~812) SEQ LOGIC
ELECTROMECHANICAL FUNCTIONS GENERAL
O instrumento é uma versão abreviada do questionário (WHOQOL-100) criado pelo World Health Organization Quality of Life (Grupo de Qualidade de Vida da Organização Mundial) composto por 100 questões divididas em 6 domínios. Já o WHOQOL-bref
(ANEXO C) é composto por 26 questões que avalia a qualidade de vida a partir de 4 domínios, sendo eles:
Físico: Dor e desconforto, energia e fadiga, sono e repouso, mobilidade, atividades da
vida cotidiana, dependência de medicação e tratamento e capacidade de trabalho;
Psicológico: Sentimentos positivos, pensar, aprender, memória, concentração, auto-
estima, imagem corporal e aparência, sentimentos negativos, espiritualidade, religião e crenças pessoais.
Relações Sociais: Relações pessoais, suporte/apoio social e atividade sexual;
Meio Ambiente: Segurança física e proteção, ambiente no lar, recursos financeiros,
cuidados de saúde e sociais: disponibilidade e qualidade, disponibilidade, oportunidades de adquirir novas informações e habilidades, participação em, e oportunidades de recreação/lazer, ambiente físico (poluição/ruído/clima/trânsito) e transporte.
Para a análise do WHOQOL-Bref., foram passadas as respostas de cada participante para o SPSS e as análises foram feitas a partir da sintaxe disponibilizado no The Whoqol Group (1998).
3.4 PROCEDIMENTO
O agendamento de dia e hora para a realização da entrevista dos pacientes foi feito, somente, após a obtenção da aprovação do projeto de pesquisa junto ao Comitê de Ética da Universidade Metodista de São Paulo sob o número 624.908 (ANEXO D). As entrevistas realizaram-se na Policlínica da Universidade Metodista de São Paulo utilizando-se a Escala Diagnóstica Adaptativa Operacionalizada (ANEXO B) e a ABIPEME (ANEXO A). A sala na qual foram feitas as avaliações é utilizada para atendimento clínico e contem os seguintes itens: uma mesa retangular, duas cadeiras, uma maca de exame clínico, uma pia e um recipiente para lixo. Antes do atendimento foi feita uma explanação sobre o Programa de Atendimento Integrado (PRAIDI), quais seriam os procedimentos do programa e se a pessoa gostaria de participar da pesquisa, sendo que sua não participação na pesquisa não acarretaria prejuízo em sua participação no programa. O programa acontece a cada semestre com a participação de um novo grupo desde o ano de 2011. As pessoas que participam recebem atendimento nas áreas de Biomedicina, Psicologia, Educação Física, Fisioterapia e Nutrição, dentro de cada núcleo da Policlínica da Universidade Metodista de São Paulo. O trabalho é
realizado em grupo nas áreas de psicologia, educação física, fisioterapia e individualmente na biomedicina e nutrição.
Em seguida foram esclarecidos os objetivos da pesquisa através da leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE (ANEXO E). Houve a adesão dos 14 pacientes que participaram integralmente do programa e da pesquisa. Assim consideramos que houve adesão de 100% na participação da pesquisa.
Após autorização dos participantes foi realizado uma entrevista preventiva (ANEXO B) desenvolvida por Ryad Simon (1989), com ênfase no diagnóstico de diabetes e os setores Afetivo-relacional (A-R), Produtividade (Pr), Sócio-cultural (S-C) e Orgânico (Or). Durante o período em que os participantes realizavam as atividades do PRAIDI, foi agendado com cada um, antecipadamente, um dia e horário para a realização do Teste das Relações Objetais de Phillipson, bem como para as coletas de sangue a serem realizadas no início das atividades do grupo e no final das atividades, dentro do setor próprio da Policlínica da Universidade Metodista de São Paulo. Este procedimento foi realizado nos 14 (catorze) pacientes. Deu-se o início do grupo psicoeducativo, que foi realizado de acordo com cronograma delimitado previamente pela pesquisadora respeitando o procedimento elaborado pelo Laboratório Lilly, o qual forneceu o material para que o mesmo pudesse ocorrer de forma pedagogicamente eficaz.
