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ESTABLISHING RESERVES CATEGORIES AND DRILLING FOR MORE CERTAINTY

CASE STUDIES IN GEOSTATISTICAL ORE RESERVE ESTIMATION OF

3. ESTABLISHING RESERVES CATEGORIES AND DRILLING FOR MORE CERTAINTY

O ensino sobre organizações no Brasil, deu-se, concomitante, com a trajetória do curso de Administração, na década de 1950, ministrado por brasileiros formados em mestrados realizados nas universidades de Southern Califórnia e Michigan State, apoiados por consultores americanos que residiam no Brasil no período de implantação desses primeiros cursos de graduação (FGV, UFRGS, UFBA e UFMG).

A trajetória dos cursos de Administração, no Brasil, é muito curta se comparada com os Estados Unidos e a Europa. Sua origem remonta à criação do Departamento de Administração do Serviço Público (DASP), na capital federal, em 1938, órgão que tinha como finalidade estabelecer um padrão de eficiência no serviço público federal e criar canais mais democráticos para o recrutamento de Recursos Humanos para a administração pública, por meio de concursos de admissão (FISCHER, 1993). A sua estruturação foi influenciada diretamente pelos modelos estrangeiros, principalmente, norte-americanos. Em 1948, representantes da Fundação Getulio Vargas (FGV) visitaram diversos cursos de Administração Pública sediados em universidades americanas (como a Michigan State

University), como resultado da cooperação técnica Brasil/Estados Unidos, estabelecida após o

fim da Segunda Guerra. Dos encontros entre os representantes da FGV e professores norte- americanos, nasceu, em 1952, no Rio de Janeiro, a Escola Brasileira de Administração Pública (EBAP), fundada pela FGV, destinada à formação de profissionais especialistas para a administração pública (NICOLINI, 2000). Dessa forma, os Cursos de Administração no Brasil surgem diretamente ligados à necessidade da Administração Pública de treinar o seu quadro funcional devido às mudanças no contexto institucional do governo (KEINERT, 1994).

Também por iniciativa dessa Fundação, foi oferecido o primeiro curso de Administração de Empresa no país (privado), em 1954, pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP), que foi influenciada, diretamente, pela tecnologia desenvolvimentista da escola norte-americana (BERTERO, 2006; CASTRO, 1981; FISCHER, 1993). Portanto, tanto a formação de professores de administração pública e de empresas foi influenciada por professores dos EUA, bem como a idealização dos programas dos cursos de graduação brasileiros.

O desenvolvimento de Cursos de Administração intensificou-se, sobretudo, após a década de sessenta, com a expansão do ensino superior. Segundo Couvre (1982), tal processo de desenvolvimento foi marcado por dois momentos históricos distintos. O primeiro, pelo governo de Getulio Vargas, representativo do projeto “autônomo", de caráter nacionalista. O segundo, pelo governo de Juscelino Kubitschek, evidenciado pelo projeto de desenvolvimento associado, caracterizado pelo tipo de abertura econômica de caráter internacionalista. Este último apresentou-se como um ensaio do modelo de desenvolvimento adotado após 1946. Nesse período, o processo de industrialização se acentuou, sobretudo devido à importação de tecnologia norte-americana. Assim, se generalizou a convicção de que a chave do desenvolvimento seria a gerência econômica, o desenvolvimento da infra-estrutura e a

promoção de investimentos privados internacionais (FISCHER, 1993).

Colaborando para essa intensificação, o convênio firmado, em 1959, entre o governo brasileiro e o governo americano, instituindo o Programa de Ensino de Administração Pública e de Empresas, determinou a influência americana no ensino brasileiro. Tal convênio, que beneficiou primeiramente a EBAP, a EAESP e o DASP, também, impulsionou a criação dos cursos de Administração nas Universidades Federais do Rio Grande do Sul (1951) e da Bahia (1959), enfatizando a necessidade de formar professores para o ensino de Administração pública e de empresas, visando dotar o governo e a área privada de técnicos competentes para promoverem o desenvolvimento econômico e social (FISCHER, 1993; NICOLINI, 2000).

A criação dos cursos de Administração, em muitas universidades, foi cercada de desafios, já que, muitas vezes, não contava com uma infra-estrutura apropriada, nem com professores qualificados para realizar a formação específica dos estudantes.

A Escola de Administração da UFRGS originou-se da Faculdade de Ciências Econômicas (FCE), com a criação, em 1951, do Instituto de Administração. O Conselho Universitário da UFRGS aprovou através da decisão n. 58/96, de 6 de setembro de 1996, a criação da Escola de Administração da UFRGS, tornando-a uma unidade autônoma (EA/UFRGS, 2008).

