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Essais
de
GST‐pull
down

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2.
 E XPERIENCES
DE
 GST
 PULL
DOWN

2.3.
 Essais
de
GST‐pull
down

O período de 1960 e 1970 foi marcado por uma reestruturação socioeconômica e produtiva global, que já vinha se desenrolando há algum tempo, tomando maiores proporções na década de 1980. As mudanças tiveram origem, entre outras, na crise de rentabilidade ocorrida nos países mais industrializados que buscaram aumentar as trocas internacionais, multiplicar investimentos estrangeiros e criar novas estratégias entre empresas estabelecendo um modelo de cooperação (SANTOS, 2001).

Afirma Santos (2001), a existência de dois fenômenos distintos nesta fase: a globalização e a internacionalização da economia e da sociedade. Enquanto a internacionalização diz respeito às relações de troca (fluxos comerciais) e os movimentos populacionais dirigidos e controlados pelos Estados-nação e cujas relações se dão entre Estados-nação, a multinacionalização ou globalização da economia e da sociedade está relacionada aos movimentos de recursos de capital e mão de obra de uma economia para outra, com o deslocamento de atividades econômicas das empresas para outros países na forma de extensão da organização para fora das fronteiras dos Estados-nação, porém, numa relação no nível interempresarial, ultrapassando a esfera de ação dos Estados-nação, os quais sofrem redução no seu poder de influência e decisão sobre os atores econômicos, sociais, culturais e científicos.

Neste ritmo, a década de 90 do século passado assistiu à intensificação do ritmo de investimentos internacionais e a forte atuação das empresas na criação da interdependência das economias desembocando na livre circulação de bens e pessoas e multiplicação de alianças interempresas, trazendo como consequências, a intensificação do processo de globalização já iniciado, entendendo-se a globalização, segundo a OCDE7 (2005), como um processo resultante da crescente

internacionalização dos mercados de bens e serviços, do sistema financeiro, de empresas e indústrias, de tecnologia e da concorrência, movida por três forças: liberalização do circulação de capitais e da desregulamentação, incluindo serviços financeiros; maior abertura do mercado de comércio e de investimento com a promoção do crescimento da concorrência internacional; e, por fim, o papel central desempenhados pelas tecnologias da informação e comunicação na economia. A despeito de utilizar o conceito de globalização antes citado, importa mencionar, segundo Santos (2001) que este conceito não é unânime, comportando várias discussões a este respeito que, no entanto, não será objeto de discussão neste trabalho.

A generalização desta nova “filosofia e princípios da liberalização” (SANTOS, 2001, p.21) e abertura aliadas ao desenvolvimento das tecnologias de informação,

7 A OCDE é uma organização de cooperação internacional composta por 34 países, com sede em

Paris (França), fundada nos princípios da democracia representativa e da economia de livre mercado, que procura fornecer dados para comparar políticas econômicas, solucionar problemas comuns e coordenar políticas domésticas e internacionais. É sucessora da OECE e foi criada para buscar soluções para a reconstrução dos países europeus afetados pela Segunda Guerra Mundial no contexto do Plano Marshall.

comunicação e transporte complementadas pelos processos de privatizações e desregulamentação contribuíram para um novo modelo de relações capitalistas, sofrendo estas relações as influências da intensificação das pressões competitivas e do aumento das formas de concorrência internacional entre empresas, não no sentido de vantagens comparativas, mas sim no sentido de obter vantagens competitivas, as quais se baseiam, entre outros fatores, na flexibilidade que mais adiante será conceituada.

É importante mencionar que a globalização e ideais neoliberais estão imbricadas ao processo de reestruturação produtiva e de organização do trabalho. Pensadores sociais e econômicos neoliberais enxergavam o mundo como um lugar cada vez mais aberto em que emprego, renda e investimento fluiriam para onde as condições fossem mais receptivas, argumentando, ainda, que principalmente os países europeus deveriam reduzir os títulos de crédito, acumulados durante a Segunda Guerra Mundial para a classe operária e setor público, além de reduzir o poder dos sindicatos, a desindustrialização entraria em processo de aceleração causando o desemprego, lentidão no crescimento econômico, fazendo o investimento escoar, trazendo o aumento da pobreza (STANDING, 2014).

Toledo (1997) definiu neoliberalismo como um tipo de política de ajuste macroeconômico, com ênfase no combate à inflação através da depressão da demanda agregada e uma forma de permitir a ação do livre mercado, sendo, também, uma forma dos Estados romperem os acordos keynesianos e dos pactos corporativos que buscaram conciliar acumulação de capital e legitimidade política do Estado, ideias estas assimiladas por Margaret Thatcher e Ronald Reagan. Todavia, enquanto o diagnóstico fazia sentido, o prognóstico era insensível, sendo a tragédia agravada pelo fato de que os partidos políticos socialdemocratas, responsáveis pela construção do sistema que estava em vias de ser desmantelado pelos neoliberais retiraram a resistência e passaram a aceitar tanto o diagnóstico quanto o prognóstico (STANDING, 2014).

Diante destes novos valores, flexibilizar virou uma palavra de ordem e um objetivo a ser buscado era a flexibilização do mercado de trabalho, desnaturando a estrutura de classe existente e que sustentou ao longo do tempo a sociedade industrial, levando-a a algo mais complexo que adiante será tratado.

Importante fato que não pode deixar de ser mencionado e que surgiu como aspecto central da globalização e que vai balizar as relações sociais, em especial a

do trabalho, é o fenômeno da “mercadorização” (STANDING, 2014, p.50). Este fenômeno envolve o fato de tratar tudo como mercadoria, a ser comercializada, sujeita as forças de mercado, com preços fixados pela demanda e estoque sem a possibilidade de uma ação de resistência, sendo estendida a todos os aspectos da vida (família, educação, empresa, trabalho, instituições, política de proteção social, desemprego, incapacidade, etc.), cabendo aqui o uso da famosa frase "Tudo que é sólido desmancha no ar" (MARX; ENGELS, 2005, p.12) que, novamente, pode resumir o sentido das transformações que o capitalismo introduz no mundo e as contradições a ele inerentes.

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