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— DU CHEVAL EN ACTION

Dans le document L E C H E V A L L ' A N E E T L E M U L E T (Page 59-154)

A partir dos depoimentos expressos pelos sujeitos de pesquisa, registrados nas entrevistas e questionários foi possível compreender distintos aspectos organizacionais da prática curricular que foi sendo desenvolvida na escola, ao longo da implantação da proposta pedagógica em tempo integral. Todos os sujeitos de pesquisa se pronunciaram, de uma forma ou outra, sobre o fato de que a Escola Storch vivenciou, em seu primeiro ano de funcionamento em tempo integral em 2011, uma proposta curricular de 7 horas de aula obrigatórias e uma ampliação de duas horas de atividades curriculares opcionais, conforme indicava o Programa Mais Educação (BRASIL, 2011), em andamento no país, integralizando 9 horas de atividades diárias.

Assim, o currículo da escola foi pensando com base no currículo globalizado da Rede Municipal que contempla os componentes curriculares de Língua Portuguesa, Ciências da Natureza, Matemática, História e Geografia, Educação Física e Ensino Religioso, o que foi chamado, no currículo ampliado da escola, de Parte Comum.

Contava, ainda, com a inserção de novos componentes para completar a carga horária proposta de 7 horas obrigatórias, sendo: Educação Ambiental, Jogos Matemáticos, Literatura Infantil, Informática Educativa, Musicalização, Ética e Cidadania, o que foi chamado de Parte Diversificada. Outrossim, as duas horas inseridas no “Programa Mais Educação” ofereciam: Recreação, Dança, Teatro, Acompanhamento Pedagógico (Português e Matemática). Esta caracterização curricular marca a intencionalidade de um currículo ampliado que visa o desenvolvimento da aprendizagem em tempo integral, diferenciando-se do desenho curricular na forma de ‘turno e contra turno’.

As crianças, por sua vez, poderiam chegar às 7 horas, no turno matutino, para tomar café e iniciar suas atividades em sala às 8 horas, permanecendo na instituição até as 15 horas, com a possibilidade de aderir ao ‘Programa Mais Educação’ até as 17 horas. A intensa movimentação das crianças causava desperdício de tempo, pois a troca de salas era demorada e as crianças não tinham professor de referência, o que dificultava a adaptação tanto das crianças como das professoras. A dinâmica adotada pela escola levou muitos profissionais a desistir de permanecer na instituição, além do horário de atendimento diferenciado das demais escolas da rede Municipal e também particular.

Havia duas turmas de cada ano (de 1º ao 5º ano). Com o número elevado de matrículas as salas ambientes que eram para ser de apoio tornaram-se salas de aula e isso comprometeu a organização com relação à qualidade do trabalho e a acomodação dos alunos, pois os espaços eram pequenos.

G3 (2018, p.14) relembra, em sua manifestação, as dificuldades encontradas no primeiro ano:

“Era muita criança... as mães mandavam muitas coisas na mochila das crianças e não havia espaço para guardar essas mochilas e como as crianças precisavam trocar de sala a cada duas horas as mochilas também iam junto, aí perdia-se muito tempo até organizar tudo e começar a dar aula”.

Era a primeira experiência da escola com uma proposta em tempo integral. As dúvidas e as incertezas eram evidentes, mas não mais do que a intencionalidade de fazer dar certo e concretizar em ações uma proposta diferenciada e inovadora. G2 (2018, p. 10 e 11) relata um pouco dessa experiência vivenciada:

“Esta Escola foi pensada por um grupo de pessoas que além da qualidade priorizaram a quantidade de alunos que poderiam atender. E assim, na primeira organização curricular contávamos com o dobro de alunos que atendemos

atualmente, desde a Pré-escola I até o 5º ano, pois constituímos duas turmas de cada faixa etária. Neste período nos deparamos com as dificuldades de logística e intemperes climáticas. Nosso espaço físico não estava preparado para o grande número de crianças, principalmente na organização do espaço para servir a alimentação, higiene, e no caso da educação infantil, o repouso. Os alunos a partir da Pré 1, participavam de todos os componentes curriculares, sendo que tínhamos dois grupos de alunos por turma, utilizando salas de apoio e quadra de esportes, para além das salas de aulas. A partir das dificuldades vivenciadas fomos nos dando conta do quanto precisávamos ir amadurecendo nossas ideias e trabalhar em constantes avaliações e mudanças da construção desta proposta”.

Em seus depoimentos, P2 (2018 p. 15)continua relatando dificuldades enfrentadas pelo grupo de professores no percurso de implantação do currículo da escola:

“Este processo foi muito difícil, pois o espaço físico não estava preparado para aquele número de crianças principalmente no que se referia à alimentação, higiene, e no caso da educação infantil, o repouso. Os alunos faziam um rodizio para serem atendidos em todo o currículo diferenciado oferecido dividindo-se em salas de aula, salas de apoio, pátio e quadra de esportes, os dias de chuva eram bastante tumultuados considerando esta organização”.

Além da falta de espaço físico para acomodar todas as crianças, havia um fluxo intenso de pessoas, professores e alunos, os quais circulavam por todos os espaços oferecidos pela escola para cumprir com o currículo e atender as crianças que ali estavam. Entretanto, esse movimento era desgastante para ambos.

