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Dans le document RAPPORT DES RESULTATS 2014 (Page 67-0)

Segundo Grossman, os salários têm forte impacto na renda das famílias e no comportamento na demanda por planos de saúde, conforme explicado nas seções anteriores. Em 2015, no Brasil, o consumo das famílias reduziu cerca de 5,1% em comparação ao quarto trimestre de 2014. Impacto resultante, principalmente, do reflexo da inflação e aumento na taxa de desemprego. (IBGE, 2016b).

A Tabela 2 demonstra uma síntese dos principais resultados do PIB nos quatro trimestres de 2015, pela ótica da produção e da demanda. Nela é possível verificar o forte decréscimo no consumo das famílias e na formação bruta de capital fixo, encerrando o ano com 6,8% e 18,5% a menos respectivamente.

Na economia de mercado, conforme a teoria econômica, para otimizar a produção frente a uma queda no consumo, a redução de mão-de-obra é uma das principais políticas empresariais

para permanecer no mercado com pouca redução no lucro líquido (isso aliado a redução na produção consequentemente, redução nos estoques) no curto prazo, mantendo todas as demais variáveis constantes. (PINDYCK, 2013).

TABELA 2 - Taxa Trimestral

Fonte: IBGE, 2016a, p.12.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, realizada pelo IBGE, demonstra o comportamento do mercado de trabalho no Brasil. Os dados coletados servem de base para estudo e criação de indicadores para demonstrar a evolução da força de trabalho no país. As informações são coletadas trimestralmente através de aproximadamente 211 mil domicílios particulares permanentes, em todas as regiões do país (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro- Oeste). (IBGE, 2017c).

No quarto trimestre de 2015, de acordo com a PNAD, o crescimento na taxa de desemprego foi estimado em 9%, frente a taxa de ocupados 91%. No mesmo período em 2014, o percentual de desempregados foi de 6,5%, em quanto que a de ocupados foi de 93,5%. (IBGE, 2017a).

Ampliando a análise, é possível verificar que a crise tem influenciado o cenário socioeconômico nacional. Em anos anteriores, no segundo trimestre, o nível de desemprego que chegou a 7,5% em 2012, 7,4% em 2013, e, em 2014, a tendência de baixa se confirmava com os 6,8%. Contudo, em 2015, a desaceleração na produção brasileira, fez com que a taxa chegasse aos 8,3% de pessoas desocupadas. (IBGE, 2017a). Ver Tabela 3:

TABELA 3 - Força de trabalho (pessoas ocupadas e pessoas desocupadas)

Fonte: IBGE, 2017a, p.10.

Apesar do estreitamento na demanda por trabalho, verifica-se que os indivíduos que trabalham por conta própria têm crescido desde 2012. No segundo trimestre de 2015, a quantidade de ocupados correspondia a 23,9%, enquanto que em 2012, era de 22,7%. O nível de empregados no setor privado vem sofrendo um direcionamento contrário, em 2012, estava com 50,6%, atualmente com 49,9%. O mesmo comportamento é verificado nos empregadores, de 3,9% (2012) para 4,3% (2015), conforme Gráfico 11.

GRÁFICO 12 – Posição Ocupacional

Fonte: IBGE, 2017a, p.13

A linha de tendência no Gráfico 12, demonstra a redução no percentual da população economicamente ativa que está ocupada. Observa-se que a variação do percentual de ocupados é bem menor do que a de desempregados. Fato esse, que pode ser explicado devido à entrada de jovens no mercado de trabalho, e pessoas que estavam desempregadas,

trabalhando para si mesmas. Motivadas principalmente pela necessidade de aumento na renda familiar, devido à redução na poupança provocada pela inflação.

GRÁFICO 13 – População economicamente ativa ocupada

Fonte: adaptado, IBGE, 2016b.

Essa movimentação no mercado de trabalho teve forte impacto no setor de assistência à saúde. O cenário de desemprego dos fatores de produção impacta diretamente a renda das famílias, fazendo que suas escolhas estejam voltadas para outros bens e serviços disponíveis na economia. Isso deve-se, entre outros fatores, ao comportamento dos planos de saúde ser semelhante a um bem superior32. Por exemplo, considerando um indivíduo com determinada renda disponível e sem plano de saúde, qualquer variação positiva em seu salário ou benefícios, poderá provocar uma maior procura por serviços ligados à assistência à saúde.

