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As novas formas de conectividade estão no coração dos processos (econômicos, políticos e culturais) de um dado lugar, que se denomina “globalização”. As pessoas se envolvem em novas formas de participação, controle social e ativismo, por meio das redes sociais. As democracias se enriquecem formando uma nova ordem mundial, na qual surge o ciberespaço, conferindo aos cidadãos poderes nunca antes visto. A tecnologia se faz presente em todas as áreas de atividade e colabora com as relações que se produzem no trabalho, na família, na educação, entre outros (UNESCO, 2014).
De acordo com Castells (2006), esta nova economia se deu por meio de três processos independentes: a revolução tecnológica; a crise econômica do capitalismo e sua reestruturação; o surgimento de movimentos sociais e culturais. Estes processos redefiniram as relações históricas de produção, dando início a uma nova sociedade, com as seguintes características: uma sociedade em rede, uma economia informacional global e uma cultura virtual em rede.
A revolução tecnológica é entendida como as criações e invenções advindas da inteligência do homem e que causam modificações no sistema produtivo e social. Em sua publicação, “A mundialização do Capital”, Chesnais (1996) explica o caráter ideológico da terminologia usada pelos economistas da modernidade, em relação ao termo globalização, de origem anglo-saxônica, que deslocou na língua francesa para mundialização, termo mais próximo da realidade. Porém, mais usado pela mídia sob influência inglesa, a globalização procura indicar uma internacionalização econômica livre, supostamente não submetida a intervenções institucionais ou
nacionais, usando por isso a raiz de conotação geográfica “globo”, entendendo este como esfera com habitantes indiferenciados, espalhados por sua superfície.
Não se trata, como afirma Ianni (2003), de um processo novo, uma vez que é uma extensão de um processo econômico mundial de base industrial, do séc. XVIII, embora atualmente funcione utilizando, como seu espaço, a globalidade, isto é, o planeta em seu conjunto.
No que se refere ao acesso universal de informações, as possibilidades de uso da Internet para disseminação da informação e alavancagem da economia não passam despercebidas. Barreto (1999) afirma que a globalização tornou a linguagem da mensagem mais cosmopolita, cujo fluxo de informação importa, rapidamente, manifestações culturais desejáveis ou não. Esta é uma questão que deixa o terreno econômico para transformar-se em uma condição política e que certamente já pressiona os destinos da informação, da comunicação eletrônica e da individualidade do receptor. Os gestores da oferta de informação, em todos os espaços, administram e controlam seus estoques com intenções privadas de uma racionalidade econômica de maior benefício e menor custo. A demanda, ao contrário, articula-se por um sentimento político, voltado para uma razão pública, e os benefícios são sociais. Depende da sensibilidade única do sujeito diferenciado e espera sempre o desenvolvimento prometido para a realidade.
Assim, pode-se dizer que essa mudança para uma sociedade baseada no conhecimento ocorre como uma “consequência” do processo de globalização mundial, que tornou a economia altamente competitiva, dando origem à era da informação.
Com a globalização, há o surgimento de novos mercados, que passam a ser mais competitivos, ampliando a competição na procura dos melhores produtos e melhores preços. A globalização mostrou e vem demonstrando que é preciso ir atrás dos progressos e procurar sempre estar atualizado acerca das informações que passam ao redor.
Ianni (2003) chega a dizer que a internacionalização da produção, a revolução tecnológica nas comunicações, o avanço da informática no processo produtivo, a reestruturação da relação capital e trabalho têm influenciado a questão educacional: tudo isso mexeu com os valores, as crenças, a lógica, o pensamento e as práticas.
Com a redemocratização política, o surgimento de outras alternativas midiáticas, como os canais por assinatura e a Internet, além da diversificação da própria programação televisiva, a Rede Globo sofreu uma queda acentuada na audiência, comparando-se aos índices atingidos nos anos
1970/80. Ainda assim, predomina em relação às demais redes de televisão brasileiras (STAM, 2006).
A década de 80, segundo Candau (2013), é uma época de redefinição para o campo da educação, de denúncia das antigas diretrizes e de busca de novos caminhos. Pouco a pouco a influência da teoria educacional crítica vai se fazendo sentir com mais força.
Nesta transição, a escola ganha novos instrumentos de ensino. As máquinas, antes privilégio da indústria, agora também são instaladas na sala de aula, cabendo aos estudantes buscarem as informações que necessitam em qualquer ambiente de aprendizagem.
