Chapitre V) CROISSANCE ET PROPRIETES DU DIAMANT DOPE PHOSPHORE
V. 1.3) Energie d’activation de la croissance sur substrats (111)
Os instrumentos de colheita de dados utilizados no Estudo 2, de metodologia quantitativa, compreendem, para além das variáveis sociodemográficas, profissionais e clinicas, também os instrumentos de medida (MIST-P; EOVR; HDAS-PR; STS-P e CPSS-PR)validados no Estudo 1, descritos no Capitulo IV.
Antes de passar à memória descritiva dos instrumentos de medida utilizados, impõe- se agora expor que neste estudo o constructo sentido de vida assume o estatuto de constructo multidimensional, uma vez que é constituído por dois constructos complementares, objetivos
de vida e autotranscendência, ambos intrinsecamente interligados.
Sendo, por definição e por história, a PIL o instrumento de medida internacional- mente mais conhecido para avaliar a presença e extinção de sentido de vida do inquerido, e sendo a EOV a sua tradução e validação para o contexto cultural português, fica desta forma justificada a sua eleição como elemento constitutivo do constructo multidimensional sentido de vida. Quanto às razões que levaram à inclusão do constructo autotranscendência, serão de seguida expostas:
1ª Razão: A valoração de três princípios dialógico de Frankl, nomeadamente,
a) Visão do homem como uma unidade na totalidade que inclui corpo, psiquismo e espírito (noos), sendo a componente espiritual, impulsividade inconsciente, ou noética, a determinante para a existência do homem. Frankl integra na espiritualidade não apenas a religiosidade80 mas a toda a expressão “valorativa, intelectual e artística” (Frankl, 2006, p. 8);
b) Argumentação da relação direta entre, falta de sentido e sofrimento, classificando essa síndrome “vazio existencial” ou “neurose noológica” (Harlow et al., 1987, p. 235);
c) É na “transcendência” que Frankl localiza a realização do sentido (Frankl, 2006, p. 57).
2ª Razão: A estreita proximidade que, numa perspetiva ontológica e ôntica, se veri- fica entre a proposta de resolução do problema dor e sofrimento inevitável pela via da des-
80Esta religiosidade, também inconsciente, fé ou transcendente inconsciente, significa que “sempre houve em nós uma tendência
inconsciente para a relação com Deus (…) um sentido de relacionamento com Deus, com o transcendente, (…) imanente no homem, embora muitas vezes permaneça latente” (Frankl, 2006, p. 47).
Sentido de Vida e Fatores Associados
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coberta de sentido de vida e desenvolvimento da transcendência, apresentada por Frankl81, e a apresentada por autores das perspetivas filosófica e teológica analisadas, e a associação destes a outros constructos, como suprasentido, verdade e vida, fé, esperança e amor, com- promisso, fruto do espírito, autoafeção, ipseidade e Logos da Vida (Frankl, 2006; Henry, 2000; Kühn, 2010; Lourenço, 2006; Rainho, 2010).
O constructo de sentido de vida assim constituído esteve já presente na definição proposta por (Kraus et al., 2009b), como altamente subjetivo, preditor e indicador de saúde física, mental e espiritual e sustentador da vida sob forma de compromisso e “associado a valores atitudinais, facilita a integração de contextos trágicos, inevitáveis, confere significado existencial, promove a realização pessoal e devolve dignidade à vida e à morte.”. 3ª Razão: O facto de não existir um sentido universal e de cada pessoa ser um ser livre e responsável quanto ao sentido que confere à sua vida, levou Frankl (1965) a identificar três vias de consecução de sentido: valores de criação, valores experiência e valores atitudinais, classificando estes últimos como a via mais contributiva para a realização pessoal (satisfação de necessidades de valor: sentido, eficácia e autoestima, tomadas de decisão e ações quotidianas ou seja autotranscendência) (Allport, 1961; Baumeister, 1991; Maddi, 1970; Seligman, 2002).
Em síntese, é na definição de autotranscendência que se apresenta o motivo maior da justificação da junção dos dois constructos objetivos de vida e autotranscendência, no
constructo multidimensional sentido de vida:
Autotranscendência é uma atitude de orientação fundamental do homem para o sentido. Isto faz referência ao facto intrínseco de o ser humano se orientar sempre para alguém. Na medida em que nos entregamos ao mundo, esquecendo- nos das nossas próprias necessidades, na medida em que realizamos um sentido e desenvolvemos valores, só nessa medida nos autorealizamos, porque a existência que não tende para o logos mas para si mesma fracassa e cai na frustração existencial. A autotranscendência é a essência da existência humana. (Guberman & Soto, 2006, p. 17)
Na Tabela 34 apresenta-se a memória descritiva dos instrumentos de medida utilizados no Estudo 2.
