Chapitre III Proposition d'une méthode de comparaison de structures documentaires basée
II. Entrepôt de documents multimédias
Tidd, Bessant e Pavitt (2008) apresentam a inovação como um processo central dentro das organizações. Para os autores, um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas seria buscar formas coerentes de gerenciar o processo, considerando as circunstâncias específicas em que estão inseridas, uma vez que situações diferentes exigem soluções específicas (HANSEN; BIRKINSHAW, 2007). Apesar das variações encontradas na maneira como cada organização formata suas atividades inovativas, Tidd, Bessant e Pavitt (2008) reconhecem um padrão básico para o processo, que envolve, segundo eles, quatro grandes fases:
• A busca por possíveis oportunidades para a mudança e a inovação, a partir da análise do cenário interno e externo à organização;
• A seleção de oportunidades de inovação a serem levadas em consideração e, posteriormente, desenvolvidas. Tais decisões devem estar sempre vinculadas ao posicionamento estratégico da organização;
• A busca por recursos para o desenvolvimento da inovação potencial;
• A implementação da inovação, que se dá a partir da tradução do potencial da ideia inicial em algo novo capaz de atingir um mercado interno ou externo.
Os autores alegam que a implantação de inovações não é um evento isolado, pois exige a aplicação e aquisição de conhecimentos que possibilitem a execução do projeto em condições de imprevisibilidade, a sustentabilidade da inovação no longo prazo e a aprendizagem. A gestão da inovação se fundamentaria sob a capacidade de transformar as incertezas, inerentes ao processo, em conhecimento, através da mobilização de recursos, em um processo denominado por Tidd, Bessant e Pavitt (2008) como “ação de equilíbrio”. As organizações têm, segundo os autores, a oportunidade de aprender com a progressão desse ciclo, construindo assim sua base de conhecimento, que é fundamental para aprimorar a forma como o processo inovativo é gerido internamente.
Tidd, Bessant e Pavitt (2008) sugerem, ainda, que a condução desse processo é uma capacidade apreendida que pode ser constantemente melhorada por meio do acúmulo de conhecimento. A Figura 2 explicita esse ciclo:
Figura 2: Representação simplificada do processo de inovação
Fonte: Adaptado de Tidd, Bessant e Pavitt (2008).
Lam (2005), por sua vez, caracteriza a atividade inovativa como um processo contínuo de aprendizagem e criação de conhecimento. Clark e Fujimoto (1992) reconhecem que a conclusão bem sucedida do processo requer uma variedade de conhecimentos que dão à empresa capacidade de coordenar diferentes grupos funcionais no sentido de atender as necessidades do mercado a partir de suas escolhas técnicas. Já Brown e Duguid (1991) defendem que o processo de inovação só é viabilizado, no contexto organizacional, por meio da interação prática e socialização do conhecimento.
Tal perspectiva é compartilhada por outros autores como Dosi (1988), que afirma que a solução da grande maioria dos problemas tecnológicos implica o uso de uma diversidade de conhecimentos, que ajudam a mitigar possíveis riscos e incertezas. Alguns desses conhecimentos representam entendimentos amplamente difundidos, como a informação científica ou o conhecimento relacionado a princípios já aplicados. Outros elementos são específicos de um determinado contexto, abrangendo “modos de fazer” baseados em experiências particulares. Além disso, determinados aspectos do conhecimento são bem articulados, podendo, inclusive, estar descritos com consideráveis detalhes em manuais e artigos. Muitos, entretanto, são, em grande parte, tácitos, apreendidos, principalmente, através da prática e, por isso, não podem ser inteiramente transmitidos de maneira explícita. Finalmente, alguns dos conhecimentos envolvidos no uso e aperfeiçoamento de tecnologias estão disponíveis publicamente, em publicações técnico-científicas, por exemplo. Outros, no entanto, são particulares: (i) implicitamente, quando são tácitos e, por isso, difíceis de serem
Aprendizado Busca por oportunidades Seleção de oportunidades Busca por recursos Implementação da inovação
imitados, ou (ii) explicitamente, quando protegidos por algum tipo de sigilo ou dispositivos legais, como patentes (DOSI, 1988).
Esses aspectos relativos ao conhecimento são, de acordo com Dosi (1988), essenciais ao entendimento da natureza do processo de inovação tecnológica. Segundo o autor, no contexto organizacional, as inovações surgem, em grande parte, com base em tecnologias in- house, podendo contar ou não com alguma contribuição de conhecimentos científicos e tecnológicos disponíveis publicamente. Sob tais circunstâncias, os esforços realizados pelas organizações no sentido de alcançar melhorias tecnológicas não se baseiam em levantamentos eventuais sobre todo o estoque de conhecimento tecnológico. Dada sua natureza altamente diferenciada, cada organização procura, normalmente, melhorar e diversificar suas tecnologias através de pesquisas que abrangem áreas que lhes permitam desenvolver utilizando sua base tecnológica existente. As mudanças técnicas que acontecem nas firmas podem ser consideradas, portanto, processos cumulativos. Ou seja, o que uma empresa espera fazer tecnologicamente no futuro é fortemente condicionado pelo que ela foi capaz de fazer no passado (DOSI, 1988; NELSON, 1991; DOUGHERTY, 1992; DANNEELS, 2002).
Uma vez que se reconhece a natureza específica e cumulativa da tecnologia no ambiente organizacional, o seu desenvolvimento deixa de ser visto como um processo aleatório, sendo limitado pelos elementos tecnológicos existentes. A inovação se baseia em uma variedade de fontes de conhecimentos já difundidos, em experiências específicas e na mobilização de competências adquiridas. Explicar esses processos cumulativos em função de diferentes trajetórias exige a adoção de uma teoria da firma satisfatória, que permita a construção de uma abordagem analítica capaz de capturar a lógica do comportamento das organizações (FOSS, 1997). Torna-se necessário, portanto, desenvolver um referencial teórico que abarca tais teorias, na tentativa de construir um quadro teórico-metodológico capaz de permitir a exploração dos vínculos existentes entre elas e o processo de inovação tecnológica.