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Chapitre 2 : Estimation de la fécondité des immigrantes au Québec selon une approche

2.2. L’estimation de la fécondité selon l’approche transversale

2.2.1. Données et méthodes

Não havia nenhum hospital em Pelotas até ser fundado o da Misericórdia. E provavelmente os indigentes adoecidos permaneciam nas ruas.89 A partir da leitura de um ofício enviado à Santa Casa de Rio Grande em 23 de outubro de 1847 constata-se a inexistência de hospital:

Como a Mesa da Casa da Misericórdia desta cidade não tem o seu hospital para recolher os enfermos desvalidos, o que espera conseguir até o fim de novembro próximo, em uma casa que para esse fim alugou, por isso roga à caridade desta Casa de receber neste hospital a preta forra enferma que vai nesta barca.90

Como já vimos no capítulo 1, alguns dos homens que estavam na Câmara municipal em Pelotas e que organizaram a Sociedade de Beneficência em 1834 achavam que a existência de um hospital proporcionaria uma melhor economia da assistência aos pobres, porque naquele momento eram dadas esmolas individuais e os curativos dos pobres eram feitos em suas casas com a ajuda caritativa dos médicos da localidade. O hospital permitiria menores gastos e maiores possibilidades de cura. Não sabemos se a “preta forra” que foi para o hospital em Rio Grande vivia na rua, se possuía casa, se tinha amigos ou familiares; mas, o mais provável é que

88

Sobre a extinção da roda de expostos em Porto Alegre ver: PACHECO, Maria Helena Machiavelli. O término da roda de expostos em 1940 e o destino dado aos enjeitados em Porto Alegre. I n: Anais do VII encontro regional de História. Pelotas, 2004.

89 Um caso interessante é o descrito por A. J. R. Russel Wood, op.cit.: a confraria italiana da Misericórdia voltou a funcionar após um período sem atividade por dificuldades financeiras, quando um cadáver permaneceu durante dias nas ruas da cidade Florença, p.3.

90

Ofício enviado à Misericórdia de Rio Grande em 23 de novembro de 1847. Livro de Registros e Ofícios da SCMP de 1847 a 1869. ASCMP

ela não tivesse quem a cuidasse na doença, ou mesmo quem a alimentasse. No momento de sua fundação, o hospital não era um abrigo para inválidos mas sim um local, se não de cura, pelo menos de abrigo para pobres, em sua maioria trabalhadores.

Se analisarmos os dados dos internados no hospital da Santa Casa em 1852, apenas quatro anos depois de inaugurado e ainda no primeiro prédio (um novo prédio foi construído no mesmo terreno, na esquina das atuais Deodoro e Andrade Neves, em 1855; e, o novo hospital, parte do prédio atual, foi inaugurado em 1872), veremos que grande parte dos internados não eram mendigos, ou “sem trabalho”, ou mesmo velhos inválidos; a maior parte dos indivíduos internados estavam em idade e atividade produtiva.91

Tabela 3 – I nternados no Hospital da Santa Casa por profissão - 1852

Profissão N Profissão N Profissão

N

Afilador 1 Corrieiro 1 Pedreiro 1 Agenciador 1 Costureira 16 Peão 2

Aguadeiro 1 Cozinheira 1 Pescador 1 Alfaiate 3 Cozinheiro 1 Pintor 1

Barbeiro 2 Criada de servir 5 Roceiro 1 Bordador de ouro 1 Curtidor 1 Sacerdote 1 Cabo Guarda Nacional 1 Engomadeira 5 Sapateiro 3 Caieiro 1 Ferreiro 1 Sargento de polícia 1 Caixeiro 3 Guarda nacional 1 Serrador 2

Campeiro 4 Jardineiro 1 Soldado alemão 9 Carpinteiro 2 Lavadeira 10 Soldado de polícia 10

Carreteiro 3 Marinheiro 5 Soldado 13º batalhão 1 Celeiro 1 Marceneiro 2 Taberneiro 2 Chapeleiro 1 Lavrador 25 Tambor Guarda Nacional 1

