A mina da Panasqueira é uma mina mundialmente reconhecida como uma mina de volfrâmio. O valor estratégico do volfrâmio foi reconhecido em 2008 na “Iniciativa Matérias-Primas”, da União Europeia (UE), tendo sido considerado um mineral crítico, ou seja, fundamental para indústrias que vão marcar a economia do futuro. Todos os relatórios subsequentes à referida Iniciativa Matérias-Primas, continuam a considerar o volfrâmio como matéria-prima crítica entre 20 materiais não energéticos e não alimentares, entre os 54 candidatos iniciais (REPORT ON CRITICAL RAW MATERIALS FOR THE EU, Maio 2014). O volfrâmio faz parte das 20 matérias-primas que são consideradas essenciais, porque os riscos de escassez do aprovisionamento e a sua repercussão na economia são maiores do que os das outras matérias- primas (COM(2014) 297 final, de 26 de Maio de 2014).
Segundo o Relatório da UE atrás referido, o volfrâmio tem como principais produtores a China e a Rússia, sendo a Rússia a principal fonte de abastecimento da UE. O Índice de Substituibilidade, ou seja, a dificuldade em substituir o material, contabilizada e ponderada para todas as suas aplicações, é de 0,7, numa escala entre 0 e 1 e sendo 1 o menos substituível. Já a Taxa de Reciclagem em fim de vida útil, que mede a proporção de metal e de produtos metálicos produzidos a partir de sucata em fim de vida útil e de outros resíduos em fim de vida útil que contenham metais, a nível mundial, é de 37%.
Segundo o relatório do British Geological Survey (BGS) de 2015 com a listagem do ranking de risco de disponibilidade de fornecimento de elementos químicos ou grupos de elementos de
valor económico, o volfrâmio ocupa o oitavo lugar, a seguir às terras raras, antimónio, bismuto, germânio, vanádio, gálio e estrôncio.
Quanto aos substitutos, e considerando os carbonetos de volfrâmio como principal produto final consumidor de volfrâmio, como veremos adiante, os potenciais substitutos são os carbonetos de molibdénio e titânio, cerâmicos, compósitos metálico-cerâmicos, e ferramentas de aço. Substitutos para outras aplicações são, por exemplo, ligas de aço com molibdénio em vez de volfrâmio; Iluminação baseada em filamentos de nanotubos de carbono, tecnologia de indução e diodos emissores de luz para iluminação baseada em eléctrodos ou filamentos de volfrâmio; urânio ou chumbo empobrecido para ligas de volfrâmio ou volfrâmio em aplicações que requerem alta densidade ou a capacidade de proteger a radiação; e ligas de urânio empobrecido ou aço endurecido para carbonetos de volfrâmio cimentados ou ligas de volfrâmio em projécteis de perfuração de armadura. Em algumas aplicações, a substituição pode resultar em custos superiores ou diminuição da performance do produto final (USGS, 2017).
5.1.1. Características principais do volfrâmio
O volfrâmio3 (W) é o elemento 74 da Tabela Periódica de Mendeleev. Tem o ponto de fusão mais alto de todos os metais, com aproximadamente 3.422ºC. A esta temperatura, a maior parte dos outros metais de engenharia tais como o Ferro, o Alumínio, o Cobre ou o Titânio estão vaporizados.
A temperatura do ponto de ebulição é de 5.700ºC e corresponde à temperatura da superfície do Sol (ITIA, 2009). Tem uma resistência à tracção de 1510 MPa, o que o torna o metal natural com maior resistência.
As principais características do volfrâmio estão indicadas na figura 14.
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O elemento químico W (de wolfram) designa-se por Volfrâmio ou Tungsténio. Uma vez que o símbolo químico tem dois nomes diferentes, em 1949 solicitou-se a alteração do nome científico de Tungsténio para Volfrâmio (wolfram) à Comissão de Nomenclatura de Química Inorgânica da IUPAC, mas tal alteração não chegou a acontecer. Assim sendo, o elemento químico W denomina-se por Tungsténio (Lassner & Schubert, 2005).
