficos Caracterização Dimensões Pobreza e Exclusão Social – Gráficos da situação do Emprego).
Sem rendimento declarado existem ainda 62 indivíduos, a maioria destes homens têm uma actividade, não regular, ligada à construção civil e a maior parte das mulheres faz limpezas em casas particulares. Estas são situações que não têm a sua actividade regulada na segurança social.
Mas ligado ao facto da população na urbanização ser sobretudo jovem, verifica-se que na sua maioria, num total de 316 pessoas (incluindo crianças, adolescentes e jovens) são dependentes, encontrando-se estes a cargo de outros elementos da família.
Apesar de predominantemente jovem e adulta, a maioria dos residentes no Casal do Silva, encontra-se maioritariamente dependente de subsídios do estado. Prevê-se mesmo que alguns destes auxílios, como o RSI e os subsídios de desemprego, sejam verbas que receberão, temporariamente, e que não sejam uma fonte segura de rendimento. Constitui-se este, como grande indicador de situação iminente de risco de pobreza. Não há escassez de recursos económicos, na medida em que os indivíduos e as famílias recebem sempre determinada verba, com uma periodicidade mensal, necessária para adquirem os bens essenciais de primeira necessidade. Aqui incluem-se o pagamento das despesas fixas com água, luz, gás, renda da casa e alimentação, bem como despesas com educação e saúde. Contudo, de um modo geral as famílias apresentam muita dificuldade na gestão da verba que auferem. São frequentes as solicitações de pedido de ajuda para pagamento faseado das despesas fixas com, água, luz, gás e rendas de casa (apesar das rendas muito diminutas porque são rendas sociais). As famílias também solicitam cabazes de alimentos mensais, atribuídos por um serviço que apoia três freguesias no concelho e que opera para este efeito, mas passando a avaliação de algumas situações sócio económica dos agregados familiares, pelas técnicas de âmbito social do bairro, verifica-se que não é escassez de verba mas má gestão.
Maioritariamente as famílias que recebem o RSI no bairro são de cultura cigana, havendo determinadas características da sua forma de estar que, afirmam à partida, não
se coadunar com a procura de trabalho no mercado normal. Por um lado existem algumas famílias que fazem venda ambulante. Mas a maior parte delas não declara a sua actividade nas finanças e refere que a verba, que daqui advém, não permite o sustento da família, sendo imperativo a recepção do RSI.
Para além destas situações também existem varias pessoas não ciganas que se encontram desempregadas e referem grande dificuldade na procura de um novo emprego. Uma parte significativa destas pessoas, cerca de 25% é acompanhada no Gabinete de Inserção Profissional do CEBESA, localizado na urbanização.
Apesar do país estar a passar por uma situação económica pouco favorável, na qual se verifica que o desemprego tem vindo a aumentar, há uma característica que poderá estar ligada à dificuldade de inserção das pessoas no mercado de trabalho. Esta está aliada à baixa escolaridade, de grande parte da população residente no bairro.