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Drawing New Maps in the Sand Where the Past is Buried

Dans le document Heritage Regimes and the State W (Page 78-86)

OSVALDO MANESCHY – Vamos agora para a discussão do tema

“Visão Crítica do Processo Eleitoral Brasileiro”. Com a palavra o palestrante Ricardo Noblat, que tem limite de horário, pois tem de fechar a edição do Correio

Braziliense. Entendo isso, pois também sou jornalista. Depois de Noblat, falará o

senhor Douglas Rocha e, ao final, o senhor Celso Antônio Três.

RICARDO NOBLAT – Obrigado pelo convite. Não entendi direito

quando me convidaram para vir a esta Casa conversar com os senhores sobre a decisão de o Correio Braziliense conferir às pesquisas eleitorais menor importância do que conferiu às de outras eleições e do que outorgam os demais veículos de comunicação.

Após ouvir algumas intervenções, compreendi que a questão da pes- quisa foi mencionada como uma das etapas de eventual fraude eleitoral ou manipulação dos votos. Tudo começa com o cadastramento mal feito e passa por outras ações ou mecanismos, dentre eles, eventualmente, a manipulação da pesquisa, que permite o desvio da intenção de voto dos eleitores, com reflexos no resultado da eleição ou no transcorrer da campanha. Agora, fica mais fácil explicar as atitudes da equipe do Correio Braziliense.

Estou no jornal apenas desde 1994. Antes atuava em outras sucur- sais. Tivemos a experiência da eleição de 1994 e da municipal de 1996, que apesar de não ter ocorrido na Capital Federal, foi acompanhada pelo jornal em vários Estados. Optamos por dar menos relevância e espaço às pesqui- sas entre o primeiro e o segundo turnos da eleição de 1998.

Por que tal decisão foi reafirmada nas eleições deste ano? O primei- ro motivo, sem dúvida nenhuma, é o fato de a manipulação dos resultados de pesquisas ser algo corrente. Não acredito que aconteça só no Brasil, mas também em outros lugares. Aqui a sentimos mais de perto. Temos muito poucas chances de provar que é verdadeira, porque há todo um elen- co de argumentos que convalidam os resultados. Apenas podemos atribuir determinadas esquisitices a erros. Pelo menos nós, da imprensa, não te- mos como afirmar com absoluta clareza e com provas que houve manipula- ção criminosa. Mas, no mínimo, temos resultados bastante estranhos que se reproduzem a cada eleição, no plano nacional, estadual, e que, quando nada, imputamos a enganos, com certeza.

Se damos muita importância à pesquisa, quando sabemos que há espaço para a manipulação de resultados, estamos, de alguma maneira,

contribuindo não apenas para que a intenção de voto do eleitor seja manipu- lada, mas também para que implique desvio de intenções de votos, com impacto para os números obtidos.

Essa é a primeira razão de o Correio Braziliense ter decidido con- ceder bem menos espaço e mérito às pesquisas eleitorais, a partir do se- gundo turno das eleições de 1998.

Sucessão de erros nos resultados das pesquisas

Deparamo-nos, naquela ocasião, com absurdos resultados de pes- quisas realizadas em vários lugares. Lembro-me claramente de que em Goiás foi dada como absolutamente liquidada, com duas ou três semanas de antecedência, a eleição em favor do Senador Iris Rezende. Depois, para surpresa geral, venceu o atual Governador Marconi Perillo. O mesmo acon- teceu em vários Estados.

Na época em que trabalhava no Jornal do Brasil, presenciei aconte- cimentos similares em vários outros Estados. Lembro-me de que as elei- ções no Amazonas estavam mais do que decididas, segundo as pesqui- sas, e depois fomos apanhados de supresa.

Recentemente vivi determinada experiência, e peço que me permi- tam não declinar o nome do instituto, porque se trata de informação que me foi concedida sob sigilo. Um dia antes da divulgação da recente pesquisa que dava empate técnico entre o ex-Governador Anthony Garotinho e o ex- Ministro José Serra, o diretor de importante instituto me garantiu que o resultado, no dia seguinte, seria o Garotinho na frente do Serra. Mas, ao final, levando-se em conta a margem de erro, houve empate técnico. Àquela altura, a pesquisa já estava fechada.

