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Ecological model of coralligenous suitability

Chapter 5. Value Transfer of Sea Warming and Acidification: An

5.4 Environmental value transfer

5.4.1 Ecological model of coralligenous suitability

Para eles, patriarcalismo, militarismo, poder governamental, corporações industriais, massificação e valores sociais tradicionais como parte de uma instituição única

não tinham legitimidade. (…) O que se via mesmo era uma juventude rica e

escolarizada que rejeitava as injustiças e desigualdades da sociedade americana, nomeadamente a segregação racial, contra a qual passaram a lutar. Rapazes e moças que desconfiavam do poderio econômico-militar e defendiam os valores da

natureza. Na sua expressão mais radical, abandonavam o conforto dos lares

paternos e rumavam para as cidades, para aí viver em comunidade com outros hippies. Por tudo isso, tanto o termo beatnik quanto hippie ganharam sentido 13 14

pejorativo para a grande massa norte-americana (GONÇALO JUNIOR, 2012, p. 79 – grifos nossos).

No Brasil, durante a ditadura militar, os hippies também foram criticados. Gonçalo Junior (2012) conta que nos anos 1960 a imprensa brasileira abordava o movimento hippie de forma vaga, distorcida ou preconceituosa. Apenas em 1968 a revista “Realidade” – publicada pela Editora Abril – produziu uma matéria mais aprofundada sobre o assunto intitulada “Façam amor, não a guerra”. No texto, esclarecia-se que o movimento pregava a não violência e a liberdade em todos os sentidos – principalmente sexual – ideias representadas na máxima “Paz e Amor” (Peace and Love, fig. 05). Nessa época, muitos jovens estadunidenses estavam no Vietnã lutando uma guerra da qual sequer sabiam o real motivo; além disso, a Guerra Fria anunciava episódios tensos que poderiam resultar em confrontos nucleares entre Estados Unidos e União Soviética com proporções catastróficas. Estava na pauta dos hippies questões ambientais, prática do nudismo e emancipação sexual das mulheres; culturalmente ouviam rock e apreciavam a literatura beat. 15

“indivíduo que rejeita o conformismo burguês, os seus costumes e valores convencionais, assumindo uma 13

filosofia de vida e um comportamento pessoal exóticos para o padrão médio > tb. se diz apenas beat” (HOUAISS, 2001, p. 421)

“1 diz-se de ou pessoa, ger. jovem, que, nas décadas de 1960 e 1970, rejeitava as normas e valores da

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sociedade de consumo, se vestia de modo não convencional (com influência da moda oriental), deixava crescer os cabelos, desprezava o dinheiro, o trabalho formal, freq. vivia em comunidades, pregava a não- violência, a liberdade sexual e freq. a liberação das drogas.” (HOUAISS, 2001, p. 1541)

Segundo Gonçalo Junior (2012), dois livros são referência para a literatura beat: “O apanhador no campo de

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Figura 05 – Em uma fazenda entre Washington e Nova York, ocorreu de 15 a 18 de agosto de 1969 o Festival de Woodstock, considerado um marco do movimento de contracultura da década de 1960.

Fonte: Timothy Dumas.

Napolitano (2018) ressalta que com as comunidades hippies surge uma forma não comercial de viver a cultura com base na prática do artesanato, na diluição das fronteiras vida- arte e na busca de novos valores morais voltados para o chamado sexo livre. Nesse meio, o uso de drogas – como a maconha e de alucinógenos como o LSD – era visto como uma utopia de libertação individual e interior que ajudava a “expandir a mente”. Gonçalo Junior (2012) destaca que o consumo de drogas misturava-se com conceitos religiosos indígenas e com filosofias religiosas asiáticas do budismo e do hinduísmo. Esse autor lembra ainda que muitos dos hippies estadunidenses foram soldados que tiveram contato com a cultura oriental, sendo influenciados pelo seu modo de viver para protestar. A “libertação individual” do movimento

hippie acabava sendo diferente da “libertação coletiva” buscada pelos jovens politicamente

engajados contra a ditadura. Almeida e Weis (2010) observam que, no meio dos politicamente engajados, as questões pessoais, as relações afetivas e o sexo eram deixados, na maioria das vezes, em segundo plano. Segundo Napolitano (2018) no Brasil surgiu a gíria “desbunde” para se referir àqueles que buscavam uma nova forma de viver, além da sociedade

estabelecida. Este termo, criado pelos politicamente engajados de esquerda, tinha uma conotação pejorativa identificando os jovens que preferiam a “curtição” a lutar contra a ditadura “os que se recusam a pautar suas composições [músicas] nesse jogo de referências ao regime [militar], ou que preferem não adotar o papel de porta-vozes heroicos da desgraça do povo, são violentamente criticados, tidos como ‘desbundados’, ‘alienados’ e até ‘traidores” (HOLLANDA, 2004, p. 103)

Claudio Seto chegou a abordar a temática hippie na história “O mordedor de bum- bum” (fig. 06) da edição número 12 de Maria Erótica na Grafipar. A narrativa trata de um casal hippie que procura um local para transar e acaba, sem saber, indo parar na casa de um vampiro, arqui-inimigo da heroína. Podemos observar evidências do movimento hippie através da temática de liberação sexual e do modo dos personagens se vestirem e falarem.

Figura. 06 – Na história “O mordedor de bum-bum” (Maria Erótica – edição n.º 12 – roteiro e ilustrações de Claudio Seto) há um casal com características que remetem ao movimento hippie por meio da aparência, do linguajar e do comportamento: cabelos longos, liberdade sexual, ecologia, filosofia oriental e misticismo.

Fonte: Acervo Família Seto.

Segundo Gonçalo Junior (2018), a primeira vez que o termo hippie apareceu na imprensa estadunidense foi em 6 de setembro de 1965, em um artigo publicado em um jornal de São Francisco. O autor destaca a manifestação de 15 de janeiro de 1967 – também em São Francisco – com a presença do poeta beatnik Allen Ginsberg (1926-1997) que recitou hinos religiosos hindus ao som de cítaras e tambores. Mas, provavelmente, o mais emblemático evento da contracultura da época ocorreu em agosto de 1969, na fazenda Woodstock próximo à Nova York. Durante três dias, cerca de 500 mil jovens se reuniram em um festival de rock onde tocaram Janis Joplin (1943-1970), Jimmy Hendrix (1942-1970, Joe Cocker (1944-1914), entre outros.

No Brasil, Gonçalo Junior (2012) ressalta que, por volta de 1969, duas aldeias de pescadores do litoral baiano se tornaram polos do movimento hippie: Arembeque e Buraquinho. Visitá-las era uma espécie de batismo para os novos adeptos do movimento. Buraquinho, posteriormente, foi cenário para o primeiro filme dirigido por Glauber Rocha, “Barravento”; já Arambeque, com sua fazenda de coqueirais, chegou a ser visitada pela cantora Janis Joplin.