• Aucun résultat trouvé

La double audience du livre : un équilibre délicat

C. La retraduction, des choix à faire

1. La double audience du livre : un équilibre délicat

Esse grupo apresenta as questões relativas à gestão da mão de obra. Vale salientar que essa foi a área que, na opinião da maioria dos engenheiros, apresenta as maiores dificuldades em termos administrativos do canteiro, como também a que teve a nota mais baixa na pesquisa anterior (ver Quadro 7.7, Capítulo 7).

8.5.1 Situação dos canteiros

O Quadro 8.11 demonstra o percentual das respostas positivas às questões da pesquisa anterior, obtidas pelos engenheiros nos canteiros de obra (P) e pelos participantes dos dois grupos de discussão (G).

Quadro 8.11 – Comparativo das condições dos canteiros em relação à gestão de mão de obra.

Fonte – Produção do próprio autor.

4 MÃO DE OBRA P % G %

4.1 A empresa promove cursos ou palestras na obra que tratem de construção sustentável? 51,1 46,4 4.2 Esses cursos são estendidos aos funcionários terceirizados? 35,6 42,9 4.3 A empresa promove cursos de capacitação para os trabalhadores na obra voltados para

a execução de serviços? 86,7 89,3

4.4 A obra possui escolinha de alfabetização para os funcionários no canteiro? 0,0 0,0 4.5 A obra oferece cursos de educação a níveis de 1º ou 2º graus para funcionários no

canteiro de obras? 0,0 0,0

4.6 Existe algum programa de apoio aos funcionários da obra que estudam (fora ou dentro

do canteiro) depois do horário de trabalho? 17,8 25,0 4.7 A empresa possui política explícita de não descriminação contribuindo assim para o

emprego de mulheres na produção no canteiro de obras? 15,6 39,3 4.8 A mão de obra feminina no canteiro representa um percentual maior que 10% da força

de trabalho da obra? 2,2 3,6

4.9 Existe alguma ação visando a reter o funcionário na empresa reduzindo a rotatividade

na obra? 84,4 75,0

4.10 Na admissão é apresentado ao futuro funcionário da obra o projeto do empreendimento

8.5.2 Justificativa dos profissionais

Abaixo estão relacionadas as declarações mais consistentes dos profissionais participantes dos grupos de discussão, justificando as respostas negativas às questões formuladas.

Relacionadas a todas as questões de uma maneira geral: · “A empresa ainda não adotou o sistema de gestão sustentável”.

· “Não existe na empresa departamento responsável para executar estas tarefas”.

· “A empresa não promove nenhum tipo de treinamento ou curso, só o treinamento de admissão e os treinamentos dos serviços controlados”.

Sobre alfabetização dos funcionários e educação no canteiro:

· “Já promovemos no passado, depois adotamos a política de não admitirmos analfabetos, mas, agora, com a escassez de mão-de-obra vamos voltar a promover”. · “Não possuímos escolinha de alfabetização, apesar de já termos tentado, mas não foi

até o final, por desistência dos funcionários, pois não foram estimulados a continuar. O método foi ineficaz”.

· “Com a volta da escolinha, vamos pensar nesses outros cursos”.

· “Por não ter sido eficaz a escolinha de alfabetização, não pensamos dar prosseguimento a outros níveis de estudos”.

· “A empresa já tentou implantar escolas no canteiro, mas não houve pessoas interessadas a participar”.

· “A ideia a princípio era alfabetizá-los, deixando-os nivelados e a partir daí passar para turmas mais avançadas, porém a ideia da alfabetização não teve adesão”.

· “Não, apesar de ser interessante a ideia, nunca pensamos nesta opção”. · “Ainda não pensamos nisso, mas, acho uma boa ideia”.

Sobre discriminação e mão de obra feminina:

· “Não há essa política na empresa, por nunca termos contratado mulheres para nosso canteiro e por nunca termos sido procurados por elas em busca de trabalho”.

· “Não, mas vendo o exemplo em canteiros do Sul e Sudeste, já começamos a pensar nessa possibilidade”.

· “A participação das mulheres no canteiro de obras restringe-se à parte administrativa (engenheiras, arquitetas, técnicas de edificações, técnicas de segurança e estagiárias de arquitetura e engenharia). Nunca restringimos, porém também nunca procuramos

colocar mulheres no cargo de pedreira, servente, carpinteira. No final da obra, para a limpeza dos apartamentos contratamos empresas especializadas, aí sim temos a preferência da mão de obra feminina”.