Então, não é preciso desfiar exemplos para justificar que a decisão se baseia nesse ou naquele ponto, não apenas na manipulação de pesqui- sa. Fundamenta-se também na constatação de que a pesquisa substitui a reportagem e o jornalismo razoável e esforçado. Ela adormece os espíritos dentro das redações e torna a cobertura preguiçosa.

Justamente por ficarem os jornalistas a reboque dos institutos de pesquisa, não somente somos de alguma maneira cúmplices de resulta- dos que muitas vezes são manipulados, como também pautamos toda a cobertura em função do que a pesquisa diz hoje, repete ou revisa amanhã. Os pesquisadores substituem os jornalistas no trabalho de ir às ruas conversar com as pessoas, sentir a temperatura, colher informações e de escrever, o que é nossa função. Não se trata apenas da manipulação ou não dos resultados, mas sim de tentar fazer com que voltemos ao exercício

do jornalismo, o que nos cabe fazer. Não nos devemos pautar pelo trabalho dos institutos de pesquisa.

Quando dispensamos menos espaço, importância e dimensão às pesquisas, temos de preencher as lacunas com os recursos naturais de que dispomos: reportagens, entrevistas, apresentação das propostas dos candidatos. Também não podemos cair no outro extremo: ser pautados pelas assessorias dos candidatos e ficar a serviço do marketing. Enfatizo que não podemos ficar a reboque das ações de marketing que as candida- turas criam ou propiciam e apenas refletir tais ações. Tal opção seria a melhor do mundo para os candidatos e partidos em geral.

Temos de elaborar a cobertura jornalística das eleições, o que ensai- amos desde a eleição de 1998. Devemos levar em conta, antes de tudo, o interesse dos eleitores, da população, ou pelo menos daqueles que conso- mem o jornal. Não quer dizer que a pretensão não coincida com a dos candidatos ou a dos partidos. É claro que sim. Mas é mais necessário cobrir o processo eleitoral e a campanha, do ponto de vista do cidadão, do que o candidato ou os partidos.

Há meios e modos de se observar tal conduta, seja pela apresentação sistemática das propostas dos candidatos, pela discussão por meio de espe- cialistas ou de outras pessoas capazes, seja por meio da provocação para que o eleitor se torne mais crítico em relação ao processo eleitoral. Enfim, há modos ricos e muito variados para concretizar a referida intenção.

Na presente campanha, em seu início, temos o cuidado de, até quan- do entrevistamos candidatos ou aspirantes a candidatos a Presidente, não aplicarmos apenas as perguntas formuladas pelos jornalistas ou que nas- cem da curiosidade deles. Aliás, há imenso e intransponível abismo entre o pensamento dos jornalistas, o dos leitores e o das pessoas comuns, por- que não conseguimos, de fato, captar os verdadeiros interesses dos cida- dãos que lêem os jornais. Percebi isso em recentes entrevistas em que organizamos a pauta de indagações que os jornalistas gostariam de fazer a determinado indivíduo e depois pedimos a vários leitores que formulassem as suas perguntas. Constatamos que, geralmente, a pauta do primeiro gru- po não tem absolutamente nada a ver com a do outro. Não sei como ultra- passar tal distância, se é que o faremos algum dia. Há, pelo menos, o esforço deliberado para aproximar mais a visão do jornalista da dos leitores e de enxergar a campanha eleitoral mais do ponto de vista do cidadão do que segundo a percepção dos candidatos.

Em resumo, é o que, inicialmente, tenho a dizer. Coloco-me à dispo- sição dos senhores para responder aos questionamentos.

Papel da mídia no processo eleitoral

HENRIQUE – Farei algumas colocações e perguntas. Elas não se

referem, especificamente, ao jornal que o senhor dirige. Trata-se de ampla visão sobre a imprensa.

Logicamente, a fraude eleitoral só tem razão de ocorrer se for para manter o projeto de determinado grupo no poder. A grande mídia hoje aderiu ao projeto que é tudo menos nacional. Qual a responsabilidade da impren- sa com a sociedade brasileira ao comportar-se de maneira tão servil em relação ao Governo?

