• Aucun résultat trouvé

1.3. Non-Equilibrium Excited-State Dynamics

1.3.2. Environmental Relaxation

Mesmo tendo como foco de nossa pesquisa as concepções e as práticas de professores, não podemos deixar de considerar que o contexto em que a ação docente ocorre exerce influência sobre os modos de fazer e agir do professor. Desta forma, acreditamos ser importante para entendermos melhor a prática das professoras termos uma visão geral do seu

ambiente de trabalho, ou seja, a escola. Assim, faremos uma breve descrição das escolas onde atuavam nossas professoras.

Nosso campo de pesquisa constituiu-se de três instituições de ensino. Duas vinculadas à rede municipal do Recife e outra vinculada à rede municipal de Camaragibe.

O município de Recife apresenta uma organização bastante particular para o atendimento de crianças na última etapa da EI. Este se dá de três formas: em escolas específicas de EI, onde há apenas grupos IV e V, em Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI) em que há o atendimento de crianças do primeiro ciclo da EI, ou seja, a creche, juntamente com os últimos anos da EI. E finalmente, em escolas do ensino fundamental que possuem turmas de EI. Diante de tal quadro a rotina das crianças varia a depender de onde esteja funcionando.

No município de Recife realizamos observação junto a um Centro Municipal de Educação Infantil e uma escola específica de EI25.

No que diz respeito ao Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), a turma investigada era composta por vinte crianças atendidas em horário integral, tendo uma rotina similar ao da creche, o que envolvia os cuidados de higiene (banho e escovação) e alimentação.

Quanto à estrutura física, a escola dispunha de quatro salas de aula, além do berçário. Este último era bastante amplo e continha banheiro e lactário. Quanto às salas de aula, estas eram amplas e estavam organizadas como ateliers. Desta forma, em cada sala havia materiais disponíveis de acordo com o atelier que era proposto. No atelier de faz-de-conta havia brinquedos diversos e fantasias. No atelier de movimento havia bambolês, pneus, jogos de empilhar e outros materiais. No atelier de artes estavam à disposição papéis diversos, lápis de cor, canetas hidrográficas, tintas e outros materiais destinados ao trabalho de artes. No atelier de linguagem havia livros, fantoches, papéis e lápis. Cada atelier correspondia a um ano do ciclo e estava definido a partir do desenvolvimento da criança. O quadro a seguir demonstra como ocorria a organização dos ateliers:

25 As escolas específicas de Educação Infantil atendem crianças nos dois últimos anos da Educação Infantil, ou seja, crianças de 4 e 5 anos de idade.

Quadro 2: Turmas Educação Infantil Recife

CICLO DA EI SÉRIE GRUPO26 ATELIER IDADE

BERÇÁRIO - 0 ANO

1ª GRUPO I MOVIMENTO 1 ANO

2ª GRUPO II FAZ-DE-CONTA 2 ANOS

3ª GRUPO III ARTES 3 ANOS

2° 1ª GRUPO IV LINGUAGEM 4 ANOS

2ª GRUPO V LINGUAGEM 5 ANOS

Fonte: Dilian Cordeiro (2015)

* o grupo marcado corresponde aos grupos onde realizamos nossa pesquisa

O CMEI não atendia crianças da segunda série do segundo ciclo, ou seja, crianças do grupo V, pois não havia salas disponíveis para o atendimento em horário integral. Vale salientar que o atendimento em tempo integral do grupo investigado foi uma reivindicação dos pais e comunidade escolar. Desta forma, esta instituição é a única na rede municipal de ensino a atender crianças de grupo IV em horário integral. As demais instituições são atendidas em horário idêntico às escolas.

Além das salas de aula havia biblioteca (sala de leitura) que foi organizada pelas professoras, sala de professores, sala da direção, sala de vídeo, secretaria, cozinha, lavanderia, banheiros infantil e adulto, refeitório, parque com brinquedos e solário.

As crianças durante o dia frequentavam os ateliers seguindo um horário semanal fixo para todas as turmas, exceto o berçário. As turmas, como mostra o quadro anterior, tinham um atelier como sala de referência. Desta forma, o atelier de linguagem era a sala de referência do grupo em que realizamos nossas observações. As crianças iniciavam e finalizavam suas atividades do dia no atelier de linguagem. Porém, ao longo do dia visitavam outros ateliers. As crianças não tinham intervalo. A dinâmica da instituição ocorria dentro de uma atmosfera bastante lúdica onde as crianças visitavam os ateliers ao longo do dia e, a depender do dia da semana, frequentavam o parque, a sala de leitura e a sala de vídeo.

