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R´esultats

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Chapitre 4 Validation des r´ esultats : qu’est-ce qu’une bonne communaut´ e ? 101

4.2 Evaluation de la pertinence s´emantique des communaut´es

4.2.5 R´esultats

Apresentadas tais discordâncias, passamos, agora, a tratar de pontos de aproximação com o artigo de Felinto, ao ar- gumentarmos que a metodologia do pragmatismo é uma vertente teórica que atende às preocupações levantadas pelo autor, conduzindo a uma compreensão mais rica dos atuais desenvolvimentos da tecnologia digital e de seu pa- pel central no atual ambiente comunicacional, ponto que venho reiterando desde a defesa de dissertação de mestrado em 1987. Segundo Felinto, a importância das tecnologias digitais decorre do fato de terem "posto em relevo certas questões que antes não se manifestavam de forma tão evi- dente quanto agora" (Felinto, 2011: 5) e, daí, favorecerem "a problematização do próprio cerne da noção de comuni- cação" (Felinto, 2011: 6). Com isso, está se querendo dizer que a dimensão material dos meios é produtora de signifi- cados, ou, nas palavras do autor, da "emergência de sentidos em geral" (Felinto, 2011: 8).

Do ponto de vista do pragmatismo, de fato, os processos de comunicação são devedores, em primeiro lugar, de sua intermediação material, ou seja, do signo, ele mesmo, como dizia Peirce. Se, por um lado, não há como escapar da me- diação sígnica, por outro, só é possível nos comunicarmos por meio de signos, com todas as limitações e problemas que tal interferência irremediavelmente causa no proces- so. Quando entram em cena os processos de comunica- ção sobre a base digital, a consciência da inevitabilidade da intermediação sígnica ganha uma relevância especial, pois, conforme defendemos há mais de duas décadas, estão em

jogo processos que superaram o caráter arbitrário da lin- guagem verbal e constituem representações com crescente semelhança de qualidades entre signos e objetos.

Nesse sentido, quando Felinto pergunta se essa "carência de atenção ao digital" não se deve "ao fato de que muitos pressupostos epistemológicos envolvidos na discussão deri- vem de sua adesão a uma forma mentis típica da comunicação massiva" (Felinto, 2011: 11), embora consideremos tal diag- nóstico pouco preciso, há, aí, uma nova concordância em re- lação ao problema que é colocado. De fato, também conside- ramos que um dos problemas nas discussões sobre o campo é a falta de articulação entre o caráter crítico da atual ambiên- cia e a emergência das tecnologias digitais de comunicação, conforme defendemos no GT de Epistemologia da Compós em 2007, no trabalho já citado acima (Pimenta, 2007a).

Afirmávamos, então:

É possível perceber que muitos dos eventos que, ultimamente, vêm gerando indeterminações no campo vieram da esfera da comunicação através de meios eletrônicos digitais, ao articularem ao verbal, de forma cada vez mais rápida e crescente, ima- gens e sons. Estes signos híbridos e complexos têm, em si, a qualidade de incluir em seus processos a baixa definição, ampliando, assim, a representação de eventos por meio de uma riqueza maior de ca- racterísticas, incluindo aspectos de indeterminação. Um bom exemplo disto é o que vem ocorrendo na esfera da comunicação interpessoal em rede, a par- tir do email e dos blogs, agora acrescidos de fotos, vídeos, músicas e de voz, que apresentam desenvol- vimentos inéditos e com perspectivas imprevisíveis. A concepção de campo como representação destes processos deve, portanto, admitir indeterminações e trabalhar com elas (Pimenta, 2007a:17).

Outro ponto em que convergimos é quando Felinto afir- ma que "em lugar de materialismos tradicionais, que tomam objetos e tecnologias como substâncias inertes, cabe reconsi- derar a noção de agência e libertá-la de sua prisão humanis- ta" (Felinto, 2011: 6 e 7). Aí, o autor se aproxima mais uma vez do pragmatismo, uma vez que destaca o que, para nós, é o papel dos chamados objetos, dinâmico e imediato, nos processos de representação sígnica que constituem as trocas comunicacionais. De acordo com essa visada, há uma auto- nomia dos objetos em relação às representações que deles fazemos e, mais do que isso, há de se considerar que eles desempenham um papel relevante na dinâmica comunica- cional, muitas vezes fazendo com que tenhamos de mudar de atitude em função de suas próprias características.

Esse foi o caso do email, para citar um dos múltiplos exemplos na esfera da comunicação digital, o qual, inicial- mente, foi adicionado aos sistemas como algo sem muita importância, mas que se impôs como um novo meio de comunicação de grande impacto. Desde nossa dissertação de mestrado, por inspiração McLuhaniana, defendemos que o caráter eletrônico das tecnologias digitais lhes con- fere características que conduzem os processos nos quais participam à imediaticidade, à disseminação e à aversão a controles, por exemplo.

A autonomia dos objetos em relação ao que pensemos sobre eles é ponto central da metodologia do pragmatis- mo e se traduz na importância atribuída por Peirce à etapa indutiva como definidora da estimativa da proporção de confirmação da hipótese pela experiência. É somente por força da confirmação que se puder obter da amostra, to- mada nas condições mais rigorosas possíveis, é que podere- mos confiar nos resultados derivados de qualquer tipo de observação que empreendermos, seja na vida cotidiana ou num experimento científico. Há, portanto, uma valorização

dos objetos e tecnologias, conforme solicita Felinto, na sua capacidade de participar no agenciamento das transforma- ções. Não se trata, certamente, de levarmos em conta apenas interpretações, numa visão hermenêutica da comunicação.

Finalmente, outro ponto de concordância com esse au- tor que gostaríamos de destacar é a respeito de sua postura de que "não somos os únicos, nem necessariamente os mais importantes agentes do que está se desdobrando diante de nossos olhos. [...] Os atores não humanos ocupam uma po- sição tão decisiva que nossos pudores humanistas não têm mais onde se sustentar" (Felinto, 2011: 13). Tal posição, que conduz o autor a defender as vertentes "pós-humanistas", vem sendo adotada por nós nos últimos anos a partir da ob- servação das transformações promovidas pela disseminação das tecnologias digitais, em articulação com o realismo ao qual o pragmatismo se filia.

De acordo com essa vertente, os processos de comuni- cação humanos derivam de lógicas sígnicas de amplitude incomensurável, muito além de nossa capacidade de com- preensão, relacionadas a fenômenos do que se convencio- nou chamar natureza. Diz Peirce:

Não devemos adotar uma visão nominalista de Pensamento, como se fosse algo que o ser huma- no tivesse dentro da sua consciência. A consciência pode significar qualquer uma das três categorias. Mas se for significar Pensamento, ela está muito mais fora de nós, do que dentro. Nós estamos no Pensamento e não ele em nós. (CP 8.256)

Nessa perspectiva, a lógica humana e as linguagens que desenvolvemos a partir dela são derivadas de uma com- plexidade que vem sendo, aos poucos, aprendida por nós, a partir da observação de fenômenos naturais e, portanto, não possuem a autonomia que geralmente lhes é atribuída.

No caso das linguagens digitais, de acordo com o exposto acima, estamos diante de processos nos quais as leis que pre- sidem o que chamamos de eletrônica potencializam ainda mais essa concepção de pensamento como algo de caráter exponencialmente mais amplo do que as culturas humanas, o que, conforme vimos acima, coloca em crise pressupostos epistemológicos e a própria noção de ciência.

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