A metodologia de ensino se refere ao modo que o professor ministra suas aulas e as estratégias de ensino escolhidas para desenvolver a aprendizagem. O professor deve buscar sempre que possível atualizar as metodologias de ensino e trazer para a sala de aula estratégias diversas que auxiliem no ensino aprendizado e motivem os alunos. São muitas as metodologias de ensino ou estratégias de ensino disponíveis ao docente do ensino superior, e que podem ser adaptadas conforme os objetivos da aula. Alguns exemplos são: aulas expositivas, estudos de texto, seminários, portifólio, dramatização, ambientes virtuais, debates, filmes e vídeos, dentre outros (Teixeira, 2015).
Metade das 16 fichas de disciplinas não possuem o elemento Metodologia, e assim, serão analisadas apenas 8 fichas de disciplinas10. As disciplinas apresentam um conjunto de 29
metodologias. Entretanto algumas das metodologias unem 2 ou 3 métodos num mesmo tópico (Ex: “Aulas dialogadas e expositivas), sendo assim na categorização as metodologias quando necessário foram fragmentadas, resultando em um total de 36 métodos. Analisando as metodologias de ensino encontradas nas fichas de disciplinas, criou-se 8 categorias (Quadro 5). As categorias criadas foram: “Debate”; “Outras Metodologias Ativas”; “Aula dialogada”; “Aula expositiva”; “Seminário”; “Leitura de texto”; “Recursos audiovisuais” e “Resumo”.
Quadro 5- Categorização da Metodologia de ensino presente nas fichas analisadas
10 As fichas das disciplinas ‘Sociedade, cultura e saúde I’ (UFBA); ‘Sociedade, cultura e saúde II’ (UFBA);
‘Ciências humanas e sociais em saúde V’ (UPE); ‘Comunicação em saúde’ (UPE); ‘Gênero, sexualidade, raça/etnia e saúde pública’ (USP); ‘Saúde, sociedade 3: diversidade social e saúde’ (UnB – Ceilândia); ‘Introdução a saúde indígena’ (UFRR); e ‘Gênero, raça, sexualidade e saúde’ (UFBA) não farão parte desta análise devido a inexistência do elemento metodologia em suas fichas.
Categoria Definição Número de vezes que aparece Debate
A metodologia desta categoria tem o papel no ensino de proporcionar o confronto de diferentes pontos de vista, de esmiuçar todas as implicações contidas no tema estudado, promovendo uma disputa intelectual.
7
Outras metodologias ativas
Nesta categoria foram incluídas outras metodologias educacionais centradas no estudante.
6
Aula dialogada
A aula dialogada é uma alternativa à aula tradicional que é focada apenas no professor, nesta categoria as aulas também consideram as contribuições no aluno.
5
Aula expositiva
A aula expositiva consiste na explicação e apresentação dos conteúdos aos alunos por meio do professor.
4
Seminário
O seminário é uma técnica socializada ou de grupo, mas que também pode acontecer de maneira individual, na qual se discute um ou mais temas apresentados por alunos.
4
Leitura de texto
As metodologias desta categoria proporcionam explicar as ideias do autor de modo crítico e analítico observando sua estrutura, e os recursos utilizados pelo autor para transmitir o conteúdo.
Recursos Audiovisuais
Incluem nesta categoria recursos midiáticos afim proporcionar inovação no ensino e melhor participação do aluno.
4
Resumo
Metodologia utilizada para condensar um texto, proporcionando uma representação sucinta e exata dos principais pontos do documento.
2
Fonte: Elaborada pela autora.
