Durée d'observation (en minutes)
6.9.4. Espèces à fort enjeu local de conservation
As entrevistas representam uma forma corrente de interação durante o trabalho de campo (DURANTI, 2000), além de ser uma das mais importantes fontes de informações para um estudo de caso (YIN, 2005). Pelo caráter flexível da metodologia empreendida nesta pesquisa, optamos por realizar entrevistas do tipo semipadronizadas com todos os participantes do estudo apresentados na seção anterior: alunos, professoras de Português, gestores, coordenadoras pedagógicas e secretárias de cada escola. Tal instrumento seguiu os pressupostos teóricos de Mason (1996), Flick (2004) e Olabuénaga e Ispizua (1989). A
fim de não perder nenhum detalhe da interação, todas as entrevistas foram gravadas, com as devidas anuências dos participantes – exceto a secretária da Escola 1, que não concordou com a gravação. Posteriormente, as respostas foram transcritas com base em marcadores mínimos mantidos pela Análise da Conversa62.
Reiteramos a definição desse tipo de entrevista, semipadronizada, na qual o pesquisador parte de um roteiro prévio de perguntas, mas não precisa se ater rigidamente a ele, estando aberto a possíveis mudanças – adaptação das perguntas, alteração na ordem dos tópicos e até surgimento de novas questões e novos temas – no decorrer da entrevista, a fim de explorar mais amplamente as questões que constituem foco de estudo (MASON, 1996). Com essa flexibilidade, podem aparecer respostas ou relatos inesperados que gerem novas hipóteses e interpretações da experiência que serve de tema para a entrevista (OLABUÉNAGA; ISPIZUA, 1989), o que proporciona certa autonomia ao pesquisador.
Entramos em campo com o planejamento do projeto de tese, com eixos amplos a partir dos quais organizamos as entrevistas que seriam realizadas em trêsgrupos: os alunos, os professores e os profissionais da escola. Em uma primeira fase, foram realizadas entrevistas com delineamentos socioeconômicos, cujo objetivo foi traçar um perfil geral de cada turma (APÊNDICE C). Tais entrevistas foram realizadas durante aulas de Português, em ambientes separados, e não foram gravadas – por se tratar de questões mais objetivas, utilizaram-se apenas anotações escritas. Na Escola 1, foram entrevistados 23 alunos (faltando apenas dois deles no todo da turma), enquanto que, na Escola 2, participaram dessa fase de entrevistas 17 alunos (todos que fecharam o ano na turma em
62 Para facilitar a leitura desta tese, apresentaremos aqui as convenções de fala utilizadas em
todos os capítulos:
(...) fragmento curto não-transcrito; /.../ fragmento longo não-transcrito;
[ ] interrupção de um interlocutor ou falas simultâneas; ( ) reconstituição de fala pelo analista;
(( )) comentários do analista; ... pausa de pequena extensão; (+) pausa breve;
(+++) pausa longa;
::: alongamento de vogal na fala; / corte brusco;
MAIÚSCULAS: alteração de tom de voz com efeito de ênfase; “aaa” discurso reportado;
‘aaa’ leitura de texto.
Foram utilizados, ainda, os sinais convencionais de pontuação gráfica e as convenções ortográficas do português – construção com base em Kleiman e Signorini (2000) e De Grande (2010).
questão). Sintetizamos, nos Apêndices APÊNDICE L e APÊNDICE M, apenas dados objetivos gerados a partir dessa entrevista, da qual emergiram dados de outra ordem, que receberam tratamento qualitativo nos capítulos analíticos à frente.
Apenas no último mês de imersão em campo foram feitas as entrevistas restantes, estas, sim, gravadas e transcritas posteriormente. Nosso intuito foi nos inserirmos em campo e vivenciarmos em parte aquelas realidades para, a partir dessa vivência, transformar os eixos iniciais do planejamento em questões específicas para as interações por meio desse instrumento de geração de dados. Tais eixos estavam em estreita convergência com a questão de pesquisa; dessa maneira, as perguntas formuladas tentaram abarcar os seguintes desdobramentos: 1. efeito de território; 2. organização da ação na escola; 3. ensino e aprendizagem da leitura e da escrita; 4. práticas de letramento dos alunos. Essas entrevistas semiestruturadas, a partir desses quatro eixos, foram realizadas com os seguintes participantes deste estudo respectivos de cada escola: os alunos selecionados a partir do perfil socioeconômico de cada turma (APÊNDICE D) – seis alunos na Escola 1 e sete na Escola 2 –; os gestores / diretores gerais (APÊNDICE E); as coordenadoras pedagógicas63 (APÊNDICE F); as secretárias (APÊNDICE G) e as professoras de Português (APÊNDICE H). Apenas o aluno João.1 não aceitou participar dessa segunda entrevista, e, conforme mencionado, o aluno Diogo.1 ofereceu-se a fazê-la, mesmo não sendo inicialmente selecionado como representante do perfil geral da turma. Reiteramos também que a secretária da Escola 1, nomeada ARG.1, recusou-se a ter sua entrevista gravada, aceitando apenas que fizéssemos anotações manuais.
Por fim, uma última fase de entrevistas emergiu como necessária a partir da vivência e dos primeiros resultados prévios gerados na pesquisa: com os familiares responsáveis pelos alunos participantes do estudo. A justificativa dessa necessidade emergente será apresentada em capítulo posterior analítico. Por ora, vale apontar que tais entrevistas seguiram o perfil das anteriores: semiestruturadas, guiadas pelos quatro eixos referentes aos desdobramentos de pesquisa – apenas substituímos o quarto eixo “práticas de letramento dos alunos”, por “práticas de letramento do(s) entrevistado(s)” –, gravadas e transcritas posteriormente (APÊNDICE K). As entrevistas foram realizadas nas casas dos alunos,
63 Reiteramos que a entrevistada na Escola 1 foi uma Assistente Técnico-Pedagógica ao invés da
Coordenadora Pedagógica geral, por cumprir atribuições desse cargo em relação à turma campo de pesquisa.
com oito famílias – quatro de cada escola. As entrevistas ocorreram posteriormente à imersão em campo nas escolas, no ano de 2014. Da Escola 1, foram entrevistados os familiares dos seguintes alunos: a mãe de Bruna.1; a mãe e o padrasto de Letícia.1; a mãe de Felipe.1; e a mãe de João.1. Quanto aos outros alunos participantes deste estudo da Escola 1, perdemos o contato com Diogo.1, Renata.1 e Wilson.1, que não estudavam mais na escola no ano seguinte à primeira etapa de geração de dados e haviam deixado números de telefone que se tornaram inexistentes. Já na Escola 2, visitamos os seguintes participantes: a mãe e o padrasto de Laura.2; a mãe e o padrasto de Cíntia.2; a mãe de Gisele.2; e a mãe de Graziela.2. Em relação aos outros alunos participantes, perdemos contato com Júlio.2 e Marisa.2, e o aluno Leonardo.2 havia se mudado de cidade no ano seguinte em que concluímos nosso estudo.
2.3.2 Pesquisa documental: historicização, em artefatos64, das