O volfrâmio é considerado não perigoso quer para o ambiente quer para a saúde humana. Como resultado de diversos estudos de várias organizações internacionais, o volfrâmio foi considerado como tendo baixo potencial para causar malefícios a animais e pessoas, em concentrações ambientalmente relevantes. Ou seja, o volfrâmio é um metal não maligno nas concentrações que pessoas, animais e plantas possam encontrar em ambientes naturais e antrópicos. Como em todos os metais, deve ter-se atenção quando se usa ou manuseia volfrâmio ou substâncias com volfrâmio.
Os produtos ou equipamentos com volfrâmio são bastante duros e resistentes à abrasão, pelo que podem ser usados com segurança pelos consumidores uma vez que há pouca probabilidade de este se dispersar e gerar forte exposição destes ao volfrâmio (ITIA, 2009).
Em 2007 entrou em vigor na UE a legislação REACH (Registration, Evaluation and Authorization of Chemicals), no seguimento da Directiva 67/548 CEE sobre Classificação, Embalagem e Rotulagem e revista no Regulamento (CE) 1272/2008.
O Regulamento (CE) nº 1907/2006 (REACH), do Parlamento Europeu e do Conselho, de 18 de Dezembro, relativo ao registo, avaliação, autorização e restrição dos produtos químicos, tem por objectivo assegurar um elevado nível de protecção da saúde humana e do ambiente face aos riscos que podem resultar dos produtos químicos e simultaneamente, de promover a competitividade da indústria química da UE. Pretende disponibilizar, ao longo de toda a cadeia de produção (e ao abrigo do sistema único de registo, avaliação, autorização e restrição de
produtos químicos) informação sobre os riscos gerados pelas substâncias e as formas de os combater.
No ponto 7 do Anexo V do regulamento REACH, estão descritas as isenções ao registo obrigatório em conformidade com a alínea b) do nº7 do artigo 2º, assim estão isentas de registo “as seguintes substâncias que se encontram na natureza, se não forem quimicamente modificadas: minerais, minérios, concentrados de minérios”. Para estas substâncias não é obrigatória a elaboração de fichas de dados de segurança, uma vez que, também estão isentas do cumprimento do disposto no Título II, “Guia para a elaboração das Fichas de Dados de Segurança (FDS)”.
Segundo este regulamento, para o caso da produção da mina da Panasqueira, consideram-se que os seus concentrados de minérios estão isentos de registo e de elaboração de FDS.
5.1.2. Aplicações do Volfrâmio
As aplicações do volfrâmio4 têm um campo bastante alargado, no entanto entre 50% e 60 % estão destinados ao fabrico de carbonetos cujas utilizações vão desde pequenas esferas das pontas de canetas até às partes de desgaste das grandes máquinas mineiras, incluindo bits de perfuração e cabeças roçadoras das tuneladoras. O campo de aplicação é detalhado na página da Associação Internacional da Indústria do Tungsténio – International Tungsten Industry
Association (ITIA).
Ao nível de investigação e desenvolvimento estão em desenvolvimento ligas de tungsténio e selénio. Estas ligas são actualmente testadas na Áustria, tendo em vista a sua utilização no fabrico de células fotovoltaicas flexíveis (ITIA, 2014).
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No infográfico The history of Tungsten, the strongest natural metal on Earth em http://www.visualcapitalist.com/history-of-tunsten-worlds-strongest-metal é possível conhecer a evolução das aplicações de volfrâmio desde a sua descoberta em 1783 até aos nossos dias.
Na figura 15 estão indicados os principais usos ou aplicações do volfrâmio.
5.2. MINA DA PANASQUEIRA - A (IN) ESGOTÁVEL FONTE DE RECURSOS?