Charreteiro 1 Menor (8 anos) 2 Tanoeiro 2 Colono 4 Mestre de escola 1 Trabalhador 14

Colona 1 Negócio 3 Tropeiro 2

Comércio 1 Oleiro 3 Veleiro 1 Confeiteiro 1 Padeiro 3 TOTAL 175

91 Considerei todos os registros, até porque os internos que reingressavam eram poucos. Apenas 4 pessoas foram internadas mais de 1 vez em 1852. São eles: Antônio, escravo de Frustuoso Alves da Fonseca, nascido na Bahia, preto, 26 anos, solteiro, trabalhador, 1ª internação de 18/ 02/ 52 até 29/ 02/ 52, 2ª de 04/ 03/ 52 até 19/ 03/ 52, ambas por “ferimentos e contusões” e pagamento de 28 mil réis por cada internação; Catharina Woed, pobre, I rlanda, branca, 18 anos, solteira, criada de servir, 1ª internação 15/ 05 até 27/ 05 por diarréia, 2ª de 29/ 05 até 15/ 06 por disenteria, 3ª de 27/ 07 até 30/ 07 por disenteria; Domingos, escravo de Theodolino Farinha, Rio de Janeiro, preto, 19 anos, solteiro, na 1ª internação campeiro na 2ª cozinheiro, 1ª de 01/ 01 até 15/ 01 por pleurisia e 2ª de 14/ 03 até 02/ 04 por pneumonia; Francisco, pobre, desta província, branco, 15 anos, solteiro, 1ª internação lavrador, 2ª trabalhador, 1ª 08/ 08 até 15/ 08 por gastro-hepatites, 2ª 25/ 08 até 31/ 08 por gastrenterites. Todos estes internados sempre têm a designação “saiu curado”.

Fonte: elaboração própria a partir do Livro n. 1 de registro de enfermos da hospital da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas – AHSCMP

Como é possível perceber, neste ano todos os internados têm uma profissão designada, ainda que seja o genérico “trabalhador”, dos quais a metade eram trabalhadores escravizados. Por meio destes dados, é fácil observar as poucas profissões atribuídas às mulheres: elas eram lavadeiras, costureiras, engomadeiras e criadas de servir, ainda há registro de 1 cozinheira e 1 colona. Ao contrário das mulheres dos irmãos da Santa Casa, que eram registradas como “domésticas”, no que diz respeito às mulheres pobres internadas no hospital, não há nenhuma com essa atribuição em 1852. Como também é possível perceber há uma grande variedade de profissões masculinas, até porque os homens constituíam o maior número dos registros somando 137 (78,3% ), enquanto houve 38 (21,7% ) mulheres internadas.

Além de possuírem uma profissão designada, a grande maioria dos homens e mulheres hospitalizados estava em idade produtiva, sendo a média da idade 32,7 anos e a moda (idade que mais aparece), 36 anos.

Tabela 4 – I dades dos internados no hospital – 1852

De 6 até 20 anos 31 17,7% De 21 até 40 anos 98 56,0% De 41 até 60 anos 40 22,9% De 61 até 82 anos 6 3,4%

Total 175 100%

Fonte: Registro de enfermos do Hospital

A maior parte dos internados neste anos eram homens solteiros (o que será regra até o tempo final deste estudo). Dos 137 internos 110 eram homens solteiros, 25 casados, e 2 viúvos; das 38 mulheres, 25 eram solteiras, 10 casadas e 3 viúvas.

Apesar de ter defendido em meu trabalho de conclusão de curso na Licenciatura em História, que o Hospital da Santa Casa não era durante o século XI X um local de cura,92 a pesquisa empreendida para esta dissertação me fez rever algumas questões. Há um certo anacronismo quando tentamos definir instituições como hospitais a partir do presente. Talvez, em boa parte do século XI X, não se

92 TOMASCHEWSKI , Cláudia. Asilar ou curar? A medicina e o hospital da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas. Pelotas: UFPEL, 2005. (TCC Lic. Em História).