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LES ENGAGEMENTS EN MATIÈRE

Dans le document LES ENGAGEMENTS COMPORTEMENTAUX (Page 102-146)

relativo aos fatores e variáveis independentes da metodologia da pesquisa, foram submetidas à análise de regressão logística para verificação de quais destas características possuíam associação com os tipos de pareceres de auditoria emitidos às companhias analisadas.

4.2.1.1 Parecer com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos A análise das variáveis independentes binárias associadas aos pareceres com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos estudados é apresentada na Tabela 7, através da exposição das ocorrências de cada tipo de parecer (com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos versus sem parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos), em conformidade com as características de interesse testadas e do teste qui-quadrado (χ2) entre tais pareceres e características.

Tabela 7 – Teste χ2 entre pareceres com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos e variáveis dummy

Variáveis dummy Parecer Total χ2

SEOA EOA Nível Diferenciado de Governança Corporat. Não 117 31 148 0,708 Sim 98 33 131 Total 215 64 279

Firma de Auditoria BigN Não 51 35 86

22,180*** Sim 164 29 193 Total 215 64 279 Honorários de Outros Serviços Não 133 49 182 4,700** Sim 82 15 97 Total 215 64 279

Prejuízos no Ano t Não 178 39 217

13,627***

Sim 37 25 62

Total 215 64 279

Subsidiárias Controladas Não 44 18 62

1,674

Sim 171 46 217

Total 215 64 279

Subsidiárias Control. Fora do País

Não 129 49 178

5,858**

Sim 86 15 101

Total 215 64 279

Comitê de Auditoria Não 163 54 217

2,091 Sim 52 10 62 Total 215 64 279 Encerramento do Exerc. em 31/12 Não 3 1 4 0,100 Sim 212 63 275 Total 215 64 279

Prejuízos Recorrentes nos 3 Últimos Anos Não 198 51 249 7,909*** Sim 17 13 30 Total 215 64 279 Internacionalização Não 196 62 258 4,245** Sim 19 2 21 Total 215 64 279 Passivo a Descoberto no Ano t Não 201 50 251 12,893*** Sim 14 14 28 Total 215 64 279

Legenda: SEOA = Sem parágrafos de ênfase e/ou outros assuntos; EOA = Com parágrafos de ênfase e/ou outros assuntos.

Nota: ***, ** estatisticamente significantes aos níveis de p<0,01 e p<0,05 (bilateral), respectivamente.

Todas as variáveis binárias apresentadas na Tabela 7 foram significantes aos níveis de p<0,01 e p<0,05, respectivamente, exceto nível diferenciado de governança corporativa (GOVER), subsidiárias controladas (SUBS), comitê de auditoria (COMIT) e encerramento do exercício social em 31/12 (ENCEX). Tais resultados denotam que o fato de a empresa aderir (ou não) a algum nível diferenciado de governança corporativa, possuir (ou não) o controle de subsidiárias, possuir (ou não) um comitê de auditoria implantado e ter (ou não) o encerramento de seu exercício social em 31 de dezembro não exercem influências sobre a propensão de os auditores emitirem pareceres com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos.

Na Tabela 8 são apresentados para os determinantes dos pareceres com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos emitidos às entidades analisadas os scores de associação das variáveis testadas e seus respectivos coeficientes de significância.

Tabela 8 – Scores de associação entre pareceres com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos e variáveis independentes

Variáveis Score Variáveis Score

VATTP 0,174 LnAPA 13,005 *** GIRATT 12,318 *** PLTPT 1,911 LIQC 1,295 CAIXCDTOT 10,530 *** CRATC 4,106 ** TLIST 3,106 * ESTATT 0,438 PREJT 13,627 *** CRESTATT 10,939 *** CONTR 2,610 VAPT 0,962 GOVER 0,708 MARGL 0,431 PETR 9,550 *** RLANC 1,305 MATBAS 7,775 *** ESTREC 0,332 BENIND 0,915 CRESVEN 3,407 * CONSTRANS 34,784 *** NSEG 3,285 * CONSNC 4,364 ** NSUBS 7,774 *** CONSC 0,613 NSUBSEST 2,175 TECINF 0,304 NAUDFEES 4,321 ** TELEC 3,087 * NAUDTOTFEES 2,595 SUBS 1,674 VAALAV 3,189 * SUBSEST 5,858 ** APICATT 0,009 REEST 2,071 APINCATT 2,884 * COMIT 2,091 FCOATT 0,131 EMAC 3,744 * CAIXATT 0,527 ENCEX 0,010 LnATT 3,016 * BIGN 22,180 *** ExpROA 0,006 NAUDFEESD 4,700 ** ExpLAJATT 9,285 *** POSSE1 0,877 LnAUDFEES 2,587 PREJREC3A 7,909 *** LnNPOSSE 0,042 PASDESCT 12,893 INTERN 4,245 **

