Nombre d'onde (cm -1 )
2.7. Effet des contraintes électriques
O Gravitator pode ser descrito como um sistema visual dinâmico de busca de bases de dados complexas. (Dias, Vairinhos, & Branco, 2005) Como referimos inicial- mente, este sistema, apesar de não ter sido ainda desenvolvido e implementado, foi central no contexto inicial da primeira fase do presente doutoramento; fase orientada para uma investigação torno da questão dos mapas interativos. Apesar do modelo con- ceptual do Gravitator ter sido apresentado a diversas entidades não se conseguiram reunir os fundos nem as condições técnicas necessárias ao seu desenvolvimento.
Entretanto, a ideia inicial da tese ser desenvolvida em torno de um projeto prá- tico, alterou-se. Por um lado porque não tinha autonomia própria nem equipa para a
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O brainstorming que deu origem ao conceito Gravitator teve lugar na primeira sede da editora Mimesis de Mário Vairinhos e Alexandra Moreira.
primeiro através da publicação de artigos e, posteriormente no trabalho de investigação de mestrado do aluno Hélder Santos sobre o tema Design e interação Gestual (2009).
Uma das questões que sobreveio da reflexão acerca do Gravitator foi determi- nante para começar a pensar o ciberespaço e a problemática da interação de uma forma mais conceptual e fenomenológica. A questão podia ser assim sintetizada:
«No ciberespaço onde termina a ideia de mapa e começa a de território?»
Esta questão trazia ao de cima uma insuficiência na própria abordagem originária sobre o conceito de mapas interativos que iria ser em, primeira instância, de carácter semiótico. Também neste ponto da investigação tornavam-se mais clara as limitações conceptuais ao abrigo de uma lógica algo “dicotómica” de encarar o sujeito e o seu objecto da ação, que inevitavelmente teriam também implicações no próprio pensar o projeto de Design. Desse modo, mudando a perspectiva teórica para uma teoria de raiz fenomenológica, uma nova consciência sobre uma barreira de resistência mental emergiu e o problema inicial ganhou um novo fôlego e maior profundidade, transformando-se radicalmente desde então, no sentido de uma investigação em torno dos fundamentos da interação corpórea e efetiva da própria ação da experiência interativa direta, ou seja, da
experiência tecnologicamente (i)mediada em fluxo com os conteúdos-da-ação. De
qualquer forma, recaindo o estudo sobre os novos paradigmas da interação, o modelo conceptual do Gravitator ganhou um novo sentido e pertinência.
Modelo conceptual
O Modelo conceptual do Gravitator pode ser sintetizado como um sistema de representação 4D – espaço+tempo – de um dado universo, ou base de dados através da manipulação direta e dinâmica de um universo newtoniano de estrelas (motores a que se associam termos de pesquisa) e planetas (representação dos conteúdos pesquisáveis). A sua metáfora são as leis da ação do Universo microfísico dos corpos celestes, a Lei Gravi-
dade ou Lei da Atração Universal dos Corpos, postulada por Isaac Newton em 1687 na
ou, mais precisamente, um conceito de interface para motor de busca (queries e data
mining) e exploração de bases de dados complexas. Tanto a interface de pesquisa, a
forma desta ser representada e manipulada, assim como a forma de visualização dos resultados, contrasta com a tradicional indexação baseada em linhas e alíneas de texto hierarquizadas por pertinência (como no paradigma do Yahoo! ou do Google).
Do ponto de vista do software, o Gravitator constitui um conjunto de aplicações que, a partir de uma estrutura de dados organizada, constrói uma simulação tridimensio- nal interativa em torno da metáfora das Leis de Atração Universal de Newton. Os con- teúdos que integram a base de dados são representados metaforicamente por esferas que designamos planetas. Esses planetas que orbitam no espaço virtual em torno dos sois que exercem atração aos planetas, correspondem aos termos da pesquisa [queries]. Ao contrário do paradigma subjacente à modalidade do tipo índex, a pesquisa ao conjunto ou universo de informação, conduz invariavelmente a um subconjunto a que chamamos resultados. A sua temporalidade resume-se a três momentos chave descontínuos ou discretos: 1º) elaborar a pesquisa; 2º) o algoritmo lógico iterativo de comparação dos termos; e, 3º) na apresentação dos resultados. (Dias, Vairinhos, & Branco, 2005)
As estrelas representam termos de pesquisa definidos pela pessoa. Essas estrelas vão atrair os planetas que de alguma forma tenham um conteúdo que coincida com os termos de pesquisa. Em função do valor de atracão que é parametrizável com diferentes intensidades (atractor-positivo/detrator-negativo), as estrelas, exercem maior ou menor atração ou repulsa (conforme o valor de atracão definido) sobre o universo dos objetos- planetas representados, que de alguma forma contenham na sua estrutura de informação uma relação com os termos de pesquisa. Esta distorção da gravidade força um desvio na movimentação dos objetos, tendendo estes a formarem órbitas mais próximas ou mais afastadas, mais rápidas ou mais lentas, em torno dos atratores gerando, eventualmente,
agrupamentos [clusters] por proximidade de conceitos. A partir do momento que uma
estrela tem na sua órbita planetas, transforma-se em sistema solar, na prática, em termo
de pesquisa com equivalências pertinentes relativamente aos planetas-conteúdos. Natu-
ralmente, esse sol poderá ter mais ou menos planetas na sua órbita.