Já as atividades da Escola de Administração (EA) da UFBA começaram em 1959, quando o reitor Edgar Santos trouxe à Bahia missões norte-americanas da Graduate School of

Business Administration (M.S.U) e da Schoool of Public Administration (U.S.C), para

selecionar candidatos à bolsa no exterior. Mesmo em uma sede improvisada, Edgar Santos designa o professor Oldegar Franco Vieira para dirigir o programa e, em 14 de setembro de 1959, convocou os candidatos aos primeiros exames vestibulares para admissão aos cursos de graduação – Bacharelado em Administração de Empresas e Administração Pública. Os estudantes aprovados cursariam, inicialmente, as disciplinas de um tronco comum – espécie de ciclo básico –, até que os “mestres” de disciplinas profissionalizantes retornassem, a partir de 1962, de suas bolsas de estudo no Exterior (MATTA, 1979). As aulas iniciaram em 1960, numa sala do subsolo do prédio – “palácio” – da reitoria, no Canela. Nesse mesmo ano, os candidatos ao Mestrado dos EUA viajaram para sua qualificação. Nos dois primeiros anos do curso de Administração, os estudantes tiveram aulas de matemática, estatística, geografia econômica, economia, sociologia, ciência política, direito público e privado, legislação trabalhista, contabilidade, inglês e comunicações (MATTA, 1979).

Pondé é nomeado para dirigir a Escola de Administração e a instituição passará por sucessivas fases de afirmação institucional, no âmbito da universidade (FISCHER, 2003b). Em 1962, a EA/UFBA passa figurar no Estatuto da Universidade e, em 1964, é aprovado o seu regimento interno. Essa história ressalta o caráter empreendedor do reitor Edgar Santos; todavia, também, trouxe uma série de desafios para a consolidação do curso nos primeiros anos.

Portanto, nesse primeiro momento, iniciam-se quatro grandes pólos de ensino de Administração no Brasil: EBAP/FGV, EA/UFRGS e EA/UFBA, que empreenderam esforços para criar e intensificar o ensino de administração pública; e a EAESP/FGV/SP, com a administração de empresas. Juntas, elas influenciariam os demais cursos criados ao longo do país.

Os primeiros currículos dos cursos de Administração9 herdaram da escola americana um conjunto de disciplinas que se configurariam em estrutura aparente de uma trama intrincada de fatos, conceitos, princípios e generalizações, os quais são a matéria do ensino. De acordo com o Parecer nº 307/66 do Ministério da Educação e Cultura (BRASIL, 1966), o currículo mínimo do curso de Administração, que habilita ao exercício da profissão de Técnico de Administração, seria constituído das seguintes matérias: matemática, estatística, contabilidade, teoria econômica, economia brasileira, psicologia aplicada à administração, sociologia aplicada à administração, instituições de direito público e privado (incluindo noções de ética administrativa), legislação social, legislação tributária, teoria geral da administração, administração financeira e orçamento, administração de pessoal, administração de material. Além dessas matérias, tornava-se obrigatório o direito administrativo ou administração de produção e administração de vendas. Os alunos, também, deveriam realizar um estágio supervisionado de seis meses para a obtenção do diploma.

O campo de Estudos Organizacionais nos primeiros currículos foi fragmentado em disciplinas generalistas (Teoria Geral da Administração, Introdução à Administração), em disciplinas focalizadas em temas de forte viés comportamentalista (como chefia e liderança, por exemplo) ou em outras áreas das ciências como psicologia, sociologia, etc. A regulamentação do currículo mínimo, em 1966, determinou a denominação Teoria Geral da Administração (TGA) para as disciplinas generalistas. Os cursos acabaram absorvendo a mudança de duas formas. Há cursos que substituem o nome da disciplina Introdução à Administração sem mudança no seu conteúdo e outros permanecem com a disciplina de

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O curso de Administração foi regulamentado pela Lei nº 4.769 de 09 de setembro de 1965. O primeiro currícu- lo do curso de Administração foi aprovado pelo Conselho Federal de Educação, em 8 de julho de 1966, pelo parecer nº 307/66, que fixou um currículo mínimo.

Introdução à Administração e inserem a disciplina TGA.

Uma pesquisa realizada por Fischer (2003a) mostrou que a disciplina TGA, modelada nos cursos da Cornell University, foi criada por Fernando Prestes Motta, que lecionou nas primeiras turmas do curso da FGV, pioneira na área. Posteriormente, por causa do efeito mimético dos currículos, a disciplina foi ensinada por Roberto Fachin, na UFRGS, por João Eurico Matta, na UFBA, dentre outros, expandindo-se por todo o país.

