1. Introducció
1.4. Algometria de pressió
1.4.2. Resum històric i aparells de mesura actuals
nos estudos da geografia apresentar a discussão em torno da formação sócio-espacial, que foi estruturante para a mudança da perspectiva do espaço para o território (SANTOS, 1998; PECQUEUR, 2006).
2.3.2.1 O espaço como o lugar da existência humana
Haesbaert (2004) evidencia que nos estudos de Lefebvre, o autor se referira sempre a espaço, e não a território, mas que para este, não se trata de um espaço no sentido genérico, muito menos de um espaço natural; “trata-se, isto sim, de um espaço-processo, um espaço socialmente construído [...]” (HAESBAERT, 2004, p. 3).
Para Santos (2002) a noção de espaço é muito abrangente, com vários significantes e significados. Desse modo, há várias correntes da geografia apresentadas por Aresi (2006) que foram dando novas interpretações para o “espaço”. Mas, como não é o objetivo neste trabalho detalhar cada corrente, muito menos apresentar todas as suas abordagens, opta-se por citar as principais interpretações dadas ao “espaço”, e como esse conceito se desdobra ao “território”, aparecendo como uma das interpretações para o “espaço”.
Schneider e Tartaruga (2004) também já evidenciam que, em termos de sua abrangência analítica, o conceito de espaço é amplo e complexo, o que às vezes o torna de difícil operacionalização (SCHNEIDER; TARTARUGA, 2004).
O espaço por muito tempo na geografia foi visto somente como o lugar onde aconteciam os fenômenos. Com o tempo, ampliou-se a noção de espaço por meio de inúmeras metodologias e o espaço começa a ser visto como uma invenção humana realizada por meio do movimento da natureza (GODOY, 2011).
Assim, o espaço é entendido como uma completude, formulado pelos elementos da natureza e, também, pelas dimensões sociais oriundas das relações entre as pessoas, como a cultura, a política e a economia (SANTOS, 2002). Para Aresi (2006), o espaço conhecido é revestido das mais variadas estratégias, sejam elas pessoais, grupais, intergrupais ou nacionais.
Com a formação sócio-espacial de Milton Santos28 e algumas análises marxistas que discutiam a questão da dialética sócio-espacial, começa-se a ter uma conotação mais crítica e humana do espaço.
Desse modo, em Santos (1988), a existência humana se dá no espaço:
O espaço resultado da produção, e cuja evolução é consequência das transformações do processo produtivo em seus aspectos materiais ou imateriais, é a expressão mais liberal e também mais extensa dessa práxis humana, sem cuja ajuda a existência não pode ser entendida (SANTOS, 1988, p. 12).
Assim, a sociedade em movimento é aquilo que dá vida e dinamiza o espaço. Por isso, o valor se distribui diferentemente no espaço e cada lugar tem um valor diferente. Em resumo, “as estruturas espaciais são, ao mesmo tempo, um estado – o que é provisório – e são o objeto de um movimento que modifica seu conteúdo – o que é permanente” (SANTOS, 1988, p. 15).
Assim, para Aresi (2006, p. 16): 28
Milton Santos aparece dentro da corrente da geografia crítica. Sua contribuição aparece com a formação do conceito de formação sócio-espacial, defendendo que o espaço é importante para uma formação socioeconômica (ARESI, 2006).
O espaço em questão, obviamente é o espaço humano, simultaneamente produto e produtor de múltiplos espaços. Sua definição é árdua porque, para o mesmo autor [SANTOS, 2002], além de ele ser a morada do homem, o seu lugar de vida e de trabalho, ele possui a tendência de mudar com a história, já que o espaço geográfico é, também, um espaço social. A sociedade e o espaço interagem dialeticamente, formando o que se pode denominar de dialética sócio-espacial.
Na compreensão da dialética sócio-espacial é importante salientar que o espaço pode ser essencialmente dado, mas a organização e o sentido do espaço são produtos da translação, da transformação e da experiência social vivida pelos grupos sociais (ARESI, 2006).
