avanços e recuos, mudanças e reformulações. Vejamos como isso aconteceu.
2.2.1. “Swetness – Os cristais de açúcar voam quando sopras”
No início deste percurso estava um projeto de transmedia storytelling128 (Narrativas
digitais, NT) numa vertente até ao momento não abordada e muito específica: a criação de uma narrativa original aplicada às Atividades Extracurriculares de uma escola pública, cujos clubes e projetos eram particularmente variados. O projeto foi avaliado nas provas de avaliação da capacidade de investigação no âmbito (PACI) deste doutoramento em julho de 2014, em Silves, com o nome Construção de Narrativas Transmedia – Um Estudo Exploratório na ESPJAL, avaliado com 16 valores.
Posteriormente, desenvolvi a ideia para ter aplicabilidade no ano letivo de 20142015 não só com as turmas que lecionava, mas também todas as restantes turmas e órgãos envolvidos na gestão e prática do Plano Anual de Atividades (PAA) de um agrupamento de escolas. Em setembro de 2014 apresentei o projeto ao agrupamento, numa reunião em que estavam presentes coordenadores de todas as sete escolas do agrupamento e que estariam envolvidas. Formei uma equipa de trabalho constituída por alunos, essencialmente do ensino secundário, e distribuí por eles tarefas específicas. Planeei o arranque do projeto Os Cristais de Açúcar Voam Quando Sopras, para o início do ano letivo tendo sido criada, antecipadamente, uma microestrutura que incluía três vertentes bem definidas:
• o ambiente – a ação desenrola-se na escola;
• os personagens e as relações entre eles – todos pertencem à comunidade escolar. Os
principais, à volta dos quais as histórias gravitam, são dois alunos, adolescentes, que terão um caso
128 O termo foi cunhado transmedia storytelling por Henry Jenkins, no livro Cultura da Convergência (2008). A estrutura de um projeto de transmedia storytelling, que se desenrola em canais
diversificados de media, pode assemelhar-se à diversidade meios que utilizamos para contar determinada história do nosso dia-a-dia. Os suportes de que podemos socorrer-nos são variados e para cada um utilizamos uma linguagem específica. As outras pessoas podem intervir na nossa história e alterar o rumo dos acontecimentos. Uma história contada deste modo, cativa, prolonga-se no tempo, é diversificada e pode ser uma experiência única.
amoroso falhado. Existem ainda professores e funcionários. A família está presente nas suas diversas nuances e ingerências no dia-a-dia dos jovens e da escola.
2.2.1.1. Conceito do projeto “Swetness – Os cristais de açúcar voam quando
sopras”
São quatro os pilares em que assenta a estrutura deste projeto de NT:
•
a criação•
a produção•
a divulgação•
o consumoTabela 1 - Os quatro pilares fundamentais e a correspondência no nome do projeto
OS CRISTAIS DE AÇÚCAR a criação
a produção
SOPRAM a divulgação
VOAM o consumo
Tabela 2 - A relação entre as partes da ação
Os alunos, criadores, produtores, principais destinatários e consumidores, seriam os “criprosumidores” = CRIadores + PROdutores + conSUMIDORES.
O conceito do projeto foi transposto tanto para o nome como para a imagem (Figura 38), que representa cristais de açúcar em expansão. O vermelho de fundo justifica-se na relação «amor – coração – vermelho» e no fator contrastante entre o vermelho e o branco.
Figura 38 - Logotipo do projeto Sweetness
Os trabalhos começaram com algumas reuniões com todos os intervenientes e momentos de “brainstorming” que ajudaram a implementar as primeiras atividades. Organizei um workshop para introduzir os alunos na programação, com o objetivo de conceberem um jogo para o projeto (Figura 39).
Figura 39 - Workshop de programação e primeiras experiências de jogos
Uma das tarefas enunciadas era a criação de uma banda desenhada (Figura 40) que seria o elemento unificador e de suporte da narrativa transmedia. As personagens foram criadas pelos alunos responsáveis por esta etapa, decidindo, deste modo, toda a sua configuração física, cenários da narrativa, o que levou a ajustes do argumento inicial. Esta BD seria impressa em fascículos com um formato próximo de um fanzine (“Funzine”)129, um formato com tradição na escola.
129 O “Funzine” (trocadilho com fun, do inglês) foi uma revista de banda desenhada em formato a4, que saiu durante dois anos com a regularidade semestral. Tentou preservar-se o tradicional formato de fanzine, com montagem manual e impressão a preto e branco.
Figura 40 - Primeiros personagens e pranchas de BD
Formados os grupos de trabalho, avançámos para a conceção de pequenos vídeos (Figura 41) cujos argumentos eram da total responsabilidade dos autores, alunos do 12º ano (alguns integravam uma pequena estrutura externa à escola, dedicada à produção de vídeo, já com alguns créditos obtidos).
Figura 41 - Primeiras experiências com jogos (programação) e vídeo (guião)
Tanto a BD como o vídeo eram suportes extremamente aliciantes e motivadores para os alunos e foram fundamentais no arranque deste projeto, mas, paradoxalmente, tornaram-se nos
responsáveis por alguma dispersão que foi crescendo, principalmente devido ao facto de os alunos estarem na fase final de estudos do ensino secundário e de vislumbrarem a necessidade de reduzir esforço e concentrar-se no estudo para os exames de final de ano.
Apesar de haver a possibilidade de retomar o projeto com outros alunos, verificou-se, nos poucos meses em que este processo ocorreu, a extinção, pela tutela, de grande parte das atividades desenvolvidas nas escolas ao longo de vários anos, com a reestruturação dos currículos e reformulação dos tempos letivos dos professores. Ficaram deste modo goradas todas as expetativas criadas para o desenvolvimento deste projeto, tendo optado por abortar antes de intensificar o trabalho e envolver mais pessoas.
Enquanto decorriam as primeiras produções na escola, entre alunos, apresentei o projeto na Artech2015130 que decorreu em Óbidos. Para esta apresentação concebi alguns gráficos animados que suportaram teoricamente todo o trabalho (Figura 42 e Figura 43).
Figura 42 - Os pilares da aplicabilidade do projeto transmedia na escola
130A Artech-International é uma associação que se dedica à divulgação e promoção da arte, da
Figura 43 - - A articulação do trabalho com todas as escolas e os canais previstos