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Objectius sobre l‘algometria aplicada al dolor a punta de

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3. Objectius

3.3. Objectius sobre l‘algometria aplicada al dolor a punta de

Pecqueur (2006, p. 149) define território como “uma construção de um grupo combinado, por vezes provisório, estruturado em torno de recursos compartilhados. Com muita frequência, esses recursos estão ligados a (ou oriundos de) um espaço físico bem delimitado”.

Há três características centrais da economia dos territórios para Pecqueur (2006, p. 88 e 89):

(a) a sociedade e a comunidade estão em equilíbrio; (b) o funcionamento e a organização dos sistemas produtivos locais são igualmente marcados pela historicidade e pela memória coletiva; (c) a modalidade comercial não é a única a ser levada em conta em termos de coordenação; existem também no âmbito territorial, relações de reciprocidade.

A definição de território para Lévesque (2010) possibilita levar em conta os recursos e os fatores de produção que estão ancorados nas coletividades, bem como “os fatores intangíveis e extra econômicos ou não mercantis”, juntamente com os recursos específicos que são intransferíveis. O autor cita como exemplo destes últimos fatores (LÉVESQUE, 2010, p. 78):

[...] as formas de cooperação, o capital social, a coesão social, as habilidades sociais e as aprendizagens, as capacidades de adaptação e de inovação, de reconversão e de antecipação, a qualidade de vida e os serviços, sem ignorar o papel das instituições.

Dessa forma, para o autor, o enfoque territorial corresponde à uma construção social e histórica do território que culmina na denominada economia plural31 e relações de reciprocidade

(LÉVESQUE, 2010). As relações de reciprocidade32 da economia territorial também são destacadas por Pecqueur (2009) e Abramovay (2010) como constituintes dos territórios.

Assim, por meio dos produtos e serviços vendidos localmente, da contribuição de todos os atores (incluindo agentes públicos) e a integração das amenidades ambientais “o próprio território torna-se o produto a ser vendido, na medida em que ele constitui a oferta compositória” (PEQUEUR, 2006, p. 87).

O autor, em outra obra, defende a noção de “cesta de bens”, que consiste em um dos atributos de um território bem coordenado. Assim, a cesta de bens de um território pode ser percebida quando, num momento de aquisição de um produto de qualidade territorial, o consumidor descobre a especificidade de outros produtos procedentes da produção local e determina a sua utilidade a partir do conjunto de produtos oferecidos, formando, assim, a cesta (PECQUEUR, 2006).

31

A economia plural tem como característica fundamental a diversidade, remetendo a uma economia aberta, não dicotômica, que implica reconhecimento do polo da reciprocidade, eliminando a legitimação exclusiva do binômio Estado-Mercado, incentivando uma economia caracterizada pela combinação dos três polos (Estado, mercado e sociedade civil) resultando numa pluralidade de iniciativas de cunho econômico, que leva em conta as interfaces entre as esferas econômica, ecológica, social e política (ANDION, SERVA E LÉVESQUE, 2006).

[...] A cesta não é, portanto, uma adição de bens privados justapostos, mas uma combinação de bens privados e bens públicos. Esses últimos podem ser amenidades ambientais (paisagens, climas...), mas também investimentos públicos, financiados por meio de incentivos fiscais ou subvenções, que participam na constituição da cesta (PECQUEUR, 2006, p. 145).

Bonnal et al. (2008) entendem território como resultado de projetos coletivos voltados para a construção de recursos específicos e discriminantes.

[...] O território é claramente definido como um lugar de construção de recursos específicos, condição julgada necessária para a criação de bens diferenciados. Entende-se como recurso específico um recurso que dificilmente pode ser transferido de um lugar para outro. Ele é intrínseco ao local ou ao território (BONNAL et al., 2008, p. 192). Carrière e Cazella (2006, p. 33) já destacam que os estudos mais recentes sobre território apontam, por um lado, que sua formação resulta do “encontro e da mobilização dos atores sociais que integram um dado espaço geográfico e que procuram identificar e resolver problemas comuns”. Por outro lado, apontam que um “território dado”, cuja demarcação é político-administrativa, pode englobar vários “territórios construídos”.

Território é, ainda, uma “unidade ativa de desenvolvimento, que dispõe de recursos específicos e não transferíveis de uma região para outra”. Dessa forma, são recursos materiais ou não, como, por exemplo, um “saber-fazer” original que pode ser ligado a uma história local (CARRIÈRE; CAZELLA, 2006, p. 36).

Do mesmo modo, o espaço territorial, para Rallet (2007, apud JEAN, 2010), não é dado nem definido por uma instância administrativa, mas construído por seus atores, pela história, pela cultura e por redes sociais que desenham suas fronteiras. Os limites físicos do território terminam onde termina a rede de relações.

