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Etalonnage en énergie par pixel du détecteur Timepix3 Si

codé Compton Masque codé Compton

CHAPITRE 2 : CARACTERISATION DU DETECTEUR PIXELLISE TIMEPIX3

5. Etalonnage en énergie par pixel de Timepix3

5.5 Etalonnage en énergie par pixel du détecteur Timepix3 Si

Na década de 1990, perante a necessidade de distinguir aqueles que viajam daqueles que não o fazem, a OMT define como turistas, os “visitantes temporários que ficam fora do local habitual de residência por um período superior a 24 horas e inferior a um ano, por motivações de lazer, negócios ou outras” (tradução nossa). A partir desta definição surgem outras, menos abrangentes, referentes a categorias específicas de turistas, como, por exemplo as que sumariamente elencamos e caracterizamos na tabela 4.2.

Estudos em literatura e turismo: Conceitos fundamentais

97 Tabela 4.2. Tipologias de turista

Categorias/Tipos de turista Caracterização

Turista internacional Alguém que viaja para um país diferente do seu país de residência habitual com motivações de lazer.

Turista doméstico Qualquer pessoa que sendo residente num país viaja para um local no mesmo país por um período não superior a um ano.

Excursionista doméstico Semelhante ao turista doméstico, mas cuja visita dura menos de 24 horas. Excursionista internacional Um visitante residente num país que se desloca para um país diferente daquele

em que tem a sua residência habitual por um período inferior a 24 horas.

As definições propostas pela OMT entendem o turista do ponto de vista técnico, focando a duração mínima e máxima, a deslocação para fora do local de residência habitual e os propósitos mais genéricos da viagem, não contemplando as especificidades da articulação da literatura com o turismo que estão subjacentes à leitura que fazemos do turista literário, do viajante literário, do peregrino literário e do flâneur.

O turista literário é alguém que se move entre diferentes pontos geográficos com a motivação de visitar lugares literários. É, tal como o viajante e o peregrino literários, que descrevemos adiante, alguém permeável à influência da literatura (Robinson & Andersen, 2002: 304). Todavia, distingue-se do viajante e do peregrino pelo facto de ser menos conhecedor da literatura e dos autores, e de assumir uma atitude mais passiva. Na verdade, o turista literário não procura novos lugares para decifrar, não procura novos caminhos e experiências inéditas, é um consumidor e, como tal, procura no destino escolhido os produtos literários previamente preparados que são colocados à sua disposição, como sejam os itinerários literários com guia, os festivais literários e as visitas guiadas a casas de autores. O turista literário pode inclusive sê-lo ocasionalmente, ser alguém que escolhendo um destino com outras motivações, em determinado momento da sua viagem opta por uma atividade de turismo literário. Será, neste caso, aquilo que Verena Biesalski refere como o “turista-também-literário” (2011: 60, tradução nossa).

Sílvia Quinteiro & Rita Baleiro

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O viajante literário é alguém que, estando na posse de um conjunto vasto de conhecimentos literários e da geografia física (mas também conhecimentos filosóficos, históricos, políticos, arquitetónicos, entre outros), tem a capacidade de planear e estruturar a sua viagem em função do texto e/ou do autor-objeto- da-sua-admiração, de decifrar aquilo que vê, aquilo que visita em função do seu conhecimento especializado do literário. Um exemplo desta classe de viajantes é o protagonista de Danúbio, de Claudio Magris (1986), que, munido de uma bagagem cultural e de uma capacidade intelectual invulgarmente ricas, guia o leitor pelos caminhos e paisagens da Europa do rio Danúbio, proporcionando-lhe simultaneamente uma recuperação intencional da memória, ao fazer incursões na história, filosofia, arte e literatura. No livro de Magris, todas estas digressões concorrem para a definição do conceito complexo e amplamente estudado de Mitteleuropa. Em suma, o viajante literário é um viajante culto, apreciador e conhecedor da literatura, alguém versado nos clássicos, disposto a percorrer longas distâncias para estar nos lugares onde literatura e geografia física se encontram. É alguém cujo capital cultural lhe permite apreciar e compreender estes lugares ligados aos escritores e às suas obras.

O peregrino literário é, por definição, uma variação da figura do viajante literário, e tal como este último é profundamente conhecedor das obras e dos autores. David Herbert descreve-o como um “estudioso dedicado” (Herbert, 2001: 312-313), que procura no destino da sua viagem uma aproximação aos lugares do autor e aos lugares dos textos do autor, quase que numa experiência de comunhão e de proximidade com o “sagrado” (Roberston & Radford, 2009: 206). O peregrino literário tem origens no Grand Tour e, como referimos, é movido por uma profunda admiração por um “autor-Deus” (Barthes, 1977: 146), pois está disposto a percorrer voluntariamente longas distâncias com o principal objetivo de experimentar, em primeira mão, uma comunhão com o autor que admira, de ver o que ele viu, sentir o que ele sentiu, estar onde viveu, onde escreveu, onde morreu, onde foi sepultado, sentar-se onde o autor se sentou, observar e tocar os seus objetos. Esta proximidade sugerida pelos lugares e pelos objetos do autor vem ajudar o leitor-admirador a superar a distância temporal irremediável entre diferentes ordens de realidade: a do leitor e a do autor (Westover, 2008: 67). O facto de na maioria das vezes se tratar de autores que já morreram, os peregrinos-literários procuram nos lugares dos autores a proximidade que

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lhes é possível (idem ibidem). Por essa razão, esses lugares são frequentemente experienciados como santuários e os objetos como relíquias.

Apropriamo-nos aqui da expressão de Roland Barthes – “autor-Deus” – para sublinhar o caráter devocional da viagem do peregrino literário para quem o autor é, sem dúvida, o elemento inspirador da viagem, pois é com ele que procura um encontro imaginário, num desejo de ser associado ao seu génio e de, por essa via, poder elevar-se ao nível intelectual e cultural do escritor alvo da sua admiração (Dávidházi, 1998: 63).

Na literatura são diversos os textos nos quais encontramos esta figura. Um exemplo paradigmático é o do protagonista de Dublinesca, de Enrique Vila-Matas. Com efeito, Samuel Riba, um editor catalão atormentado pelo desaparecimento dos bons escritores, dos leitores “dedicados” (Vila-Matas, 2010: 217) e dos editores da grande literatura, desloca-se a Dublin para “sentir” e “viver” o autor e a obra da sua devoção: James Joyce e o seu Ulysses. A viagem a Dublin tem também o objetivo de aí celebrar o funeral da literatura “da edição literária [...] dos verdadeiros escritores e dos leitores com talento” (idem: 97-98). Trata-se da celebração de “um requiem pela galáxia Gutenberg, por essa galáxia hoje de fogo pálido e da qual o romance de Joyce foi um dos seus grandes momentos siderais” (idem: 97).

O peregrino literário Samuel Riba é alguém que, tal como Paulo, do poema “A incapacidade de ser verdadeiro”, de Carlos Drummond de Andrade, tem uma mente profundamente poética (por vezes incompreensível para os outros) e uma capacidade de se deixar levar pela imaginação que lhe permitem imergir num universo que é só seu:

Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois