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IV. Les engagements

2.1. Engagements de cessions d’actifs

Nesta seção apresentaremos brevemente três pesquisas efetuadas no Brasil e duas no exterior que versam sobre a aprendizagem da língua inglesa por alunos cegos e de baixa visão a partir do uso das tecnologias da informação e comunicação.

Diversos estudos a respeito do processo de ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras por alunos com deficiência visual vêm sendo desenvolvidos no Brasil ao longo dos últimos anos. Santos e Fontes (2010), Monteiro (2013), Reis e Gomes (2014) são alguns dos autores que têm se debruçado em refletir e discutir as problemáticas envolvidas nesse processo vinculadas à utilização das TICs.

No artigo “O ensino de língua inglesa para pessoas cegas, um desafio para a inclusão digital”, Santos e Fontes (2010), dissertam sobre a possibilidade do computador ser utilizado nas aulas de língua inglesa de alunos deficientes visuais como ferramenta didático- pedagógica-inclusiva no processo de ensino-aprendizagem da língua alvo. A partir de pesquisa bibliográfica e da apresentação de recursos didáticos e tecnológicos possíveis de serem aplicados em sala de aula, as autoras pontuam que para que um aluno cego e de baixa visão efetivamente aprenda uma língua estrangeira é necessário que estratégias, metodologias e procedimentos sejam repensados e adaptados a realidade desse alunado.

Em “As TIC como recurso pedagógico no ensino do inglês a crianças com NEE”, Monteiro (2013), questiona e reflete a respeito da influência que as TICs têm ou podem ter como recurso pedagógico no processo de aprendizagem da língua inglesa por crianças com necessidades educacionais especiais. Além disso, a pesquisadora averigua a opinião dos professores da disciplina sobre o uso das TICs nas aulas voltadas a esse alunado em específico,

sobre os fatores que impedem a utilização desses recursos em sala de aula e também sobre os benefícios que esses meios podem trazer para o desenvolvimento das aprendizagens do corpo discente cego, sendo os dados utilizados advindos da aplicação de um questionário e da realização de três entrevistas com professores de língua inglesa, os quais demonstraram que os professores de Inglês pouco utilizam as TICs com seus alunos com necessidades educacionais especiais, apesar de acharem que essas são ferramentas importantes para a aprendizagem desse alunado.

No texto “Podcasts para o ensino de língua inglesa: análise e prática de letramento digital”, Reis e Gomes (2014), analisam por meio do mapeamento, da seleção e da análise de

sites que disponibilizam podcasts para seus usuários, o uso do podcast como um recurso

digital que possibilita que o professor planeje, desenvolva e teste atividades e exercícios que envolvam compreensão e produção oral em língua inglesa; debatendo como e quanto esse recurso pode contribuir no processo de letramento digital de alunos e professores. Como resultado as autoras indicam que é necessário haver um “planejamento sistemático para a produção de materiais didáticos digitais para o ensino com tecnologias” (REIS; GOMES, 2014, p. 377), para que a utilização de recursos tecnológicos contribua positivamente para o “ensino da língua e também para o letramento e fluência tecnológica de professores e alunos” (REIS; GOMES, 2014, p. 377).

Em âmbito internacional, Quatraro e Paiano (2010) no artigo “New ways of language learning for blind or visually impaired children and teenagers”, discutem o aprendizado da língua inglesa por alunos cegos e de baixa visão mediado pela tecnologia, neste caso tecnologia baseada no uso de voz sintética, por meio da implantação e do desenvolvimento do programa ELLVIS (English Language Learning programme for Visually Impaired Students), que atuava de forma a agenciar o acesso desses alunos às informações disponibilizadas na rede; a facilitar e mediar o contato entre o corpo discente e a língua alvo e também a criar novas oportunidades e perspectivas de trabalho, de viagem, de pesquisas, de atuar e agir no/sobre o mundo.

Em “Educational impacts of structured podcasts on blind users”, Buzi et all (2011)

investigam, a partir da aplicação de um questionário de satisfação, os impactos que a utilização de podcasts estruturados (aqueles que trabalham não só a compreensão auditiva e as questões relacionadas ao conteúdo dos áudios, mas trabalham a estrutura do documento) na navegação e busca de conteúdos causam aos usuários cegos. Como resultado, os participantes da pesquisa mostraram-se favoráveis à utilização de podcasts estruturados, visto que efetuaram as atividades requeridas em menos tempo e de maneira mais prática, focada e detalhista.

É necessário destacar que, apesar de todas as pesquisas já realizadas e as que ainda estão sendo desenvolvidas, ainda há grande necessidade de que estudos sejam efetuados nessa área, uma vez que somente com muita discussão teremos o aprofundamento de tais temas e assim, maiores e melhores condições de oferecer não só uma educação de qualidade as pessoas com deficiência visual, mas uma educação efetivamente inclusiva.

Neste capítulo discorremos sobre o letramento e o letramento digital; os multiletramentos; os multiletramentos e o ensino de línguas estrangeiras; o uso de podcasts como recurso didático na aprendizagem da língua inglesa; o sociointeracionismo vygotskyano e as representações sociais dos indivíduos cegos e de baixa visão sobre a aprendizagem da língua inglesa por meio das TICs. Ainda, apresentamos o levantamento bibliográfico (pesquisas nacionais e internacionais) compatíveis ao nosso objeto de estudo. No próximo capítulo, trataremos do desenho e organização metodológica da pesquisa, no qual discutiremos a escolha metodológica, os recursos, instrumentos e métodos utilizados na coleta de dados, bem como as especificidades e características componentes do cenário e dos participantes da análise.

3 O DESENHO METODOLÓGICO DA PESQUISA

Neste capítulo versaremos sobre a escolha, organização metodológica e desenho da pesquisa. Para tanto, inicialmente exporemos os motivos que justificam a escolha metodológica, bem como as características que compõem o tipo de pesquisa desenvolvida. Na sequência, apontaremos e explicaremos os procedimentos e instrumentos usados na coleta de dados. Por fim, apresentaremos os atributos e particularidades constituintes do cenário e dos participantes da análise.

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