1.4 Modélisation mathématique de la mitose
1.4.4 La dynamique des chromosomes
No mundo acadêmico, exige-se do estudante universitário que faça pesquisas bibliográficas, a partir de vários objetivos, dentre os quais, destaca-se a análise ou o confronto de teorias diversas. Nesse contexto, o resumo constitui uma prática discursiva da comunidade acadêmica que tem por finalidades o registro de leitura para recuperação futura de informações ou a verificação de leitura.
Orientado pela primeira finalidade, o aluno-produtor projeta-se como futuro leitor desse texto-resumo, que poderá utilizá-lo para estudo ou como fonte de consulta para a produção de outros gêneros do domínio acadêmico: resenhas críticas, monografias, ensaios, artigos, relatórios de pesquisa, palestra, conferência, apresentação de comunicações em seminários temáticos, etc. Sob esse enquadre, os mecanismos de controle da produção do resumo são definidos pela própria tarefa, que leva o aluno-produtor a se projetar como futuro leitor do seu texto e, conforme destaca Costa Val (1997), a tomar algumas decisões, quais sejam:
• Que conceitos ou informações deverá registrar?
• Qual a melhor forma de ordená-los para que as relações entre eles possam ser, no futuro, facilmente recuperadas?
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Nesse contexto, memória discursiva deve ser entendida como “redes de filiação histórica que organizam o dizível” (cf. ZOPPI-FONTANA, 2002, p. 178). Esse conceito será retomado no capítulo 3.
• O que deixou de anotar é facilmente resgatável ou exigirá a leitura do texto-base?
• Deve incluir alguma observação ou comentário?
Nesse tipo de resumo, espera-se que a voz do produtor se manifeste, isto é, que se instale um enunciador que avalia o que está sendo por ele exposto, que deixa manifestar ali o seu ponto de vista, o qual, muitas vezes, não difere do enunciador do texto-base. Essa estratégia, no entanto, é rejeitada pelos manuais de redação e de metodologia científica, alegando-se que isso compromete a fidelidade às idéias expressas pelo autor do texto-base.
A análise dos dados coletados nesta pesquisa evidencia que alguns dos recursos lingüísticos utilizados pelos alunos-produtores dos resumos acadêmicos sinalizam que o enunciador do texto-resumo não se coloca como espectador dos fatos expostos, mas assume posições (enunciativas) que compactuam com a do enunciador do texto-base. Além disso, procura envolver o destinatário do texto-resumo. Observe o exemplo: “Com tudo isso, conseguimos construir e decodificar dentro de um contexto vivido, várias formas de linguagem, como os diferentes textos acima nos mostraram”. (sujeito 15 – 1ª versão do resumo).
Vejamos um exemplo em que a aluna, ingressante em curso de Letras, faz uma leitura parafrástica14 do texto-base, buscando preservar o seu conteúdo informacional/semântico, fazendo referência à fonte pelo procedimento de reformulação, para usar uma classificação proposta por Boch & Grossman (2002, p. 98): “Segundo Cafiero”, “Cafiero afirma”, “A autora afirma”. Veja:
14 Segundo Orlandi (1987), a leitura parafrástica “se caracteriza pelo reconhecimento (reprodução) do sentido
dado pelo autor”. Neste trabalho, o termo está sendo usado para designar uma operação realizada pelo aluno- retextualizador que objetiva reproduzir aquilo que ele considera que foi dito pelo autor do texto-base.
Resumo do texto: “Self service com volta e cerveja com fusão – onde está o significado?, de Delaine Cafiero
Cafiero afirma que há informações importantes para a produção de sentido que não estão explicitamente codificados. Duas informações não-lingüísticas de forte presença são, segundo a autora, o gênero e a imagem.
Segundo Cafiero, o leitor deve ser mais que um decodificador para entender um texto. Ele deve conhecer seus elementos lingüísticos e seu funcionamento pragmático, que, por sua vez, contribuirão para a construção do significado do texto.
A autora afirma que o significado não está pronto no texto, por isto ele permite leituras diferenciadas. Mas, não é possível dizer que toda informação é produzida pelo leitor: as pistas, instruções, presentes no texto têm papel importante no processo de construção de significado.
