Appendix 3: Detailed results
2 Estimating the Shadow-Prices of Undesirable Outputs
2.3 Estimation Procedure
A principal função da escola é fazer com que o aluno receba uma formação que lhe proporcione a possibilidade de escolhas e que estas venham a lhe dar visibilidade social, que lhe dêem ferramentas para seguir caminhos de escolhas e realização. A ação da cidadania ecológica nada mais é que a ação da cidadania; como se trata a questão ambiental como uma questão à parte à própria cidadania, temos que enfatizar a cidadania ambiental como se fosse outro tipo de cidadania. Faz-se essa introdução para explicar que a conquista desta cidadania é através de um trabalho pedagógico coletivo, em que a participação da família e da
comunidade são importantes para que se consiga mudanças significativas no espaço de vivência. Por isso, o trabalho da COM-VIDA surtirá efeito caso seja um trabalho que se efetive
no espaço da comunidade com participação de todos os envolvidos, tornando seus atores ativos do processo, valorizando os conhecimentos empíricos dos alunos, sendo de importante para os alunos seus trabalhos serem responsáveis pela melhoria na qualidade de vida da comunidade.
Um membro da COM-VIDA enfatiza que “o essencial é mostrar através de „práticas
educativas‟ aos estudantes que os problemas vivenciados por eles na comunidade em que vivem fazem parte de ações praticadas pelos mesmos, como jogar lixo no chão, desperdiçar água, energia e comida”, afirma Otávio Serra.
Alguns questionários refletiram essa necessidade, como o da agente Camila Barros: “solucionar problemas vividos na comunidade é um grande estímulo para os alunos, quando os alunos conseguem ajudar a comunidade com seu esforço e conhecimento, há um retorno de satisfação. Como exemplo, os vários casos de dengue que ocorreram este ano, vários alunos levaram informações para casa, combatendo essa problemática, foram desenvolvidas palestras sobre o tema, oficina de armadilha para mosquito, passeatas pela comunidade orientando a população sobre este mal. A Educação Ambiental torna as pessoas adaptadas nos locais que vivem, formando cabeças pensantes e mobilizadas para um melhor convívio com o próximo e o meio".
Outro grande desafio é como tornar isso palpável para os alunos que estão inseridos em outra realidade, a concretização das questões que ocorre em outras localidades e que muitas vezes são transformações em tempos longos, centenas ou até milhares de anos. Essa transposição é um desafio, como revela um membro da COM-VIDA, o agente Alexandre
Martins, ao apresentar sua dificuldade:
Esse realmente é um trabalho difícil, porque os alunos não entendem como demora tanto um pneu para ser degradado pela natureza, isso para eles é uma imaginação, pois não vêem, como também não vêem os efeitos das queimadas nas mudanças climáticas, etc. Eles querem uma "coisa real" e como trabalhar essa "coisa real"? É muito difícil para nós educadores fazer com que eles acreditem e que façam a sua parte para com o meio ambiente. Então, estimulando os alunos com aulas mais práticas, em ambiente ao ar livre, com experiências que eles possam ver, ou pelo menos acreditar que realmente acontece e que os efeitos são a longo prazo. É um trabalho demorado e difícil, mas recompensador quando eles entendem e passam a respeitar e até a ensinar aos amigos como tratar o ambiente.
comunicação faz com que os hábitos das populações tradicionais sejam substituídos e novas gerações nasçam com influência e hábitos de vida que prejudicam a saúde da população, bem como do meio ambiente.
A fala da agente Marília Soares mostra sua preocupação com o nível de escolaridade dos responsáveis pelos alunos: “vivemos numa sociedade onde os grandes meios de comunicação induzem a um consumismo alucinado, falta de informação/escolaridade dos parentes/responsáveis pelos alunos levam por água abaixo os ensinamentos”. A fala de Rafael Percussi apresenta a preocupação com a educação infantil, que é importante pensar em inserir as crianças cada vez mais cedo na escola, a educação “deve vir logo do berço desde pequenino e que a importância seria despertar nos pais esse trabalho de educação ambiental, pois eles passam a maior parte do tempo com seus filhos e os conhecem melhor do que nós”.
É preciso inserir o estudante nos problemas ambientais, sobretudo, numa escala menor, na qual o estudante e/ou comunidade façam parte para que raciocinem sobre o problema, elaborando soluções para a mesma, e que de maneira consciente espalhem as soluções e previnam o surgimento de outros problemas.
Pelo observado e pelos relatos dos agentes da COM-VIDA, algumas análises dos
dirigentes foram bastante otimistas para o que ocorre no cotidiano escolar. Sabe-se que o caminho é difícil de ser construído, que a escola está muito fragmentada entre si e com a comunidade, mas é necessário sistematizar o trabalho com o envolvimento da comunidade escolar, para que seja possível ser visível a transformação e gestão do espaço com equilíbrio e bem estar social, de forma inclusiva, um trabalho árduo. “Notamos uma leve transformação no comportamento do educando, mas ainda há muito o que se fazer e construir e trabalhar neste sentido”, declara a dirigente Rebeca Ferraz.
Sobre a transformação do aluno, 43% das respostas indicaram que para se conseguir despertar no estudante sensibilidade para a consciência e ação da cidadania ambiental, é primordial o trabalho ter o envolvimento dos estudantes na solução dos problemas de suas comunidades, a partir de discussões e reflexões sobre seu próprio ambiente de vivência, em busca de uma mudança local, “através da reflexão dos problemas da comunidade onde o aluno está inserido e suas conseqüências nos ambientes salientando seus deveres e direitos de cidadão nesta „sociedade de consumo‟ e seus impactos ambientais devastadores no planeta”, analisa a professora Marta Maciel. Uma conquista difícil do trabalho educativo é fazer com que o aluno se envolva e se torne parte do processo do ensino-aprendizagem; é fazer com que ele se sinta membro ativo do processo.
Percebe-se muito presente na juventude uma ausência de referenciais para as mudanças de seu cotidiano. Esses referenciais são formados pela família, pelos amigos, pela igreja, no trabalho, por todos os espaços sociais do seu convívio, principalmente pela mídia, que entra em sua vida por várias portas de acesso e cada vez mais eficiente. A escola tem uma função importante no quadro de referência de vida do aluno e a sua importância será mais significativa a medida que o educador se torne um professor que faz parte ativamente da vida deste aluno, através de sua conduta, de seus referenciais, da sua confiança e do espaço cidadão que ele constrói na sua relação. A postura coerente do corpo docente é importante para a transformação do ambiente escolar: “através de um longo trabalho de sensibilização, pois a consciência ecológica não se ensina, se desperta através de orientações, ações e principalmente de uma prática coerente com a teoria”, fala Mirian Lago de sua experiência.
O trabalho do Educador Ambiental pode fazer com que a escola trilhe por um espaço de construção do conhecimento onde a busca pelo aprender esteja envolvida pelo desejo de mudança. Mudança que reflete no viver cotidiano, na relação com o ambiente de convivência, na relação com o outro, na alteridade desenvolvida com os meus próximos, sabendo que tudo irá refletir na vida, no cotidiano, na escola, na casa, na comunidade e consequentemente no mundo. O trabalho do professor Franz Mae impressionou pelo nível de mobilização que ele articula:
Desenvolvendo num processo contínuo e orgânico o que chamo de “Práxis Com- vida”, na qual em todos os momentos, lugares e relações interpessoais buscamos organizar o fluxo de pensamentos estimulando uma atitude não-mecânica, mas racional, natural e efetiva frente à importância de todos e todas nas intervenções no cotidiano escolar, comunitário e cidadão.
Foram apontadas outras ações como importantes para o despertar da cidadania ecológica, como: campanhas educativas, coleta de lixo, vídeos de curta duração, documentários, palestras, oficinas, excursões, seminários, discutindo problemas de saúde, sobre a falta de água, causa das enchentes, extinção de espécies de animais, através de debates e produções textuais, etc.