Nota: ***, **,* estatisticamente significantes aos níveis de p<0,01, p<0,05 e p<0,10 (bilateral), respectivamente.

Fonte: Elaborada pelo autor

A partir dos scores apresentados na Tabela 8, observou-se para os pareceres emitidos apenas com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos, que foram estatisticamente significantes de maneira univariada os seguintes fatores: medidas de risco (contas a receber divididas pelo ativo circulante; e, contas a receber e estoques divididos pelo ativo total); indicadores econômico-financeiros (giro do ativo; caixa dividido pelos custos e despesas totais; prejuízos no período analisado; prejuízos recorrentes nos três últimos anos; e, exponencial do lucro antes dos juros e impostos divididos pelo ativo total); tamanho da empresa auditada

(logaritmo do ativo total; e, índice de crescimento das vendas); complexidade da auditoria (número de segmentos de negócios; número de subsidiárias; e, subsidiárias controladas fora do país); honorários pagos às firmas de auditoria (honorários de outros serviços); alavancagem (variação anual da alavancagem sobre o ativo); governança corporativa (internacionalização); tipo de firma de auditoria; redução da probabilidade de falência (emissão de ações); aplicações e investimentos (aplicações e investimentos não circulantes divididos pelo ativo total); setores de atuação da empresa auditada (telecomunicações; construção e transporte; consumo não cíclico; petróleo; e, materiais básicos); atraso do parecer de auditoria; e, maturidade dos controles contábeis (tempo de registro na CVM).

Dentre as variáveis que apresentaram associação significante univariada com pareceres com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos, são expostas na Tabela 9 aquelas que foram selecionadas para composição dos modelos multivariados de determinantes dos pareceres com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos, conforme explicado no item 3.4.2.5.

Tabela 9 – Modelos de regressão logística para pareceres de auditoria com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos

Variáveis Modelo 1A Modelo 1B Modelo 1C

Coef. Exp(B) Coef. Exp(B) Coef. Exp(B)

CRESTATT 1,473 * 4,362 1,166 3,209 1,946 *** 6,998 PREJT(1) -1,234 *** ,291 -1,169 ,311 LnATT ,146 1,157 ,144 *** 1,155 ,010 1,010 NSUBS ,005 1,005 ,012 1,012 ,008 ** 1,008 NAUDFEESD(1) ,669 1,953 VAALAV -,001 ,999 -,001 ,999 -,001 ,999 BIGN(1) ,963 ** 2,620 ,926 2,525 1,086 2,961 EMAC(1) -,523 ,593 -,635 ** ,530 -,798 ,450 APINCATT 2,039 * 7,680 2,021 7,548 ,791 *** 2,207 CONSTRANS(1) -1,619 *** ,198 -1,494 * ,225 -1,012 ** ,363 LnAPA 1,166 * 3,209 1,166 *** 3,208 1,435 4,199 TLIST -,017 ,983 -,015 * ,985 -,016 ** ,984 NAUDFEES -,002 ,998 -,002 ** ,998 GIRATT -1,184 ,306 Constante -6,903 ** ,001 -6,297 * ,002 -6,044 * ,002 -2 Log verossimilhança 221,893 217,837 217,008

Pseudo R2 (Cox & Snell R2) ,246 ,256 ,259

Pseudo R2 (Nagelkerke R2) ,372 ,389 ,392

Significância ,000 ,000 ,000

Percentual Geral de Acertos 83,9% 84,6% 84,9%

Nota: ***, **,* estatisticamente significantes aos níveis de p<0,01, p<0,05 e p<0,10 (bilateral), respectivamente.