A dialética sócio-espacial em Santos (1988, p. 15) aparece quando o mesmo afirma que “o espaço é uma estrutura social dotada de um dinamismo próprio e revestida de certa autonomia, na medida em que sua evolução se faz segundo leis que lhe são próprias”.
A geografia humanista passou a dar importância para o “lugar”, passando a ser um conceito-chave relevante, ao mesmo tempo em que o espaço passa a ser compreendido como espaço vivido, o lugar da experiência humana. A geografia crítica, imbuída do espírito marxista, considerava o espaço como o lócus da reprodução das relações sociais de produção (ARESI, 2006).
2.3.2.2 Da noção de espaço à noção de território
Aresi (2006) expõe, por meio de sua pesquisa, que ao trabalhar com a questão de “espaço”, este aparece como um mega conceito, e apesar de que o “espaço” ser compreendido como uma dimensão social, ele apresenta algumas dificuldades de ordem metodológica. Assim, a análise de “território” permite a possibilidade de trabalhar com a unidade. “O território, diferentemente do espaço, é um aspecto objetivo da realidade e, por essa razão, possível de ser tratado dentro de suas especificidades” (ARESI, 2006, p. 2).
Em todo espaço há a predominância de muitas territorialidades, porém isso não significa afirmar que exista o mesmo número de territórios. Nesse sentido, um território não é um processo natural e exige a organização e a cooperação dos atores locais, com o objetivo de mobilizar e colocar em valor os recursos territoriais, por meio de estratégias específicas, tanto no nível organizacional, quanto institucional (ANDION, 2007).
O território, para Santos (1999), é permeado pela vida humana; é o lugar em que
desemboca todas as ações, todas as paixões, todos os poderes, todas as forças, todas as fraquezas, isto é, onde a história do homem plenamente se realiza a partir das manifestações de sua existência (SANTOS, 1999, p. 7).
Na abordagem de Santos (1999) o território é entendido como “território usado” que é sua junção do território com a identidade:
[...] O território não é apenas o conjunto dos sistemas naturais e de sistemas de coisas superpostas. O território tem que ser entendido como o território usado, não o território em si. O território usado é o chão mais a identidade. A identidade é o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence. O território é o fundamento do trabalho, o lugar da residência, das trocas materiais e espirituais e do exercício da vida” (SANTOS, 1999, p. 8).
Santos e Silveira (2001) trazem o conceito de territorialidade, que pode ser entendida como sinônimo de pertencer àquilo que nos pertence, um sentimento de exclusividade e limite que ultrapassa a raça humana e prescinde da existência do Estado. Assim, a territorialidade abrange “a preocupação com o destino, a construção do futuro, o que, entre os seres vivos, é privilégio dos humanos” (SANTOS; SILVEIRA, 2001, p. 19).
Desse modo, para Aresi (2006), um espaço geográfico e social específico é formado: o território. O território pode ser visto como um espaço geográfico moldado por uma dinâmica própria, com características identitárias comuns (LAGES et al., 2004).
Na próxima subseção, busca-se trazer as experiências que levaram os debates sobre o espaço a considerar a dimensão do território. Assim, o caso dos Distritos Industriais Italianos é exemplo clássico dessas discussões.
2.3.2.3 O “retorno ao território”: os Distritos Industriais Italianos Com a crise do fordismo, as noções de sustentabilidade ambiental e qualidade de vida passaram a vigorar e a se legitimar, contribuindo para mudanças significativas nas relações com o espaço. Para Schneider (2004), é nesse contexto que ganha evidência o território, “agora como
uma noção com estatuto operacional que permite a superação dos condicionantes e limites do aporte regional” (p. 102).