Outro ponto: confesso que já pensei em cursar Jornalismo. Hoje, vendo a atuação da mídia brasileira, dos jornais de expressão, desisti de fazê-lo, porque a imprensa perdeu muito do seu idealismo. Ela é estrita- mente comercial. Há acordo de manutenção.

Pergunto: qual a visão que o senhor tem a respeito do desempenho da mídia hoje no Brasil e a sua responsabilidade com o País frente aos complicados processos eleitorais?

RICARDO NOBLAT – Primeiro, tenho dois filhos que cursam Jorna-

lismo. Se as pessoas bem intencionadas desistirem de optar pelo curso, realmente chegaremos a uma situação muito mais difícil do que a atual. Então, não desista.

Segundo, a imprensa sempre integrou, digamos, o grupo seleto dos donos do poder. A imprensa brasileira inclusive nasceu a reboque do Governo ou dos poderes. Assim ela sobreviveu ao longo do tempo e, de alguma manei- ra, continua a se comportar como o braço avançado ou auxiliar daquilo que foi estabelecido. Não tenho grandes esperanças de que a situação mude.

No entanto, de alguma maneira, o comportamento da mídia mudou. Se compararmos o papel dela hoje, com todas as suas deficiências e toda a sua adesão, com o da mídia em outros períodos, haveremos de reconhe- cer, mesmo com dificuldade, que algo foi alterado.

A mudança não se deu de repente, baixou o espírito santo e os proprietários dos meios de comunicação se convenceram de que era ne- cessário fazer o jornalismo mais sério e mais distante do Poder. Não. A questão é mesmo de mercado, de competição. Se subtrairmos a notícia importante, porque eventualmente o jornalista, o editor ou o proprietário do jornal não quiseram publicá-la, outro veículo a divulga. A maior margem de liberdade de atuação da imprensa pode ser melhor explicada pela necessi- dade de competir no mercado, mais ainda em momentos de crise, quando há a redução do público consumidor dos jornais, do que eventualmente pelo

processo deliberado, sincero, cristão ou não, de conversão aos princípios que gostaríamos tanto que a mídia compartilhasse.

Volto a repetir: se analisarmos o passado — não estou falando ne- cessariamente da época da ditadura, do regime militar, mas de período posterior —, em relação ao presente, temos de reconhecer, mesmo com todas as dificuldades, que o espaço, digamos assim, de publicação de determinada informação mais independente ou isenta avançou muito gra- ças às exigências do mercado. Destaco que não acredito na isenção da informação, nem do jornalista, nem do veículo, porque vemos a realidade com filtros particulares, com óculos de aumento ou de redução.

Cobramos da imprensa e dos proprietários dos meios de comunica- ção um comportamento mais livre, isento e imparcial. No entanto, os se- nhores — refiro-me aos chamados consumidores da informação — são os grandes responsáveis, porque têm nas mãos extraordinário poder: o de comprar ou não o jornal, de consultar determinada informação ou não, de assistir determinado meio de comunicação ou não.

No caso específico do Correio Braziliense, sempre tão chapa bran- ca, tão oficialesco, tão porta-voz da linha dura do regime militar naquela época, por que mudou tanto? Não foi apenas porque num determinado momento os seus proprietários tiveram inspiração divina para tanto. Modifi- cou sua postura porque começou a ver que, em termos de mercado, ou alterava seu posicionamento ou perderia espaço a médio e longo prazos, como ocorreu em 1994.

No final de 1993, o Correio Braziliense, em números redondos, ven- dia no Distrito Federal trinta mil exemplares por dia. A soma de dez edições de fora, dos grandes jornais do Rio de Janeiro, de São Paulo, jornais regionais da importância do Zero Hora ou do A Tarde, da Bahia, enfim, todos vendiam em média de vinte e quatro mil exemplares. Eram trinta mil exemplares contra vinte e quatro mil, embora trinta mil do mesmo jornal. Com a mudança, o

Correio atingiu a faixa de setenta mil exemplares contra aproximadamente

quinze mil exemplares, somados os outros dez jornais de fora. Por que? Porque a cidade clamava pelo jornal que não escondesse a notícia, que não brigasse com ela, que fizesse pelo menos o dever de casa elementar: publicar as notícias e servi-las com razoável margem de isenção. O jornal mudou porque os leitores exigiram e deixaram de comprá-lo.