A primeira categoria criada é o Debate. O debate tem o papel no ensino de proporcionar o confronto de diferentes pontos de vista, de esmiuçar todas as implicações contidas no tema estudado, promovendo uma disputa intelectual. É uma metodologia focada no aluno, nos seus conhecimentos e opiniões. Os alunos, munidos de informações previamente adquiridas através de estudos bibliográficos e de campo e pelas suas experiencias irão expor suas diferentes posições, teorias e pontos de vista. O debate exercita os alunos para a liderança e independência intelectual e não para a subordinação (Castanho, 2011). Exemplos:
“Debates;” (Teoria de Gênero e Sexualidade – UFPE) “Oficina de reflexão/ debate;” (Gênero e Saúde – UFRJ)
“Discussão orientada;” (Gênero, Sexualidade e Saúde – UFCSPA)
Em segundo, temos Outras Metodologias Ativas. Para além dos debates e seminários, elas são outras metodologias educacionais centradas no estudante. Seus métodos e técnicas estimulam a interação entre estudantes e professores e permitem a utilização de conhecimentos e experiências previamente aprendidos ou vivenciados pelos estudantes. As metodologias ativas possibilitam a reflexão crítica, opiniões próprias e até mesmo contestação, já que estimulam a participação ativa dos envolvidos no processo (Alencar, s.d). Exemplos desta categoria: “Desenvolvimento de projeto de trabalho;” (Gênero, Sexualidade e Saúde – UFCSPA) “Pesquisa extraclasse;” (Determinantes Sociais da Saúde – UFRJ)
“Quadros de parede” (Sociedade, Cultura e Saúde II – UFAC)
A terceira categoria é a Aula dialogada. Esta metodologia pode ser vista como uma alternativa à aula tradicional que é focada apenas no professor. Diferente da aula expositiva, a aula dialogada leva em consideração os conhecimentos anteriores dos alunos e sua opinião em relação ao assunto tratado na aula. A aula dialogada tem um roteiro mais flexível e prevê uma construção conjunta de conhecimentos, transformando a sala de aula em ambiente propicio à reelaboração e produção dos conhecimentos (Cunha, 2015; Lopes, 1991). Exemplos desta metodologia:
“Exposição dialogada;” (Povos Indígenas, Gênero e Saúde: Aspectos Antropológicos – UFMT) “Aulas dialógicas” (Gênero, Raça e Etnia na Saúde Pública – UNILA)
“Aula dialogada” (Sociedade, Cultura e Saúde II – UFAC)
A quarta categoria do quadro é a Aula expositiva. Ela consiste na explicação e apresentação dos conteúdos aos alunos por meio do professor. Trata-se de uma metodologia centrada no professor na qual a fala é sempre dele e o aluno apenas escuta. É a maneira mais tradicional de exposição de conteúdos em sala de aula, muito utilizada em salas de aulas de todos os níveis educacionais, e apresenta vantagens e limitações. Algumas vantagens são a economia de tempo devido à forma de exposição e a metodologia ajuda na compreensão de assuntos mais complexos pois o professor pode traduzi-los de maneira mais simples. As limitações é que o professor tende a falar por mais tempo restringindo a participação dos alunos, e nas aulas expositivas ocorre um número menor de perguntas vindas dos alunos (Lopes, 1991). Exemplos conforme as fichas:
“Aulas expositivas;” (Gênero, Sexualidade e Saúde – UFCSPA) “Aulas teóricas;” (Gênero e Saúde – UFRJ)
A quinta categoria é o Seminário. O seminário é uma técnica socializada ou de grupo, mas que também pode acontecer de maneira individual, na qual se discute um ou mais temas
apresentados por alunos com o objetivo de construir uma visão geral do assunto, sob a orientação prévia do professor. Seu desenrolar pode ser utilizado da exposição oral. O uso desta metodologia proporciona o aluno como desenvolvedor do processo (Alencar, s.d; Veiga, 1991). Exemplos das fichas:
“Apresentação de seminários;” (Sociedade, Cultura e Saúde II – UFAC) “Seminários preparados pelos alunos;” (Gênero e Saúde – UFRJ)
“Apresentação em sala de aula;” (Teoria de gênero e sexualidade – UFPE)
Sendo o debate e o seminário muitas vezes realizado em grupo, tal estratégia é vantajosa uma vez que o trabalho em grupo proporciona a interação entre os alunos e tem vários pontos positivos pois facilita a construção coletiva do conhecimento, permiti a troca de ideias e opiniões, favorece o debate e a participação dos alunos e auxilia na aceitação de opiniões divergentes (Alencar, s.d). O trabalho em grupo dá autonomia uma vez que os alunos ficaram responsáveis por partes especificas do trabalho e terão liberdade para cumprir a tarefa da maneira que julgarem melhor, que resultará em um produto final entregue ao professor (Amaral, 2006).
