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Dynamique au voisinage d’un point fixe

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O modelo a ser utilizado no Psicodiagnóstico Interventivo Fenomenológico- Existencial deve ser considerado como uma etapa do processo. Proponho uma investigação por meio de entrevista semidirigida, ou seja, há temas a ser explorados junto aos clientes, propiciando-se a livre expressão daquilo que querem comunicar. Assim, não é possível estabelecer a duração dessa avaliação, que pode ser feita em uma ou mais sessões.

A compreensão da religiosidade contempla diversos aspectos e para abarcá- los escolhi as pautas que a definirão, conforme segue:

I. Aderência ou não a uma religião.

Dentro desse tema é importante focalizar, caso a resposta da pessoa seja afirmativa, se o indivíduo freqüenta uma comunidade religiosa, se segue os rituais correspondentes a sua religião e como o faz. A idéia é que se tenha acesso à experiência da pessoa nesse domínio, bem como ao sentido que isso tem para ela.

É possível que se obtenham respostas em que a pessoa afirma ter uma religião, mas não praticar os cultos referentes a ela.Também nesse caso, é importante verificar por que isso ocorre, qual sua posição diante dos cultos religiosos, de que forma ela entende a religião que professa.

É possível, ainda, que a pessoa diga que não possui nenhuma aderência religiosa, e também nesse caso é necessário entender o que a pessoa tem a comunicar sobre o fato.

II. Crença em Deus, entidade ou princípio superior.

Qualquer que seja a resposta é importante que o cliente explique sua crença ou não-crença. Em caso positivo, outro ponto a ser explorado é de que maneira tal

crença é tratada na família, especialmente em relação à criança trazida para diagnóstico. Explicando melhor, é importante investigar tais crenças são transmitidas para a criança no dia-a-dia. Existem pais que fazem das crenças religiosas ou da crença em Deus uma fonte de coerção ou até de punição. Outros utilizam-nas como fonte de esperança e de amparo. O modo de lidar com a questão vai constituindo a subjetividade da criança e pode ser fonte tanto de coragem e autodeterminação quanto de insegurança e de sentimentos de menos-valia.

III. Significado da crença.

É importante entender o significado da crença para o indivíduo e que lugar ela ocupa em sua vida e, a partir disso, que conseqüências pode trazer. Para algumas famílias as crenças religiosas são levadas a extremos, ocupando lugar central em suas vidas. É freqüente em algumas delas, por exemplo, a não-permissão para que a criança assista à televisão, ponha determinada roupa ou brinque com certos brinquedos. Contudo, essa mesma criança, para quem são feitas tais restrições, está na escola com outros colegas que possuem objetos desejados por ela, que fazem comentários sobre fatos que ela se vê impedida de discutir. Avaliar as conseqüências desse modo de viver, no desenvolvimento psicológico da criança, bem como a forma como lida com as limitações impostas pela religião professada, parece-me condição de possibilidade para a compreensão do caso.

IV. Crença vivenciada em família e em relacionamentos interpessoais.

Este tema destina-se a investigar se a crença é algo apropriado pelo indivíduo, se é vivida na família e nos relacionamentos ou se é algo distante, que funciona como uma abstração, dissociada da realidade da pessoa. De qualquer modo, a idéia é poder visualizar de que forma isso repercute no universo da criança.

V. Desenvolvimento da fé ou da atitude religiosa.

Esse tema destina-se a verificar se a fé, a religiosidade e a aderência a uma religião modificaram-se ao longo de sua vida, ou se manteve constante. Caso o cliente identifique modificações, deve-se entender como ocorreram, em que ocasião, se elas foram determinadas por algum fato especial e se trouxeram conseqüências para sua vida.

VI. Hábito de orar, rezar ou meditar.

Caso a resposta seja afirmativa, deve-se explorar seu significado para o cliente. Caso seja negativa, deve-se entender a argumentação do cliente. Também nesse caso é importante observar de que forma isso é transmitido para a criança.

VII. Questões-limite da existência: nascimento, vida e morte.

Qual o sentido ou significado dessas instâncias para a pessoa. Atenção especial deve ser dada para entender o tratamento dessas questões no âmbito familiar, especialmente no que diz respeito à criança.