Nos dizeres de G2 (2018, p. 11):

“O currículo abria a possibilidade para a adesão ou não das famílias pelas atividades do Programa mais Educação e por esse motivo a entrada e saída de crianças da escola era constante, praticamente toda a semana tínhamos crianças desistindo da participação das oficinas... Não havia controle do número exato de crianças que frequentavam as oficinas, dificultando o trabalho desenvolvido”.

Diante disso G2, ainda relata que tomou-se a decisão (equipe diretiva juntamente com a Secretaria de Educação) de efetuar a matrículas somente das crianças que aderissem ao tempo integral na escola. Isso favoreceu uma melhor organização do número de alunos e do próprio seguimento da proposta de trabalho. G3 (2018 p.12)relembra a preocupação em organizar um currículo que atendesse às necessidades das crianças que ali estavam:

“Passamos pela experiência de pensar como iriamos organizar a escola para atender o dia todo. Montamos um cartaz tentando priorizar e organizar os componentes curriculares que poderíamos nos utilizar na época (jogos teatrais, inglês, informática, jogos matemáticos, etc.). E na hora de aplicar a teoria fomos percebendo erros e acertos”.

Ao longo do processo investigativo foi possível perceber, a partir dos depoimentos dos sujeitos de pesquisa, que muitas informações referentes ao percurso da proposta do primeiro

ano de funcionamento da escola não foram devidamente registradas. Isso também justifica a importância da produção de dados a partir dos depoimentos expressos por professores e gestores que participaram de tal investigação. Muitas informações ficaram apenas na memória dos sujeitos, cujos relatos dizem respeito, por sua vez, a distintas situações vivenciadas, cuja sistematização e análise exige atenção às inerentes relações de complementariedade.

O período do meio dia (que compreendia das 12 às 13 horas) foi marcante na rotina da escola. E isso ficou evidenciado nas falas dos sujeitos entrevistados por várias vezes, a exemplo do depoimento de P4 (2018, p.22) que segue: “as crianças ficavam soltas no pátio, todos elas juntas, tínhamos uma pracinha, uma quadra sem cobertura e grama, não havia cobertura entre um prédio e outro.”.

O número elevado de crianças para o espaço físico que se apresentava inviabilizava um atendimento de qualidade naquele momento. Isso causou um estranhamento para muitos profissionais que acabaram não permanecendo na escola, pois não se adaptavam com a rotina da escola e nem com o currículo proposto pela mesma, especificamente no que se refere à ausência de professores referencias para as turmas, o horário de atendimento diferenciado das demais escolas do município, os muitos componentes curriculares que se apresentavam e a maneira como estavam dispostos para serem ministrados por cada professor.

Os depoimentos dos sujeitos envolvidos reforçam a primeira preocupação com o espaço físico, uma forma de acomodar as crianças para que assim se pudesse desenvolver atividades voltadas para o conhecimento e a aprendizagem de modo mais tranquilo. Isso porque o movimento proposto pela organização curricular (as trocas de sala pelos alunos) gerava agitação e desperdiçava tempo para acomodar os alunos.

Percebendo-se a necessidade de se repensar a proposta para o trabalho é que o grupo de professores, juntamente com a equipe diretiva e Secretário da Educação, reúnem-se após três meses de efetivo trabalho para realizar a primeira avaliação. Nessa discussão, acordou-se sobre a necessidade de mudanças que seriam essenciais para melhorar o trabalho com os alunos, tais como: a dinâmica de rodízio dos alunos pelas salas de aula, a importâncias de um professor referência para cada turma, melhoras na estrutura física da escola (calçadas no pátio, cobertura na ligação entre os prédios, quadra coberta, entre outros), necessidade de diminuir as turmas aos poucos para que a escola atendesse conforme as salas disponíveis. Estas foram as primeiras constatações que o grupo envolvido nesse processo teve após a primeira avaliação do trabalho desenvolvido.

Desta forma, como já referido nessa dissertação nas palavras de Gadotti (2009) a implantação do tempo integral nas escolas exige preparo técnico-político e formação de todos

os sujeitos envolvidos nesse processo para que assim, se possa desenvolver um trabalho coletivo embasado por um único objetivo: o da qualidade da educação e das aprendizagens como um todo. Pensando nisso é que a equipe diretiva e os professores da escola passam a reunir-se para reuniões e formações mensais, para em conjunto, pensarem ações para serem realizadas na busca de melhorias para a aprendizagem das crianças.

Segundo G4 (2018, p.7):

“Claro que tínhamos como foco a aprendizagem das crianças, mas naquele primeiro momento precisávamos resolver a demanda do número de alunos e os espaços físicos

disponíveis para acomodações dos mesmos.”

Relatos como o acima descrito mostram que o grupo de professores tinham como objetivo melhorar a aprendizagem dos alunos. Entretanto, a demanda maior que se tinha no primeiro momento era a gestão do quadro de funcionários que era composto de profissionais que só dispunham de 20 horas para trabalho em uma escola que funcionava em tempo integral, espaços físicos e a rotina como um todo (horário de refeições, trocas de roupas, higiene, entre outras situações que surgem no cotidiano de uma escola).

Com isso reforça-se a importância e a necessidade da sistemática reflexão e reavaliação das práticas e ações ao longo de todo o processo de criação e implantação de um projeto educacional. Em decorrência disso, são apresentados e discutidos a seguir alguns dados referentes à Segunda Proposta organizacional coletivamente vivenciada na escola.

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