O território é, então, uma construção social, criado pelo sistema de atores locais:

O território não é, portanto, uma realidade geográfica ou física, mas uma realidade complexa, ao mesmo tempo humana, social, cultural e

histórica. Isso significa que as mesmas condições técnicas e financeiras não geram os mesmos

efeitos econômicos em termos de

desenvolvimento em dois territórios diferentes (CARRIÈRE; CAZELLA, 2006, p. 36).

Os estudos de território promovem uma rearticulação entre economia e espaço. Na gênese da construção de territórios encontra-se o mecanismo da proximidade geográfica “que combina a coordenação de atores situados e a ancoragem desses atores em um espaço físico determinado” (PEQUEUR, 2006). Assim, para Jean (2010, p. 52), “o território não se define por sua escala, e sim pelo modo de organização e pela maneira segundo a qual os atores constitutivos dos territórios conseguem coordenar suas ações”.

Jean (2010) apresenta a noção de território e de desenvolvimento territorial, que pode ser considerada uma construção social fruto da ação dinâmica de atores sociais, provenientes da sociedade civil, ocupando um espaço determinado.

O desenvolvimento territorial já compreende todo o processo de mobilização dos atores que “leve a elaboração de uma estratégia de adaptação aos limites externos, na base de uma identificação coletiva com uma cultura e um território” (PECQUEUR, 2005, p.12).

Nesse sentido, Abramovay (2010) discute que a cooperação social necessária para a configuração territorial também é fruto de um conjunto de habilidades sociais e políticas dos atores que conseguem estabelecer regras básicas entre si, de forma a viabilizar os processos de colaboração mútua. A ausência de tais habilidades entre os atores pode comprometer o desenvolvimento do território, pois a capacidade do grupo em alterar a correlação de forças, dentro de um determinado campo, e sua competência em impor um novo modelo de relacionamento recíproco, com base na cooperação, fica severamente comprometida.

Lévesque (2010) expõe que o desenvolvimento territorial, na visão de Bernard Pecqueur, Bruno Jean e Ricardo Abramovay (grandes autores dessa abordagem), constitui um novo discurso acadêmico que “supera os enfoques em termos de desenvolvimento regional (e local) e um novo discurso social designando novas realidades socioeconômicas, especialmente novas relações entre economia e território” (p. 78).

A noção de desenvolvimento territorial rompe com uma tradição mais antiga de estudos sobre o desenvolvimento regional ou desenvolvimento espacial (ABRAMOVAY, 2010), porém, ainda não possui um arcabouço doutrinário ou teorias estáveis (JEAN, 2010).

No desenvolvimento territorial não se enxerga apenas a organização, mas o tecido de relações e a cultura que faz com que uma mesma organização atue de maneira diferente, dependendo da natureza das relações sociais (COCCO; GALVÃO e SILVA, 1999).

Vieira et al. (2006) levantam uma crítica sobre as intervenções analíticas e práticas utilizadas por meio do desenvolvimento territorial; segundo os autores, há um viés economicista nas intervenções, e esse é um desafio tanto para formuladores e gestores de políticas públicas, quanto para pesquisadores e agentes de desenvolvimento (VIEIRA et al., 2006). Abramovay (2010, p. 27) já acusa que a literatura sobre desenvolvimento territorial é “marcadamente normativa e a ela faltam definições teóricas claras sobre a natureza dos laços sociais que formam os territórios”. Outra lacuna dos estudos territoriais, para o autor, é a “ausência de fundamentos teóricos consistentes para a noção de território e desenvolvimento territorial”, faltando-lhe assim, “uma teoria de interação social” (ABRAMOVAY, 2010, p. 31).

O desenvolvimento territorial pressupõe que cada território deve construir, por meio de uma dinâmica interna, seu próprio modelo de desenvolvimento. Jean (2010, p. 74), defende que “um modelo que obteve êxito num determinado território, num dado momento, pode muito bem fracassar em outro território”.

Novas formas de cooperação e redes são fundamentais em processos de desenvolvimento territorial, que passa também pelo inventário dos recursos locais. Os perímetros do desenvolvimento não são as zonas administrativas e pressupõem a mobilização de múltiplos atores (CARRIÈRE; CAZELLA, 2006, p. 36).

Mais tarde, neste bloco, poderá ser percebida a importância da abordagem territorial para os estudos e análises de dinâmicas de territórios rurais. Na próxima seção, serão apresentados os acontecimentos que embasaram o conceito de desenvolvimento sustentável, que foram contemporâneos aos debates sobre desenvolvimento territorial.

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