Logo após o primeiro encontro do grupo os participantes realizaram a coleta de sangue para verificação de seus níveis glicêmicos ao iniciarem a pesquisa. Em seguida a aplicação do TRO foi agendada e realizada no espaço descrito anteriormente, de forma individual garantindo o sigilo das informações. Posteriormente, concomitante ao grupo psicoeducativo a pesquisadora realizou a aplicação coletiva do WHOQOL-Bref (ANEXO C), daqueles que haviam previamente autorizado a participação. Ao término do cronograma do grupo, realizado durante três (3) meses com 12 encontros em grupo psicoeducacional, foi finalmente agendado o exame final de glicemia destes pacientes a ser realizado, novamente dentro do setor de Biomedicina. Assim, após este processo foi iniciado a análise dos dados.
A análise dos dados iniciou-se com a caracterização de cada participante, a partir da composição de um prontuário com os dados sócio-demográficos, a classificação da ABIPEME, o TRO, a EDAO, WHOQOL-Bref, Glicemia Inicial e Final, e Nota sobre a participação no grupo. A análise dos instrumentos foi realizada segundo o critério dos autores de cada um dos instrumentos.
4 RESULTADOS
Os índices glicêmicos dos participantes com Diabetes Mellitus tipo 2, obtidos a partir de exames de sangue realizados pelo setor de Biomedicina, mostraram os seguintes índices (Tabela 2):
Tabela 2. Índices glicêmicos dos participantes (n=14)
Caso Clínico Índices Glicêmicos
Glicemia Inicial* Glicemia Final* HbA1C** Inicial HbA1C** Final
1 171 167 7,9 12,0 2 210 140 8,74 8,43 3 148 147 8,38 9,22 4 142 92 8,46 8,09 5 110 99 5,55 6,80 6 75 88 8,89 6,30 7 95 92 4,68 6,00 8 93 97 8,40 5,48 9 114 114 4,49 6,70 10 182 149 10,16 10,10 11 103 111 8,01 6,80 12 120 121 6,84 7,66 13 118 127 8,77 10,0 14 102 95 6,54 6,50
*Glicemia considerando como valores de referência: Normal, 70 a 99 mg/dL. Pré-Diabetes, 100 a 125 mg/dL. Diabetes, superior a 126 mg/dL (ADA, 2005); **HbA1C (Hemoglobina Glicada) considerando como valores de referência: 5,30% a 8,00%.
A amostra foi dividida em dois grupos; grupo 1 (bom controle glicêmico) e o grupo 2 (mau controle glicêmico) (Tabela 3).
Tabela 3. Índices glicêmicos em grupos de bom e mau controle (n=14)
Glicemia em Jejum (mg/dl)
Grupo 1
Paciente Inicial Final Variação
M¹ 93,83 DP² 3,97 EP³ 1,62 Nível de significância 95% P <0,05 Correlação de Pearson p=0,79 4 142 92 -35,21 5 110 99 -10,00 6 75 88 17,33 7 95 92 -3,15 8 93 97 4,30 14 102 95 -6,86 Grupo 2 1 171 167 -2,33 M¹ 134,5 DP² 19,50 EP³ 6,89 2 210 140 -33,33 3 148 147 -0,67 9 114 114 0 10 182 149 -18,13 11 103 111 7,76 12 120 121 0,83 13 118 127 7,62 Hemoglobina Glicada (%) Grupo 1
Pacientes Inicial Final Variação
M¹ 138,18 DP² 35,95
EP³ 10,84 Nível de significância 95% P <0,05 Correlação de Pearson p=0,48 5 5,55 6,80 22,52 6 8,89 6,30 -29,13 7 4,68 6,00 28,20 8 8,40 5,48 -34,76 9 4,49 6,70 49,22 11 8,01 6,80 -15,10 12 6,84 7,66 11,98 14 6,54 6,50 -0,61 Grupo 2 1 7,90 12,00 51,89 M¹ 138,18 DP² 35,95 EP³ 10,84 2 8,74 8,43 -3,54 3 8,38 9,22 10,02 4 8,46 8,09 -4,37 10 10,16 10,10 -0,59 13 8,70 10,00 14,02
¹Média; ²Desvio Padrão; ³Erro Padrão. Deve-se considerar em: Glicemia em Jejum o Grupo 1 - valores até 100 mg/dL, e Grupo 2 - valores acima de 100 mg/dL; Hemoglobina Glicada o Grupo 1 - valores até 8,0%, e Grupo 2 - valores acima de 8,0%.
