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Etat des lieux des différentes technologies de turbine éolienne

Chapitre 3 :Capacité de réglage des éoliennes de grande puissance

II) Etat des lieux des différentes technologies de turbine éolienne

Antes de explicar os movimentos dos átomos, Lucrécio ainda irá discorrer sobre os prazeres do corpo-carne220 e do espírito. Essa introdução será detalhada ao longo do DRN, mas, do ponto de vista de uma exposição introdutória da sua ética, é importante que esse tema seja tratado conforme a ordem da exposição do filósofo. Para tanto, vejamos inicialmente a passagem sobre os prazeres do corpo:

Pouco é necessário, naturalmente, pelo que diz respeito ao corpo: tudo o que suprime a dor pode dar-lhe ao mesmo tempo numerosas delícias. E, entretanto, a própria natureza não exige nada mais agradável: se não temos na casa estátuas douradas de jovens segurando na mão direita lâmpadas ardentes que dêem luz aos banquetes noturnos, se a casa não refulge com a prata nem rebrilha com o ouro, senão ressoam as cítaras pelas salas lacadas e douradas, não exigem os corpos grandes bens desde que estejam deitados sobre a branda relva, perto de um rio de água corrente, à sombra de uma alta árvore, sobretudo quando o tempo sorri e a estação do ano adorna de flores as ervas verdejantes. E as febres ardentes não se afastam mais depressa do corpo por se estar agitado sobre tapetes bordados e sobre a rubra púrpura do que por nos termos de deitar num pano plebeu (DRN, II, 20-36)221.

217 Diogenes, fr. 35. 218 Do grego άτράνωτοι. 219 Do grego τάµετέωρα. 220

Conforme já apreendemos, o todo é formado por um agregado (athroísma) de átomos e vazio. Para o epicurista, “corpo” (sóma) é uma noção que se aplica tanto aos elementos (os átomos), como aos corpos sensíveis, animados ou inanimados. A diferença básica entre os elementos dos “corpos sensíveis” (como os corpos dos seres vivos) e os “corpos apreendidos pelo pensamento” (como o corpo-alma) está na fina textura dos átomos que os compõe. Neste tópico, a ênfase é no corpo-carne, mais precisamente no corpo humano (sarkós). Por necessidade de simplificação, será utilizado o termo “corpo”, exceto quando indicado o contrário. A terminologia “corpo-carne” sera exaustivamente utilizada no próximo capítulo, mas não é nossa. Para uma exposição detalhada da compreensão epicúrea desse conceito, ver Silva (2003, p. 47-48).

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Essa abordagem introdutória do principal legado ético do epicurismo considera um cálculo dos prazeres222, em que podemos observar a divisão canônica entre duas categorias básicas: os prazeres catastemáticos e os cinéticos. Os primeiros se referem a um prazer pleno, imóvel e estático. Trata-se de um estado de satisfação que se configura em um prazer no seu ápice, não existindo nada maior ou melhor. Os outros, sujeitos ao movimento incessante de dor e estados agradáveis, são efêmeros. Mesmo que se possa estimulá-los através da riqueza e do poder, não é possível aumentar a sua intensidade nem torná-los mais agradáveis. Pelo contrário, ao tentar aumentar tais prazeres, o sábio corre o risco de se tornar dependente deles, o que seria admitir desnecessariamente o destino.

Assim, deve-se preferir o prazer à dor, mas isso não significa uma atitude alheia ao fato de que o sofrimento – em termos concretos – existe. O objetivo do epicurista, em primeiro lugar, deve ser o de minimizar a dor, atuando em conformidade com uma economia dos prazeres. No caso do corpo, isto pode ser conseguido através de um estilo de vida simples e frugal, de modo a satisfazer apenas os desejos naturais e necessários. Nesse contexto, a amizade e a companhia de amigos que compartilham interesses semelhantes é o ambiente mais propício para desfrutar de tal prazer.

Mas, uma vez que o corpo-carne sofre – isso pode ser atestado pelos sentidos; trata- se de um sofrimento efetivamente real e concreto – e a dor, quando inevitável, pode ser superada pelo prazer mental, do espírito. Quando este último excede a dor do primeiro, há uma variação do gozo passado que se atualiza no presente, anunciando um gozo futuro. Para a alma, é possível suprimir a dor através da investigação filosófica da phýsis, ou melhor, pelo estudo da natureza. Tal atitude permite o prazer catastemático, condição prévia para a ataraxia. Portanto, nessa economia, o prazer mais valorizado é o estático, por permitir – através de um estado de ausência de perturbação da alma – eliminar duas das principais origens da angústia humana: os temores dos deuses e o medo da morte223. Como já foi dito, nem a riqueza nem o poder são capazes de suprimir a dor e cessar o sofrimento, e sequer permitem o prazer sensual. Nesse sentido, o prazer é o único bem e o único objetivo do sábio; a ele, todos os outros valores estão subordinados. A dor é algo negativo e o único mal, não existindo um estado intermediário entre prazer e dor.

222 DRN, II, 20: Ergo corpoream ad naturam pauca videmus. O início é bastante significativo, uma vez que o

termo pauca refere-se a um tipo de apelo à vida simples. Os prazeres podem ser corporais (do corpo-carne) ou anímicos, sendo que, neste caso, Lucrécio está se referindo explicitamente aos primeiros.

223 O prazer catastemático pode ser sentido quando se atinge um estado particular de bem-estar, de ausência de

dor (aponia), ou de ausência de inquietação da alma (ataraxia). O prazer cinético, pelo contrário, é sentido durante a execução de alguma atividade, como por exemplo, a discussão filosófica.

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O compromisso dessa ética no âmbito do corpo – isto é, do corpo dos seres humanos, o corpo-carne por excelência – vincula-se ao prazer em seu sentido mais amplo. A voluptas da qual fala Lucrécio, ainda que incipiente nessa passagem, parte de algo físico, já que, enquanto sensação e faculdade anímica, é o resultado do movimento dos átomos sutis da alma no vazio. Dessa forma, não seria estranho concluir que, ao evitar a dor, o epicurista está se referindo, em última análise, ao seu afastamento e, portanto, a um tipo particular de declinação.

3.3. Os prazeres e os medos do espírito: a recusa dos bens exteriores (gloria regni) e a