Tomando-se como referência o modelo com maior capacidade explicativa (Modelo 1C), isto é, com maior Pseudo R2, tem-se a equação (1) do modelo expressa a seguir:

Prob(ENFOT) = b0 + b1 × CRESTAT + b2 × LnATT + b3 × NSUBS + b4 × VAALAV + b5 × BIGN + b6 × EMAC

+ b7 × APINCATT + b8 × CONSTRANS + b9 × LnAPA + b10 × TLIST + b11 × NAUDFEES + b12 × GIRATT

(1)

Conforme demonstrado na Tabela 9, aplicações e investimentos não circulantes divididas pelo ativo total (APINCATT) e contas a receber e estoques divididos pelo ativo total (CRESTATT) foram estatisticamente significantes ao nível de p<0,01, apresentando associações positivas com pareceres com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos.

Estes resultados sugeriram que, inalteradas as demais variáveis, a chance de uma empresa receber um parecer com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos aumenta em 6,998 vezes a cada aumento unitário em contas a receber e estoques divididos pelo ativo total e aumenta em 2,207 vezes a cada aumento unitário em aplicações e investimentos não circulantes divididas pelo ativo total.

As variáveis de número de subsidiárias (NSUBS), setor de construção e transporte (CONSTRANS), tempo de registro na CVM (TLIST) e honorários de outros serviços (NAUDFEES) foram significantes ao nível de p<0,05, apresentando a primeira uma associação positiva e, as demais, associações negativas com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos.

O coeficiente positivo denotou que a chance de uma empresa receber um parecer com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos aumenta 1,008 vezes a cada aumento unitário no número de subsidiárias controladas pela empresa auditada.

Os coeficientes negativos indicaram que a chance de uma empresa receber um parecer com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos diminui em 0,363 vezes no caso de ser uma empresa que atua no setor de construção e transportes, diminui em 0,984 vezes a cada aumento unitário no tempo de registro na CVM e diminui em 0,998 vezes a cada aumento de uma unidade de milhar nos honorários de outros serviços.

Os resultados apresentados pela variável de contas a receber e estoques divididos pelo ativo total (CRESTATT), enquanto medida de

risco, foram consistentes com as afirmações encontradas na literatura de que variáveis compostas por contas de estoques e recebíveis implicam em maiores riscos para os auditores, tendo em vista que estas contas são mais difíceis de auditar do que outros ativos, como disponibilidades (SPATHIS; DOUMPOS; ZOPOUNIDIS, 2003; CARAMANIS; SPATHIS, 2006; NASER; NUSEIBEH, 2007), exigindo procedimentos adicionais para obtenção de evidências, como a circularização, por exemplo, no caso de contas a receber (SIMUNIC, 1980).

Relativamente à variável de aplicações e investimentos não circulantes divididas pelo ativo total (APINCATT), de acordo com Defond, Raghunandan e Subramanyam (2002), era esperada uma menor propensão ao recebimento de pareceres modificados quando a empresa auditada possuísse maiores valores em aplicações e investimentos.

No caso dos pareceres com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos foi observado o contrário, o que sugeriu que, possivelmente pelas especificidades já mencionadas acerca deste tipo de parecer, tais como a existência de incertezas relevantes, por exemplo, um maior volume de aplicações e investimentos não está associado com uma diminuição da probabilidade de o parecer conter parágrafos de ênfases e/ou de outros assuntos.

O coeficiente apresentado pelo setor de construção e transportes (CONSTRANS) denotou que empresas que atuam neste setor estão menos propensas ao recebimento de pareceres com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos. Relativamente a este fato, é difícil precisar os motivos que levam a uma diferença na chance de emissão deste tipo de parecer para empresas deste setor, sugerindo que possivelmente pode derivar de especificidades inerentes ao setor de atuação da auditada.

Consistentemente com o exposto pela literatura, no que se refere à maturidade dos controles contábeis, a diminuição da propensão ao recebimento de pareceres com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos em função da maturidade, medida pelo tempo de registro na CVM, pode ser decorrente de uma maior confiabilidade das informações contábeis geradas pela empresa auditada, fruto da adoção de controles mais efetivos para o desenvolvimento e registro de suas atividades (HOPE; LANGLI, 2010).