Houve o processo de amadurecimento e de articulação da própria sociedade. Não pretendo falar apenas das televisões ou dos rádios que são concessões do Estado. Vejo os meios de comunicação, incluindo os jor- nais, como concessões da sociedade. A ela devem prestar satisfação. Em

contrapartida, a sociedade deve nos dar respaldo e nos punir quando julgar necessário. Meios tem para tal. Nada mais fácil do que deixar de comprar determinado jornal ou deixar de assistir a certo canal de televisão e denun- ciar o mau jornalismo.

HENRIQUE – São as vantagens da verticalização.

SAMI - No mês de maio último, fez exatamente um ano que explo-

diu no Brasil inteiro a questão sobre a violação do painel do Senado. No Estado da Bahia, a UNE, UBES e demais entidades estudantis fizeram grandes manifestações pelas ruas de Salvador exigindo a cassação espe- cificamente do Senador Antônio Carlos Magalhães.

Segundo as contas da Polícia Militar, participaram dos protestos cin- co mil pessoas no máximo. Pelas nossas contas, entre dez e doze mil estudantes foram às ruas. Nunca vimos movimentação como aquela depois do período da ditadura militar. Os policiais militares invadiram a universida- de federal e bateram nos estudantes, que também foram presos. Só vimos algo parecido nas décadas de 60 e 70. A Rede Bahia, que pertence ao senhor Antonio Carlos Magalhães, não noticiou nenhum dos acontecimen- tos, não mostrou sequer uma faixa pedindo a cassação do Senador. Os fatos eram divulgados pelo jornal A Tarde, de oposição.

Há dois anos, também vimos toda ênfase que a mídia deu ao caso do Governador José Ignácio, do Espírito Santo. Hoje, ele continua à frente do Governo, apenas mudou de partido. Não sofreu nenhum tipo de repres- são por conta dos abusos que fez.

Quando veio à tona a questão da arapongagem no caso da Governa- dora Roseana Sarney, antes de tomarmos conhecimento pela TV, já havia

outdoors nas ruas sobre a reportagem de capa da revista Veja, que seria

publicada apenas no domingo. O candidato Ciro Gomes até questionou tal acontecimento para o jornalista da revista Época, quando participaram do programa Roda Viva.

RICARDO NOBLAT- Ele não acredita na ingenuidade da Época. SAMI – Hoje, ao lermos revistas e jornais que simplesmente divul-

gam notícias que não têm possibilidade de ser confirmadas se verdadeiras, temos de pensar o seguinte: a linha é muito tênue entre a questão de o jornalista emitir determinada opinião, posicionar-se, tomar partido e tentar convencer seus eleitores diante de certo fato específico, no caso de poten- tes meios de comunicação, como a Rede Bahia, em âmbito regional, e as revistas Veja e Época, em âmbito nacional.

posicionamento do jornalista, como cidadão, e o da revista de se manter ausente no que se refere a qualquer fato político, até porque todo meio de comunicação tem interesses financeiros e políticos para se manter? A im- prensa precisa garantir a boa informação ao leitor e que a população receba os fatos claros como são, a fim de ler e tomar sua decisão, independente- mente da opinião do meio de comunicação.

Em segundo lugar, já vimos diversos órgãos de comunicação muda- rem rapidamente seus conceitos. Assis Chateaubriand, por exemplo, no início da construção do seu império, era pró-Getúlio e, no final, tornou-se contra. A Rede Globo apresenta os candidatos. Ela fez o Collor e depois o tirou. Para nós, da UNE, é muito difícil acreditar, mas a Rede Globo teve papel fundamental em 1992, na época do impeachment do Presidente Collor. A mídia, em 2002, tem o mesmo poder de antes? Ela pode divulgar, eleger e retirar o candidato?