Skora e Mendes (2001, p. 6), ainda, complementam que a “TGA é uma disciplina tipicamente brasileira”, já que as teorias de Administração já existiam num contexto internacional quando da formação das escolas brasileiras e não havia uma única disciplina que fazia o compêndio dessas teorias no exterior. As faculdades norte-americanas utilizavam, no período, por metodologia, o estudo de caso e, de modo geral, não tinham disciplinas comparadas em conteúdo à TGA brasileira.

Paralelamente à sua regulamentação, a produção de livros e manuais confirmava a tendência das disciplinas. Em 1958, a obra pioneira Uma Análise da Teoria das

Organizações, de Beatriz Wahrlich tentava abordar as teorias administrativas existentes até o

momento no exterior e defendia a necessidade de uma concepção teórica das organizações (SKORA; MENDES, 2001). Na década de 1960 e 1970, a publicação da série de livros

Administração para o Desenvolvimento, acordo realizado entre a FGV e a USAID/Brasil,

traduziu 15 obras anglo-americanas no campo de organização, sob responsabilidade de Beatriz Wahrlich, entre elas: Teoria das Organizações (MARCH; SIMON, 1972) e

Comportamento Administrativo (SIMON, 1979). De forma massiva, chegavam às livrarias

traduções da literatura especializada nos EUA, baseadas em pesquisas acadêmicas nas áreas de psicologia social, sociologia das organizações, matemática aplicada às decisões, entre outras (MATTOS; CARVALHO, 1993).

Nessa expansão, começaram a surgir, também, obras de caráter nacional. Skora e Mendes (2001) ressaltam duas obras utilizadas amplamente nos cursos de graduação: 1)

Teoria Geral da Administração, de Fernando Prestes Motta (1973), que trazia uma

reagrupação dos autores citados por Wahrlich por meio de quatro enfoques: prescritivo, explicativo, prescritivo-explicativo e, trazia uma reflexão sobre o alcance e os limites da TGA; 2) Introdução à Teoria Geral da Administração, de Idalberto Chiavenato (1976), que segue o formato desenvolvido anteriormente por Wahrlich e Motta.

Os livros de Wahrlich (1971), Motta (1973) e Chiavenato (1976) embora apresentassem diferenças, foram organizados tentando descrever o pensamento administrativo que havia sido produzido até a década de 1960, no contexto internacional. Assim, o conteúdo

desses manuais versava sobre uma discussão não aprofundada de ideias, que abarcava desde a escola clássica até o pensamento sistêmico na área de Administração.

Apesar da importância dessa primeira tentativa, essas publicações acabaram servindo de âncora para o ensino da Teoria das Organizações por muitas décadas, nas universidades brasileiras, e, num efeito mimético, para as faculdades privadas, que transformaram as obras clássicas da área de Administração em leitura complementar.

O recorte que se deu à teoria, no início do seu ensino nos cursos de graduação – ensino das ideias da escola clássica à escola sistêmica – levanta uma dúvida a respeito do campo: a disciplina TGA se insere no campo dos Estudos Organizacionais? Por que muitos autores consideram a disciplina TGA como parte do campo? Essas duas questões, difíceis de serem respondidas e que geram conflitos, reportam a uma dificuldade básica que é a construção do objeto de estudo do campo, já discutida anteriormente. Organização e gestão se revezam como os objetos empíricos do campo. França Filho (2004) contribui com a discussão quando afirma que:

[...] por teoria das organizações não se deve compreender exatamente o mesmo que teoria geral da administração (TGA). Está última se inicia com a chamada escola clássica, passando pela de relações humanas, comportamentalistas, estruturalista e sistêmica, até finalizar-se com a chamada escola contingencialista da administração, conforme ensinam os manuais da área. Uma teoria das organizações, ao contrário, só nascerá realmente lá pelos idos de 1950 nos EUA com os trabalhos de H. Simon e a contribuição de alguns psicólogos e sociólogos (também americanos e de inspiração funcionalista) (FRANÇA FILHO, 2004, p. 127).

Assim como Motta (1983), Clegg e Hardy (1998), Reed (1998), Chanlat (1999) e Fischer (2001, 2003a), o autor assume que o objeto de estudo dos Estudos Organizacionais é a organização analisada através de diferentes visões e recortes, enquanto as escolas da Teoria Geral da Administração buscavam estudar o trabalho (ou a gerência e/ou a gestão do trabalho) comobjetivo de melhorar a eficiência das empresas (produtividade). Assim, a sua natureza do conhecimento é pragmática e prescritiva, ou seja,

Utiliza-se com freqüência a expressão quase dogmática de crença na validade de princípios e práticas, com o simples enunciado de leis, normas ou princípios, como se tratasse de disciplinamento e não da compreensão e previsão do comportamento. Dessa maneira, diz-se que “deve-se dividir o trabalho”, “deve-se delegar”, “deve-se planejar”, etc.[...] (FARIAS, 1978, p. 20).

