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ELECTRON IMPACT IONIZATION OF Be AND B ATOMS AND IONS

A recente implantação dos Bacharelados Interdisciplinares na UFBA vem ensejando a realização de pesquisas visando a avaliação deste modelo de educação superior. O perfil socioeconômico dos estudantes, a evasão nesses cursos e a percepção dos estudantes sobre os problemas institucionais são aspectos importantes para caracterizar e melhor compreender como os BI têm se estruturado na prática. Como a implantação dos BI estava relacionada à expansão de vagas na educação superior, é importante analisar se seus cursos estão contribuindo com a ampliação da inclusão da educação superior, nos aspectos relacionados ao acesso, à permanência e à oferta de condições para a conclusão dos cursos.

Em estudo com foco na primeira turma do BI em Saúde Teixeira e Coelho (2014) relatam que os estudantes tinham dúvidas quanto à definição dos critérios de procedimentos para ingresso posterior nos CPL e à possibilidade de inserção profissional no campo da Saúde após a conclusão do curso. A coordenação desse curso também enfrentou dificuldades relacionadas

à adaptação do projeto original às condições concretas da instituição, além da resistência de muitas unidades de ensino e instâncias superiores para disponibilizar vagas em disciplinas para os estudantes dos BI. Os professores do curso relataram dificuldades relacionadas à sobrecarga de trabalho, deficiências de infraestrutura e instabilidade política, neste período. Ainda conforme Teixeira e Coelho (2014), a questão central que atingia todos os atores envolvidos, estava relacionada à tensão entre o modelo disciplinar, focado na formação profissional, e o modelo proposto pelo BI, de caráter interdisciplinar. Apesar das dificuldades encontradas houve um reconhecimento da contribuição dos BI para o enriquecimento, humanização e aprimoramento de uma futura formação profissional dos estudantes.

Estes achados corroboram o estudo de Imazoni, Custódio e Sampaio (2011), que também quiseram compreender as percepções de uma das primeiras turmas dos quatro cursos de BI da UFBA. Os estudantes relataram sofrer preconceito por cursarem os BI, especialmente pelo curso se afastar da lógica profissionalizante que predomina na universidade brasileira. Eles também criticaram a postura de professores que, mesmo dentro da proposta inovadora dos BI, ainda traziam no seu ensino uma postura muito tradicional. Entretanto, os estudantes reconheceram o crescimento e o desenvolvimento de uma visão crítica gerada pela interação com campos da ciência, da cultura e da arte, o que parece apontar para o acerto da proposta de formação geral dos BI.

Estes mesmos autores citados também apontaram que os estudantes das primeiras turmas dos BI vivenciaram os sentimentos de dúvida e incerteza, que acabaram se refletindo em abandono dos cursos. Em iniciativas em fase de implantação, como era o caso dos BI, acompanhar a evasão se constitui como forma de identificar que estudantes estão passando por dificuldades para a sua permanência, por isso, ela compõe um dos indicadores utilizados para realizar a avaliação de uma instituição de educação superior.

Em trabalho com foco na questão da evasão da primeira turma dos bacharelados interdisciplinares da UFBA, que ingressou no ano de 2009, Andrade (2014) realizou um estudo descritivo exploratório que envolveu os quatro cursos disponibilizados. Das 824 vagas ocupadas em 2009, com análise de dados do semestre 2011.2, foram identificados 279 estudantes evadidos (33,8%). A partir de entrevistas realizadas após a etapa quantitativa, foi identificados entre os motivos para a desistência do curso: o interesse em cursar uma graduação tradicional e profissionalizante, em especial devido à relação dos BI com a estrutura universitária; a lentidão da universidade para a definição das normas de funcionamento dos BI,

obstáculos institucionais para o exercício do currículo de maneira plena, o baixo desempenho acadêmico e dificuldades financeiras.

As análises sobre evasão muitas vezes associam o tema ao desperdício de recursos, em especial nas universidades federais, que possuem um custo alto de manutenção. A pesquisa de Andrade (2014) deixa claro, entretanto, que este problema não deve ser analisado apenas do ponto de vista financeiro, pois os custos das universidades não se restringem ao ensino, mas também à sua função como guardiã da cultura, prestação de serviço e ao desenvolvimento da ciência. Este fato não isenta a instituição da necessidade de identificar as reais causas do abandono e de criar políticas e ações para minimizá-la.