Com a Pragmática, uma das disciplinas da Lingüística, as relações entre a língua e seus usuários passam a ser levadas em conta. A linguagem passa a ser concebida como prática social, como ação ou atuação sobre o real.
A partir dessa concepção de linguagem, se faz necessário analisar o ato de fala. A teoria dos Atos de fala dá conta não só da significação dos proferimentos, mas também de sua força. Ela, no entanto, dá excessiva ênfase ao locutor, ao autor, considerando o contexto como sendo fixo.
Um conceito mais flexível de um contexto regulado por normas e convenções sociais que agem no sujeito, inclui, segundo Cafiero, não só as informações da situação imediata de comunicação, mas também informações do conhecimento dos próprios leitores.
Na medida que não se deve desconsiderar as condições sócio-culturais das quais o sujeito lingüístico é participante ativo e que não pode haver uma desconexão entre o cognitivo (conhecimento do mundo) e o social (a interação com a sociedade, o meio) têm-se somado várias teorias na tentativa de dar conta da amplitude das questões que se apresentam no estudo da linguagem.
Nem a Pragmática e nem a Teoria dos Atos de Fala são suficientes para responder essas questões. Portanto, se faz necessário formular uma nova teoria que integre língua, cognição e sociedade, o que implicaria, além da já mencionada fusão de teorias, a reformulação dos princípios e a mudança de paradigmas. (sujeito 19 – 2ª versão do resumo)
A função/finalidade do gênero regula o propósito discursivo do produtor: apresentar, de forma clara, as informações consideradas relevantes, em função dos objetivos de leitura. Nesse trabalho de produção discursiva, o produtor esforça-se para dar ao seu texto uma configuração conceitual que dialogue com a do texto-base.
Tem-se aí um circuito comunicativo extremamente fechado, delimitado pelo quadro de participantes envolvidos (professor/aluno). Se o resumo se estende aos colegas, tal circuito é, relativamente, ampliado, mas parece que a função e o uso não se alteram.
Cumprindo a segunda finalidade (verificação de leitura), anunciada no início desta seção, o resumo esperado deve apresentar-se como um registro da compreensão do texto-base, ou seja, espera-se que o aluno-produtor demonstre habilidades necessárias para compreender o texto-base e registrar lingüisticamente tal compreensão (geralmente, na modalidade escrita). Nesse contexto de avaliação de leitura, em geral, o resumo é tratado como condensação do texto-base e são ressaltados traços normatizadores do gênero. Conforme já anunciado, essas prescrições podem provocar uma neutralização da voz do produtor (aluno- leitor) como se pode verificar no resumo que segue:
Self-service com volta e cerveja com fusão onde está o significado? DELAINE CAFIERO
Certas propaganda, para serem entendidas, exigem, de quem as ler, um certo conhecimento social. No caso do anúncio do restaurante, temos que ir alem do conhecimento, pois trata-se de um anúncio para pessoas que já convivem e conhecem um self-service. Agora, o anúncio da cerveja já é compreensivo, pois usa-se imagens das cervejas facilitando o conhecimento do leitor.
Para tentarmos decifrar um texto, temos que entender seu funcionamento pragmático: para quem se escreve? para qual finalidade e construído o texto?
Muitos textos tem um publico alvo, (como o da cerveja que se fundiu E o do restaurante self- service.) pessoas que já conhecem a atual situação, tanto da cerveja como do restaurante.
Antigamente os estudos sobre à lingua, não preocupava-se com os usuarios, mais, sim com os sons e com a escrita. Hoje já ha pesquisas que relacionam a linguagem como realidade social. Surgindo assim à teoria dos atos de fala, que abrange todos os conceitos de expressões da linguagem.
(sujeito 2 – 1ª versão do resumo)
A análise desse texto nos permite detectar que não há delimitação entre a voz do produtor do texto-base e a voz do produtor do resumo. A única referência à fonte é o título do texto-base. Parece que o aluno se orienta por uma representação de resumo como condensação do texto-base.