Apesar da distinção, a TGA é utilizada como extensão dos Estudos Organizacionais em publicações sobre os currículos, análise bibliométrica ou de conteúdo e construção de conhecimento (MACHADO-DA-SILVA; CUNHA; ANBONI, 1990; BERTERO; KEINERT, 1994; RODRIGUES; CARRIERI, 2001; FISCHER, 2003a). Isso se

deve, além da própria falta de consenso da academia sobre o campo, à extensão da regulamentação da área. A Biblioteca Básica do Curso de Administração no país, elaborada pela Comissão de Especialistas de Ensino de Administração da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação e Cultura, propõe o seguinte ementário para “Teorias da Administração”:

Bases históricas. Abordagens clássica, humanista e organizacional. Novas configurações organizacionais. Organização. Planejamento. Direção: comunicação, tomada de decisão, poder e autoridade. Controle e coordenação. As funções administrativas frente às novas Tendências. Sistemas organizacionais. Organizações de aprendizagem. Processos organizacionais. Desempenho organizacional. Estratégias organizacionais. Relações interorganizacionais e ambiente. Gestão organizacional frente aos novos paradigmas (BRASIL, 2007, p. 39).

Esse documento não é obrigatório, mas é oficial e influencia a estruturação curricular dos cursos. Essa ementa sinaliza a adoção mínima de uma série ampla de assuntos, inclusive a evolução das teorias. Isso repercute na criação de várias disciplinas nos cursos de graduação e na inclusão da TGA nesse contexto. Fazendo ou não parte do campo dos EO, é importante ressaltar essa primeira tentativa e as suas limitações.

Nas décadas 1970, não se visualiza mudanças significativas nos currículos de graduação. Contudo, percebe-se um movimento de surgimento de disciplinas com influência da área de psicologia, com viés comportamentalista, como a própria inclusão da psicologia como matéria básica, além das disciplinas Liderança e Dinâmica de Grupo (FISCHER, 2003a). Pressupõe-se que esse movimento deu início às duas orientações principais do campo de Estudos Organizacionais no país: os estudos do “comportamento organizacional”, também chamada abordagem comportamentalista das organizações; e a chamada “sociologia das organizações”, também conhecida como abordagem estruturalista das organizações (FRANÇA FILHO, 2004, p. 127).

Para Fischer (2003a), as mudanças ocorrem por outros fatores, à crítica aos modelos de ensino norte-americanos feita por radicais críticos, como Maurício Tragtenberg (1980) e culturalistas como Alberto Guerreiro Ramos (1986; 1996). A autora verificou, também, a partir de uma pesquisa no currículo do curso Beta, que, ao final da década de 1970 e início de 1980, professores brasileiros retornam de bolsas de pós-graduação na França, Inglaterra e Canadá, influenciados por outras lideranças e comunidades de interesse, como John Child, Stuart Clegg, Eugéne Enriquez, Omar Aktouf e Jean François Chanlat. Esses professores tiveram um papel decisivo nos cursos de pós-graduação, criados a partir da metade da década de 1970, e dos grupos de pesquisa, mas, no entanto, não influenciaram mudanças no eixo curricular dos cursos de graduação. Percebe-se a criação de novas

disciplinas, sem alteração do eixo principal do curso.

Assim, os currículos da graduação ficaram sobrecarregados a partir da incorporação de disciplinas que estão de acordo com o interesse do grupo de docentes das instituições. Essa dilatação é problemática, visto que muitas disciplinas acabam assumindo o mesmo conteúdo de disciplinas do eixo, causando sobreposição e repetição de conteúdo. Essa incorporação vai acontecer até o ano 2000, quando se inicia uma discussão sobre mudanças mais consistentes na graduação por causa da nova legislação de avaliação da área.

