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Enterprise Border Router (EBR) Autoconfiguration

4. Autoconfiguration

4.2. Enterprise Border Router (EBR) Autoconfiguration

O contexto atual é marcado pelo uso das tecnologias digitais em várias ativi- dades cotidianas dos sujeitos sociais. De vários pontos das cidades, as pessoas se comunicam e estabelecem relações de interatividade. Como resultado de um processo de relação simbiótica entre o homem, a natureza e a sociedade, vivemos a era do desenvolvimento das linguagens digitais em rede e, por consequência, estamos favorecendo, cada vez mais, a produção de uma socie- dade conectada que transforma o comportamento humano, a sua forma de ver, sentir e estar no mundo. A cultura contemporânea, associada às tecnolo- gias digitais, criam uma nova relação entre a técnica e a vida social – relação híbrida entre cidade, ciberespaço e as diversas redes educativas – denomina- da de cibercultura. (LEMOS, 2013; SANTOS, 2011)

O advento da cibercultura é marcado por três fases distintas. Na primei- ra fase da Web 1.0, no início dos anos 1990, tinha-se a disponibilização das informações e dos conteúdos para acesso livre pelos usuários que não inter-

feriam na autoria da informação, ou seja, havia interação sem interatividade, apenas especialistas produziam conteúdos e distribuíam em massa para o acesso de outras pessoas. Para publicar e compartilhar informações e conhe- cimentos, era necessário conhecer a linguagem html.

A segunda fase da cibercultura, final dos anos 1990 e início do ano 2000, se caracteriza pela emergência da Web 2.0 com seus softwares sociais, com suas produções autorais – com destaque na emergência da educação on-li-

ne, mediada pelos ambientes on-line de aprendizagem –, pela mobilidade e

convergência de mídias dos computadores portáteis e da telefonia móvel. A Web 2.0 modificou substancialmente o modo como nos colocamos diante do mundo e diante da produção de saberes e; a terceira fase, a da Web 3.0, de 2010 para o momento atual, vem se caracterizando pela produção de conteú- dos on-line cada vez mais personalizados, com base em publicidade que aten- de aos usuários individualmente, a partir de seus interesses e necessidades, ou seja, uma web inteligente. (LEMOS, 2013; SANTAELLA 2013; SANTOS, 2011) Mas como se constituiu historicamente a relação entre o homem e a técnica? Uma vez criada uma técnica, essa determina em seus usos e funções uma dada sociedade?

O humano, como um ser geneticamente social e dotado da capacidade de aprender e transformar o espaço em que vive tem, ao longo da sua existência, produzido artefatos culturais que transformam a sua relação com o mundo. Cada momento da história tem sido marcada pela descoberta de uma cultura técnica particular. Nesse sentido, os fins do século XX e o processo de desen- volvimento do XXI têm sido marcados pela velocidade das transformações de uma cultura digital que tem causado mudanças nunca antes vistas na his- tória da humanidade. Para Lemos (2013), as novas tecnologias parecem ca- minhar para uma onipresença, um hibridismo radical e quase imperceptível ao nosso ambiente cultural através do devir micro e do devir estético. Esse movimento está cada vez mais nos aproximando de uma comunicação em rede, na qual compartilhamos experiências das mais diversas.

Em consonância com as ideias de Levy (1999) e Santaella (1997), afirma- mos que as interações sociotécnicas são resultantes e se estabelecem dentro de uma dada cultura. Nesses processos de criação/produção de técnicas, os humanos, sujeitos sociais e culturais por excelência, transformam o meio e são por ele transformados. Sendo, portanto, a sociedade condicionada pela técnica. Destarte, o lugar que estamos hoje – advento da cibercultura – é re-

sultante de um processo de desenvolvimento e de constantes ressignificações da nossa relação sociotécnica.

No sentido vygostkyano, a formação da mente ultrapassa a dimensão biológica do humano, estando relacionada com as funções psicológicas su- periores, não presentes em outras espécies animais. Essas funções psicoló- gicas superiores se formam na interação do homem com seu entorno na- tural e social de maneira mediatizada através de signos, expressão de uma determinada cultura, sendo o mais importante dos signos a linguagem. O desenvolvimento da linguagem, produto das relações sociais (VYGOTSKY, 1989), possibilitou uma evolução de natureza cultural e consequentemen- te na multiplicação e diversificação dos instrumentos e artefatos técnicos, proporcionando a adaptação do homem a qualquer entorno. Assim, o Homo

sapiens, mediado pela linguagem e pelos instrumentos de trabalho, desen-

volveu-se significativamente, produzindo técnicas e tecnologias presentes, hoje, em todos os contextos e ações dos indivíduos na sociedade.

Diante dessa premissa, adotamos como pressuposto a perspectiva de que a linguagem digital em rede, característica do contexto da cibercultura, se situa como produção cultural contemporânea, em um processo histórico, que tem como antecedente, a linguagem oral e escrita, também denominada, a partir de Levy (1999) como linguagem tecnológica resultante de processos históricos sociais construídos em períodos específicos da civilização.

É mister afirmar que o desenvolvimento sociotécnico agrega, em nossa compreensão, contextos históricos, políticos, econômicos, sociais e culturais que influenciam e condicionam a nossa relação com a criação, produção e uso das tecnologias em diferentes tempos e espaços. Assim, a Revolução Di- gital, a mobilidade ubíqua através dos dispositivos móveis e das redes, possi- bilitando a interconexão mundial entre os computadores, características da cibercultura, ressignificam os processos de sociabilidades, formativos e de aprendizagem.

A partir dessa breve contextualização sobre o desenvolvimento sociotéc- nico, chegando à cibercultura, cabe-nos indagar: como os profissionais da educação, em especial os pedagogos, se percebem frente ao contexto da ci- bercultura? Como contribuir com a potencialização das aprendizagens em função de autorias frente às relações síncronas e assíncronas estabelecidas via tecnologias digitais em rede?

docência e discência na cibercultura: Por onde

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