Sobre os índices glicêmicos é possível verificar que ocorreu uma divisão quase que igual entre pacientes que ao final do período de acompanhamento em grupo psicoeducativo apresentaram um bom controle glicêmico em correspondência àqueles que apresentaram um mau controle glicêmico durante o mesmo período. Ao verificarmos a coluna que diz variação
é possível perceber que em Glicemia em Jejum oito (8) participantes apresentaram redução de seus índices, mesmo alguns (n=4) não estando no grupo 1. Em Hemoglobina Glicada a redução apareceu em sete participantes, sendo em três do grupo 2. Portanto, podemos dizer que após os três (3) meses de intervenção foi possível verificar uma redução significativa nos índices glicêmicos dos pacientes, mesmo que em alguns ainda não tenha sido verificado um bom controle glicêmico.
Levando em consideração estes dados e o fato destes participantes terem frequentado um grupo psicoeducativo e terem tido acesso às informações fidedignas, que os auxiliaram a desfazer crenças e mitos sobre a doença, assim como, a modificar o estilo de vida sedentário e a adesão aos tratamentos (CEZARETTO, 2010; COLOM; VIETA, 2004), permitiu que houvesse uma melhora na qualidade do controle glicêmico. No entanto, é necessário deixar claro que esta é uma perspectiva generalista, pois verificando caso a caso é possível ver que em alguns pacientes os índices mostram uma variação com aumentos demonstrando um quadro de mau controle glicêmico.
Relacionando os níveis glicêmicos com a intervenção psicoeducativa, na Tabela 4 pode-se observar as atitudes destes participantes no grupo psicoeducativo. Salvo características e dificuldades individuais, os participantes não faltavam e, caso fosse preciso faltar avisavam ou diretamente a psicóloga ou deixavam recados com os outros participantes. Foi um grupo compromissado com aquele momento de aprendizado e compartilhamento. Em geral, participaram do grupo tinham liberdade para trazer suas dificuldades. As defesas utilizadas pelos participantes, em momentos de dificuldade, tendo em vista a gravidade da doença e suas consequências, alguns participantes faziam piadas para suportar o que estava sendo dito. Em outras situações, simplesmente fugiam do assunto ficando alheio ao que estava sendo dito ou falando.
Ao final todos disseram que o grupo contribuiu de alguma forma para o seu tratamento, para seu aprendizado ou para a sua motivação. Alguns entendem que ainda não tiveram uma postura ativa de mudança, outros sabem que existem muitas dificuldades. No entanto, de certa maneira todos mostraram compreender que têm a doença e que o tratamento deve ser pensado em uma mudança geral de hábitos e atitudes.
Estudos têm apontado para os benefícios desta modalidade de intervenção que vem oferecendo à adesão ao tratamento (POLLIO; NORTH; OSBORNE, 2002; BENUTE et al., 2001; COLOM; VIETA, 2004; CEZARETTO, 2010; PIBERNIK-OKANOVIC et al., 2009; TROZZOLINO et al., 2003). Os participantes desta pesquisa demonstraram que "o grupo foi fundamental para ela começar a se preocupar consigo" (Caso Clínico 2), "O grupo contribui
para aprender mais sobre a doença. Muita coisa para mudar" (Caso Clínico 3), "O grupo foi importante para a motivação à mudança. Sozinha não ia conseguir" (Caso Clínico 5), "Grupo foi motivador no tratamento" (Caso Clínico 7), "Grupo trouxe motivação para a vida e para mudanças" (Caso Clínico 9). Trozzolino et al. (2003) pesquisou sobre o humor e o controle glicêmico em pacientes com diabetes e deficiência visual, ele mostrou que o grupo psicoeducativo tem efeitos positivos sobre a angustia relacionada ao diabetes, bem como a correlação positiva entre o controle glicêmico e a melhora na depressão, dados corroborados no presente estudo.
A presente investigação verificou nestes pacientes com diabetes que a angustia, a ansiedade e as dúvidas puderam ser diminuídas durante o grupo. Um efeito positivo que foi verificar a melhora na depressão e das angustias correlacionada com um controle glicêmico adequado é o Caso Clínico 2. Neste caso, apesar da participante não ter ainda um controle glicêmico adequado apresentou uma diminuição significativa. Considerando apenas este melhor controle glicêmico foi evidente durante o grupo que ela pode passar de um momento em que não era capaz de aceitar que tinha a doença para o momento em que foi capaz de aderir ao tratamento. Relatos durante o grupo de que ela conseguia sentir-se menos angustiada, que conseguia começar a pensar mais em si mesma, no seu auto-cuidado, além de o fato de estar em grupo era suficiente para motivação e a continuação do tratamento. Isto vai ao encontro do que Benute et al. (2001) apontam, que o grupo tem um caráter positivo considerando a maneira como os pacientes e/ou familiares lidam com a doença e o tratamento.