A característica fundamental que distingue o sistema proposto dos modelos tradi- cionais de indexação é o facto de possuir uma temporalidade intrínseca, distinta da
temporalidade da pessoa. A interação entre estas duas temporalidades (a do sistema e a
da pessoa) não ocorre no contexto de uma indexação tradicional na qual a tempora- lidade da pesquisa depende exclusivamente da ação da pessoa (já que os resultados da
Fig. 1 Projeto Gravitator – imagens do protótipo inicial
Capturas de ecrã do primeiro protótipo (concept proof) do Gravitator programado por Mário Vairinhos, 2005. As esferas maiores são os agentes atratores e detratores; as esferas menores representam os objetos da pesquisa à base de dados, os quais são atraídos pelos atratores e repelidos pelos detratores.
Tal facto obriga a que a pessoa, no Gravitator, se permita posicionar perante a ação numa situação tendentemente ideal com a temporalidade do sistema (a que a tem- poralidade imanente da ação) se permita ajustar à da pessoa de forma adaptável. Supõe- se que tal possa ocorrer, caso a temporalidade do sistema possa ser naturalmente calibrável ou auto-sintonizável, de forma a facilitar o fenómeno da (i)mediação, e assim permitir uma experiência de fluxo.
Uma das principais premissas e hipóteses de investigação do Gravitator consiste na convicção que o movimento dos objetos pela ação das forças induzidas pelo sistema tem uma dimensão de significante. Neste sentido, pretende-se demonstrar que poderá ser uma forma de facilitar a compreensão e revelar o nível de complexidade do próprio sistema. A ação da pesquisa Gravitator é um processo que não se finaliza ou, de outro
modo, não conduz a derradeira situação de equilíbrio; pelo contrário, o sistema refor- mula-se continuamente, o que equivale a dizer que não subentende o universo de in- formação como um sistema linear, determinístico, mas sim como um sistema complexo.
Embora tendo sido inicialmente imaginado para representar o universo das pessoas do DeCA (alunos, ex-alunos, professores e funcionários), percebemos que o
Gravitator podia ser aplicado em muitas situações, pelo que, a arquitetura do sistema
previa o desenvolvimento por módulos para futura adaptação a diferentes universos de pesquisa, designadamente à Web.
O Museu «Virtual» do Design Português e o Gravitator
Em 2004 surgiu a oportunidade de alocar o Gravitator a outro projeto emergente da área de investigação em design: o Museu Design Português, projeto originalmente proposto por Francisco Providência, Carlos Aguiar, João Branco e Vasco Branco (Bran- co, et al., 2002). Entretanto a ideia de um Museu, tendo em conta as dificuldades envolvidas, transformou-se no sentido da constituição de um acervo virtual que permitis- se transformar-se num museu virtual com o objectivo de apoiar a investigação e o ensino do Design em Portugal. Desse modo nasceu o conceito de Museu Virtual do Design Português (MVDP).
Posteriormente, foi publicado um novo artigo focado na descrição do sistema ao nível do design, modelo conceptual, e arquitetura de sistema. O artigo, intitulado Gravi-
tator: An Interface Concept Applied to a Virtual Museum Project, descrevia a hipótese de
aplicabilidade do conceito subjacente ao Gravitator aplicado à exploração interativa do universo de informação organizado em torno da colecção dos cartazes potugueses. (Dias, Vairinhos, & Branco, 2005)
Módulo Museográfico
O conceito do Gravitator passava agora a assentar em transformar o estatuto do
utilizador em mediador do sistema, movimento fundamental para assegurar um papel de
«comissário interativo» estatuto que se pretende que o público adquira no contexto da experiência com o futuro Módulo Museológico do Gravitator (Dias, Vairinhos, & Bran- co, 2005). Neste artigo apresentava-se o projeto de adaptação do modelo conceptual genérico do Gravitator para uma interface museográfica, refletindo sobre a ideia de que o mapa de representação é o próprio território do observador.
Fig. 2 Arquivo físico da coleção Madeira Luís
Cartazes do arquivo da coleção de cartazes doados por Madeira Luís à Universidade de Aveiro. Estes cartazes foram alvo de digitalização e de um trabalho de catalogação a cargo da designer Helena Barbosa.
Fig. 3 Exposição na Reitoria da Universidade de Aveiro
A exposição de cartazes promovida pela UA foi inaugurada a 29 de Maio de 2004 (Helena Barbosa, Nuno Dias e Miguel Ferraz)
Fig. 4 Gravitator aplicado à pesquisa de cartazes
Esquema com os passos para a definição de uma constelação de pesquisa (módulo museográfico) com a representação dos passos para definir de uma estrutura conceptual de pesquisa ou constelação (originalmente denominada dynamic-visualisation-path). As constelação de agentes atratores e detratores podem ser manipuladas e (re)formuladas, alterando em direto as propriedades de todo o universo representado durante o decorrer da ação da pesquisa, assim como gravadas e carregadas no sistema. (Dias, Vairinhos, & Branco, 2005)
Fig. 5 Projeto Gravitator – Simulação da interface gráfica do módulo museográfico
Estudo para a interface da aplicação ao módulo museológico dos cartazes. Estas figuras representam uma simulação do sistema Gravitator a funcionar, assim como o desenvolvimento do primeira versão do Design da sua interface básica (de ecrã). (Dias, Vairinhos, & Branco, 2005)
A designação de “utilizador”, ainda que por vezes utilizada fosse já nesta altura considerada como “problemática”, insatisfatória e insuficiente. Importou designarmos os termos visitante ou viajante (do espaço da representação da informação do museu) o que deu origem a uma ideia de «observador-viajante interativo», finalmente sintetizado no conceito de «comissário interativo», que servia semanticamente a virtualidade do sistema permitir configurar o próprio percurso e personalizar as formas da visita.