Conforme bem acentua Carly Fiorina, ex-presidente da HP (apud MORAN, 2014, p.89), “as tecnologias mostram a sua evolução em quatro direções fundamentais: i) do analógico para o digital (digitalização); ii) do físico para o virtual (virtualização); iii) do fixo para o móvel (mobilidade); iv) do massivo para o individual (personalização)”.
As tecnologias caminham para a convergência, a integração, a mobilidade e a multifuncionalidade, isto é, para a realização de atividades diferentes num mesmo aparelho, em qualquer lugar, como acontece no telefone celular (que serve para falar, enviar torpedos, baixar músicas).
A digitalização permite registrar, editar, combinar, manipular toda e qualquer informação, por qualquer meio, em qualquer lugar, a qualquer tempo, traz a multiplicação de possibilidades de escolha, de interação. A mobilidade e a virtualização nos libertam de espaços e tempos rígidos, previsíveis, determinados. Na educação, o presencial se virtualiza e a distância se presencializa. Os encontros em um mesmo espaço físico se combinam com os encontros virtuais, pela Internet (MORAN, 2014).
Na concepção de Di Felice (2008), a forma analógica realiza um processo de comunicação, na medida em que mantém separados os distintos momentos da construção do repasse de informações (emissor, mensagem, meio, canal), e na medida em que termos identidade, separa dos sujeitos receptores (público) o sujeito – ator, emissor e iniciador do processo comunicativo. A massa era composta por indivíduos anônimos e se caracterizava por uma quase ausência de comunicação e interação entre os seus membros. Extremamente heterogênea, compreendia membros das mais diversas classes sociais e se apresentava como um conjunto geograficamente disperso. O teatro, a imprensa, o rádio, o cinema e a TV consolidaram a forma analógica do habitar,
caracterizada pela difusão de mensagens de um centro para um amplo público e pela divulgação unidirecional das informações.
Para o autor, a passagem para as redes digitais instaura uma forma comunicativa feita de fluxos e de troca de informações “de todos para todos”. Em função da quantidade ilimitada de informações que podem ser veiculadas na rede, a temporalidade também é distinta, praticamente em tempo real, resultando instantâneas todas as formas de comunicação da web.
De acordo com Lemos (2015), com as tecnologias analógicas, a transmissão, o armazenamento e a recuperação de informação eram completamente inflexíveis. Com o digital, a forma de distribuição e armazenamento são independentes, multimodais, onde a escolha em obter uma informação sob a forma textual, imagética ou sonora é independente do modo pelo qual ela é transmitida. Nesse sentido, as redes eletrônicas constituem uma nova forma de publicação (a eletrônica), onde os computadores podem produzir cópias tão perfeitas quanto o original.
De outra perspectiva, para Negroponte (1995), a digitalização possui muitos méritos. Significa a possibilidade de emitir um sinal contendo informação adicional para correção de erros como a estática do telefone, o chiado do rádio ou o chuvisco da televisão.
Ocorre, portanto, de acordo com Silva (2000) a transição da lógica de distribuição (transmissão) para a lógica da comunicação (interatividade). Isso significa mudança radical no esquema clássico da informação, baseado na ligação unilateral emissor – mensagem – receptor, em que o emissor não emite mais no sentido que se entende, habitualmente, uma mensagem fechada; oferece um leque de elementos e possibilidades à manipulação do receptor; a mensagem não é mais “emitida”, não é mais um mundo fechado, paralisado, imutável, intocável, sagrado, mas é um mundo aberto, modificável na medida em que responde as solicitações daquele que a consulta; o receptor não está mais em posição de recepção clássica, mas é convidado à livre criação, onde a mensagem ganha sentido sob sua intervenção.
Neste contexto, surgem propostas de políticas públicas “transformadoras” da escola – o ideal de “Educação para todos” como meio de emancipação dos indivíduos.
Em 1982, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), a partir da Declaração de Grünwald, discute as mudanças tecnológicas, a importância das mídias e a obrigação dos sistemas educacionais em ajudar os cidadãos a compreender melhor estes fenômenos, por meio de quatro recomendações: programas de educação para as mídias, formação
de educadores, pesquisa e cooperação internacional, antecipando as transformações que aconteceriam na década seguinte.
Para Kuenzer (1989), o desenvolvimento da sociedade contemporânea, marcada por pressões, democratização, expansão dos meios de comunicação, informática, urbanização, vai criando novos espaços de participação política e cultural, que exige do trabalhador o domínio de conhecimentos cada vez mais amplos.