Caso
Clínico Frequência Atitude Participação Auto-percepção
Nota sobre o participante
1 Sem faltes Ativa
Sempre se posicionava. Quando o assunto era "pesado" ele fazia piadas.
Tentava incorporar o aprendizado mas para ele
era difícil demais
Tirava o foco dos demais participantes
com suas piadas.
2 Sem faltas.
Inicialmente pouco ativa que aos poucos tornou-se mais ativa.
Relatava experiências, dificuldade e indignações
frente a doença.
Relata que o grupo foi fundamental para ela começar a se preocupar
consigo.
Quando não suportava o assunto se desligava do grupo ficando alheia ou com comentários sem
contexto.
3 Duas faltas. Ativa.
Não gostava de ser contrariada e continha-se para não entrar em conflito.
Tornou-se mais colaborativa.
O grupo contribui para aprender mais sobre a doença. Muita coisa pra mudar. Muito ansiosa e
impaciente.
Muita dificuldade e pouca disponibilidade
com mudanças.
4 Sem faltas. Ativa.
Mostrava-se muito conhecedor da doença, causando mau estar nos
demais
O grupo contribuiu muito e já se propôs a
mudanças.
Um ar de arrogância ao falar e pouco receptivo aos demais integrantes.
5 Sem faltas. Ativa.
Mobilizava com as experiências dos outros e tentava encontrar soluções
possíveis
O grupo foi importante para a motivação à mudança. Sozinha não ia
conseguir. Esforçou-se a mudanças. Emagreceu durante o grupo. (Obesidade) 6 Duas faltas
justificadas. Pouco ativa.
Atenta e curiosa, mas com pouco posicionamento.
Agradeceu e disse que aprendeu muitas coisas
novas.
Não falou sobre si no grupo.
Caso Clínico Frequência Atitude Participação Auto-percepção Nota sobre o participante
7 Sem faltas. Ativa.
Participativa. Quando o assunto era "pesado" tentava achar sugestões positivas. Tentativas de melhora e mudança. Grupo foi
motivador no tratamento.
Tentava ser motivadora aos
demais.
8 Sem faltas Pouco ativa Dificuldades de
interagir Experiência positiva. Aprendeu muitas coisas Dificuldades em interagir. Pouco participativo 9 Duas faltas justificadas Ativa Exemplos equivocados no grupo. Grupo trouxe motivação para a vida
e para mudanças
Esforço de mudança.
10 Sem faltas. Pouco ativa e pouco
participativa.
Observava e fazia anotações.
Grupo fez se sentir mais otimista e ficar
mais motivado a viver.
Nos últimos 4 encontros tornou mais
ativo.
11 Sem faltas. Ativa.
Mobilizando o grupo com humor e descontração até nas
situações de tensão.
Agradeceu a todos do grupo por ajudar na
sua mudança de perspectiva.
Fugia dos assuntos mais difíceis com
humor.
12 Duas faltas
justificadas. Ativa.
Expressava-se em grupo apenas com piadas e desviava a
atenção.
Agradeceu e disse que pode começar a pensar em mudanças.
Não foi participativo e resistente a
mudanças.
13 Duas faltas
justificadas. Pouco ativa.
Atenta observando de forma curiosa o grupo. Não verbalizava muito Agradeceu a oportunidade de participação. Fez amizades e aprendeu muitas coisas novas.
Participava com sorrisos e afirmações com a cabeça 14 Sem faltas Pouco ativa. No último mês mais ativa. Observava de forma atenta o que as pessoas falavam. Ao final do grupo relatou poucas coisas
a respeito de mudanças.
Expressava-se pouco e se posicionava pouco a respeito das
O grupo pode ser apenas o início da adesão do paciente com Diabetes. Um disparador para o conhecimento, para a aceitação da doença, para poder lidar com o luto pelo corpo saudável como é descrito por Heleno (2001, p.91):
O modo como ele enfrenta esta nova situação, se é capaz ou não de suportar a vivência dolorosa da doença e suas consequências e elaborar o luto, pode determinar a aderência ou não do tratamento. O paciente diabético enfrenta um tipo especial de luto em função de sucessivas perdas, reais ou fantasiosas.
