Antes de descrever as etapas subsequentes com a identificação dos egressos do Pronatec que recebiam Bolsa Família, demonstra-se como se chegou a estes na pesquisa exploratória.
Figura 4 - Mapeamento da amostra
Fonte: Autora, 2018.
A etapa da entrevista do público identificado visou verificar os efeitos sociais e econômicos do programa, ou seja, o que mudou na vida dessas pessoas após a realização de um curso Pronatec no IFRS – Campus Sertão. Os entrevistados foram escolhidos em conjunto com o responsável pelo CRAS dos municípios de Sertão, Estação, Getúlio Vargas, Coxilha e Sananduva. A escolha dessas cidades se deu pela proximidade da pesquisadora.
Figura 5 – Localização dos municípios onde foi realizada a pesquisa
Fonte: Adaptado pela autora, 2018.
A entrevista com os parceiros demandantes do Pronatec/FIC no IFRS – Campus Sertão, que são: os CRAS e os Sindicatos Rurais dos municípios da região e, também, os supervisores dos cursos FIC no IFRS – Campus Sertão objetivou a produção de conhecimentos sobre a realização do programa no local. Segundo Cervo, Bervian e Silva (2007, p. 51) “a entrevista não uma simples conversa. É uma conversa orientada para um objetivo definido: recolher, por meio de interrogatório do informante, dados para a pesquisa”. Na pesquisa qualitativa as entrevistas podem ser de vários tipos, constituindo um espectro que vai desde uma conversa informal até um questionário padronizado. O grau de formalidade deve ser definido de acordo com os objetivos da pesquisa. Estes também definem quem entrevistar, o conteúdo das entrevistas, o número de pessoas entrevistadas e o tipo de entrevista apropriada para cada caso, que pode ser semiestruturada, com ou sem roteiro prévio (VICTORA; KNAUTH; HASSEN, 2000).
Desse modo, foram entrevistados 3 (três) supervisores, 5 (cinco) demandantes e 12 (doze) alunos egressos dos cursos Pronatec/FIC. No Quadro 4 constam as legendas referentes aos supervisores, as quais serão utilizadas na apresentação dos resultados; o tempo de atuação
1. Sertão 2. Getúlio Vargas 3. Estação 4. Coxilha 5. Sananduva
de cada um, a área de coordenação, bem como os eixos tecnológicos do Guia Pronatec de Cursos FIC da SETEC/MEC. Sobre estes, cabe elucidar que inicialmente apenas um supervisor coordenava todos os cursos Pronatec/FIC do IFRS – Campus Sertão. O aumento da oferta desses cursos gerou a necessidade de mais um supervisor, resultando na divisão dos eixos. Assim, o eixo Recursos Naturais direcionados para cursos da área rural, denominados, internamente, de FIC campo e os demais cursos voltados para área urbana tiveram uma denominação interna de Educação, Comércio e Serviços, cada um com seu respectivo supervisor.
No Quadro 6 são apresentadas as instituições demandantes, totalizando 5 (cinco), uma por município conforme Figura 5, sendo 4 (quatro) CRAS e 1 (um) Sindicato Rural.
Quadro 6 – Supervisores dos cursos Pronatec/FIC Tempo de
atuação
Área do Pronatec FIC Eixos Tecnológicos
S1 Supervisor 3 anos Campo Recursos Naturais
S2 Supervisor 1 ano Educação, Comércio e Serviços
Demais eixos, exceto Recursos Naturais S3 Supervisora 8 meses Educação, Comércio e
Serviços
Demais eixos, exceto Recursos Naturais Fonte: Autora, 2018.
Quadro 7 – Demandantes dos cursos Pronatec/FIC
Requerentes Instituição
D1 Demandante CRAS
D2 Demandante CRAS
D3 Demandante CRAS
D4 Demandante CRAS
D5 Demandante Sindicato Rural
Fonte: Autora, 2018.
Na Tabela 1 demonstram-se os sujeitos egressos, que totalizaram 12 (doze), sendo 7 (sete) concluintes e 5 (cinco) desistentes. A seleção desses sujeitos ocorreu da seguinte forma: de posse da lista dos egressos dos cursos Pronatec/FIC e que também eram beneficiários do PBF9, a pesquisadora foi até as instituições demandantes de cada município e solicitou o contato telefônico de um Egresso Concluinte (EC) e um Egresso Desistente (ED).