Surgiram crescentes críticas aos modelos e conteúdos do currículo educativo que foram pensadas para satisfazer necessidades muito diferentes da sociedade do conhecimento, colocando em questão como se ensina e se aprende.
De acordo com Moran (2012), estas formas reproduzidas historicamente não se justificam mais e indicam, nas perspectivas para o século XXI, a educação como pilar para alicerçar os ideais de justiça, paz, solidariedade, liberdade.
O relatório Jaques Delors (1998), originado da Reunião Internacional sobre Educação para o Século XXI da UNESCO, influenciou o movimento de interdisciplinaridade e de um currículo por competências, além de um currículo por áreas, com a formulação das quatro grandes necessidades de aprendizagem ou os quatro pilares da educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.
Figura 1. Os quatro pilares da educação. Fonte: DELORS, 1998.
No Brasil, as Novas Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio (DCNEM) e as Diretrizes Curriculares para a Educação Profissional (DCNEP), ambas baseadas em competências, tiveram como fundamento os princípios axiológicos expostos nas respectivas diretrizes, na verdade, uma releitura desses pilares. Nesse documento, e em outros que orientaram as reformas, a principal finalidade da educação contemporânea seria a formação de personalidades flexíveis para a adaptação à realidade instável e incerta. A era das diretrizes coincide, assim, com a era das incertezas (CIAVATTA; RAMOS, 2012).
De acordo com Belloni (2012 apud FANTIN e RIVOTELLA, 2012), ao final da década de 1990, a Conferência Internacional “Educando para as Mídias e para a Era Digital” (UNESCO, 1999), apresenta claramente a percepção sobre a necessidade de uma “nova” organização, estrutura e relações na escola, destacando a mídia-educação como direito da criança e do adolescente, ressaltando aspectos, como:
crianças e adolescentes, pela primeira vez, são considerados como parceiros efetivos (e não mais apenas como objetos/destinatários das ações) na discussão e definição de propostas;
mutações tecnológicas são incorporadas como elementos essenciais a considerar, e não apenas como suporte técnico;
surgem megatendências comuns em relação à mídia-educação.
deve emanar dos interesses dos estudantes;
significa pensamento crítico e deve levar à construção de competências de análise crítica;
a produção de mensagens pelos estudantes é um elemento essencial para a construção do pensamento crítico e da expressão;
é necessária a participação e a democracia, ou seja, é fundamental para a cidadania;
deve considerar que a globalização, a desregulação e a privatização das mídias levam à necessidade de novos paradigmas de educação;
deve incluir todas as mídias, não mais focalizar apenas, ou principalmente, as mídias impressas, mas deve incluir as “múltiplas alfabetizações”.
Ou seja, a noção de educação para todas as mídias abrange todas as maneiras de estudar, de aprender e de ensinar em todos os níveis (...) e em todas as circunstâncias, a história, a criação, a utilização e a avaliação das mídias enquanto artes plásticas e técnicas, bem como o lugar que elas ocupam na sociedade, seu impacto social, as implicações da comunicação mediatizada, a participação e a modificação do modo de percepção que elas engendram, o papel do trabalho criador e o acesso às mídias (BELLONI, 2012 apud FANTIN e RIVOTELLA, 2012).
Neste período, segundo Maia e Barreto (2012), estudos e propostas de incentivo ao uso das tecnologias passam a integrar leis e ser propagados. A Lei de Diretrizes e Bases (LDBEN – Lei 9394/96) preconiza, para a formação básica do cidadão em nível de Ensino Fundamental, dentre outros, a compreensão da tecnologia e suas implicações na sociedade. Para o Ensino médio, esta recomenda, no artigo 35, inciso IV, que sejam explorados os conhecimentos científico- tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.
O volume introdutório dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) do Ensino Fundamental destaca “a necessidade crescente do uso dos computadores pelos alunos como instrumento de aprendizagem escolar, para que possam estar atualizados em relação às novas tecnologias da informação e se instrumentalizem para as demandas sociais presentes e futuras” (BRASIL, 1998).
É o princípio do reconhecimento oficial das TDICs como recursos que podem favorecer a criação de espaços mais significativos e eficazes na construção de conhecimentos.
Realizando um balanço crítico, segundo Cambi (1999), o século XX foi dramático, conflituoso, radicalmente inovador em cada aspecto da vida social: em economia, em política, nos comportamentos, na cultura. Percebo que na educação, teorias e ideias começavam a ser discutidas.