O apoio que o grupo foi capaz de oferecer deve levar em consideração não só o papel da educação, mas também o papel das variáveis psicológicas, a partir das quais pode-se, de fato, gerar mudanças, tal como Heleno et al., (2007, p.190) comentam:
“A natureza humana também composta de desejos, medos e por um arsenal defensivo para enfrentamento dos conflitos é ainda relegada a um plano menor. O aparato psíquico – sua constituição e seu desenvolvimento – é ainda desconsiderado [...].” (HELENO et al., 2007, p.190)
Neste contexto, o grupo quando desenvolvido por um psicólogo considera também estas variáveis, tendo para este um ganho adicional para além de apenas a educação em DM- 2. Assim, a psicoeducação ganha importância ainda maior.
Ao pensar no paciente com Diabetes, não é possível dissociar a qualidade de vida deste paciente, já que esta é uma doença crônica e envolve uma mudança nos hábitos para adequar o tratamento. Esta mudança influencia diretamente na qualidade de vida desta pessoa. Portanto, avaliamos através do Whoqol-Bref a Qualidade de Vida dos participantes, e o resultado segue na Tabela 5.
Tabela 5. Qualidade de Vida dos participantes (n=14)
Caso Clínico WHOQOL - Bref (%)
Físico Psicológico Social Ambiental
1 94,29 93,33 80,00 75,00 2 54,29 56,67 60,00 67,50 3 65,71 66,67 66,67 75,00 4 65,71 63,33 46,67 70,00 5 57,14 60,00 80,00 65,00 6 62,86 70,00 73,33 62,50 7 80,00 83,33 100,00 80,00 8 91,43 90,00 66,67 77,50 9 80,00 76,67 66,67 77,50 10 74,29 90,00 100,00 92,50 11 85,71 83,33 73,33 80,00 12 80,00 83,33 86,67 75,00 13 71,43 66,67 80,00 62,50 14 74,29 73,33 80,00 67,50
São apresentados, na tabela acima, os valores de Qualidade de Vida considerando os quatro domínios do Whoqol-Bref. Em uma visão geral os resultados dos domínios são altos. Ao considerar o Domínio Físico, o valor foi de 54,29%. No entanto, a maioria são valores acima de 70%. Verificando que os participantes desta investigação são pessoas com DM-2, estes valores são considerados altos. No Domínio Psicológico, Social e Ambiental acontece o mesmo. Estes resultados não eram os previstos, pois como descrito por Junior (2010), a significação de Qualidade de Vida em pacientes com diabetes pode ser afetada pela morbidade que as complicações crônicas do mau controle glicêmico ocasionam, porém deve- se levar em consideração, também, a adesão ao tratamento e as condições socioeconômicas. No caso desta pesquisa as pessoas com diabetes, como apresentado anteriormente, tem inicialmente um mau controle glicêmico que ao decorrer do grupo, em alguns casos foi possível verificar a melhora, mas não é possível afirmar que estes tiveram uma adesão de fato ao tratamento, não justificando assim os valores tão bons da Qualidade de Vida destes.
Considera-se que conhecer as dimensões mais afetadas da Qualidade de Vida possibilita que sejam feitos planejamentos de ações de promoção da saúde e prevenção de complicações (JUNIOR et al., 2013). No entanto, considerando a discrepância dos resultados
do Whoqol-Bref nesta pesquisa é possível afirmar que o instrumento por si não é capaz de oferecer sempre uma visão real de pessoas com diabetes. Junior et al. (2013), colaboram neste sentido quando afirmam que os profissionais de saúde precisam estar atentos aos fatores médicos bem como às variáveis psicossociais que interferem na qualidade de vida e na qualidade do tratamento. Se estas variáveis puderem ser controladas no curso do tratamento poderá ser um contributo a eficiência das intervenções em saúde de pacientes com DM-2. Assim, o instrumento por si só não pode ser considerado como único parâmetro de compreensão da qualidade de vida.