A variável de honorários de outros serviços (NAUDFEES) sugeriu que, no caso da amostra observada, seus efeitos tendem a diminuir a chance de recebimento de um parecer com parágrafos de ênfase e/ou de outros assuntos.

Existe a possibilidade de que este resultado seja decorrente, como relatado por Ireland (2003), de um maior acompanhamento da empresa

auditada através da prestação de outros serviços, que proporcionem aos auditores uma diminuição de incertezas relevantes relativas à adequação das demonstrações auditadas, incertezas estas que consistem em característica fundamental para a emissão de pareceres desta natureza.

4.2.1.2 Parecer modificado

A análise das variáveis independentes binárias associadas aos pareceres modificados estudados é apresentada na Tabela 10, através da exposição das ocorrências de cada tipo de opinião (modificado versus não modificado) de acordo com as características de interesse testadas e do teste qui-quadrado (χ2) entre tais pareceres e características.

Tabela 10 – Teste χ2 entre pareceres modificados e variáveis dummy

Variáveis dummy Parecer Total χ2

NMD MD Nível Diferenciado de Governança Corporat. Não 126 22 148 13,470*** Sim 128 3 131 Total 254 25 279

Firma de Auditoria BigN Não 64 22 86

42,100*** Sim 190 3 193 Total 254 25 279 Honorários de Outros Serviços Não 157 25 182 14,636*** Sim 97 0 97 Total 254 25 279

Prejuízos no Ano t Não 210 7 217

39,368***

Sim 44 18 62

Total 254 25 279

Subsidiárias Controladas Não 51 11 62

7,535*** Sim 203 14 217 Total 254 25 279 Subsidiárias Control. Fora do País Não 157 21 178 4,852** Sim 97 4 101 Total 254 25 279

Comitê de Auditoria Não 193 24 217

5,276** Sim 61 1 62 Total 254 25 279 Encerramento do Exerc. em 31/12 Não 4 0 4 0,399 Sim 250 25 275 Total 254 25 279 Prejuízos Recorrentes nos 3 Últimos Anos

Não 234 15 249 24,478*** Sim 20 10 30 Total 254 25 279 Internacionalização Não 233 25 258 2,235 Sim 21 0 21 Total 254 25 279 Passivo a Descoberto no Ano t Não 239 12 251 53,560*** Sim 15 13 28 Total 254 25 279

Legenda: NMD = Não Modificado; MD = Modificado.

Nota: ***, ** estatisticamente significantes aos níveis de p<0,01 e p<0,05 (bilateral), respectivamente.

Todas as variáveis apresentadas na Tabela 10 foram significantes aos níveis de p<0,01 e p<0,05, respectivamente, exceto internacionalização (INTERN) e encerramento do exercício em 31/12 (ENCEX). Tais resultados denotaram que o fato de a empresa negociar ações (ou não) nas bolsas de valores internacionais consideradas neste estudo e ter (ou não) o encerramento de seu exercício social em 31 de dezembro não exercem influências sobre a propensão de os auditores emitirem pareceres modificados.

Na Tabela 11 são apresentados os scores de associação das variáveis testadas como determinantes dos pareceres modificados emitidos às entidades analisadas e seus respectivos coeficientes de significância.

Tabela 11 – Scores de associação entre pareceres modificados e variáveis independentes

Variáveis Score Variáveis Score

VATTP 0,007 LnAPA 16,075 *** GIRATT 2,185 PLTPT 1,377 LIQC 1,947 CAIXCDTOT 0,642 CRATC 0,070 TLIST 6,212 ** ESTATT 1,684 PREJT 39,368 *** CRESTATT 3,000 * CONTR 6,092 ** VAPT 1,622 GOVER 13,470 *** MARGL 10,492 *** PETR 0,707 RLANC 4,101 ** MATBAS 0,061 ESTREC 7,249 *** BENIND 0,022 CRESVEN 2,622 CONSTRANS 0,587 NSEG 1,578 CONSNC 3,581 * NSUBS 2,689 CONSC 0,447 NSUBSEST 0,691 TECINF 0,250 NAUDFEES 2,575 TELEC 1,021 NAUDTOTFEES 7,531 *** SUBS 7,535 *** VAALAV 0,002 SUBSEST 4,852 ** APICATT 1,618 REEST 1,200 APINCATT 0,145 COMIT 5,276 ** FCOATT 0,003 EMAC 1,167 CAIXATT 9,782 *** ENCEX 0,399 LnATT 22,990 *** BIGN 42,100 *** ExpROA 8,755 *** NAUDFEESD 14,636 *** ExpLAJATT 10,568 *** POSSE1 4,602 ** LnAUDFEES 34,323 *** PREJREC3A 24,478 *** LnNPOSSE 3,471 * PASDESCT 53,560 *** INTERN 2,235