Deste modo, é possível verificar no Gráfico 10 (da seção 4.1.1) e na Tabela 4 a quantidade de beneficiários de planos médicos hospitalares estava em tendência de alta desde 2007 até dezembro de 2014, com taxa de crescimento anual médio cerca de 3,62%. De 2014 para 2015, houve uma queda brusca na quantidade de beneficiários em torno de 4,06%.

Segundo dados divulgados pelo IESS, em março de 2015, cerca de 67% da demanda por planos de saúde no Brasil corresponderam aos planos coletivos, sejam eles empresariais ou por adesão. Um aumento de pessoas desempregadas contribuiu para uma queda na quantidade

demandada, consequentemente, houve uma redução na renda das famílias e, com isso, há uma baixa no consumo também nos planos de saúde individuais.

Na Tabela 4, verifica-se que em dezembro de 2012, a quantidade de beneficiários contratantes dos planos de assistência à saúde, correspondeu a cerca de 47,7 milhões e, no mesmo período, em 2013, 49,4 milhões de beneficiários. No ano seguinte, chegou a 50,4 milhões e, em 2015, está registrado um total de 49,4 milhões de beneficiários. Analisando melhor esses dados, nota-se que o crescimento da quantidade de beneficiários por assistência à saúde suplementar perdeu velocidade. De 2012 para 2013, a taxa de crescimento de beneficiários correspondia a 3,2%. De 2013 para 2014, cresceu cerca de 3,31%; contudo de 2014 para 2015, houve uma queda de 2%. Como explicado anteriormente, o crescimento na taxa de desemprego tem forte influência.

TABELA 4 - Beneficiários de planos médico-hospitalares

Períodos Total 2007 39.316.313 2008 41.468.019 2009 42.561.398 2010 44.937.350 2011 46.017.972 2012 47.728.858 2013 49.370.451 2014 50.397.541 2015 49.397.350 Fonte: IESS, 2016d.

Entretanto, os planos de saúde coletivos advêm de empresas que tentam firmar contratos com as prestadoras de planos de saúde que atendam às necessidades de seus funcionários e que possuam baixos preços. Contudo, isso aumentará o custo dos fatore de produção das instituições, fazendo que, na prática, sejam adquiridos planos com coparticipação dos beneficiários ou custeio 100% dos mesmos.

A crise de econômica brasileira incentiva uma redução na produção e consequentemente, uma diminuição nos postos de trabalho. Que por sua vez, aumentará a quantidade de cancelamentos de contratos de planos de saúde. Contudo, houve um crescimento de cerca de 11,4 mil beneficiários de planos coletivos por adesão. Segundo pesquisas realizadas pelo IESS, os planos de saúde estão atrás apenas de educação e casa própria, no principal desejo

dos brasileiros, ficando à frente de seguro de vida, carro, celular e da previdência privada. (CARNEIRO, 2016).

Com isso, no mercado de trabalho, a contratação de planos de saúde pelas empresas acaba por ser um atrativo para segurar ou incentivar os trabalhadores ocupados, impactando no crescimento de contratos (a um crescimento marginal cada vez menor). No acumulado de 2015, os contratos coletivos (adesão e empresariais) tiveram uma taxa de crescimento de cerca de 1,3% negativos e individuais, cerca de 1,6% negativos. Em suma, redução de cerca de 1,5% em 2015. (CARNEIRO, 2016).

Os dois determinantes abordados aqui: inflação e o trabalho, muito impactam no nível de renda das famílias. Como redução no poder de compra das famílias, as suas preferências também são alteradas. Apesar que cerca de 60% dos planos de saúde serem coletivos, as famílias contribuem bastante para o fomento desse mercado. Por esse motivo, o SUS termina por ser uma alternativa para redução de custos, frente à redução no poder de compra das famílias. Conforme o Gráfico 13, é possível perceber o movimento para baixo da curva de renda média da população ocupada desde novembro de 2014.

GRÁFICO 14 – Renda média da população ocupada, 2010-2016

4.2 IMPACTO DA IDADE, EDUCAÇÃO E INCERTEZAS NO COMPORTAMENTO

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