O “retorno do território”, defendido por Milton Santos (1998), está relacionado, principalmente, às mudanças socio-espaciais e político-institucionais do capitalismo em sua fase pós-fordista (HARVEY, 1993). Assim, o território surge como nova unidade de referência para a atuação do Estado e a regulação das políticas públicas (SCHNEIDER, 2004).
Outra vertente, mais empírica, dos estudos de território surge a partir dos trabalhos de cientistas sociais italianos (Becattini, Bagnasco, Garofoli, etc.), e alguns economistas preocupados em compreender as especificidades da industrialização da região da Terceira Itália29, que indicou emergência de um novo modelo de organização dos processos produtivos industriais, denominado de especialização flexível, que representaria um avanço em relação ao fordismo (SCHNEIDER, 2004).
Carrière e Cazella (2006) consideram que foi a homogeneidade cultural que permitiu a coerência no funcionamento dos distritos industriais30 italianos. Pecqueur (2006) já destaca a capacidade de adaptação e a reação aos movimentos do mercado no mundo globalizado, onde, ao mesmo tempo, as empresas do DI concorriam e cooperavam entre si.
A partir da experiência da Terceira Itália evidenciou-se a noção territorial do desenvolvimento. A proximidade geográfica, cultural e organizacional existentes entre os atores criaram um tecido social fértil para a dinâmica produtiva da Terceira Itália. Assim,
29
Esse vocábulo foi introduzido na literatura especializada por Arnaldo Bagnasco, para denominar as zonas italianas situadas nas regiões centro e nordeste do país, que se diferenciam do ponto de vista socioeconômico de duas outras grandes regiões italianas: a noroeste, o triângulo constituído pelas cidades de Milão, Turim e Gênova e, ao sul, o Mezzogiorno. Se as grandes estruturas industriais predominam no primeiro caso e se o atraso de desenvolvimento é onipresente no segundo, a Terceira Itália se distingue pela sua dinâmica de desenvolvimento particular, decorrente da presença de inúmeras Pequenas e Médias Empresas (PME). As PME constituem o cerne do modelo chamado correntemente de “industrialização difusa” na Itália (CAZELLA et al., 2006). 30
A noção de Distritos Industriais foi criada pelo economista A. Marshall no início do século XX e foi utilizada pelos pesquisadores italianos para os estudos da Terceira Itália, onde defendiam que ali emergiam Sistemas Produtivos Locais (SPL) que permitiam integrar as esferas econômica, cultural e institucional, tornando essas regiões altamente competitivas.
por centrar força nas relações de reciprocidade e na solidariedade como opção de desenvolvimento, a Terceira Itália ofereceu um modelo antagônico àquele representado pelo Keynesianismo/ Fordismo (MENEZES; SERVA, 2012).
Para Veiga (2002) algumas lições gerais sobre os “distritos” começaram a ser tiradas, e foram também surgindo muitas dúvidas sobre a possibilidade de que elas pudessem vir a ser aproveitadas em contextos muito diferentes. A Terceira Itália despertou o interesse de estudiosos, onde se começou a perceber a dimensão local como a solução para o estímulo à inovação e ao desenvolvimento, desconsiderando a complexidade desse processo histórico e seus fatores estruturantes (RIBEIRO, 2009). Os estudos de desenvolvimento local passam a fazer parte da agenda de estudiosos.
O sucesso do caso da Terceira Itália tem feito com que muitos pesquisadores se perguntem se a experiência dessa região pode ser reaplicada em outras regiões do planeta. Outras experiências têm sido constatadas em determinadas regiões que conseguiram potencializar seus recursos materiais e sociais com base na cooperação. Entre esses exemplos está o caso de Blumenau, apresentado por Cécile Raud (BENKO & LIPIETZ, 2000). Nessa região, uma série de fatores históricos e sociais favoreceu a formação de um campesinato igualitário formado a partir do assentamento de imigrantes europeus (alemães e italianos), dentro de uma estrutura fundiária baseada na pequena propriedade (ABRAMOVAY, 2010, p. 29).