Nota: ***, **,* estatisticamente significantes aos níveis de p<0,01, p<0,05 e p<0,10 (bilateral), respectivamente.

Fonte: Elaborada pelo autor

De acordo com os scores apresentados para os pareceres modificados na Tabela 11, observou-se que foram estatisticamente significantes de maneira univariada os seguintes fatores: medidas de risco (contas a receber e estoques divididos pelo ativo total e estoques divididos pela receita de vendas); indicadores econômico-financeiros (margem líquida; retorno sobre o ativo não circulante; caixa dividido pelo ativo total; prejuízos no período analisado; prejuízos recorrentes nos três últimos anos; passivo a descoberto no período analisado; exponencial do retorno sobre o ativo; e, exponencial do lucro antes dos

juros e impostos divididos pelo ativo total); tamanho da empresa auditada (logaritmo do ativo total); complexidade da auditoria (subsidiárias controladas; e, subsidiárias controladas fora do país); honorários de auditoria (logaritmo dos honorários de auditoria); honorários de outros serviços pagos às firmas de auditoria (honorários de outros serviços divididos pelos honorários totais; e, honorários de outros serviços – dummy); tipo de firma de auditoria; governança corporativa (nível diferenciado de governança corporativa; e, comitê de auditoria); tempo de relacionamento entre auditor e auditado (logaritmo do número de anos de posse da firma de auditoria; e, mudança de firma de auditoria no ano analisado); tipo de controle; setores de atuação da empresa auditada (consumo não cíclico); atraso do parecer de auditoria (logaritmo do atraso do parecer de auditoria); e, maturidade dos controles contábeis (tempo de registro na CVM).

Dentre as variáveis que apresentaram associação significante com pareceres modificados, são expostas na Tabela 12 aquelas que foram selecionadas para composição dos modelos de determinantes dos pareceres modificados, conforme explicado no item 3.4.2.5.

Tabela 12 – Modelos de regressão logística para pareceres de auditoria modificados

Variáveis Modelo 2A Modelo 2B Modelo 2C

Coef. Exp(B) Coef. Exp(B) Coef. Exp(B)

ESTREC -,013 ,987 ,000 1,000 PASDESCT(1) -1,213 * ,297 -1,202 * ,301 -1,184 * ,306 LnATT ,149 1,160 ,127 1,136 ,119 1,126 SUBS(1) ,598 1,819 ,581 1,788 ,559 1,749 LnAUDFEES -,845 ** ,429 -,937 ** ,392 -,915 ** ,401 BIGN(1) 1,881 ** 6,562 1,943 ** 6,977 1,952 ** 7,043 POSSE1(1) -1,203 * ,300 -1,159 * ,314 -1,147 * ,318 CONTR(1) -1,357 ,257 -1,461 ,232 -1,453 ,234 LnAPA 4,024 *** 55,908 4,248 *** 69,976 4,217 *** 67,841 TLIST ,004 1,004 ,008 1,008 ,008 1,008 GOVER(1) ,020 1,020 COMIT(1) -1,332 ,264 -1,312 ,269 CRESTATT -,242 ,785 Constante -16,222 ** ,000 -15,339 ** ,000 -15,203 ** ,000 -2 Log verossimilhança 87,925 87,084 87,062

Pseudo R2 (Cox & Snell R2) ,250 ,253 ,253

Pseudo R2 (Nagelkerke R2) ,553 ,558 ,558

Significância ,000 ,000 ,000

Percentual Geral de Acertos 93,2% 93,2% 93,2%

Nota: ***, **,* estatisticamente significantes aos níveis de p<0,01, p<0,05 e p<0,10 (bilateral), respectivamente.