Com o passar dos anos e o maior reconhecimento dos BI na sociedade, a evasão diminuiu. Dados mais recentes, do ano de 2016, disponibilizados pelo Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC) (ANEXO A), indicam que, no período que abrange os semestres entre 2009.1 e 2016.1, os BI apresentaram um índice de evasão real de 26,5%25. Do total de vagas ocupadas no semestre 2016.1, 36,17 % são de estudantes retidos, que não concluíram os estudos na duração mínima do curso, mas que continuam matriculados. Desde a implantação dos BI, 1720 estudantes obtiveram seus diplomas com duração média de 3,5 anos, um pouco acima do período mínimo. Um melhor aproveitamento das vagas disponíveis, atualmente 1300 por semestre, é um desafio para a gestão do IHAC, por isto o acompanhamento destes índices é uma iniciativa que colabora com o processo de avaliação dos cursos de BI.

Peixoto e Ribeiro (2013) ressaltam a importância da pesquisa com egressos dos BI da UFBA para o diagnóstico de problemas organizacionais; os autores desenvolvem esta perspectiva em um estudo qualitativo com este grupo após completarem o primeiro ciclo de formação em 2011. Os resultados apontam que o pouco tempo entre a decisão de implantar os BI e o seu efetivo funcionamento criou várias dificuldades, percebidas pelos egressos. Peixoto e Ribeiro (2013) também destacam demandas referentes à: operacionalização das áreas de concentração, organização do currículo, melhoria do acesso às disciplinas dos cursos de progressão linear; a necessidade divulgação dos BI, maior atenção em relação às dificuldades dos alunos dos cursos noturnos, melhoria da assistência estudantil e da orientação profissional. Outros estudos colaboram com a compreensão acerca dos Bacharelados Interdisciplinares a partir dos depoimentos de seus estudantes. A pesquisa de Vieira (2015), realizada em 2014

25 Para o cálculo da "Evasão Real" em todas as turmas, utilizou-se a relação "Evasão = [(nº de ingressos - n.° de

vagas ocupadas em 2015-2 - nº de graduados)/nº de ingressos] X 100. O autor cita a evasão real que utiliza como base a quantidade de alunos com matrícula ativa, e a evasão aparente que é calculada com base no número de alunos inscritos em algum componente curricular no semestre em curso. (ANEXO A).

com estudantes dos quatro cursos de BI, teve como objetivo geral investigar os fatores predominantes na escolha por estes cursos. Foram identificadas as seguintes motivações: a possibilidade de ingressar em um CPL, o interesse em obter uma formação interdisciplinar mais abrangente que permitiria o contato com diversas áreas do conhecimento, a indecisão quanto à escolha profissional, a influência da família, amigos, professores e da mídia. Os participantes informaram ter conhecimento da proposta de formação dos BI por meio da internet, de informações transmitidas por pessoas próximas, e de palestras no colégio. Estas informações permitem perceber que, com a consolidação dos cursos interdisciplinares da UFBA, os mesmos estão sendo mais reconhecidos na sociedade. Entretanto, uma melhor interação entre a Universidade e as escolas de ensino médio poderia colaborar com a divulgação dos cursos e com uma maior democratização do acesso à Universidade26.

Um outro aspecto relacionado à escolha pelos BI é o percentual de vagas no turno noturno, conforme observaram Imazoni, Custódio e Sampaio (2011). Em 2016 foram ofertadas 900 vagas para estudantes deste turno, 38% do total das vagas em cursos noturnos da UFBA. Cabe ressaltar que até o ano de 2006 a instituição só oferecia 40 vagas no noturno (UFBA, 2016). Estudar a noite permite que trabalhadores tenham acesso à educação superior, porém exige da universidade maior flexibilidade e condições de infraestrutura, além de requerer dos docentes metodologias de ensino apropriadas para estas pessoas que, muitas vezes, chegam cansadas de um dia de trabalho e, devido a este fato, enfrentam dificuldades de acompanhar o conteúdo em sala.