A partir dos anos 1980, uma discussão sobre a identidade dos cursos, a ambiguidade entre orientação acadêmica e a profissional e entre a “tradição” acadêmica que a área deseja incorporar, tornou-se conhecida nas demais áreas do conhecimento, por meio do relatório de avaliação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo Plano de Ação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e por diversas publicações em periódicos brasileiros (FISCHER, 1993). As críticas às matrizes curriculares vigentes encontradas em periódicos de ampla circulação, como Fortune e The Economist, e em eventos internacionais organizados pela Federação Canadense de Decanos de Faculdades de Administração (CFDMAS), pela International

Management Development Network (Interman) e pelo Conselho Latino-Americano de

Desenvolvimento de Escolas de Administração (Cladea) tiveram eco no Brasil. Guerreiro Ramos (1983), já em 1970, chamava a atenção para a necessidade de o ensino de Administração adequar-se à realidade latino-americana; os estudantes (profissionais) deveriam encontrar soluções viáveis para os problemas sociais e econômicos brasileiros, e não trabalhar com estilos de administração eficazes. Também, Motta (1983) advertiu sobre a pouca ênfase crítica dada à realidade brasileira pelos cursos de Administração do país.

Em 1990, três seminários foram realizados pela ANPAD, os quais resultaram em redefinições importantes. Para a graduação, a principal refere-se ao reconhecimento da diversidade como um traço característico da área, admitindo-se programas de grande e pequeno porte, voltados para áreas funcionais clássicas ou para novas opções curriculares, com o objetivo de formar administradores para a transnacionalização da economia ou para a organização não-governamental (FISCHER, 1993).

Também naquela década, a definição das diretrizes curriculares para os cursos de graduação em Administração, decorrida da Lei de Diretrizes e Bases da Educação10, abriu as portas à inovação, por ser uma norma geral bastante maleável, na medida em que flexibilizou

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os currículos mínimos, o que proporcionou às Instituições de Ensino Superior a inclusão de matérias que atendiam às exigências e inovações do mercado de trabalho nos currículos plenos e criou habilitações específicas além da habilitação geral (MATTOS; BEZERRA, 1999). Além dessas novas diretrizes, a política de democratização do Ensino Superior criou os cursos seqüenciais no Brasil, com dois anos de duração.

Somente em 1993, a partir da resolução n° 2 do Conselho Federal de Educação (CFE) de 10 de outubro de 1993, foram propostas algumas mudanças no currículo. Essa resolução fixou os mínimos conteúdos e duração da Graduação em Administração, apresentando as disciplinas de formação básica e instrumental, de formação profissional, eletivas e complementares, além de determinar a duração do estágio supervisionado. Contudo, segundo Berndt (1996), não houve mudanças expressivas, apenas alguns aprimoramentos nos nomes (recursos humanos, no lugar de pessoal), algumas inclusões (informática e administração de sistemas de informação), uma redução da importância da área de Direito (de três matérias no primeiro currículo e, apenas, uma no segundo) e aumento da carga horária total por causa do estágio (de 2700 horas, para 3000). Comini e Lima (1996), ainda, complementam, destacando a substituição do nome da disciplina Teoria Geral da Administração para Teorias da Administração.

Monteiro (2000), ao realizar uma pesquisa nos currículos do curso de graduação da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, verificou que foi extinta a disciplina Introdução à Administração I e II, em 1980, e criou-se Teoria da Administração, em 1990. Também Fischer (2003a) vislumbrou essa mudança no currículo na década. De maneira geral, os cursos tendem a se adequar a nova legislação da área.

Todavia, essa mudança realizada no nome da disciplina não teve grandes repercussões na seleção e organização dos conteúdos ensinados nos cursos de graduação. Skora e Mendes (2001), a partir do estudo do currículo de 18 cursos de graduação em Administração nas regiões Sul, Sudoeste e Distrito Federal, verificaram que 16 dos cursos analisados continuam utilizando os livros Teoria Geral da Administração e Introdução à

Teoria Geral da Administração de Idalberto Chiavenato ou Teoria Geral de Administração de

Motta (1973). Além disso, o conteúdo programático da disciplina limitou-se a copiar o sumário das obras citadas. Apesar do retrato limitado, Skora e Mendes (2001, p. 6) pressupõem que o TGA na graduação de Administração parou no tempo, já que o conteúdo dos livros mais adotados pelas instituições pesquisadas encerra-se na teoria contigencial da década de 1960.

reação do Conselho Federal de Administração (CFA), que integrado a um grupo de trabalho do MEC, em dezembro de 2004, realizaram estudos direcionados a consolidar os parâmetros já existentes para a autorização e o reconhecimento de novos cursos de Administração no Brasil. A intenção do CFA, segundo a Câmara de Formação Profissional, era impedir a descaracterização dos cursos de Administração. Como resultado das reivindicações do CFA e da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (ANGRAD), o Conselho Nacional de Educação aprovou parecer que visa à retificação da resolução CNE/CES nº 1, de 02/02/2004, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Administração (Bacharelado). O objetivo foi fazer com que a nomenclatura