CHAPITRE 4 LE CORPS DES R ´ EELS R ET DES COMPLEXES C Les nombres “r´eels” ont ´et´e ainsi baptis´ es car on pensait que ce sont ceux qui
4.3 G ´ EOM ´ ETRIE ET NOMBRES COMPLEXES
O método é a praxis fenomenal, subjectiva, concreta, que precisa da generatividade paradigmática-teórica, mas que, por sua vez, regenera esta generatividade. Assim, a teoria não é o fim do conhecimento, mas um meio-fim inscrito numa recorrência permanente ( Morin, 1982, p. 251).
Embora o objecto de estudo não foque, directamente, os aspectos relacionados com o currículo, o mesmo está subjacente à prática pedagógica. Esta, porém, está submersa na realidade do educador. Neste sentido, o currículo está associado, efectivamente, à programação realizada pelo docente. Ao redor deste assunto, falar de planificação, neste momento, torna-se um pleonasmo conveniente para entender a dinâmica das salas observadas.
No enquadramento teórico, abordo várias funções do educador. No entanto, é perante a função da planificação que, o educador poderá encontrar a chave para abrir ou fechar o baú da mestria da educação. Para Pacheco (2001)
…a função principal da planificação é a de organizar e prever, de um modo flexível, a interacção professor/alunos. Por conseguinte, o acto de planificar apresenta-se como uma competência específica e imprescindível do professor que lhe permite configurar, através de um plano mental ou escrito, os vários elementos didácticos nos quais se baseará para estruturar o processo de ensino-aprendizagem, proporcionando-lhe uma redução da incerteza e insegurança (p. 105).
Planificar dentro de um sistema organizado, significa apoderar-se, previamente, do todo que abarca os vários recursos educativos. É, pensar no percurso que preciso empreender, mas ao mesmo tempo, pensar se a trajectória percorrida corresponde ao postulado actual.
As participantes na investigação mostraram que utilizam a planificação, temporalmente, de modo diferente: a educadora Sofia planifica mensalmente e a educadora Teresa semanalmente.
Em relação aos recursos são mencionados pela educadora Sofia quer na planificação, quer no Projecto Curricular de Grupo. A educadora Teresa indica apenas os recursos materiais de todas as áreas de actividade no Projecto Curricular de Grupo. As estratégias utilizadas são evidenciadas, por ambas, na planificação e no Projecto Curricular de Grupo.
136 No que concerne os objectivos dos documentos, estes são abordados de forma divergente pelas suas autoras. Os objectivos vão ao encontro com o Modelo de desenvolvimento curricular. A educadora Sofia utiliza a pedagogia de projecto e de situação. O que significa, segundo Pacheco (2001) que o modelo curricular utilizado pela educadora Sofia centra-se no processo. Ou seja, os objectivos são formulados em função da cada contexto, onde o currículo emerge perante o que a educadora pretende fazer. Este tipo de currículo só ganha consistência se existir uma revisão periódica dos objectivos e uma real adaptação às necessidades de aprendizagem dos alunos. Desta forma, o educador assume-se num lugar central, ele será o mediador entre o currículo estabelecido e as crianças. Daí, os objectivos gerais do Projecto Curricular de Grupo não coincidirem, sistematicamente, com os objectivos gerais da planificação mensal. Não obstante, a educadora Sofia não se baseia, somente, na pedagogia do projecto, mas, também, na pedagogia de situação. O que significa que o Modelo curricular baseado na situação contempla os problemas e atitudes dos alunos. Com efeito, esta perspectiva é desenvolvida através da interpretação. Na verdade, a situação pode ser analisada da seguinte forma: a educadora Sofia utiliza o Modelo curricular centrado no processo, quando se trata de organizar curricularmente os conteúdos educativos; emprega o Modelo curricular centrado na situação, sempre que surjam problemas e atitudes dos alunos. A educadora afirma-se perante a sua entrevista como alguém directivo, ou seja, geralmente apresenta um papel de decisora na vida escolar dos alunos.
A educadora Teresa menciona os objectivos gerais e específicos no Projecto Curricular de Grupo, mas omite-os na planificação. No meu entender, o seu Modelo curricular enfrenta um peso maior centrado na situação, do que propriamente no processo. É ainda com base no pensamento de Pacheco (op. cit.) que aborda a questão do profissional como alguém crítico e auto-reflexivo. Avança ainda que o educador deve ter “…autonomia curricular perante a liberdade de elaborar programas e materiais e de propor actividades e metodologia didáctica” (p. 142). Mediante esta citação posso observar que a educadora Teresa fez várias pesquisas com as crianças. Tive a oportunidade de a observar no tempo que estive na sua sala de actividades. Logo, até que ponto pesquisar um assunto do interesse da criança leva a o educador ter liberdade de elaborar programas? Será que liberdade acção do educador permite uma maior autonomia nas finalidades educativas do aluno? Penso que estas acções terão uma relação directa, caso o educador seja propenso em colaborar com os alunos.
137 Sobre a educadora Teresa importa ainda referir um outro Modelo curricular, devido ao seu interesse e relevância pelo domínio social. Baseada em Leite (2003), a escola sociocrítica “…reconhece enquanto acto social e que se orienta para o aluno, na sua dimensão total” (p. 150). Esta autora fala-nos da importância da participação activa dos educadores e educandos. Estes intervenientes são levados a realizarem reflexões sobre os valores da nossa sociedade. A partir deste tipo de reflexões os alunos adquirirão competências para tratar das suas situações reais. Por conseguinte, ao adoptar este Modelo Curricular, o educador facilitará ao aluno a construção pessoal, onde as aprendizagens aproximam-se à realidade vivenciada. O aluno ao ter voz aprende a ter uma consciência crítica, respeito pelo outro e aprende a analisar o seu próprio processo de aprendizagem.
No enquadramento teórico fiz referência às teorias psicológicas da aprendizagem. Nelas, salientei as duas teorias: o behaviorismo e o construtivismo. O que gostaria de deixar aqui claro, é que para se seleccionar um tipo de Modelo Curricular seria conveniente entender qual a concepção política de cada uma das teorias. O behaviorismo assenta numa concepção curricular onde a escola tem de fornecer soluções às exigências da sociedade, ou seja, o currículo vem de fora para dentro da escola. Para Pacheco (2001) o educador tem um papel de tecnicista, pois possui apenas o perfil para transmitir conhecimentos. Os alunos, esses serão meros receptores do conhecimento e terão de memorizar os conteúdos.
O construtivismo trata do inverso em relação ao behaviorismo. Construir a pessoa dentro da escola para a sociedade. Tendo os aspectos sociais como potenciais mediadores entre a construção humana e as situações reais. O aluno é activo, isto é, está envolvido no seu processo de aprendizagem. A ideia de um aluno reproduzir apenas o que aprendeu, é rejeitada. Substituindo, assim esta, pelo processo de construção pessoal. Gostaria de fazer aqui uma analogia entre racionalização e racional. Para Morin (1982) a racionalização “…é uma lógica fechada e demente que julga que pode aplicar- se ao real…” (p. 59). Assim, concebo o behaviorismo como uma lógica fechada, mas pronta para satisfazer as necessidades da sociedade. Quanto ao racional ou à razão, Morin (op. cit.) define-a como algo aberto e que reconhece o universo como ele é. Ou seja, será, o construtivismo. Preconizo o construtivismo que se constrói a partir da nossa realidade, isto é, de dentro para fora e não de objectivos vindos de fora.
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