Choix du modèle d’architecture reconfigurable
2. Estimation des temps et des ressources à destination du partitionnement
As células de revestimento do epitélio que descrevemos denominam-se queratinócitos e correspondem a 90% das células permanentes da mucosa oral. Existem outros três tipos de células residentes epiteliais, que representam 9% da população celular do epitélio, e que tivemos oportunidade de estudar em trabalhos anteriores: os melanócitos, as células de Langerhans e as células de Merkel. Estas células, apesar de não serem observáveis por endoscopia de contacto, são parte integrante destes epitélios - as células de Merkel e de Langerhans foram por nós estudadas na mucosa oral, e os melanócitos na mucosa das cordas vocais - e por isso, julgámos oportuno referi-las.
CÉLULAS DE MERKEL
As células de Merkel foram descritas pela primeira vez em 1875 por Friedrich S Merkel, na camada basal da epiderme do focinho de toupeiras e porcos. Foram inicialmente descritas como umas células de citoplasma claro que se encontravam associadas a terminações nervosas intra epiteliais, de extremidades dilatadas. Desde as primeiras descrições foram identificadas em todos os vertebrados, desde os ciclóstomos aos mamíferos [110], estando identificadas na epiderme ao nível das pálpebras, faces
palmares e plantares, pontas dos dedos e pregas ungueais, ainda que a sua localização primordial seja as áreas perifoliculares da pele. São ainda descritas nas mucosas nasal, labial e bucal humanas e também na derme de fetos humanos [111].
As técnicas convencionais de coloração histológica e de microscopia óptica não permitem individualizar as células de Merkel. Estas células encontram-se normalmente nas três camadas mais basais do epitélio (Fig. 15). À observação por microscopia electrónica de transmissão, técnica electiva para estudos destas células, possuem um corpo celular em regra ovóide e prolongamentos ou esporões citoplasmáticos, que têm em média 30 a 40 nm de diâmetro e chegam a atingir 2,5 μm de comprimento sendo o seu eixo ocupado por fibras de actina [112] (Fig.16).
O núcleo é normalmente oval e tem frequentemente lobulações [112]. A sua membrana citoplasmática possui desmossomas, especializações de membrana para adesão celular, localizados no corpo celular ou nos prolongamentos celulares, que mantêm a junção aos queratinócitos adjacentes [113]. No entanto, quando comparadas com as dos queratinócitos adjacentes, estas especializações são de pequenas dimensões e em número reduzido [114] (Fig. 17).
Fig. 15 - Microscopia electrónica de transmissão 3500X. Mucosa oral humana. Observam-se duas células de Merkel (CM) junto à membrana basal (Mb). O citoplasma que se apresenta menos electrodenso que o dos queratinócitos (Q) tem como característica mais típica a existência no
citoplasma de grânulos de forma esférica limitados por uma membrana. Observamos estas estruturas dispersas por todo o citoplasma embora predominando no pólo basal das células e em áreas
adjacentes a dendritos.
Fig. 16 - Microscopia electrónica de transmissão 4800X. Mucosa oral humana. Observa-se esporão de célula de Merkel cortado transversalmente (seta).
Fig. 17 - Microscopia electrónica de transmissão 4800X. Mucosa oral humana. Observa-se esporão de célula de Merkel (CM) cortado transversalmente (seta) em contacto com queratinócitos adjacentes (Q).
O citoplasma tem caracteristicamente uma densidade baixa em microscopia electrónica de transmissão, contendo uma baixa concentração de filamentos intermédios de queratina, o que contrasta com o observável nos queratinócitos [111] (Fig. 18). A sua principal característica identificadora, consiste na presença de grânulos citoplasmáticos densos, limitados por uma membrana com halo. Estes grânulos com 80 a 120 nm de
Q
diâmetro são semelhantes aos encontrados nas células neuroendócrinas e contêm, conforme foi demonstrado por métodos imunocitoquímicos, péptidos e enolase específica dos neurónios [115]. Nas células mais envelhecidas, observamos uma diminuição do número destes grânulos. Estas células, que se encontram no fim do seu ciclo de vida, apresentam também núcleos mais pleomórficos com grandes invaginações da membrana nuclear (Fig. 18).
Fig. 18 - Microscopia electrónica de transmissão 4800X. Mucosa oral humana. Observa-se desmossomas na membrana citoplasmática desta célula de Merkel (D). Os desmossomas e os
filamentos de queratina são característicos das células de Merkel (CM) tal como dos queratinócitos (Q). O aspecto deste núcleo muito pleomórfico e lobulado com invaginações da membrana nuclear muito numerosas e profundas. Estas células apresentam igualmente um número muito reduzido de grânulos citoplasmáticos densos que mantêm, no entanto, a sua morfologia, sugerindo tratar-se de uma célula de Merkel exaurida, envelhecida.
As células de Merkel contactam com longas fibras mielínicas através de uma área semelhante a uma sinapse. Na região de contacto o citoplasma da célula de Merkel é rico em mitocôndrias e grânulos, estando a sua membrana citoplasmática intimamente associada ao dendrito do neurónio [112]. No entanto, nem todas as células de Merkel são inervadas directamente [116,117].
Fig. 19 - Microscopia electrónica de transmissão 4800X. Mucosa oral humana. Observa-se célula de Schwann. Para além dos dendritos intraepiteliais foram observadas estruturas nervosas subepiteliais ricas em mitocôndrias que são contíguas à membrana basal (Fig. 1, 2), na vizinhança de células de Schwann e de cortes de fibras nervosas (Fig. 3) constituindo um sinal de uma rica inervação da mucosa bucal.
Admite-se que algumas células não contactem com terminações nervosas intraepiteliais, mas muitos autores defendem que elas continuam pelo menos a depender da presença de neurotrofinas [118,119], necessitando assim da presença de uma terminação nervosa nas proximidades [120] (Fig. 19).
Estas células estão unidas através de pequenos desmossomas aos queratinócitos adjacentes e possuem prolongamentos citoplasmáticos. Coloca-se a hipótese destes prolongamentos servirem de sensores de deformação mecânica da epiderme ou das mucosas. Esta energia mecânica seria transformada em energia eléctrica, agindo a célula como um transdutor, que depois transmite os impulsos nervosos através dos discos de Merkel, formações semelhantes a sinapses localizadas entre a célula de Merkel e uma terminação nervosa [112,116].