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Propõe a logoterapia, que aposta na inata vontade de sentido e na realização desta para alcançar a “cura da alma” (seeliche Heilung) que difere de salvação da alma (Seelenheil) (Frankl, 2006, p. 57).
Sentido de Vida e Fatores Associados
Tabela 34
Memória descritiva dos instrumentos
SENTIDO DE VIDA DA PESSOA COM DOR CRÓNICA
Nome da Variável Instrumento
Subescalas, Categorias e itens Cotação Nº itens Hipóteses
Resposta Temporalidade Se nt ido d e V ida (* )
Intensidade de sentido de vida
(Purpose in life Test-PIL-R) – Escala dos objetivos de vida EOV-R 15 7 Geral Parte A:
Valor médio:
<91-nível de objetivos de vida reduzido, ”vazio existencial” (Frankl, 1985)
=92 a 112-sentido de vida comum
>113-nível de objetivos de vida elevado, e plenitude pessoal (Peralta & Silva, 2006, p. 64)
F.1 Vivencial afetivo Itens 1, 2, 3, 5, 6, 7, 9, 11, 15 F.2 Existencial cognitivo Itens 4, 8, 10, 12, 13, 14 Itens invertidos 1, 2, 3, 5, 6, 7, 9, 11, 15 Parte C:
Perguntas de resposta aberta para identificação do sentido de vida, atitudes face ao sofrimento, êxito e fonte de sentido, através da interpretação do registo das experiências pessoais mais relevantes.
Atitude para o desenvolvimento pessoal em direção à maturidade (Reed, 2008)
(Self Transcendence Scale-STS) – Escala de autotranscendência STS-P 10 4 Presente F.1 Ambiente interno Ao maior somatório, melhor autotranscendência.
Pontuação entre 10 e 40.
Para obviar que algumas perguntas não sejam respondidas, divide-se o somatório dos pontos pelo nº de itens analisados (Reed, 1989).
Itens 1, 2, 4, 5, 9, 10
F.2 Ambiente Externo e Temporal Itens 3, 6, 7, 8
Intensidade de sentido no sofrimento inevitável
(Meaningin Suffering Test-MIST) – Teste de sentido no sofrimento MIST-P 12 7 a 10 Geral Parte A: Pontuação média por participante: É a soma dos valores
correspondentes a cada resposta, dividido pelo total de itens respondidos (12 se todos forem respondidos). Escore médio: São as somas totais de cada subescala transformadas em médias, dividindo o valor obtido pelo número de itens do fator
(Starck, 1985) F.1 Sentido e resp. face ao sofrimento
Itens 1, 2, 3, 4, 5, 6, 8, 9
F.2 Carat. subjetivas face ao sofrimento Itens 7, 10, 11, 12
Parte B:
Perguntas de resposta aberta, úteis para a intervenção
Perceção de autoeficácia sobre a capacidade para gerir as consequências da dor crónica (Chronic PainSelf-Efficacy Scale-CPSS) - Escala de autoeficácia da dor crónica
CPSS-PR 19 10 Geral
F.1 Gestão da dor
10 a 30-Baixa autoeficácia 40 a 60-Moderada autoeficácia 70 a 100-Elevada autoeficácia
A pontuação de cada fator obtém-se dividindo o somatório das pontuações dos itens do fator pelo respetivo número de itens (Anderson et al., 1995)
Itens 1, 2, 3, 4 F.2 Funcionalidade Itens 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13 F.3 Estratégias de coping Itens 14, 15, 16, 17, 18, 19 Perturbações emocionais
(Hospital Anxiety and Depression Scal-HADS) – Escala de ansiedade e
depressão hospitalar HADS-PR 14 4 Última semana
F.1 Depressão
0 a 7 - normal; 8 a 10 - leve; 11 a 14 - moderada; 15 a 21 - grave; 11- Ponto de corte
(Carroll et al., 1993) Itens 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14
F.2 Ansiedade Itens 1, 3, 5, 7, 9, 11,13 Itens invertidos 1, 3, 5, 6, 8, 10, 11, 13
Sentido de Vida e Fatores Associados
162 5.1.4 Procedimentos formais e éticos
Os procedimentos formais e éticos foram os descritos para o estudo de adaptação cultural e validação dos instrumentos de medida.