RICARDO NOBLAT - É ilusório imaginar que a mídia tem poder de

fazer tudo o que foi dito. Lembro-me, pois acompanhei de perto, da eleição do Governador Brizola, no Rio de Janeiro. Ele tinha toda a oposição da

Rede Globo de televisão e do jornal O Globo, complexos extremamente

poderosos. No entanto, Brizola se elegeu. Teria inúmeros outros exemplos a citar. Não quero dizer que a mídia não tem importância, porque tem. É verdade. Agora, ela não desempenha o papel fundamental que a ela desig- namos. Caso contrário, não aconteceriam tais fatos. E não se tratam de casos isolados, como o do Governador Brizola.

Portanto, não é bem assim. A força do cidadão é extraordinária. Esta Casa é de debates, de reflexão. É difícil a seguinte discussão prosperar aqui dentro, mas a provocação é belíssima: os políticos, no exercício do mandato, não poderiam ser proprietários de meios de comunicação. É in- compatível uma coisa com a outra. É absolutamente inconciliável. Há os interesses do político, e não é possível imaginar que eles não contaminarão a linha de conduta do veículo de comunicação de que ele é dono. Se a liberdade de imprensa é valor essencial da democracia ou de projeto para sua construção, como podem existir tais situações? Nunca vi a discussão do assunto prosperar para valer aqui dentro. Poderia progredir. O Congres- so tem obrigação de encarar tal realidade.

Quanto a outra questão de separar a opinião ou eventualmente a posição dos veículos de comunicação do seu noticiário, talvez tenha inter- pretado que se trata de evitar que o posicionamento dos veículos oriente o jornalista a escrever seu noticiário. Alguns veículos de comunicação conse- guem fazê-lo melhor do que outros. Parece-me muito claro. Aprendemos nos bancos escolares: não se pode misturar a opinião com a notícia, diga-

mos assim. Não é que se possa alcançar a isenção absoluta, com a situa- ção extraordinária ou ideal de pureza da notícia. Podemos relatar os mes- mos fatos a que assistimos de maneira diferente, na medida em que cada um de nós seleciona as informações que servirão ao leitor no dia seguinte. Posso fazer determinada escolha, por mais isento que queira ser. E por mais neutro que alguém pretenda ser, pode fazer seleção diversa, porque seu modo de ver as coisas não é o mesmo.

No entanto, em alguma coisa, diante do fato em estado bruto, vamos convergir, mesmo com todos os filtros. Ao emitir a minha opinião, posso omitir o que penso sobre determinado assunto. Posso julgar algo de modo radicalmente oposto ao seu.

Há espaços definidos nos meios de comunicação, em que é válido ou não emitir a opinião. Os meios são mais nebulosos quando se trata de revista semanal, porque o veículo mistura a informação, a interpretação e a análise do fato. Na zona cinzenta da análise de interpretação, é possível conduzir a apre- sentação de determinado assunto para uma direção ou para outra.

Nos jornais, a mistura da informação, da análise e da interpretação não acontece. Há o noticiário, o editorial do jornal, ou o espaço em que os articu- listas emitem seus pontos de vista. Podemos distinguir as atuações. Aquele que não as diferenciam, que as misturam, fazem o mau jornalismo de propó- sito ou porque não sabem praticá-lo. Mas é possível, sem dúvida, fazê-lo.

OSVALDO MANESCHY – Antecipo a palavra aos Senadores Roberto

Requião e Romeu Tuma, figuras importantíssimas na luta pela transparência eleitoral e pela impressão do voto eletrônico, uma das garantias possíveis em relação ao processo, pois eles têm de comparecer com urgência ao plenário.

Peso da mídia na indução ao voto

SENADOR ROBERTO REQUIÃO - Quando discutimos sobre a ques-

tão da urna eletrônica, temos de considerar a apuração do processo eleito- ral com ampla moldura: a indução do voto. A mídia tem, indiscutivelmente, enorme peso, sobretudo quando a grande rede de comunicação divulga a informação truncada, difama e liquida o candidato em âmbito nacional.

O Congresso e, em particular, o Senado discutem o financiamento público das campanhas. Tenho até dificuldade de acreditar na ingenuidade das propostas aventadas. É como se propusessem a estrutura eleitoral socialista para um país capitalista.

Lembro-me, Ricardo Noblat, daquela experiência dos americanos em São Paulo com uma fantástica fábrica comunitária de móveis que possuía um designer incrível. Quando esse profissional descobriu o quanto valia no

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