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A aquisição de conhecimentos técnicos, científicos e profissionais, assim como, dos meios linguísticos que permitem a comunicação passam, obrigatoriamente, pelo ensino/aprendizagem das línguas de especialidade. O aluno só atingirá um determinado nível (elementar, independente, competente, avançado, segundo a classificação do Quadro Europeu de Referência para as Línguas) numa língua de especialidade, considerando as competências linguísticas já adquiridas na sua língua materna ou na língua que está em processo de aprendizagem.

Para o desenvolvimento do ensino das línguas de especialidade (designadas de línguas para fins específicos, numa perspectiva de didáctica) e respectiva terminologia de um determinado domínio, é necessário uma organização linguística e terminológica, que passa, num primeiro plano, pelo incentivo à utilização de programas de investigação e de produção de instrumentos de divulgação do conhecimento científico e técnico.

Defendemos que, as empresas podem encarar melhor as exigências do mercado e contribuir para o desenvolvimento económico e de forma auxiliar, para a valorização da língua, com terminologias consistentes estabelecidas segundo critérios que se regem pelas metodologias utilizadas em Terminologia que resultam numa organização estruturada e hierarquizada da esfera do conhecimento.

Costa defende que as «...terminologias são um instrumento fundamental de ajuda à preservação de uma língua...” (2005, p. 5), ou seja, na medida em que permite uma melhor difusão e consolidação de uma língua nacional, determina a produção de produtos de divulgação dessas terminologias e das línguas de especialidades.

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Ao abordarmos a problemática da identidade linguística e cultural, perante a diversidade linguística existente em Angola, traçamos três caminhos que pretendemos interligar no desenvolvimento desta investigação, como:

(i) O estudo da constituição e da harmonização de terminologias, estudando os termos, os conceitos e a relação entre eles;

(ii) A aprendizagem do léxico de especialidade, considerando o seu funcionamento linguístico;

(iii) A construção de produtos terminológicos e didácticos, com recurso às novas tecnologias que sirvam os interesses dos utilizadores.

O desenvolvimento económico do país passa também por uma política de preservação e valorização das línguas maternas, podendo essa preservação ser feita através do aumento da investigação e do ensino das línguas maternas.

O nosso objectivo é a criação de recursos terminológicos possíveis de serem utilizados com um carácter didáctico, dando assim um contributo para o ensino das nossas línguas angolanas de origem africana.

Neste contexto, recorremos ao conceito de “Terminodidáctica” que surgiu relacionado com o «...ensino da terminologia, em língua materna ou em língua estrangeira a vários níveis (do sistema escolar, por exemplo) e a diferentes tipos de públicos (em sistemas escolares e não-escolares)» Lino (1991, p. 2).

A Terminodidáctica surge, assim, como uma vertente da Terminologia que se preocupa com o ensino da terminologia em contextos diversos. Para a concepção e para o desenvolvimento de recursos terminológicos que possam ser utilizados em situação de sala de aula, é necessário pensar na vertente informatizada.

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A informática é a parte integrante da metodologia em Terminologia, Sager refere:

«...terminology collection and processing is a semiautomatic process, constantly responding to innovations borrowed from information technology, information science and computational linguistics...» (1990, p. 5).

É um recurso de considerável importância, quer para o desenvolvimento da investigação, quer para o ensino das línguas. A este respeito Piri salienta:

« L’apprentissage des langues est aussi facilité par le progrès rapide des technologies de l’information et de la communication (...) et les médias (... favorisent tous le développement des compétences linguistiques» (2002, p. 14).

A Didáctica das Línguas para fins específicos remete-nos para o conjunto dos métodos, hipóteses e princípios necessários à aprendizagem das línguas, mais especificamente das línguas de especialidade, na medida em que é considerada

“[…] como a articulação de vários saberes, visando criar condições favoráveis à aprendizagem de determinada matéria; e sendo constituída por um conjunto de técnicas que pré-estabelecerem, ao ensino, princípios e métodos que se destinam a criar condições favoráveis para que o aluno possa de maneira eficaz tirar partido do ensino/aprendizagem [...]” (Lamas, 2000, p. 126).

Desta forma, elaboram-se estratégias que passam pelo recurso aos meios informáticos, que permitem um melhor acesso ao conhecimento especializado, de acordo com as metodologias próprias da ciência terminológica.

Desenvolvemos a nossa investigação, numa perspectiva terminológica, tendo em conta as lacunas existentes em termos de investigação em Terminologia para o

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ensino do Kimbundu. Partimos da análise e organização terminológica para propor um produto que possa ser utilizado como um recurso didáctico na aprendizagem de uma língua de especialidade. Para tal, é necessário definir objectivos e direccionar o produto para um público e um contexto pedagógico específico.

Assim, a interactividade entre o profissional de saúde e os conteúdos, possibilitada pela tecnologia digital, proporciona que a aprendizagem possa ser a “ qualquer hora” e em “qualquer lugar”, permitindo que os utilizadores acedam a ambientes de aprendizagem virtuais, independentemente da localização geográfica e do fuso horário.

Apontamos alguns objectivos que, do nosso ponto de vista, justificam a elaboração deste Dicionário que, posteriormente, poderá ser integrado num e-curso de Língua de Especialidade, em sistema de e-Learning:

(i) Elaborar um instrumento de trabalho de consulta sobre termos da língua Kimbundu, ligados às áreas de Anatomia e Fisiologia do corpo humano, para auxiliar o pessoal de saúde no atendimento ao paciente e a outros interessados; mantendo viva a língua Kimbundu; (ii) Contribuir para a criação de condições materiais para que trabalhos

do género possam ser feitos, tendo como base outras línguas angolanas de origem africana.

A elaboração de recursos de lexicografia de aprendizagem em língua de especialidade deverá ter sempre subjacente, muito em especial, hoje, à luz das teorias da Terminologia Cultural, o facto de o conceito científico ser sensível aos elementos de cultura ou de lexicultura (Galisson, 1987, p.95) da comunidade científica que o utiliza.

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