Sobre a redução da rotatividade na empresa:

· “Não existem ações com esse fim, mas se o funcionário desenvolver bem o seu trabalho, ele permanece na empresa podendo ser transferido para outro canteiro na conclusão dos serviços do canteiro anterior”.

· “A empresa não possui nenhuma prática que vise à sustentabilidade da construção, retenção de talentos ou alfabetização dos funcionários”.

· “Não existe nenhuma ação visando à redução da rotatividade na empresa, apenas transferir alguns funcionários de uma obra pra outra. Apesar de que, a maioria deles quer sair da empresa depois de algum tempo visando receber dinheiro com a demissão”.

Sobre apresentação do projeto aos novos funcionários:

· “Só o projeto de arquitetura, principalmente fotos, a não ser aos profissionais específicos".

· “Nunca foi sugerido ao setor que realiza o treinamento admissional, expor esse assunto”.

· “Nunca se falou sobre o assunto. Na maioria das vezes o funcionário não passa por um treinamento”.

8.5.3 Escolha das cinco variáveis mais significativas

As questões mais importantes (Quadro 8.12), para a maioria dos especialistas, foram: Quadro 8.12 – Questões mais significativas relativas à mão de obra para a gestão sustentável de obras, na visão

de especialistas do setor.

Fonte – Produção do próprio autor.

4 MÃO DE OBRA

4.1 A empresa promove cursos ou palestras na obra que tratem de construção sustentável?

4.3 A empresa promove cursos de capacitação para os trabalhadores na obra voltados para a execução de serviços?

4.4 A obra possui escolinha de alfabetização para os funcionários no canteiro?

4.6 Existe algum programa de apoio aos funcionários da obra que estudam (fora ou dentro do canteiro) depois do horário de trabalho?

8.5.4 Justificativa às escolhas das variáveis

As justificativas para a escolha foram relativas à: · Capacitação de mão de obra.

· Conscientização dos funcionários. · Melhoria na produtividade.

· Diminuição da rotatividade dos funcionários da obra. · Melhor compreensão do sistema de gestão.

· Bem-estar do funcionário no seu ambiente de trabalho. · Retenção de funcionários.

· Qualificação dos operários com reflexos na melhoria dos serviços.

8.5.5 Considerações e conclusões

Pelo Quadro 8.11 pode-se observar que o desempenho das variáveis praticamente foi o mesma em ambas as pesquisas, com exceção da questão 4.10, que apresentou menos casos positivos na proporção das respostas dos participantes dos grupos de discussão. Esse resultado é importante, pois, como mostrado no Capítulo 7, Quadro 7.7, mão de obra foi o grupo que apresentou a nota mais baixa entre os 10 pesquisados.

Como pode ser observado no Quadro 7.11 do Capítulo 7, esse foi o único grupo em que uma das variáveis – entre as 100 pesquisadas – não apresentou resposta positiva em nenhum dos 45 canteiros pesquisados, que foi a questão relativa à existência de escolinha de alfabetização para os funcionários, no canteiro. Resposta esta que foi recebida com espanto na análise dos dados da pesquisa mostrada no capítulo anterior, todavia, a resposta dos profissionais participantes dos grupos de discussão foi exatamente a mesma. Nenhuma das obras analisadas pelos especialistas dos dois grupos que responderam a essa questão tinha, na época, uma escola de alfabetização para os seus funcionários. Situação adversa à exposta pela pesquisa da caracterização (ver Capítulo 6, item 6.3.4), em que essa foi citada como uma das ações de responsabilidade social praticadas pelas empresas pesquisadas.

Segundo o depoimento de um desses profissionais: “a baixa instrução e o analfabetismo contribuem para uma péssima qualidade de serviços, ocasionando desperdício de materiais e, principalmente, dificultando qualquer processo de implantação de sistemas que visem à sustentabilidade na obra”.

É importante ressaltar que, mesmo com a carência de mão de obra no setor, a contratação de profissionais do sexo feminino para as linhas de produção ainda é uma

realidade distante, nos canteiros da RMR. Como também, os especialistas não classificaram esse procedimento entre as questões de maior importância nesse conjunto.

Um ponto citado entre os mais importantes, porém pouco desenvolvido nos canteiros são as ações para redução da rotatividade, principalmente nas obras analisadas pelos profissionais participantes dos grupos de discussão, sendo a transferência de funcionários entre as obras das empresas, a única ação evidenciada. Um processo que só se realiza com sucesso no caso de grandes construtoras, com número significativo de obras.