VIII. Relação entre a religião ou o sistema de crenças e a queixa apresentada a respeito da criança.

Nesse item, a idéia é que seja perguntado aos pais se eles estabelecem alguma relação entre a religião ou o sistema de crenças religiosas que professam e a queixa da criança. É importante considerar que os pais nem sempre aludem a uma ligação direta entre esses aspectos; no entanto, ao ser indagados a respeito, podem surgir fatos, associações e questionamentos que contribuem para o enriquecimento do processo Psicodiagnóstico Interventivo.

IX. Ensinamentos religiosos para a criança.

Esse tema destina-se a compreender se existem ensinamentos religiosos formalmente transmitidos ou se eles se evidenciam apenas em algumas atitudes dos adultos. Em caso de resposta afirmativa, é interessante verificar a opinião dos pais sobre a compreensão da criança em relação a tais ensinamentos. E mais ainda, se esse fato tem alguma influência ou atua de algum modo na vida da criança.

X. Tema livre.

Busca permitir um espaço para que a pessoa possa comunicar o que quiser sobre os temas ou sobre qualquer coisa que eles tenham mobilizado nela.

Essa sugestão de temas foi feita buscando-se maior abrangência e atendendo aos critérios para a avaliação da religiosidade, propostos por Fitchett. Conseqüentemente, tais temas permitem um aprofundamento na compreensão diagnóstica obtida no Psicodiagnóstico Interventivo Fenomenológico-Existencial.

Explicando melhor, consideram a religiosidade explícita, ao pesquisar sobre a aderência a uma religião específica, e verificam outras eventuais crenças religiosas que a pessoa queira comunicar.

Abordam a religiosidade tanto do ponto de vista substantivo, como do ponto de vista funcional, quando propõem discorrer a respeito da função que as crenças exercem na vida do indivíduo, sejam elas provenientes de uma determinada religião formal ou advindas da particular experiência religiosa do sujeito.

É uma proposta multidimensional e também possibilita que sejam relatadas eventuais modificações na fé ou nas crenças religiosas ao longo da vida da pessoa.

Por se tratar de temas abertos à livre expressão, permitem ao cliente comunicar-se da forma que quiser, tornando possível para o psicólogo identificar expressões, atitudes e emoções veladas, dando a essa avaliação uma perspectiva dinâmica.

Tem um contexto holístico e psicossocial, na medida em que aborda a religiosidade na vida cotidiana da pessoa, tentando estabelecer relações entre as crenças do cliente e o relacionamento familiar.

Trata-se de descrever a religiosidade das pessoas com a finalidade de aprofundar e ampliar o conhecimento sobre elas, visto que entende a religiosidade como mais uma dimensão do campo fenomenal humano, no qual se registram as experiências.

Essa proposta parte do pressuposto que o indivíduo é um todo multifacetado, e uma dessas facetas é a religiosidade, que se articula às demais, formando uma gestalt. Está aberta tanto para encarar as disfunções que eventualmente possam advir das crenças religiosas, quanto para contemplar o crescimento que delas pode provir.

Esse procedimento está sendo sugerido para ser inserido no processo de Psicodiagnóstico Interventivo, que é de caráter compreensivo e de relação não hierárquica entre psicólogo e cliente – ambos estabelecem uma relação horizontal, em que o diagnóstico é realizado e compartilhado pelos dois. Assim, tal inserção também implica distribuição equivalente da autoridade entre psicólogo e cliente É aplicável a todas as religiões e a contextos plurais.

Indaga não apenas a respeito da religiosidade dos membros da família, como também a respeito de como isso é transmitido à criança e por ela compreendido.

Por fim, visa a obter um conhecimento sobre o aspecto religioso dos pais e da criança, dando relevo à dimensão que ele ocupa na vida dos membros da família.

A meu ver, essas características são importantes na medida em que fazem a articulação entre compreensão da religiosidade e o Psicodiagnóstico Interventivo Fenomenológico-Existencial.

CAPÍTULO V

O PSICODIAGNÓSTICO INTERVENTIVO FENOMENOLÓGICO-

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