O interesse em conhecer o perfil dos estudantes ingressos e egressos dos Bacharelados Interdisciplinares da UFBA gerou duas pesquisas apoiadas pelo edital PROPCI-PROEXT- PROPG/UFBA 01/2012, sob a coordenação do Observatório da Vida Estudantil UFBA/UFRB (OVE). A pesquisa com egressos das primeiras turmas dos BI, que concluíram o curso em 2011, adotou metodologia quantitativa e qualitativa, e ocorreu em duas etapas consecutivas: aplicação de questionários semiestruturados on-line e realização de entrevistas com os egressos dos BI. A pesquisa com ingressantes foi quantitativa, de caráter longitudinal, e acompanhou algumas variáveis entre ingressantes nos Bacharelados Interdisciplinares da UFBA, campus Salvador, ao longo de quatro anos (2010, 2011, 2012, 2013) (SAMPAIO; COELHO, no prelo). Em artigo que sintetiza a pesquisa com ingressantes, acrescentando dados do ano de 2014, Silveira, Dantas

26 O grupo de pesquisa Observatório da Vida Estudantil (OVE) desenvolveu um projeto com esse foco, o “UFBA

Acolhedora”. Institucionalmente a UFBA, em 2015, iniciou um outro projeto de aproximação, o “UFBA Mostra a Sua Cara” onde os estudantes de escolas públicas e particulares podem conhecer os cursos e as oportunidades estudantis. Ações como estas precisam se expandir e se consolidar para facilitar o acesso dos estudantes a informações que colaborem com suas escolhas relacionadas à formação universitária.

e Sampaio (2015) apontam uma mudança de perfil com a consolidação desta modalidade de curso que tem atraído alunos de menor faixa etária, oriundos de escolas privadas. O Quadro 2 abaixo sintetiza os dados da pesquisa:

Tabela 1 - Características dos ingressantes dos BI nos anos de 2010, 2012 e 2014

Categoria 2010 2012 2014

idade até 23 anos 51,9% 59,6% 76,7%

acima de 23 anos 48,1% 40,4% 23,3%

escola de origem pública 58,3% 59,2% 46,4%

privada 41,7% 40,8% 53,6% situação de trabalho trabalhando 53,3% 49,5% 27,6% não está trabalhando 27,6% 50,5% 72,6% renda até 3 salários mínimos 61,8% 38,2% maior que 3 salários mínimos 38,2% 61,8% cor/raça negro/pardo 81,2% 80,7% 73,5% branco/ amarelo 17,8% 18,3% 25,4% indígena 1,0% 1,0% 1,2%

Fonte: Adaptado de Silveira, Dantas e Sampaio (2015).

Percebe-se que houve uma redução no número de trabalhadores, de pessoas de baixa renda e no percentual de pretos e pardos, embora estes tenham permanecido como maioria no ano de 2014. Em um contexto onde foram implantadas políticas de democratização do acesso ao ensino superior, é importante atentar para esta questão. O cruzamento das variáveis destacadas no trabalho pode levar a pensar que a proposta dos BI, com o passar dos anos, está sendo mais reconhecida interna e externamente e vem despertando o interesse da classe média, que teve melhores oportunidades no ensino básico. Este fato aponta para uma necessidade de aprofundamento nesta questão, e o estudo com concluintes pode contribuir com o acompanhamento deste fenômeno. Conhecer as características dos estudantes colabora com a compreensão dos obstáculos à permanência do público dos BI.

Estes trabalhos são indicativos da importância do acompanhamento dos BI para o seu aprimoramento, crescimento e divulgação na sociedade. A possibilidade de comparar variáveis importantes como idade, sexo, cor/raça, renda e situação de trabalho, relacionadas aos concluintes dos BI da UFBA, pode colaborar para a avaliação institucional. Conhecer os estudantes que optam pelos BI e sua percepção sobre os cursos permite que sejam adotadas políticas ou ações institucionais que atendessem melhor às suas necessidades, em especial dos

estudantes oriundos de camadas populares. Nesta perspectiva é que se insere a realização desta pesquisa junto aos concluintes dos BI do semestre 2015.2.

5 QUALIDADE DOS BACHARELADOS INTERDISCIPLINARES DA UFBA: