PHASE D’EXPLOITATION
9.5 EDITION DE LIEN
A cadeia têxtil-confeccionista internacional é caracterizada por variedade nos processos produtivos e na concorrência entre países periféricos e desenvolvidos. Nestes, ao longo das últimas décadas, o setor confeccionista vem substituindo, por meio de estratégias competitivas, os produtos padronizados dos grandes mercados massificados por produtos que incorporam mais intensamente os conceitos de moda e estilo. Assim, naqueles países o foco da concorrência, além do fator preço, tem se concentrado mais no design e qualidade dos produtos e matérias-primas. Algumas regiões e localidades de países subdesenvolvidos têm buscado adotar também essa estratégia (CASTRO, 2004).
Os maiores produtores mundiais de artigos confeccionados são, pela ordem: China, Índia, Paquistão, México e Turquia. O Brasil é o sexto maior produtor mundial, como mostra a Tabela 3.1.
Tabela 3.1- Produção mundial de confecções (1.000 t). 2006 Países Produção (%) China 13.625 36,8 Índia 2.571 6,9 Paquistão 1.255 3,4 México 1.227 3,3 Turquia 1.215 3,3 Brasil 1.062 2,9 Itália 905 2,4 Coréia Sul 846 2,3 Taiwan 816 2,2 Indonésia 611 1,6 Malásia 605 1,6 Canadá 600 1,6 Romênia 596 1,6 Tailândia 588 1,6 Estados Unidos 548 1,5 Bangladesh 513 1,4 Malásia 600 1,6 Outros 9.480 24,1 Total 37.663 100 Fonte: IEMI, 2007
Conforme OMC (2008), em 2006, o comércio internacional de confecções foi de U$$ 311 bilhões e representou cerca de 2,6% do comércio de mercadorias e 3,8% em relação aos produtos manufaturados comercializados mundialmente. Entre os anos de 1980 e 1985, a participação das confecções nas exportações mundiais de mercadorias foi de 4%. Entre 1985 e 1990 ela passou a 18%. De 1980 a 2006, ocorreram oscilações dessa participação, mantendo- se, entretanto, percentuais superiores aos observados no começo da década de 1980, como pode ser visto na Tabela 3.2.
Tabela 3.2 - Confecções e têxteis: participação (%) nas exportações mundiais de mercadorias. 1980- 2006
Período Têxteis Confecções
1980-85 1 4 1985-90 15 18 1990-95 8 8 1995-00 3 5 2000-06 5 8 2004 12 11 2005 5 7 2006 7 12 Fonte: OMC, 2007
Atualmente, os países que mais exportam vestuário são China, Hong Kong, Itália, Alemanha e Turquia. Em 2005, o Brasil ocupou a sexagésima posição entre os países exportadores de roupas. Apesar de ser um grande produtor, o país exporta pouco a sua produção (IEMI, 2007).
Países Exportadores U$$ Milhões
1. China 74.163 2. Hong Kong 27.292 3. Itália 17.484 4. Alemanha 11.842 5. Turquia 11.818 6. Índia 8.290 7. França 7.964 8. México 7.271 9. Bangladesh 6.418 10. Bélgica 6.354 11. Países Baixos 5.379 12. Indonésia 5.106 13. Estados Unidos 4.998 14. Vietnã 4.805 15. Romênia 4.627 16. Reino Unido 4.561 60. Brasil 337 Subtotal 208.709 Outros 66.930 Total 275.639
Quadro 3.2 - Principais países exportadores de vestuário. 2005. (U$$ Milhões) Fonte: IEMI, 2007
A Ásia, ao longo dos últimos anos, tem se destacado como o continente que mais exporta confecções. Em 2006, de lá saíram 52,3% das exportações mundiais. A região que mais
importa os produtos confeccionados asiáticos é a América do Norte. No ano de 2006, foram para este continente 34,6% das exportações asiáticas de confecções e 31,9% foram exportados para a Europa. Esta respondeu, em 2006, por 34% das exportações mundiais. O próprio continente europeu absorveu 83% das suas exportações, no comércio intracontinetal; para a América do Norte foram 4,8% das suas exportações de confeccionados. A América do Norte foi responsável por 3,2% das exportações mundiais de confecções, sendo que 77,1% foram consumidos pelos seus próprios países e outros 10,9% foram para a América do Sul (OMC, 2008).
Em se tratando das importações de confeccionados, em 2006, a União Européia foi a maior importadora. Em termos individuais, os EUA foram os maiores compradores, com 24% do total importado; o segundo país que mais importou foi a Alemanha. O mercado consumidor norte-americano é o maior e mais diversificado do mundo. Os países em desenvolvimento predominam largamente como exportadores. Já na importação, lideram os países desenvolvidos (OMC, 2008).
Países Importadores U$$ Milhões
1. Estados Unidos 80.071 2. Alemanha 23.885 3. Japão 22.541 4. Reino Unido 19.204 5. Hong Konk 18.437 6. França 16.936 7. Itália 11.476 8. Espanha 8.630 9. Russia 7.843 10. Países Baixos 7.444 11. Bélgica 7.277 12. Canadá 5.976 13. Suíça 4.722 14. Áustria 4.379 15. Austrália 3.120 16. Dinamarca 2.990 56. Brasil 227 Subtotal 245.158 Outros 30.483 Total 275.641
Quadro 3.3 - Principais países importadores de vestuário. 2005. (U$$ Milhões) Fonte: IEMI, 2007
O comércio internacional de artigos confeccionados vem mostrando dinamismo, crescendo a 5,9% ao ano na década de 1990, enquanto as trocas internacionais para todos os produtos cresceram a uma taxa anual de 4,6% e as de produtos têxteis aumentaram apenas 2,6% ao ano. Nos anos 90, tal dinamismo foi acompanhado por importantes mudanças no setor de vestuário, as quais estavam vinculadas às transformações que vinham ocorrendo na indústria têxtil em âmbito internacional desde meados da década de 70 (BNDES, 2001).
A partir da década de 1970, tradicionais produtores têxteis, os norte-americanos e europeus, perderam competitividade em relação a alguns países periféricos, como por exemplo, para os chamados “tigres asiáticos” (Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong), Indonésia, Tailândia, China, Índia e o Paquistão, levando os primeiros a adotarem importantes mudanças em suas estratégias competitivas. Tais mudanças trouxeram um novo padrão de concorrência, baseado não apenas no fator preço, mas também em qualidade, flexibilidade e diferenciação de produtos, além da própria organização do comércio dentro dos blocos Nafta e União Européia. Assim, os países destes blocos econômicos buscaram unir os avanços tecnológicos alcançados na indústria têxtil ao baixo custo da mão-de-obra de alguns países periféricos, que passaram a atuar crescentemente na confecção, segmento que ainda permanece bastante intensivo em mão-de-obra (GORINI, 2000).
Essa reação européia e norte-americana produziu alterações na produção, no consumo e na cadeia têxtil-confeccionista em âmbito global. Diante da dificuldade em concorrer nos segmentos de menor valor agregado, dominados pelos asiáticos, a indústria dos países avançados buscou nichos de mercado mais lucrativos, representados pelas fibras sintéticas.
Para enfrentar a concorrência dos países periféricos, os produtores europeus e norte- americanos investiram significativamente em novas tecnologias de concepção e processo, além de adotar estratégias de marketing inovadoras, ampliando a velocidade do lançamento de novas coleções e diversificando ainda mais as linhas de produtos. As estratégicas da indústria vêm tornando cada vez mais voláteis as demandas da moda, o que, por sua vez, faz pressão no sentido de reduzir os tempos de concepção, produção e comercialização de artigos confeccionados (GORINI, 2000).
Nessa nova estrutura competitiva, as importâncias que assumem a logística e a necessidade de otimização estimulam a formação de redes integradas por ateliês de concepção e design, passando por fornecedores de fibras, produtores de tecidos e confecções, chegando ao comércio de varejo. Algumas redes são centradas em fabricantes de fibras, tecidos ou confecções, outras são coordenadas por grandes cadeias varejistas ou grandes lojas de departamento.
Por conta da atividade confeccionista permanecer intensiva em mão-de-obra há um estímulo a internacionalização, com o deslocamento das confecções para países onde tal fator é abundante e, conseqüentemente, barato. Os EUA e a Europa tendem a concentrar em seu território a concepção, o design, o gerenciamento de suas marcas e toda a logística associada, deslocando para regiões de baixos salários a totalidade da confecção ou apenas suas etapas mais trabalho intensivas, como a costura e o acabamento (GORINI, 2000).
Assim, na distribuição espacial da indústria confeccionista, pelo seu caráter intensivo em mão-de-obra, esta continua sendo importante na relocalização da oferta mundial. Isto ocorre, pois as empresas entendem o custo desse fator como uma vantagem competitiva que elas podem adquirir quando escolhem a localização dos investimentos. Esta é uma explicação para o deslocamento da referida indústria em direção aos países subdesenvolvidos e de industrialização tardia, como China, Índia, Paquistão e México (BNDES, 1996).
A proximidade com os centros consumidores e a existência de acordos regionais ou bilaterais, envolvendo preferências tarifárias têm sido fatores decisivos para a integração de economias periféricas àquelas redes dinâmicas. No caso da Europa, a subcontratação tem se dirigido para a Turquia, alguns países do Norte da África e do Leste Europeu. Já os EUA têm integrado em seu circuito de produção de artigos confeccionados, principalmente, o México e a América Central. Como toda a cadeia têxtil conta com uma proteção tarifária bastante superior à média dos demais setores, a existência de acordos de preferência tarifária vem tendo uma forte influência sobre os custos (PROCHNIK, 2002).
Outra tendência está ligada diretamente ao setor de fibras. A participação das fibras químicas no total de fibras têxteis consumidas no mundo, entre 1980 e 2000, passou de 13,2% para 22,6%, ao passo que o consumo das fibras naturais vem caindo. Mostra disso é que nos anos 80, a participação do consumo de fibras naturais no total de fibras têxteis era de 56% e caiu, em 2000, para 46%. Isso é preocupante no que tange ao Brasil, pois este é um país com maior competitividade justamente nesse segmento em queda. Na seção seguinte, disserta-se sobre a indústria confeccionista no Brasil (BNDES, 2001).