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5.2 Comparaison des algorithmes

5.2.1 Eau Pure

A seguir apresentam-se os itens da fase de 1ano a 1 ano e 5 meses. “1. Anda sozinha.

2. Repete sons de animais conhecidos (au-au, miau-miau,...). 3. Folheia sozinha as páginas de revistas ou livros.

4. Compreende o que lhe dizem. 5. Fala o nome de objetos conhecidos. 6. Coopera na hora de colocar roupas.”

(Fonte: Tabela para Observação do Desenvolvimento Infantil, de 1ano a 1a 5m, 2012.) No gráfico abaixo estão distribuídos os dados desta Amostra, composta por 101 indivíduos, os bebês desta fase etária.

Gráfico 10 – “Comportamento não apresentado” na fase de 1 ano a 1 ano e 5 meses

Fonte: Elaborado pela autora, conforme dados das TODIs, 2012.

A caracterização do desenvolvimento infantil dos bebês, indivíduos que compõem a Amostra D, pode ser descrita da seguinte forma: A unanimidade da Amostra compreende o que lhe é dito. Aproximadamente 90% dos indivíduos que compõem a Amostra andam sozinhos, folheiam páginas de revistas ou livros e cooperam na hora de colocar roupas. Em torno de 55% dos indivíduos da Amostra repetem os sons de animais conhecidos. Vinte e cinco por cento da Amostra fala o nome de objetos conhecidos.

Nos estudos de Rombe (2012), um percentual de 67% das crianças apresentou risco para o desenvolvimento na área da linguagem. O percentual expresso anteriormente foi menor, porém próximo ao encontrado na presente pesquisa (75%), na variável “comportamento não apresentado: falar o nome de objetos conhecidos”, item 5, o que pode indicar um possível risco no desenvolvimento da linguagem.

Nesta fase, os itens ligados à linguagem (2. Repete sons de animais conhecidos e 5. Fala o nome de objetos conhecidos) foram os comportamentos que tiveram em suas variáveis de “comportamento não apresentado” as maiores expressões na Amostra, apesar de suas expressões serem percentualmente bastante distintas, 42% e 75% respectivamente.

Os estudos de Lima (2011), na faixa etária de 0 a 2 anos, apontaram atrasos nas áreas pessoal-social e de linguagem, o que de certa forma corrobora os dados aqui encontrados.

A disparidade percentual verificada por esta pesquisa na área de linguagem conduz a algumas reflexões.

O uso da “onomatopeia” seria uma forma de expressar o desenvolvimento da linguagem oral?

Vygotski (1991) resumindo o desenvolvimento filogenético da relação entre pensamento e linguagem refere-se que há uma fase pré-intelectual no desenvolvimento da linguagem, assim como uma fase pré-linguística no desenvolvimento do pensamento.

Para a teoria vigotskiana o desenvolvimento da linguagem oral passa por três etapas. A etapa que caracteriza o primeiro ano da criança, onde ela ainda não domina a linguagem em si, denomina-se etapa pré-linguística, onde os momentos dos ruídos, dos murmúrios e balbucios e ainda, das pseudopalavras. Na época das pseudopalavras a criança emite sons, com entonação, acentuação e articulação única, compostos por uma ou mais sílabas, com a finalidade de reproduzir a estrutura sonora dos fonemas de maior complexidade; daí sua importância, “[...] à sua base, ocorre a modelagem social requerida ao estabelecimento de relações entre objetos ou fenômenos, sons e significados [...] as pseudopalavras, por sua proximidade com as palavras do idioma, representam seus mais efetivos pré-requisitos.” (MARTINS, 2012, p.106).

Não falar o nome de objetos conhecidos refere-se à linguagem ou à formação de conceitos que envolvem estes objetos?

Cada palavra representa uma generalização, pois ela não se refere unicamente ao simples objeto, mas à história e à cultura desta classe ou grupo de objetos (VYGOTSKI, 1991). Pode-se concluir, portanto, que ao emitir uma palavra, uma combinação de duas sílabas, uma pseudopalavra, ainda que de forma desarticulada, a criança indica que estabeleceu a relação entre fala e pensamento, mesmo que incipiente, demonstrando o potencial para generalizações e expressões complexas do seu pensamento.

Como tem sido a mediação dos adultos com estas crianças no espaço escolar através do uso da linguagem oral? Como é o acesso destas crianças aos objetos que historicamente foram produzidos? Se a totalidade da Amostra compreende o que lhe dizem (item 4) o que as impede de expressarem seu pensamento através da linguagem oral para nomear os objetos?

Acredita-se baseados na compreensão vigotskiana, que a qualidade das relações sociais e dos objetos culturais disponibilizados às crianças é definidor da sua forma de expressar-se pela linguagem e que a conquista da linguagem é uma fase decisiva qualitativamente, tornando-se crucial em seu processo de desenvolvimento.

Em relação à bipedestação (item 1) infere-se que a descoberta do espaço para a locomoção e a libertação dos membros superiores, aliadas às outras aquisições deste primeiro ano, ampliam e complexificam tanto as relações do bebê quanto suas ações, mostrando uma estreita unidade entre as funções motoras e as sensoriais, o que é característica da primeira infância (VYGOTSKI, 2006).

Vygotsky (1991, 2006, 2010) considera que na primeira infância, o desenvolvimento da percepção é a base sobre a qual o desenvolvimento das demais funções se consolida. Por isso, a atenção e a memória, neste período, são processos involuntários e dependentes dos estímulos externos.

Nesta faixa etária, em que a conquista da linguagem oral torna-se significativa, pois é o momento da consolidação e intersecção entre linguagem e pensamento na efetivação do pensamento verbal e da fala intelectual com significados (VYGOTSKI, 2006), identifica-se o quanto a relação social estabelecida com os bebês nas creches e berçários precisa melhorar qualitativamente, pois somente diante de falas diversas, expressões verbais diferenciadas, histórias contadas e cantadas, conversas coletivas, dentre outras formas de expressão verbal, é que será possível às crianças avançarem no seu desenvolvimento, pois, isoladas no seu berço, dificilmente conquistarão aquilo que a humanidade construiu e que diferenciou o homem dos animais, a linguagem de significados sociais, expressa por signos da cultura humana.

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