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CHAPITRE II : ETUDE BIBLIOGRAPHIQUE

1) Energie solaire

Sob a designação de lâmina de machado encontra-se uma série de outros objetos diversos que apresentam uma característica comum, um gume robusto transversal destinado a trabalhar em percussão lançada com uma massa importante que aumenta a força do golpe, conseguindo penetrar a matéria trabalhada não prejudicando a parte de preensão. Acredita-se que a maioria desses instrumentos tenha sido encabada, outros poderiam ter sido segurados com as mãos. Todas as lâminas apresentam uma parte proximal (gume) e seu lado oposto é denominado distal (talão). Em relação à técnica empregada podem ser lascados, semi-polidos ou polidos, sendo que um gume polido apesar de mais trabalhoso de se fabricar ou reavivar é muito mais resistente (PROUS et al., 2002). Laming-Emperaire (1967) distingue a lâmina lascada que seria aquela ferramenta de bloco, lascada bifacialmente, com um gume mais ou menos perpendicular ao eixo longitudinal; a lâmina polida seria diferente por sua técnica de fabricação e pela maior variabilidade de formas.

Os machados constituem os instrumentos mais bem descritos tanto em fontes etnohistóricas quanto em fontes arqueológicas. Nas produções sobre a indústria lítica de sambaquis também são os mais referidos. O que se pode observar com o avanço das pesquisas se refere às diferenciações quanto à fabricação e ao produto final: o machado propriamente dito corresponderia à lâmina juntamente com o encabamento; a lâmina se referiria ao artefato sem

o encabamento (o que se encontra no registro arqueológico); a pré-forma corresponderia à lâmina não acabada8. Todavia, as descrições ainda apresentam problemas.

Nos sambaquis do vale do Ribeira de Iguape, Krone (1914) notou machados que em sua maioria foram polidos apenas no gume.

Os machados estudados por Serrano (1937) eram predominantemente tabulares de forma retangular. Os gumes eram feitos desgastando-se um dos extremos de ambos os lados, conservando no restante sua superfície natural sem retoque, assim como o talão.

No trabalho de Tiburtius e Leprevost (1953) há uma minuciosa análise sobre lâminas das regiões de Santa Catarina e Paraná que agora fazem parte da coleção Tiburtius localizada no Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville. Provinham tanto do litoral quanto do interior desses estados. A maioria delas foi fabricada em diabásio, algumas em granito e gnaisse. Os seixos de rios próximos à região que já possuíam a forma de uma lâmina foram os mais coletados para este fim - um estudo pormenorizado sobre este trabalho de Tiburtius e Leprevost encontra-se na monografia e dissertação de Souza (2003; 2008) respectivamente.

É interessante notar que alguns autores como Rauth (1969) citam a presença de machados de proporções bem pequenas. No sambaqui do Godo, Rauth verificou que esses “machadinhos” eram feitos em diabásio. Havia evidências de entalhe artificial nas bordas e porções medianas indicando o processo de encabamento. No sambaqui do Rio São João, o autor também observou a presença de pequenos machados, estes eram lascados por percussão. Nos sambaquis do estado do Paraná, na região próxima ao rio Jacareí, Rauth (1974) destacou a presença de machadinhos entre 6 e 8 cm de comprimento, que apresentavam formas triangulares, losangulares.

Rüthschilling e Schmitz (1990) se referem aos “machadinhos” da praia das Laranjeiras no litoral catarinense que teriam apenas 6 cm de comprimento, 5,5 de largura e 2 cm de espessura, geralmente confeccionados em diabásio.

8 I

nformações etnográficas estão presentes na produção de diversos cronistas desde Pero Vaz de Caminha; Hans Staden; Gabriel Soares de Souza; Fernão Cardim; André Thévet; Frei Vicente de Salvador entre outros - Citações destes e outros cronistas são expostas nos trabalhos de Prous et al, (2002)e Souza (2003; 2008).

No sítio Pântano do Sul, Rohr (1977) também detectou a presença de pequenos machados. 80% dos machados encontrados no sítio possuíam menos de 10 cm de comprimento. O maior exemplar seria uma cunha alongada, plano-convexa de 21 cm de comprimento. Diversos exemplares minúsculos foram verificados medindo entre 4 e 6 cm de comprimento e menos de 1 cm de espessura. Estes provavelmente não seriam usados como machados, mas como cinzéis, facas ou raspadores. O autor também cita a ocorrência dos machados com outras funções: os machados quebra-cocoquinhos que apresentavam depressões nas faces; os machados-batedores que apresentavam o talão ou lado desgastado pelo uso como martelo; machados-amoladores com faces alisadas pelo uso; machados-trituradores com vestígios de ocre vermelho na superfície.

Um estudo preliminar sobre o material lítico do sambaqui de Piaçaguera foi realizado por Garcia e Cornides (1971). Os autores descrevem as lâminas encontradas nesse sambaqui. Apenas oito peças foram coletadas, das quais a maioria era de diabásio, um de filito, um de gnaisse e outro de anfibolito. As peças não foram totalmente polidas, de modo geral somente o gume apresentou polimento. A forma quadrangular foi a mais presente. A maior parte das lâminas foi encontrada em sepultamentos, uma delas, a lâmina de filito estava associada à sepultura de uma criança. Pelo fato dos diques de diabásio localizarem-se em uma área de difícil acesso próximo ao sítio, os autores presumiram que os machados de diabásio fossem fabricados em outra área, talvez próximo a linha da costa. Uchôa (1973) coloca duas hipóteses sobre a utilidade desses machados, em primeiro lugar representariam a cultura material do grupo e em segundo lugar seriam objetos de cerimonial de morte.

Uchôa (1973) verificou a presença de 80 lâminas de machado no sítio Tenório. Todos foram fabricados em diabásio com emprego das técnicas de lascamento e polimento; não foi percebido qualquer sinal de encabamento. O comprimento das peças girou em torno de 231 mm a 41 mm, largura de 128 mm a 45 mm e espessura de 46 a 15 mm.

Orssich (1977; 1991) discrimina as lâminas de machado dos machados de mão no sambaqui do Araújo II em Santa Catarina. Os machados de mão seriam peças lascadas em toda a superfície ou seixos adaptados por lascamento e picoteamento. A maioria apresentou gumes afiados por abrasão e às vezes arqueados. O talão teria ângulo oblíquo e bem polido. Outros com a superfície lascada e parcialmente alisada apresentariam forma incomum com gume

curto, curvado e alisado, formando um ângulo oblíquo em relação ao eixo maior. O autor, contudo, não descartou a possibilidade do encabamento.

No sambaqui Jabuticabeira II, em Santa Catarina, Belém (2007) classificou 38 lâminas de machado. Algumas foram confeccionadas sobre seixos coletados em formato semelhante à produção da forma desejada, verificando-se assim pouco desgaste, apenas no gume, enquanto o restante das peças demonstrou intenso trabalho de desbaste para obtenção da forma desejada. Baseando-se na classificação de Prous, identificou machado stricto sensu, cinzéis, cunhas.