A escola em que realizamos nossa pesquisa atendia apenas aos últimos anos da EI (grupos IV e V). Funcionava em uma casa adaptada. Dispunha de cinco salas de aula pequenas. Na turma que observamos havia 17 crianças matriculadas, pois a sala não comportava maior número de crianças. Não havia biblioteca. A escola dispunha ainda de sala

de direção, cozinha, pátio que tinha uma parte coberta e outra com brinquedos. Havia também banheiros infantil e adulto. As crianças eram atendidas no horário da manhã e da tarde. Nessa escola acompanhamos a última série do segundo ciclo da EI (Grupo V). O intervalo ocorria às 10h. A sala de aula observada era bastante pequena e havia mesas para as crianças, quadro negro, um armário e uma TV que era utilizada por toda a escola. Esta TV ficava nessa sala por motivo de segurança, pois era a única sala da escola que tinha chave.

No que se refere às condições relacionadas à leitura, as turmas também apresentam condições diferenciadas. O CMEI dispunha de biblioteca para as crianças, espaço este conquistado pelas docentes que procuraram organizar uma sala para leitura com livros, almofadas e tapetes. Por outro lado, a escola de EI não tinha biblioteca. A professora nos informou que havia um armário com livros. Porém, este vivia fechado. A professora possuía um acervo próprio guardado em seu armário na sala de aula.

Em ambas as escolas, vinculadas ao município de Recife, realizamos nossas observações no período da manhã no horário de 7h30 min. até 12h.

A partir de tal cenário pudemos verificar que, enquanto as crianças do CMEI tinham uma rotina que se aproximava mais da rotina de uma creche, as crianças do último ano da EI, atendidos em escola específica, tendiam a seguir um ritmo às vezes mais próximo de uma escola de ensino fundamental.

No município de Camaragibe nossa pesquisa ocorreu junto a duas professoras que atuavam numa mesma escola de Ensino Fundamental em que havia turmas de EI. A escola era de grande porte, segundo a secretaria de educação, havendo nove salas de aula. Destas, quatro eram reservadas para as turmas de EI.

As turmas de EI oferecidas correspondiam à terceira série do primeiro ciclo e às duas últimas séries do segundo ciclo, como mostra o quadro abaixo:

Quadro 3: Turma Educação Infantil Camaragibe

CICLO DA EI SÉRIE ANO27 IDADE

1° 1ª 2°ANO 1 ANO 2ª 3°ANO 2 ANOS 3ª 4° ANO 3 ANOS 2° 1ª 5°ANO 4 ANOS 2ª 6° ANO 5 ANOS

* o grupo marcado corresponde ao que realizamos nossa pesquisa

As salas de aula eram bastante amplas e ainda dispunham de banheiro dentro da sala. A escola contava com uma biblioteca ampla com um acervo bastante diversificado. No período em que realizamos nossas observações a biblioteca esteve sempre fechada. Pois a funcionária que ali trabalhava estava de licença. Havia ainda sala de vídeo, sala de professor, sala de informática, secretaria, diretoria, cozinha, banheiro infantil e adulto, pátio coberto e ainda uma grande área aberta com árvores e bancos de cimento. A escola tinha uma boa estrutura física.

As crianças da escola eram atendidas no horário da manhã e da tarde. As turmas observadas funcionavam no horário da tarde. Assim, realizamos nossas observações no turno da tarde que se iniciava às 13h e terminava às 17h. O intervalo das turmas da EI ocorria às 16h30m após o intervalo das turmas do Ensino Fundamental.

Quanto à matrícula, a turma do primeiro ano do segundo ciclo era composta por 23 crianças e a turma do segundo ano tinha 24 crianças matriculadas. A frequência média de ambas as turmas girava em torno de 16 a 20 crianças.

Nas duas salas observadas verificamos que havia um pequeno armário onde ficavam à disposição das crianças alguns livros. Também havia armários, quadro negro, mesas e birô para a professora. Observamos que na sala da professora Ana havia ainda alguns jogos de encaixe e da memória.

Como podemos perceber, cada instituição tinha uma dinâmica bastante diferenciada. Cada uma a partir do que tinha à disposição e das concepções que tinham organizavam o tempo e o espaço de forma particular. Discutiremos mais detidamente sobre esta questão posteriormente.