Chapitre II Classification structurelle des documents multimédias : état de l’art
II. Mesure de similarité
II.2. État de l’art sur les mesures de similarité
A exploração dos níveis micro e macro de análise focando as ações dos indivíduos-chave em um contexto ambiental e organizacional é vista em diversas pesquisas (como em BIRKINSHAL et al., 2008, e em WOLFE, 1995). E foi a abordagem seguida na definição dos procedimentos metodológicos para a coleta de dados. Foram focadas a ação e a perspectiva dos gerentes e/ou diretores de inovação e/ou recursos humanos.
Para a solução da problemática colocada, fez-se necessário conhecer primeiramente o modelo ou a política de gestão de recursos humanos e os mecanismos existentes que viabilizam o processo de inovação na empresa. Em um contexto em que muitas inovações são implementadas, torna-se importante verificar se a gestão de recursos humanos para auxílio na gestão das inovações é efetiva.
O pano de fundo das análises traz à tona a concepção da empresa fundamentada na visão baseada em recursos, para, então, entender a construção histórica e social das práticas de
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Lopes (2009) realizou um estudo com o objetivo de identificar e analisar como a inovação em gestão e em formatos organizacionais acontece em organizações brasileiras e portuguesas, considerando os sistemas de inovação nos quais essas organizações estão inseridas. Suas considerações finais explicitaram a ligação entre as inovações em gestão e em formatos organizacionais e as inovações em produtos e processos.
recursos humanos desenvolvidas pelas empresas no sentido de promover melhor desempenho inovativo enquanto estratégia para a competitividade. Durante a elaboração do roteiro de entrevistas, algumas categorias de estudo foram previamente definidas. Entretanto, as variáveis analisadas no que se refere às práticas administrativas e às categorias de estudo foram identificadas na elaboração do modelo de interpretação utilizado para a análise dos dados.
A interpretação dos dados pela autora partiu da suposição de que as respostas às questões da entrevista são adequadas definições práticas dos conceitos ou categorias de estudo envolvidas. Quivy e Campenhoudt (2008) acrescentam que perspectivas e ideias novas devem ser estudadas e compreendidas com base na análise dos fenômenos concretos. É necessário, portanto, traduzi-las em uma linguagem e em formas que as habilitem a conduzir o trabalho sistemático de recolher e de analisar os dados.
Os acontecimentos observáveis – ou seja, as definições práticas dos conceitos envolvidos, bem como suas interações – foram revelados nas práticas descritas, sobretudo nos fragmentos das entrevistas realizadas com os gestores. Ou seja, o levantamento das evidências foi feito da perspectiva do gestor da organização no que tange às decisões de RH e da estratégia deliberada de inovação. Foi possível compreender, desse modo, como a empresa (o empresário ou o gestor) entende as questões de RH e as competências ligadas ao processo de inovação e lida com elas.
Com relação à coleta de dados, Creswell (2007) salienta que a pesquisa qualitativa deve incluir a técnica de amostragem proposital e as formas de dados a serem coletados (observações, entrevistas, documentos e materiais audiovisuais). O autor afirma ainda que a análise de dados é um processo contínuo durante a pesquisa e que a estratégia de investigação lida com a exploração de processos, atividades e eventos. Yin (2005) observa que é necessário estar ciente das escolhas das estratégias antes de coletar os dados, no sentido de se certificar de que eles serão analisáveis. Nesse sentido, a estratégia selecionada envolveu a descrição de caso (o processo de inovação envolvendo práticas de gestão de recursos humanos), em que a estratégia analítica geral abrange a construção de explanação.
Pesquisas sobre inovação que usam a perspectiva do processo interativo tendem a ser acompanhadas por questões sobre processos, ao invés da variância, e isso geralmente leva ao uso do método estudo de caso (SLAPPENDEL, 1996). Além disso, geram a oportunidade de
desenvolver novos conceitos que sobrestimam o interesse recente na perspectiva do processo interativo (SLAPPENDEL, 1996).
Creswell (1998) aborda cinco tradições dos estudos qualitativos, sendo uma delas o estudo de
caso. Para o autor, enquanto alguns consideram o “caso” um objeto de estudo (STAKE, 1994)
e outros o considerem uma metodologia (MERRIAM,198836, citado por CRESWELL, 1988),
“um estudo de caso é a exploração de um sistema limitado ou um caso (ou casos múltiplos) a
partir de dados detalhados em profundidade envolvendo múltiplas fontes de informação em
um contexto” (CRESWELL, 1998, p. 61). O sistema limitado é limitado pelo tempo e pelo
lugar e ele é o caso sendo estudado – um programa, um evento uma atividade ou indivíduos. O contexto do caso considera situar o caso em suas configurações, podendo ser físico, social, histórico e/ou econômico. O foco deve estar no caso.