Para todos os modelos apresentados, observou-se que os pseudo- coeficientes de determinação (Nagelkerke R2), guardam proximidade com os coeficientes encontrados nos estudos anteriores, que variaram entre aproximadamente 40% e 50%. Tomando-se como referência o modelo com maior capacidade explicativa (Modelo 2C), isto é, com maior Pseudo R2, tem-se a equação (2) do modelo expressa a seguir:

Prob(MODIF) = b0 + b1 × PASDESCT + b2 × LnATT + b3 × SUBS + b4 × LnAUDFEES + b5 × BIGN + b6 × POSSE

+ b7 × CONTR + b8 × LnAPA + b9 × TLIST + b10 × COMIT + b11 × CRESTAT

(2)

Conforme demonstrado na Tabela 12, o logaritmo do atraso do parecer de auditoria (LnAPA) foi estatisticamente significativo ao nível de p<0,01, apresentando associação positiva com pareceres de auditoria modificados.

Estes resultados sugeriram que, inalteradas as demais variáveis, a chance de uma empresa receber um parecer modificado aumenta em 4,217 vezes a cada aumento unitário no número de dias entre o encerramento do exercício social e a data da assinatura do parecer.

O logaritmo dos honorários de auditoria (LnAUDFEES) foi significativo ao nível de p<0,05, sugerindo que a chance de recebimento de um parecer modificado diminui em 0,915 vezes a cada aumento de uma unidade de milhar nos honorários de auditoria.

É possível que este resultado seja decorrente de um aumento dos honorários combinado ao aumento de serviços prestados pelos auditores, implicando o aumento do controle e acompanhamento dos auditores em relação à empresa auditada, evitando, assim, a ocorrência de não conformidades (IRELAND, 2003).

A variável de tipo de firma de auditoria (BIGN) apresentou uma associação significante positiva ao nível de p<0,05, o que denotou que empresas auditadas por firmas de auditoria pertencentes ao grupo das

Big-Four, possuem chance de recebimento de um parecer modificado

7,043 vezes maior do que aquelas auditadas por outras firmas de auditoria.

Foram observadas associações negativas ao nível de p<0,10 com as variáveis passivo a descoberto no período analisado (PASDESCT) e mudança de firma de auditoria no ano analisado (POSSE1), o que denotou que empresas com passivo a descoberto, possuem uma chance de receber um parecer modificado 0,306 vezes menor do que as demais empresas e que as empresas que realizaram mudança de firma de

auditoria no ano analisado possuem uma chance de recebimento de pareceres modificados 0,318 vezes menor do que as demais empresas.

Relativamente ao resultado observado para a variável passivo a descoberto no período analisado, este aparentou incongruência com os fundamentos levantados, tendo em vista que, se esperava uma associação positiva entre esta e os pareceres modificados.

Isto pode ser decorrente da aplicação das normas de auditoria, que obrigam o auditor, em casos de incertezas sobre o risco de descontinuidade, a se reportar sobre o fato através de um parecer com opinião sobre continuidade (ao invés de um parecer modificado por outras questões), uma vez que, este indicador possui íntima ligação com a avaliação da adequação do uso do pressuposto de continuidade operacional, apregoado pela NBC TA 570, como fator integrante do rol de indícios de incertezas, quanto à capacidade de continuidade.

Os resultados para o atraso do parecer de auditoria foram consistentes com as afirmações de Keasey, Watson e Wynarzcyk (1988) e Ireland (2003), de que a probabilidade de uma empresa receber um parecer modificado aumenta à medida que o tempo entre o encerramento do exercício social e a assinatura do relatório de auditoria também aumenta.

Para Ireland (2003), grandes atrasos podem resultar da identificação de problemas com a empresa auditada e a necessidade de emprego de um maior esforço para formação da opinião, ou da expectativa de que um problema identificado seja resolvido e assim uma modificação seja evitada.

No que diz respeito ao aumento da chance de recebimento de um parecer modificado, quando a empresa é auditada por uma Big-Four, estes resultados foram consistentes com os de Defond, Raghunandan e Subramanyam (2002) e estes coeficientes sugeriram, assim como apontado por Keasey, Watson e Wynarzcyk (1988), que grandes firmas de auditoria são mais propensas a emitir parecer modificados, possivelmente por possuírem um diferencial na capacidade de identificar e relatar não conformidades.