Todavia, a lista disponibilizada pelos demandantes contemplou um número maior de sujeitos que o solicitado, o que resultou num procedimento de seleção que incluiu aqueles que se prontificaram a participar da pesquisa.
9 Os beneficiários foram compreendidos neste estudo como todo e qualquer membro da família, incluindo filhos e o responsável direto pelo recebimento do benefício.
Tabela 1 - Cursos realizados pelos egressos entrevistados
Egressos Cursos Ano Municípios
EC1 Operador de Máquinas e Implementos Agrícolas 2014 Coxilha
EC2 Agricultura Familiar 2014 Sananduva
EC3 Auxiliar Técnico em Agropecuária 2013 Sertão
EC4 Auxiliar Administrativo 2013 Sertão
EC5 Agente de Alimentação Escolar 2013 Getúlio Vargas
EC6 Cabeleireiro Assistente 2014 Estação
EC7 Mecânico de Máquinas Agrícolas 2014 Sertão
ED1 Produtor de Embutidos e Defumados 2013 Sertão
ED2 Operador de Máquinas e Implementos Agrícolas 2014 Coxilha
ED3 Auxiliar de Cozinha 2014 Getúlio Vargas
ED4 Cabelereiro Assistente 2014 Estação
ED5 Carpinteiro de Obras 2013 Estação
Fonte: Dados da Pesquisa, 2018.
Como instrumento de pesquisa, optou-se pela entrevista semiestruturada devido a sua versatilidade, ou seja, o pesquisador pode obter resultados mais aprofundados sobre a opinião dos entrevistados e, ao mesmo tempo, ele também pode direcionar as perguntas de modo que a pesquisa não vire uma divagação. Para Triviños, a entrevista semiestruturada pode ser concebida e desenvolvida da seguinte forma:
Podemos entender por entrevista semiestruturada, em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. (TRIVIÑOS, 2010, p.146).
O processo de análise dos resultados contemplou a técnica de análise de conteúdo, de Bardin (2009), que segue as seguintes fases para o processo de categorização dos dados coletados: pré-análise; exploração do material; tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação. A análise de conteúdo compreende as iniciativas de explicitação, sistematização e expressão do conteúdo de mensagens, com o objetivo de se efetuarem deduções lógicas e justificadas a respeito da origem dessas mensagens (quem as emitiu, em que contexto e/ou quais efeitos se pretende causar por meio delas). Mais detalhadamente, a análise de conteúdo pode ser conceituada como:
Um conjunto de técnicas de análise de comunicação visando a obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens (BARDIN, 2009, p.42).
Diante do exposto, constata-se que a análise de conteúdo é um agrupamento de técnicas de análise de comunicações, que tem como finalidade transcender as incertezas e enriquecer a leitura dos dados coletados. Para Chizzotti (2006, p. 98), o objetivo da análise de conteúdo é “compreender criticamente o sentido das comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas”. Com relação às comunicações, Bauer e Gaskell (2008) afirmam que os materiais textuais escritos são os mais tradicionais na análise de conteúdo, podendo ser trabalhados pelo pesquisador na busca por respostas às questões da pesquisa.
Desse modo, inicialmente realizou-se a pré-análise das entrevistas, as quais foram transcritas, buscando-se informações sobre o problema e o objetivo levantados no estudo. (BARDIN, 2009). Após, iniciou-se sua leitura flutuante, para posteriormente materializar a preparação do material, etapa de análise e efetuar, então, a exploração do material.
Nessa etapa, consolidaram-se as categorias iniciais e intermediárias: questão social, trabalho, educação e políticas sociais, com o objetivo de compreender os dados obtidos. Em seguida, visando abrir outras perspectivas de análise, foram agrupadas as categorias: perfil do público, motivo da evasão, operacionalização dos cursos Pronatec/FIC, efeitos socioeconômicos, para agrupar temas com características semelhantes em uma mesma categoria, dando origem as categorias finais do estudo, que apresentaram maior relevância e constância, conforme se apresenta no capítulo dos resultados do estudo.