A sexta categoria é Leitura de texto. Estudar um texto é explicar as ideias do autor de modo crítico e analítico observando sua estrutura, e os recursos utilizados pelo autor para transmitir o conteúdo. A leitura de textos permite que o aluno mergulhe na história a ponto de adquirir conhecimento e, ao mesmo tempo, levantar questionamentos e buscar respostas, além de fazer analogias com outros textos lidos. Este tipo de metodologia proporciona ao aluno ser o próprio operador de seu estudo, resultando em um envolvimento maior (Azambuja & Souza, 1991; Alencar, s.d.; Altrão & Nez, 2016). Exemplos:
“Leitura de textos;” (Povos Indígenas, Gênero e Saúde: Aspectos Antropológicos – UFMT) “Atividades de leitura extraclasse;” (Determinantes Sociais da Saúde – UFRJ)
A sétima categoria metodológica é a de Recursos Audiovisuais. O uso destes recursos facilita a aprendizagem, pois além de tornar a comunicação mais rápida, deixa a monotonia de lado, permite a ampliação do tema estudado abrindo novas possibilidades, despertando a curiosidade do aluno, e motivando o aprendizado sobre o que está sendo ensinado. De maneira adequada, a projeção de imagens, reprodução de filme, vídeos, vídeos-aula, músicas, jogos interativos pelo computador, acesso a blogs, jornais, matérias e reportagens online no aprendizado podem contribuir muito em sala de aula (Antunes, 2015; Filho et. al, 2016). Exemplos de metodologias desta categoria:
“Filmes em vídeo;” (Sociedade, Cultura e Saúde II – UFAC)
“Recursos áudio-visuais;” (Teoria de Gênero e Sexualidade – UFPE)
“Vídeos e outros materiais midiáticos;” (Povos Indígenas, Gênero e Saúde: Aspectos Antropológicos – UFMT)
E a oitava e última categoria criada foi a de Resumo. O resumo é uma metodologia utilizada para condensar um texto, proporcionando uma representação sucinta e exata dos principais pontos do documento. O objetivo desta metodologia é de facilitar o entendimento das ideias propostas pelo autor do texto e estimular a leitura e a escrita (Brito et.al, 2014). Exemplos desta categoria:
“Resumos;” (Sociedade, Cultura e Saúde II – UFAC)
“(Debates) resenhadas pelo corpo discente;” (Gênero, Raça e Etnia na Saúde Pública – UNILA) Analisando a frequência da utilização de cada metodologia, observamos que a maior parte das metodologias adotadas pelas disciplinas são centradas no estudante e um número menor onde o foco é o professor. As metodologias centradas no professor, nas quais ele é o condutor, como aula expositiva e dialogadas, são referidas 9 vezes; as metodologias nas quais existe troca mútua e focada nas relações, em que ambas as partes (professor e aluno) expõem sua opinião como debate, seminário e outras metodologias ativas são referidas 17 vezes; assim
como metodologias centradas no aluno, onde ele é o responsável, aprende sozinho e isolado como leituras e resenhas são referidas em conjunto 6 vezes. Isso mostra que as disciplinas optam majoritariamente por métodos pelos quais o aluno consegue se expressar e participar ativamente deste processo.Contudo, é importante lembrar que a ficha de disciplina apenas traz a variedade de metodologias a serem utilizadas, sem estabelecer a frequência do uso de cada uma delas.
Além disso, analisando quantas metodologias são usadas em cada disciplina foi visto que uma disciplina utiliza 2 métodos; três disciplinas utilizam 3 ou 4 métodos; quatro disciplinas utilizam 5 métodos ou mais. É possível observar que os docentes não se concentram apenas em aulas expositivas e dialogadas, mas utilizam de outros recursos para desenvolver o processo de ensino aprendizagem. Lopes diz que (1991) um professor criativo, de espírito transformador, está sempre buscando inovar sua prática e um dos caminhos para isso é desenvolver atividades dinâmicas em sala de aula. Para manter uma aula dinâmica, longe da monotonia, uma sugestão é buscar variar as atividades metodológicas ou inovar as técnicas já utilizadas (Lopes, 1991).
Analisando separadamente o número de metodologias presentes nas fichas das disciplinas especificas de gênero e sexualidade, encontrou-se 22 metodologias, já nas disciplinas correlacionadas das temáticas encontrou-se 14 metodologias. Contudo, é importante apontar que apenas duas fichas analisadas são decorrentes de disciplinas correlacionadas.
Ao fim desta análise conclui-se que as disciplinas privilegiam metodologias que estimulam a participação do aluno e oferecem metodologias variadas para o processo de aprendizagem. É importante que as disciplinas com a temática de gênero e sexualidade ofereçam metodologias diversificadas e com abertura para que o aluno também possa participar das aulas através de suas opiniões e conhecimentos corroborando com a visão de mundo de quem estuda sobre gênero e sexualidade. Sendo temas críticos e argumentativos, faz se
necessário que as metodologias estejam mais voltadas ao debate, à discussão, a abrir espaço para ouvir os alunos e suas experiências e dúvidas.