No caso dos resultados desta pesquisa em específico, o que podemos considerar como causa de resultados altos é o fato destes participantes estarem em negação de fatos de suas vidas, como por exemplo, negarem que eles tem uma doença crônica. Na pesquisa de Péres; Santos; Zanetti; Ferronato, (2007) que teve como objetivo identificar as dificuldades dos pacientes diabéticos em relação ao tratamento para o controle da doença constatou-se em 24 pacientes que as dificuldades relacionadas ao seguimento da doença são: rejeição e negação da condição de doente, sofrimento e revolta devido às restrições impostas pela alimentação, atividade física e medicamento. E no caso da presente pesquisa os resultados seguem esta mesma linha de sentimentos negativos em relação às mudanças necessárias, devido o tratamento e por isto a condição de negação do fato de estar doente. Negar torna-se mais confortável do que realizar tantas abdicações ao tratamento, e possivelmente esta negação torna-se tão evidente que os resultados da Qualidade de Vida, em muitos casos acima, podem aparentar pessoas que não tem uma doença crônica ou que tem um controle eficaz da doença. Salientamos, portanto, que esta não é a realidade destas pessoas.
É importante, como relata Péres et al. (2007), conhecer e compreender de forma mais profunda as experiências vividas pelo paciente com diabetes, já que este atribui a estas experiências vividas com a doença um sentido que se relaciona com o seu modo de existir. É de tamanha importância avaliar o paciente do ponto de vista psicológico e com instrumentos que assim o realizem adequadamente. Portanto, na Tabela 6 expõem-se os resultados obtidos pela Escala Diagnóstica Adaptativa Operacionalizada.
Tabela 6. Classificação Diagnóstica da Escala Adaptativa Operacionalizada (EDAO)
Caso
Clínico A-R
1 Pr2 Or3 S-C4 Diagnóstico5
1 Pouco Pouco Pouco Adequado Ineficaz Moderada
2 Pouco Pouquíssimo Pouquíssimo Pouco Ineficaz Severa
3 Pouquíssimo Pouco Pouco Pouco Ineficaz Severa
4 Pouco Pouquíssimo Pouco Pouquíssimo Ineficaz Severa 5 Pouco Pouquíssimo Pouquíssimo Pouco Ineficaz Severa 6 Pouco Adequado Pouquíssimo Adequado Ineficaz Leve
7 Adequado Pouco Pouco Adequado Ineficaz Leve
8 Pouquíssimo Pouco Pouco Pouco Ineficaz Severa
9 Pouco Pouco Pouquíssimo Pouco Ineficaz Moderada
10 Pouquíssimo Pouquíssimo Pouco Pouquíssimo Ineficaz Grave 11 Pouco Pouco Pouquíssimo Pouco Ineficaz Moderada 12 Pouco Pouco Pouquíssimo Pouco Ineficaz Moderada 13 Pouco Pouco Pouquíssimo Pouquíssimo Ineficaz Moderada
14 Pouco Pouco Pouco Adequado Ineficaz Moderada
1Setor Afetivo-Relacional; 2Setor Produtivo; 3Setor Orgânico; 4Setor Sócio Cultural; 5Diagnóstico Adaptativo Operacionalizado
A adequação da adaptação é um conceito que avalia os modos ou a qualidade da adaptação. Essa adaptação é definida como um “conjunto de respostas de um organismo vivo, em vários momentos, as situações que o modificam, permitindo a manutenção de sua organização (por mínima que seja) compatível com a vida (...), sendo não-adaptado sinônimo de morto” (SIMON, 1989, p.14). Sendo assim, para manter a adaptação o indivíduo precisa encontrar soluções diante dos problemas que a vida lhe coloca. Através da análise do conjunto de respostas, que permite a avaliação da adequação da adaptação, torna possível avaliar o passado, presente e prognóstico provável sobre o futuro. Na tabela acima, é possível verificar que os pacientes estão com Diagnóstico de Adaptação Ineficaz Moderado e Ineficaz Severo. Apenas um apresenta Diagnóstico de Adaptação Ineficaz Grave e, dois, Diagnóstico de Adaptação Ineficaz Leve. É importante ressaltar que os participantes que apresentam o Diagnostico de Adaptação Ineficaz Moderado estão tendendo a uma Adaptação Ineficaz Severa, devido ao quadro geral estabelecido destes participantes.
A maioria dos casos apresenta a Classificação Diagnóstica de Adaptação, ou tendência a, Ineficaz Severa, significando que estes apresentam alguns sintomas neuróticos mais limitadores, inibições restritivas, rigidez de traços caracterológicos (SIMON, 2005).