Ademais, os resultados encontrados para a variável indicadora de troca de firma de auditoria no período analisado, se contrapuseram às afirmações de Ye, Carson e Simnett (2011), de que as empresas estão mais sujeitas ao recebimento de pareceres modificados nos primeiros anos de relacionamento, tendo em vista que a chance de recebimento de um parecer modificado se demonstrou menor em casos de empresas que realizaram a troca de seus auditores durante o ano pesquisado.

Cabe enfatizar que, apesar de apenas 5 variáveis possuírem significância no modelo de regressão logística, outros fatores também apresentaram associação significante de maneira univariada com pareceres de auditoria modificados, mas não se apresentaram significantes na regressão logística múltipla por não apresentarem ajuste adequado com outras variáveis inseridas no modelo.

4.2.1.3 Parecer com opinião sobre continuidade (GC)

Nesta etapa da pesquisa são apresentados os determinantes dos pareceres com opinião sobre a continuidade da empresa auditada. Deste modo, na Tabela 13 são apresentadas as variáveis independentes binárias associadas a estes pareceres, através da exposição das ocorrências de cada tipo de opinião (com opinião sobre continuidade

versus sem opinião sobre continuidade) em conformidade com as

características testadas e do teste qui-quadrado (χ2) entre tais pareceres e características.

Tabela 13 – Teste χ2 entre pareceres GC e variáveis dummy

Variáveis dummy Parecer Total χ2

NGC GC Nível Diferenciado de Governança Corporat. Não 111 37 148 24,385*** Sim 126 5 131 Total 237 42 279 Firma de Auditoria BigN Não 54 32 86 47,722*** Sim 183 10 193 Total 237 42 279 Honorários de Outros Serviços Não 143 39 182 16,636*** Sim 94 3 97 Total 237 42 279

Prejuízos no Ano t Não 207 10 217

83,318*** Sim 30 32 62 Total 237 42 279 Subsidiárias Controladas Não 45 17 62 9,532*** Sim 192 25 217 Total 237 42 279 Subsidiárias Control. Fora do País Não 144 34 178 6,299** Sim 93 8 101 Total 237 42 279

Comitê de Auditoria Não 178 39 217

6,505** Sim 59 3 62 Total 237 42 279 Encerramento do Exerc. em 31/12 Não 4 0 4 0,719 Sim 233 42 275 Total 237 42 279 Prejuízos Recorrentes nos 3 Últimos Anos

Não 228 21 249 79,362*** Sim 9 21 30 Total 237 42 279 Internacionalização Não 216 42 258 4,024** Sim 21 0 21 Total 237 42 279 Passivo a Descoberto no Ano t Não 236 15 251 161,168*** Sim 1 27 28 Total 237 42 279

Legenda: NGC = Parecer sem opinião sobre continuidade; GC = Parecer com opinião sobre continuidade.

Nota: ***, ** estatisticamente significantes aos níveis de p<0,01 e p<0,05 (bilateral), respectivamente.

A partir dos resultados apresentados na Tabela 13, observou-se que todas as variáveis binárias testadas foram significativamente associadas com pareceres com opinião sobre continuidade (GC), exceto no caso da variável encerramento do exercício em 31/12 (ENCEX), que sugeriu que o fato de a empresa encerrar (ou não) suas demonstrações contábeis em 31/12 não está associado ao aumento ou diminuição da chance do recebimento de um parecer com opinião sobre continuidade (GC).

No que tange aos determinantes dos pareceres com opinião sobre a continuidade (GC) das entidades analisadas, são apresentados na Tabela 14 os scores de associação das variáveis testadas e seus respectivos coeficientes de significância.

Tabela 14 – Scores de associação entre pareceres GC e variáveis independentes

Variáveis Score Variáveis Score

VATTP 0,002 LnAPA 18,262 *** GIRATT 9,470 *** PLTPT 0,013 LIQC 3,344 * CAIXCDTOT 4,132 ** CRATC 5,819 ** TLIST 5,683 **

Dans le document LES ENGAGEMENTS COMPORTEMENTAUX (Page 102-146)

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