O estudo de caso, tido como estratégia de pesquisa, “objetiva reunir os dados relevantes sobre
o objeto de estudo e, desse modo, alcançar um conhecimento mais amplo sobre esse objeto, dissipando as dúvidas, esclarecendo questões pertinentes, e, sobretudo, instruindo ações
posteriores” (CHIZZOTTI, 2011, p. 135). Constitui-se, desse modo, em uma busca intensiva
de dados de uma situação particular, de um evento específico ou de processos
contemporâneos, tomados como “caso”. Stake (1994) define o estudo de caso, conforme os
objetivos da investigação, em intrínseco, instrumental ou coletivo. O estudo de caso intrínseco procura conhecer melhor um caso particular em si, mesmo porque sua singularidade ordinária e específica torna interessante esse caso mesmo que não seja representativo ou ilustrativo de outros casos. Em um estudo de caso instrumental, visa-se ao exame de um caso para esclarecer uma questão ou refinar uma teoria. O estudo de caso coletivo significa estender o estudo a diversos casos instrumentais, para ampliar a compreensão ou teorização, a partir de uma coleção mais ampla de casos conexos.
Ragin (1995, p. 2) destaca que, “no mínimo, todo estudo é um estudo de caso, pois ele é uma
análise de um fenômeno específico no tempo e espaço”. Esse autor fornece um quadro de
análise para distinguir quatro abordagens fundamentalmente diferentes para uma pesquisa baseada em estudo de caso. Essas abordagens são organizadas em torno de duas dicotomias em que os casos são concebidos: se eles são considerados unidades empíricas ou construtos
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MERRIAM, S.. Case study research in education. A qualitative approach. San Francisco: Jossey-Bass, 1988.
teóricos; ou se eles são entendidos como exemplos de fenômenos ou como um fenômeno específico. Cada uma dessas abordagens envolve diretrizes processuais e analíticas que afetam o curso da pesquisa e as conclusões às quais o pesquisador chega.
Ragin (1995) observa, ainda, que a ideia de casos comparáveis está implícita na fronteira entre as formas dominantes de ciência social e outros tipos de discursos sobre a vida social. Lieberson (1995) faz uma primeira distinção acerca de proposições determinísticas e probabilísticas, a ser considerada quando se utilizam estudos comparativos baseados em um pequeno numero de casos. Segundo o autor, as proposições determinísticas são mais claras, simples e mais facilmente refutadas do que as probabilísticas. Estudos com pequeno N operam de maneira determinística, evitando pensamento probabilístico tanto em sua teoria quanto nas aplicações empíricas. Pois pequeno número de casos não é uma boa base para fazer generalização sobre o processo em estudo. Estes estudos são geralmente determinísticos em sua concepção. Além disso, estudos com pequeno N não podem operar efetivamente sob pressupostos probabilísticos.
Apesar de apresentar uma posição diferente da de Ragin (1995) no que tange à metodologia de estudo de caso, Yin (2005) argumenta que a necessidade diferenciada dos estudos de caso surge do desejo de entender os fenômenos sociais complexos. Conforme este autor, o estudo
de caso é o método ideal quando as questões “como” ou “por que” são propostas; quando o
investigador tem pouco controle sobre os eventos; e, ainda, quando o enfoque está em um fenômeno contemporâneo no contexto da vida real. O método do estudo de caso permite que os investigadores retenham as características holísticas e significativas dos eventos da vida real.
O estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo em profundidade e em seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes (YIN, 2005).
Os estudos de casos múltiplos, também conhecidos como “estudos comparativos”, já foram considerados de metodologia distinta, porém o texto de Yin (2005) abriga tanto estudos de caso único como estudos de casos múltiplos em uma mesma estrutura metodológica sem nenhuma distância profunda entre os dois métodos. Lidar com casos múltiplos exige tempo e recursos disponíveis e deve seguir a lógica da replicação (e não da amostragem) (YIN, 2005).
Procurou-se, a partir do estudo de caso, cujo objeto de estudo é a inovação nas empresas, levantar elementos de análise em maior profundidade sobre as práticas administrativas ligadas à gestão de recursos humanos para inovação. Considerando a perspectiva dos gestores (enquanto responsáveis pela implementação da estratégia deliberada da empresa), verificou-se também em que aspectos as práticas de RH interagem com a inovação na organização para o desenvolvimento de competências. No roteiro utilizado para a realização das entrevistas, os objetivos da pesquisa estão mais bem elucidados nas questões que foram feitas para os gestores (ver roteiro de entrevistas, no APÊNDICE).
Cabe destacar que foi a execução dessa fase empírica da pesquisa que, de fato, propiciou o alcance dos objetivos propostos para esta dissertação. Porém, evidentemente, a execução da fase empírica dependeu da finalização das fases anteriores no que tange à definição dos conceitos, do objeto de estudo, das categorias de análise, dos instrumentos de coleta, dos respondentes (que dependeu da acessibilidade e da disponibilidade dos gestores, seja de RH, de P&D e/ou inovação, em cada uma das empresas a serem pesquisadas) e do modelo de interpretação que orientou as análises.
Com base no enfoque utilizado no referencial teórico, tem-se que vários autores relataram processos e práticas inovadores na área de RH que sugerem uma melhor capacidade de exercício de absorção e de adaptação de soluções, quer ao nível tecnológico, quer ao nível organizacional. Alguns dos processos listados por esses autores foram utilizados na construção do instrumento de coleta de dados presente no APÊNDICE desta dissertação, reforçados nas questões semiestruturadas, que foram elaboradas de acordo com os objetivos da pesquisa.
Nos tópicos seguintes, abordam-se com mais detalhes os procedimentos seguidos para coleta e tratamentos dos dados.